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Isekai wa Smartphone to Tomo ni – Capítulo 169

A Espada Sagrada e o Novo Rei-Cavaleiro

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Capítulo 169 – A Espada Sagrada e o Novo Rei-Cavaleiro

Alguns dias depois, levando todo o pessoal de Lestia comigo, abri um [Gate] e teletransportei até o Reino de Cavaleiros.

Guiado até o palácio real, através de um arranjo do ex-rei e da Hilda, encontrei-me com o próprio rei-cavaleiro, o atual rei, Reid Yunas Lestia, na sala de visitas. Mesmo com o aval do ex-rei, é bom fazer as coisas do jeito certo.

Achei que estava sendo rápido demais, mas percebi que já era tarde demais pra esperar senso comum de mim mesmo, nisso. Talvez eu e aquele ex-rei sejamos parecidos, no fundo. …Será que também vou virar um velho tarado desses um dia…?

— Ufa… Já não é de hoje que meu pai age assim de repente sem aviso, mas dessa vez foi excepcional. Bom, eu mesmo não tenho nenhuma objeção quanto ao casamento da Hilda. Até que caiu bem, digamos — pra domar uma potranca selvagem como a Hilda, precisa mesmo de alguém à altura de Sua Majestade.

— Eu também acho assim. Que bom, Hilda. Seja feliz.

— Parabéns, Hilda. Vossa Majestade, cuide bem da minha irmã, por favor.

Uau… São gente decente mesmo. O rei, a rainha, o príncipe. Como o pai é aquele velho, eu tinha me preparado pra encontrar só gente excêntrica, mas era uma família perfeitamente normal.

Não, ou será que justamente por ter um pai desses, os filhos cresceram normais assim… como reação contrária, servindo de mau exemplo pra evitar?

Os três pareciam gentis, dava pra sentir que eram boas pessoas. O rei deve ter uns 50 anos? Barba curta, cabelo castanho escuro já começando a misturar fios brancos, o que dá um charme grisalho e tanto. Deve ter sido bem popular na juventude.

A rainha Estelle deve ter uns 40 e poucos. Um jeito suave, meio parecido com nossa Cecile. Parece uma moça de boa família que simplesmente envelheceu do mesmo jeito gentil. Dá aquela sensação de mãe carinhosa.

Já o irmão da Hilda, o príncipe Reinhard, é a própria definição de príncipe. Uns 25 anos, cabelo dourado igual à Hilda — deve ser herança da mãe. Droga, homem bonito, hein… Parece que já tem noiva também. Gentil com o povo, forte na espada, inteligente. O próximo rei é bom demais pra ser verdade!

— Pai, mãe, irmão… Eu vou ser feliz, com certeza!

A Hilda, com lágrimas grossas escorrendo, se jogou no colo da mãe. É uma cena bonita, mas, como parte envolvida, fico meio sem jeito. Tenho a estranha sensação de estar separando uma família tão unida.

— E, bom, o motivo de eu ter apressado tanto as coisas é que, na verdade, meu filho vai ceder o trono ao Reinhard em breve, se retirar, e, pra usar na cerimônia, surgiu um probleminha com a espada sagrada.

— Espada sagrada… é?

— É a espada sagrada, herdada há muito tempo pela família real. A Espada Sagrada Lestia. Uma espada com o nome que deu origem ao próprio nome do país, símbolo do nosso reino.

Enquanto ouvia a explicação de Hilda, um cavaleiro entrou no quarto, entregou solenemente ao rei uma caixa comprida com um selo, e se retirou.

O rei-cavaleiro murmurou um encantamento curto, e um som de "clic" indicou que algo se desprendeu, desfazendo o selo da tampa. Ouvi um som tipo "psh" de ar entrando. Uma caixa selada completamente vedada. Dentro dela, aberta, havia uma espada.

Uma espada bonita, ornamentada em ouro e prata. Uma espada larga, tipo broadsword. A bainha ao lado também tinha decoração esplêndida — a própria definição de "espada de rei".

— Mas isso é…

O motivo de eu franzir a testa: aquela espada esplêndida estava partida ao meio. Isso estraga tudo.

— Essa Espada Sagrada Lestia só tem o selo desfeito em ocasiões muito especiais. Cerimônia de sucessão ao trono, ou guerra em nome de todo o país. Recentemente, foi usada pela última vez na cerimônia de investidura de cavaleira da Hilda, há três anos.

