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Isekai wa Smartphone to Tomo ni – Capítulo 174

Os Guerreiros e a Segunda Irmã

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Capítulo 174 – Os Guerreiros e a Segunda Irmã

"Então, Touya-sama é… irmão da senhora Karen?"

— Irmão dele na Terra. O poder divino dele também foi concedido pelo Deus do Mundo.

Isso é mentira. Não foi concedido — foi um subproduto de acaso. Um erro por descuido.

Bom, já que o espírito da grande árvore parece convencido, tudo bem, então.

"Mas por que uma pessoa dessas está num evento como o "Ritual da Poda"…?"

— É que gente próxima tá competindo, então vim torcer. Ah, e, por favor, sejam justos no julgamento.

"Ahn…"

Bom, quem julga é a tribo Jaja mesmo, então talvez não faça diferença.

Além disso, parece que a irmã Karen consegue bloquear completamente o poder divino dela. No meu caso, não consigo fazer isso, e foi por isso que o espírito da grande árvore percebeu. Bom, já que não parece causar dano nenhum, e dizem que com o tempo eu também vou conseguir controlar isso, vou deixar quieto. Aliás, poder divino não é algo que se aprende só sendo ensinado, ao que parece.

— Mesmo assim, esse "Ritual da Poda"… é tipo um festival, né?

"No início, era um meio de resolver disputas através de duelo, mas eu concedi proteção, passando a preservar a vida dos participantes. Hoje, de fato, virou um festival. Ainda que envolva honra e interesses."

— Se não me engano, o espírito da grande árvore tem a característica de nutrir a vida. Faz sentido, entendi.

Hmm. Então o espírito da grande árvore tem o poder de proteger vidas. Mesmo assim, já que ainda saem mortos, deve não ser onipotente.

Se conseguisse proteger todo mundo sem exceção, provavelmente não haveria conflito nenhum entre as tribos do Grande Mar de Árvores.

— Parece interessante, então vou assistir esse "Ritual da Poda" também. Se a Yae e as outras vão competir, preciso torcer!

— Ei!? Você não vai voltar!?

— …Chamar alguém à força e depois falar isso me irrita um pouco, viu?

— Aiaiaiaiaiaiaiaiaiai!

Fui beliscado de novo.

Segundo dia do "Ritual da Poda".

As tribos que sobreviveram voltam a competir em bravura marcial. Hoje, lutam duas vezes, e as 8 tribos que restarem avançam pra final de amanhã.

Sinceramente, até agora, ainda não vi nenhuma tribo que pareça páreo pra tribo Lauri.

— Aliás, quem venceu o "Ritual da Poda" anterior?

— Dizem que foi a tribo Panau, mas parece que já foram eliminados dessa vez.

Puxa. Bom, se já se passaram dez anos desde o torneio anterior, os membros também devem ter mudado.

Tinham algumas tribos com aparência bem forte, mas acho que, no geral, o nosso lado leva vantagem. A mais fraca do nosso time provavelmente é a Lu. Um pouco acima dela vem a Pam, depois a Elsie (sem [Boost]), e, acima delas, a Yae e a Hilda. Se a Elsie usar [Boost], chega no mesmo nível da Yae e das outras.

Com esse time, é difícil imaginar perder três vezes. Mas tem também questão de compatibilidade de arma com o adversário. Por exemplo, a Pam, que usa machado, contra alguém com adaga muito ágil; ou a Elsie, de alcance curto, contra um lancista. A ordem de combate também influencia.

Talvez levando isso em conta, hoje a ordem foi diferente de ontem. Ponta: Yae. Segunda: Pam. Meio: Hilda. Vice-âncora: Elsie. Âncora: Lu.

— Olha, olha, a partida da Yae-chan vai começar! Vamos torcer! Vai fundo, Yaee-chaan!

