Capítulo 168 – A Reunião das Noivas e o Biquíni de Fio
— Então, quem for contra o noivado do Touya-san com a primeira princesa do Reino de Cavaleiros de Lestia, Hildegard, levante a mão.
Diante da voz solene da Yumina, ninguém levantou a mão.
— Então, por unanimidade, reconhecemos a princesa Hildegard como nossa companheira. Desejamos que apoiem o marido juntas, e sejam boas esposas e boas mães.
— Muito obrigada! Vou me dedicar de corpo e alma!
Diante da Hilda, curvando a cabeça com lágrimas nos olhos, as outras seis noivas bateram palmas. Que negócio é esse.
Neste quarto, estávamos em oito. Eu, todas as noivas, e a princesa Hildegard. Nessa reunião apelidada de "Reunião das Noivas", parece que o casamento da Hilda acabou de ser aprovado. Só que, por que eu, o principal interessado, estou sentado na cadeira mais afastada?
— Ei, quantas vezes já falei isso, mas será que a minha vontade e tudo mais não conta pra nada aqui?
Lancei um olhar meio torto pra Yumina.
— O Touya-san não gosta da Hilda?
— Claro que não é isso.
— Então tem alguma insatisfação com a aparência?
— Não teria como. Acho ela fofa.
— E a personalidade?
— É séria, se esforça pelo povo sem poupar esforços, uma pessoa maravilhosa.
— Então tem algum problema com a origem ou o país natal dela?
— Nenhum. A Yumina e a Lu também são princesas, afinal.
— Então não parece haver nenhum problema, não é mesmo?
— Ugh.
Com um sorriso tranquilo, a Yumina encerrou a série de perguntas. Olhei pra Hilda, e ela estava completamente vermelha, com o rosto abaixado. De fato, não tenho nenhum motivo pra recusar… Mas o quê? Esse pressentimento de "se eu recuar agora, nunca mais vou conseguir levantar a cabeça pelo resto da vida"!
Já sem chance nenhuma contra uma delas sozinha, imagina contra sete, não vou conseguir dizer nada!
Num sistema de poligamia, se as esposas fizerem um bloco unido, será que o marido tem alguma chance de vencer!?
— …Vocês tão mesmo de acordo com isso?
— Se não estivesse, eu não teria levantado a mão agora há pouco.
— …Nós achamos que, se a pessoa gosta do Touya-san de verdade, e se as outras noivas a reconhecem como família, ela merece ser uma de nós.
A Elsie e a Lindsey tomaram a palavra. Será que dá pra saber isso só de ter conhecido a pessoa agora há pouco? …Ah, o olho mágico da Yumina. Entendi.
O olho mágico da Yumina, quando ativado, mostra a cor da essência da pessoa, como uma aura. Gente de coração puro brilha reluzente; gente com algo a esconder ou má intenção fica com uma cor turva.
Parece que consegue enxergar até a essência inconsciente da pessoa, mas os detalhes eu não entendo bem. A própria Yumina disse que julga por cor e sensação.
Ou seja, é meio "por intuição". Mas, sendo algo essencial, também consegue distinguir gente do tipo "finge ser má, mas no fundo é boa" ou "finge ser boa, mas no fundo é sinistra". Se a Yumina garante, então deve ser verdade mesmo, mas…
— Eu acho que essa é uma boa oportunidade. Eu e a Yumina somos princesas, mas de países do Oeste. Já a Hilda, com Eurono naquele estado, é praticamente a princesa da maior potência do Leste agora. Ter conexão tanto com o Oeste quanto com o Leste ao mesmo tempo já nos deixa sem nada a temer.
A Lu falou isso. Que jeito meio perigoso de pensar, hein…
De fato, ter um laço forte com Lestia deve ajudar bastante com assuntos no Leste, mas…
— Mas, né…
— Você tá indeciso demais. O Touya devia ter mais confiança em si mesmo. Como a irmã Karen falou, você é "popular demais"!
— Popular demais, hein…
— É popular sim! Todo mundo aqui adora o Touya!
Diante da fala direta da Sue, senti o rosto esquentar. Perigo! Alegria e vergonha ao mesmo tempo!
Hmm… Não quero decidir uma coisa dessas assim, deixando me levar pela correnteza…
Olhei de relance pra Hilda, e nossos olhares se cruzaram — ela me observava com um olhar ansioso. Não faz essa cara de quem tá quase chorando.
— …Tá bom. Se todo mundo tá de acordo assim.
Uaa, todo mundo se aglomerou em volta da Hilda, dando palavras de boas-vindas. Vendo aquela cena toda animada, senti de novo que não tenho a menor chance contra elas. Sinto um leve receio pelo futuro.