— Decidimos ceder o trono ao Reinhard, e, ao abrir o selo depois de tanto tempo pra preparar a cerimônia, encontramos isso. Não sabemos por que quebrou. Não sabemos, mas, desse jeito, não dá pra realizar a cerimônia. Estávamos lamentando que, na pior das hipóteses, teríamos que usar uma imitação parecida com a Lestia, quando a Hilda mencionou Vossa Majestade.

O rei-cavaleiro segurou a espada na cintura. Ah, é a espada que dei pra Hilda.

— Achei que alguém capaz de fazer, por conta própria, uma espada tão esplêndida assim, talvez conseguisse consertar a Lestia. Foi assim que pensei, e resolvi ir pessoalmente até Brunhild. Bom, isso foi só um pretexto — minha curiosidade real era mesmo sobre você. Queria julgar que tipo de homem era esse que deixou a Hilda tão apaixonada.

— V-vovô!?

— Nos últimos meses, ela só falava do soberano, sempre suspirando ao olhar pra espada que ganhou, perguntando aos comerciantes viajantes tudo sobre Brunhild, com toda sorte de emoções. Vendo alguém assim, até eu percebi.

— A-ah, até você, irmão!?

Enquanto a Hilda se atrapalhava, envergonhada, voltei minha atenção à espada sagrada diante de mim. Hmm… parece bem antiga mesmo… No meio da lâmina, dá pra ver caracteres antigos gravados. No punho, há uma gema tipo cristal encaixada.

— Posso segurar?

— Claro, sem problema.

Segurei a parte quebrada do cabo e examinei com atenção. Sinto um leve resquício de energia mágica.

— Isso não tinha algum tipo de encantamento especial?

— Como esperado. Você percebe só de olhar? De fato, tinha o poder de conceder cura a quem a segurasse. Enquanto segurando essa espada, feridas leves se curavam rápido, e até ferimentos graves iam se recuperando aos poucos.

Entendi. Era um encantamento de cura aplicado nela. Mas isso também se perdeu. Ou melhor, não tá mais funcionando.

— O melhor ferreiro do reino desistiu. Disse que nunca tinha visto sequer o material dessa espada antes. O efeito de cura também sumiu, então achamos que não tinha mais jeito, mas…

— O que será que esses caracteres antigos gravados aqui significam?

— Sei lá. Não há registro nenhum na família real. Parece ser antiga língua Partheno.

Então é isso. Bom, vamos conferir.

— [Reading] / antiga língua Partheno.

Magia nula, [Reading]. Se identificar o idioma, traduz automaticamente. Magia bem prática…

— Desgraçada…

Meus ombros caíram, sem força. A energia se esvaiu. Aquele caractere era, na verdade, uma assinatura. A prova que o próprio criador grava, indicando que é obra dele. O caractere que consegui ler com [Reading] dizia isso:

"Feito por Regina Babylon"

Como assim, hein… Aquela doutora mexeu até nisso? Será que é destino, de novo. Só agora vou perceber isso.

— O que houve, Touya-sama?

— Não… essa espada aqui… parece ser obra da mesma pessoa que criou o Frame Gear…

— Não pode ser…!

O ex-rei arregalou os olhos. Nem eu esperava encontrar isso justamente aqui. Isso é mesmo uma "espada sagrada"? Não seria uma "espada sacana"?

— Deve ter mais de 5000 anos, então acho que a energia mágica acabou se esgotando. Vocês mantinham selada o tempo todo, né? Provavelmente, sem conseguir absorver energia mágica do ar, ela foi se deteriorando aos poucos…

Provavelmente, quando a energia mágica que mantinha o estado preservado se esgotou, alguma rachadura pequena de repente virou uma fenda maior. Se só expõe ao ar por um tempinho curto durante a cerimônia nacional, não dá pra absorver tanta energia mágica assim. Cedo ou tarde, ia acabar mesmo.

É que nem um animal: se não recebe comida, vai definhando aos poucos até morrer.

— 5000 anos? M-mas essa espada foi usada pelo fundador da nossa família real. Não parece fazer tanto tempo assim…

— Quando Lestia foi fundada, mesmo? Quantos anos atrás?

— Cerca de 300 anos. Pra ser exato, ainda são 291. Diz a lenda que o fundador segurou a espada sagrada, e, com o poder dela, encerrou os conflitos daqui, fundando o Reino de Cavaleiros.