— Irmã, isso não é beisebol…

Ao meu lado, a irmã Karen, animada, já estava toda vestida na indumentária da tribo Lauri, feito quem já pertencia. Bom, deixá-la com aquele pijama seria complicado, mas isso também…

A irmã Karen tem um corpo esbelto e tanto, o que, de certa forma, chama muita atenção. Bom, sendo deusa, é natural mesmo…

Enquanto eu pensava nisso, a Yae já tinha derrubado o adversário facilmente. Essa partida deve ficar tranquila. Vendo o espanto do time adversário quando o competidor da ponta perdeu pra Yae, esse deve ser um dos fortes do time deles. Se ele perde fácil assim pra Yae, os outros não devem ser páreo nenhum.

De fato, seguimos com Pam e Hilda também vencendo direto, 3 a 0.

— Mas, hein… será que todo mundo já era tão forte assim?

Bom, todos treinam quase todo dia, e às vezes até cumprem pedido da Guilda. Treinam também na sala montada no subsolo, mas a velocidade de crescimento de todo mundo, nesses últimos meses, é de fazer arregalar os olhos.

Diante do meu murmúrio, a irmã Karen inclinou a cabeça.

— Hmm? Será que… elas viraram "servas"?

— "Servas"?

— Hmm, "poder divino" é literalmente "poder de deus", mas o Touya-kun ainda nem despertou de vez, e talvez nunca desperte totalmente. Mas, digamos, você já tá num estado tipo meio-deus… semideus.

Quê… chegou a esse ponto!? De fato, já tinha ouvido que meu corpo estava ficando mais próximo do divino. Mas parece que tô ficando cada vez mais longe de ser humano…

— E, bom, essa história de virar "serva" é receber a proteção de um deus. O Touya-kun, sem perceber, tá compartilhando poder divino com as pessoas que considera família. É uma quantidade pequena, mas é tipo… "amor divino", digamos assim? Numa visão mais ampla, até nós somos servas do Deus do Mundo, família dele.

Ah, entendo mais ou menos. De fato, considero todo mundo como família. Quero proteger todo mundo. Será que isso concede força como se fossem servas. Entendi, então a irmã Karen, sendo Deusa do Amor, também é serva do Deus do Mundo.

— Essas garotas não vão despertar "poder divino", mas existe a possibilidade de desenvolverem alguma capacidade especial. Provavelmente, do jeito que vai, vão chegar com certeza ao nível de mais fortes da humanidade.

— Tanto assim!?

— Não subestima o "amor divino", viu? Ser um "ser amado por um deus" é exatamente isso. Aliás, claro, se o Touya-kun passar a odiar alguma delas, o efeito desaparece.

Bom, isso eu acho que nunca vai acontecer. Não teria como odiar nenhuma delas. Mas que efeito absurdo, hein…

— Mesmo assim, sendo nível de semideus, não devia ser tão… ah.

— ?

— Hmm, é isso mesmo, né? Hmm. Bom, tudo bem, tanto faz.

— Não fica convencida sozinha. Explica direito.

Acabei retrucando sem querer, vendo a irmã Karen cruzar os braços e começar a murmurar sozinha, inclinando a cabeça.

— Ah, provavelmente, essas garotas… viraram servas do Touya-kun, e, ao mesmo tempo, servas minhas também.

— Ué?

— Eu vejo o Touya-kun como irmão, como família. E as noivas dele, sendo família dele, também considero família minha. Não amo tanto quanto o Touya-kun, claro, mas mesmo assim.

Ah, é isso então. Semideus mais Deusa do Amor, um "amor divino" de duas fontes. De fato, dá pra ver que elas se dão bem. Bom, ela é "cunhada", afinal.

— …Aconteceu alguma coisa?

Curiosa com o nosso jeito estranho, a Lindsey perguntou. Deve ser porque o grito de torcida abafou nossa conversa. Bom, mesmo se tivesse ouvido, provavelmente não entenderia o sentido mesmo.

— Ah, não, nada.

— Eu tava confirmando que o Touya-kun ama a Lindsey-chan.

— I-i-isso! Isso mesmo! E-eu também, ah, a-amo…!