— Então, Hilda. Sobre aquele duelo com o ex-rei…
— Por favor, me chame só de Hilda. A partir de agora, sou sua noiva, e a primeira cavaleira.
Hilda — não mais "princesa Hilda" — sorriu e me olhou. Vou manter em segredo que aquela expressão orgulhosa me fez o coração bater mais forte por um instante.
— Entendido. Hilda. E aí, o duelo com o ex-rei, você tem chance de vencer?
— Sinceramente, acho difícil. A chance de conseguir uma vitória contra o vovô é de uns 10%…
Baixo. Então esse velho é forte de verdade mesmo. Mas, mesmo sendo 10%, não é impossível vencer.
— Não, mesmo isso não seria uma vitória tirada por mérito próprio — seria mais tipo o azar dele e a sorte de cá coincidindo por acaso…
— Ou seja, é coincidência, no fim.
— Sim…
Não precisa falar assim tão direto, Sue. Olha, ela ficou desanimada.
Mas, pensando pelo lado contrário, se a diferença é tão grande assim, talvez o adversário acabe relaxando demais. Se o velho vier com desdém total, talvez dê pra explorar isso e conseguir uma vitória.
Se não me engano, a luta era com espada de treino, sem magia, usando só capacidade física.
— Senhor Touya, não tem algum jeito?
— Hmm, tipo, colocar pó de cegar na ponta da lâmina, ou explosivo no cabo? Ou encantar armadura e arma com [Enchant] cheio de magias de apoio?
— A-aquele tipo de vitória não seria bem… contra o espírito de cavalaria…
Imaginei. Bom, tem várias formas de fazer isso. É só não usar magia diretamente, né? Ku ku ku.
— De novo com essa cara de malvado, decerto…
— Deve ter pensado em algum truque sujo. De certa forma, dá até alívio.
— É confiável, mas também não é muito reconfortante…
Não fala o que quer. Não tô pensando em nada tão covarde assim.
Nessa. Dessa vez.
Assim que o duelo começou, o ataque do ex-rei, avançando com força, foi empurrando a Hilda contra a parede. Só na defensiva, ela desviava, aparava e escorregava dos golpes de espada de madeira que vinham, aguentando firme.
— O que foi? Seu sentimento pelo soberano é só isso?
— …Eu confio no senhor Touya. Se agir como ele me disse, com certeza vou conseguir a vitória!
— Disse, é? Então mostra!
Acelerando ainda mais os ataques, o ex-rei desferiu uma tempestade de golpes na neta. Aos poucos, a defesa da Hilda começava a ceder. Mesmo bloqueando com o escudo de madeira, o impacto reverbera no braço. Se isso se acumula, é natural que os movimentos fiquem mais lentos.
No campo de treino subterrâneo, os únicos espectadores éramos eu e todas as noivas. Pedi pro pessoal de escolta esperar do lado de fora.
Falei pra Hilda focar ao máximo na defesa, sem nunca deixar passar a brecha do adversário. O alvo é uma virada de jogo com um golpe só. Explorar a brecha do outro e encerrar num só ataque.
A Hilda empurrou a espada de madeira com o escudo e abriu distância. Deve estar gastando bastante energia. Já respirava com dificuldade.
Do lado oposto, o velho parecia tranquilo, com um sorriso fraco no rosto.
— Hmm… que forte, hein. Mesmo sendo espada de cavaleiro, sinto ali a intensidade bruta de um combate real, decerto. Se a Hilda-dono é a suavidade, ele é justamente a força bruta. Não é bem técnica, é mais um sabre no bruto mesmo, decerto.
— Mesmo assim, dá pra ver que ela tá aguentando bem, né? Acho que consegue manter um bom equilíbrio de luta.
— Isso é porque ela está completamente na defensiva. Mas, desse jeito, não há vitória possível. Vai acabar sendo desmontada e derrubada, mais cedo ou mais tarde.
A Yae, a Elsie, e a Lu — o trio marcial da nossa casa — analisavam o combate. Aliás, a Lu ficou bem forte, hein… Quase como se nunca tivesse sido aquela que tremia de medo durante o golpe de estado. Bom, naquela hora, ela devia estar em choque mesmo com o susto todo.
Em termos de capacidade de combate, ela ainda fica um pouco atrás da Yae e da Elsie, mas, mesmo assim, já é bem habilidosa hoje em dia. Como o estilo dela acabou misturando o da Yae e o meu, virou bem particular.
— Já deve tá na hora. Espero que ela não deixe escapar a brecha momentânea do adversário.
— Mas será que o ex-rei vai mesmo abrir alguma brecha? Por mais que seja neta e ele esteja em vantagem…
— Não é que vai abrir. Sou eu quem vou fazer ele abrir.