……………Entendi tudo. Ouvindo a explicação do príncipe, uma hipótese surgiu na minha cabeça. Não, mais do que hipótese, já é quase certeza. Porque já encontrei essa mesma situação várias vezes!

Com certeza absoluta, isso caiu do "Depósito". E o cavaleiro que fundou este país deve ter encontrado ela. E, com esse poder, fundou este país… Pensando bem, isso é meio incrível, hein.

O jeito desastrado do "Depósito" já me deu tanto trabalho, mas esse aqui é um exemplo de como isso deu certo. No fim, talvez qualquer item maravilhoso dependa mesmo de como se usa.

— Bom, agora que sei disso, dá pra consertar sem problema. É só isso mesmo. Dá até pra recolocar o mesmo encantamento de antes.

Apliquei [Modeling] na espada sagrada, unindo a lâmina de novo. Nesse processo, o encantamento anterior desapareceu, mas, como vou adicionar um novo encantamento de cura, não tem problema. Vou até aumentar um pouco a capacidade de acúmulo de energia mágica. Acho que, sem precisar mais colocar de volta na caixa selada, já deve ficar tudo bem.

— Ooh…!

— Certo, pronto. Voltou ao normal.

— Sou muito grato. Com isso, a cerimônia pode prosseguir sem contratempo. Agradeço de coração!

O rei segurou a espada sagrada na mão direita e cortou de leve o próprio braço esquerdo com ela. Um corte vermelho apareceu, mas logo se fechou, curando na hora.

— De fato, voltou ao normal. E, ainda por cima, sinto que cura até mais rápido que antes.

Ué? Será que acabei aplicando um nível de cura mais alto sem perceber? Se for isso, a energia mágica também vai se esgotar mais rápido… Bom, quanto maior a cura, melhor, imagino.

Normalmente, ela absorve energia mágica do ar e acumula, até certo ponto, dentro da espada. Usa essa energia acumulada pra curar o portador ou manter o próprio estado preservado, mas, claro, quanto mais usa, mais diminui.

A parte usada se recompõe absorvendo energia mágica do ar, mas, com absorção lenta assim, a energia não se acumula rápido. Se gastar tudo que acumulou, o efeito de cura para de funcionar.

Se antes dava pra curar 10 vezes com [Cure Heal], talvez agora eu tenha deixado de forma que só cura 5 vezes com [Mega Heal]. Só que aumentei a capacidade de acúmulo de energia mágica, então acho que dura mais que antes.

Bom, a espada sagrada anterior também não era onipotente, então não deve ter problema. Cura infinita não existe mesmo.

Por um instante, pensei que talvez eu conseguisse fazer algo assim também, mas, no fim, acho que não dá. Na pior das hipóteses, poderia virar algo tipo aquela "Joia da Imortalidade", quase um estado de morto-vivo. Se depender demais de um item desses pra manter a própria vida, isso já é o fim como ser humano.

— Deve ter algumas diferenças em relação à original…

— Não, tá mais que suficiente. Sou muito grato.

O rei guardou a espada sagrada na bainha, e, dessa vez, não tentou colocá-la de volta na caixa. Expliquei que, sem precisar disso, bastava expor ao ar por um dia inteiro, uma vez por ano, que não ia mais quebrar. Ele disse que, então, vai desfazer o selo todo ano no dia da fundação do país.

Depois disso, também decidi dar um presente ao novo rei, em comemoração à ascensão ao trono: uma Espada de Cristal. Já tinha dado uma pro ex-rei, pro rei, e pra Hilda, mas, naquela hora, não sabia que existia o príncipe.

O design ficou igual ao da espada sagrada. Leve, com fio de corte excelente, resistente, jamais quebra. Uma espada completamente voltada pro combate. Só que, sendo tão afiada, sem outra Espada de Cristal igual, nem dá pra treinar direito — cruzar com ela quebra a espada do adversário na certa.

— Não, é maravilhosa mesmo. Pra falar a verdade, eu tinha uma certa inveja das espadas de cristal que todo mundo tem. Mas isso supera até aquilo. É o melhor presente possível.

Que bom que ele ficou feliz. Afinal, esse também vai virar meu cunhado, então tá dentro do razoável.

Alguns dias depois, um novo rei do Reino de Cavaleiros de Lestia nasceu. Durante essa cerimônia, também foi anunciado o noivado entre a primeira princesa, Hildegard, e eu, soberano de Brunhild — e a Hilda se tornou, oficialmente e de fato, minha noiva.


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