— Aaah, que fofa! Abraço!

A irmã Karen abraçou a Lindsey, que gaguejava toda vermelha, tentando formar as palavras.

Entendi. De fato, parece estar recebendo mesmo o "amor divino". Faz sentido virar "serva" assim.

— Touya-san. Olha aquilo.

— Hã?

A Yumina, que assistia comigo, puxou minha manga e apontou pra um dos palcos, onde dois homens lutavam. Um homem grande, brandindo uma espada enorme, e um monge careca usando bastão, desviando com agilidade.

O homem grande claramente era de uma tribo do Grande Mar de Árvores, mas o do bastão não. Aquele tom de pele, seria do Leste? Será que também é um reforço convidado, como nós?

Continuando a desviar, o homem grande claramente já estava gastando energia. Sem deixar passar a chance, o bastão do monge careca desferiu uma estocada afiada, acertando em cheio o peito do homem grande. Ele desabou na hora, e o monge careca venceu. Fez uma reverência ao adversário caído e voltou pro próprio lado.

Forte, hein. Uma habilidade e tanto. Será que foi chamado de reforço justamente por essa força. Sem nenhuma relação, mas "monge com bastão" ia virar um bom trava-língua em japonês. Não consigo falar três vezes seguidas.

Pensando besteira, continuei observando aquele palco, e, de novo, do lado do monge careca, surgiu outra pessoa que claramente não era do Grande Mar de Árvores. Sendo competidora representante, deve ser reconhecida como companheira da tribo, mas fiquei surpreso ao ver aquela mulher.

Olhos dourados, orelhas pontudas, pele marrom-avermelhada com padrão de escamas. E dois chifres saindo do cabelo preto curto, além de uma cauda grossa saindo da região da cintura. Aquilo é…

— É uma dragonoide.

A Yumina murmurou baixinho. Dragonoide. Aquilo, hein. Se não me engano, é um tipo de semi-humano, uma das sete raças principais de Mismede.

— Os dragonoides são poucos em número, sendo a raça mais rara entre as sete principais de Mismede. Mas possuem alta capacidade de combate, e dizem ser uma raça de guerreiros muito orgulhosa. Também é a primeira vez que eu vejo um.

Pensando bem, nem quando fui a Mismede cheguei a ver algum. Parece que os dragonoides são indiferentes à política, e o interesse deles se concentra quase todo em combate e treinamento. Por isso, não ocupam cargos importantes em Mismede, e nunca tinha me encontrado com nenhum.

O que ela empunhava era uma manopla cinza-escura. Lutadora marcial, como a Elsie.

Assim que a partida começou, a dragonoide deu um passo leve à frente, quase imperceptível. Mas, no instante seguinte, já estava bem na frente do adversário com machado, num único salto. E, sem hesitar, desferiu um golpe de palma com a mão direita. Com um som de "go!", o adversário, sem sequer ser tocado, foi jogado longe, caindo fora do palco.

O que foi aquilo… Será algum tipo de "hakkei"? Já que usou dentro do palco, não deve ser magia.

Assim como o monge careca, ela fez uma reverência e voltou ao próprio lado. Que guerreira educada, hein. Será que, como o kendo ou judô do Japão, tem alguma escola que trata o adversário a ser vencido com respeito.

— Isso aqui não vai ser fácil de avançar assim tão simples.

— Parece que não mesmo.

Olhando pros outros palcos também, dava pra ver, aqui e ali, gente de habilidade de destaque. Mas ainda assim, sinto que aqueles dois de agora se destacam do restante.

— O QUÊ!?

Enquanto observava o local, a irmã Karen, ao meu lado, soltou um som estranho. O quê? Tem algum competidor estranho também?

No campo de visão da irmã Karen, havia dois lutando espada contra espada. Um deles era de uma tribo do Grande Mar de Árvores. O outro, também claramente um reforço de outro país. Pele branco-porcelana, cabelo curto num tom prateado-arroxeado. Segurando a espada numa mão só, ela desviava habilmente os ataques do adversário.