Diante da cara de "hã?" da Yumina, concentrei energia mágica. Por sorte, tinha um vídeo conveniente rolando por aí na internet, então não é nada difícil.
O ex-rei avançou correndo pra cima da Hilda, como golpe final. Agora!
Projetei, com [Mirage], a ilusão de um vídeo, cerca de 2 metros atrás da Hilda.
— !?
Os olhos do ex-rei se arregalaram, e, por um instante, os movimentos dele pararam. Sem entender o que estava acontecendo, mas, aproveitando exatamente essa brecha que esperava havia tanto tempo, a Hilda desferiu com toda a força a espada de madeira no corpo do ex-rei.
— Guhh!?
Se fosse espada de verdade, teria cortado ele ao meio, parte de cima e de baixo. O ex-rei desabou no chão daquele jeito. Isso!
— …Touya-san.
— Que foi?
— Aquela mulher de biquíni de fio que apareceu por um instante atrás da Hilda-san, quem é?
Na tela do meu smartphone, aparecia uma modelo de foto sensual posando de forma provocante, num micro-biquíni. Não sei quem é, mas, sem dúvida, era um biquíni bem ousado. Pele bronzeada, olhos sedutores, corpo com curvas acentuadas de tirar o fôlego.
— Ganhei! Ganhei, sim! Vossa Majestade! Eu consegui!
Acenei de volta pra Hilda, animada com a vitória. As outras também sorriam e batiam palmas, mas resmungavam baixinho.
— Que fácil assim de fazer o outro abrir brecha…
— Homens são mesmo…
— …Que irritante, hein. Irmãzinha.
— Os peitos dela eram bem grandes, hein…
— Você gosta desse tipo de biquíni, Touya-san?
— Ué? Touya, aonde você vai?
Menos a Sue, todo mundo olhava sem sorriso nenhum nos olhos. Não dá pra ficar aqui mais um segundo! É hora de bater em retirada, urgente!
Pulei da arquibancada pro campo de treino, indo em direção à Hilda, como quem diz "muito bem!". Um olhar gelado atravessava minhas costas, mas não posso me virar.
— Vossa Majestade! Consegui! Agora posso ficar ao seu lado pra sempre!
Enquanto a Hilda comemorava, sem se importar nem um pouco com o motivo da brecha do avô, o ex-rei, encolhido no chão, gemia baixinho.
— Você conseguiu me derrotar mesmo… Mas ainda há um segundo, um terceiro "eu" que vão se colocar diante de vocês dois, com novos desafios…
— Que rei-demônio é esse.
Lancei magia de cura no ex-rei. Será que ele é mesmo o rei de um reino de cavaleiros? Ah, é verdade, ele mencionou que entrou por casamento, né. Faz sentido não ter jeito de cavaleiro.
Recuperado, o ex-rei se levantou de um salto e voltou o olhar pra Hilda.
— Percebi a minha própria imaturidade. Derrota é derrota. Vi bem a sua determinação. Autorizo o casamento. Não vou deixar nem o meu filho reclamar nada. A partir de agora, você não é mais cavaleira de Lestia, e sim de Brunhild.
— Vovô…
— Soberano Touya, ela é uma neta que só sabe manejar espada, mas conto com o senhor pra sempre.
— …Entendido. Pode ficar tranquilo.
Dizendo isso, o ex-rei curvou a cabeça.
— …E aí, agora. Aquela moça do biquíni de agora há pouco, quem era, afinal!? Quero gravar mais uma vez, só mais uma, essa imagem na retina!
— Biquíni?
— Ah… ex-rei. Aqui não é bem o lugar, será que dá pra conversar num quarto separado?
— Ah, sim, claro! Hilda, vai ouvir dos outros aí uns conselhos importantes sobre o assunto. Então, vamos, soberano Touya!
Puxando-me com força, o ex-rei me arrastou dali. Nem reclamou da ilusão que causou a brecha dele. Fiquei pensando se, desde o início, esse homem já tinha a intenção de perder.
Depois disso, implorando sem parar, o ex-rei me fez transcrever, com [Drawing], várias imagens daquele tipo de modelo. De onde vem tanta energia erótica, hein…
Exausto, voltei pro quarto, e, além da Sue e da Hilda, todo mundo mais estava me esperando, cheio de perguntas. Resumindo, fui questionado sobre meu gosto por mulheres. Se prefiro peito grande, se gosto de corpo esguio e magro, se curto esse tipo de sensualidade.
No fim, todo mundo chegou a dizer que ia usar aquele micro-biquíni! Tive que me ajoelhar e implorar pra que me perdoassem. Não posso deixar isso acontecer de jeito nenhum — é estímulo forte demais.
………..Será que foi por pouco?