— O que é aquilo…

Impressionante. O que impressiona é que aquela mulher não deu um único passo. Até um ataque vindo bem de trás ela consegue bloquear com a espada, virada pras costas, como se estivesse enxergando. Como que consegue fazer isso? E, ainda por cima, só usando uma mão o tempo todo.

Deixando o adversário atacar à vontade, quando ele finalmente parou de se mexer, ela desceu levemente a espada no ombro dele, encerrando ali mesmo. Só isso, e o adversário não se levantou mais — vitória da espadachim.

Ei, ei, ela venceu sem se mover nem uma vez. Não acho que o adversário fosse fraco…

Mas o time daquela espadachim já tinha perdido as outras três partidas, então foram eliminados por ali mesmo.

— Aah, mais… por que ela tá justamente aqui, hein?

— Hã?

Será que a irmã Karen conhece ela? Enquanto eu observava as costas da mulher, descendo do palco e saindo do Domínio da Árvore Sagrada, ela de repente se virou, ergueu a mão de leve e sorriu na minha direção.

Hã? Ué? Ela me conhece?

— Touya-kun, vem cá um pouco. Yumina-chan, vou pegar o Touya-kun emprestado um instante.

— Ué? Ah, sim.

Levado pela irmã Karen, saímos do Domínio da Árvore Sagrada. Debaixo de uma árvore grande bem afastada, a mulher de antes esperava, mão na cintura, com um sorriso confiante.

— E aí.

— Nada de "e aí". Por que você tá justamente aqui?

Com uma expressão mais de espanto que de raiva, a irmã Karen cruzou os braços, encarando a espadachim. Sem se abalar nem um pouco, a espadachim riu, "kara kara", e respondeu.

— Oficialmente, é pra ajudar você. Na real, é porque parecia interessante.

— Aah…

Diante do jeito descontraído dela de falar comigo, tive um pensamento repentino. Não pode ser… só posso pensar nisso mesmo.

— Irmã Karen… será que essa pessoa é, por acaso…

— Hã. É uma colega. É a Deusa da Espada.

— Deusa da Espada!?

Era isso mesmo! E, ainda por cima, essa Deusa da Espada é uma das deusas que ficou me observando achando graça, né!? Ei, ei, os deuses não têm mais o que fazer não? Não, parece que o trabalho deles é capturar deuses subordinados, mas parece que estão usando isso como pretexto conveniente…

— Prazer, acho? Já que eu ficava sempre espiando o mundo terreno, não sinto que seja bem a primeira vez, Touya-kun.

— Ah… prazer, sou Mochizuki Touya.

— Ah, prazer. Aliás, Deusa do Amor. O que é esse "irmã Karen"?

— Na Terra, sou a irmã do Touya-kun. Mochizuki Karen. Fufun, legal, né?

A irmã Karen encheu o peito, orgulhosa, mas isso não é motivo de orgulho nenhum. Mesmo assim, a reação da Deusa da Espada foi diferente.

— Que inveja. Ah, então eu também vou ser irmã.

— Não pode não! A posição de irmã é minha!

Rindo, de brincadeira, a irmã Karen virou o rosto de lado. A Deusa da Espada, em resposta, juntou as mãos como quem reza.

— Que isso, tudo bem. Ah, então eu viro a segunda irmã, ou seja, sua irmã mais nova. Por favor, irmã Karen.

— Eu sou a irmã mais velha? É?

— Sim, isso. Eu sou a mais nova.

A irmã Karen fez cara de quem pensava, "hmm…", e olhou de relance na nossa direção. Que teatrinho é esse.

— Bom, se for assim, tudo bem. É especial, viu?

— Que bom! Sendo assim, eu também sou sua irmã, conto com você.

A Deusa da Espada — não, a segunda irmã — se virou pra mim, sorridente.

Sem entender nada direito, ganhei mais uma irmã. …Que negócio é esse?


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