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Isekai wa Smartphone to Tomo ni – Capítulo 184

A Confissão da Fada e o "Tipo Humanoide"

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Capítulo 184 – A Confissão da Fada e o “Tipo Humanoide”

— FINALMENTE CHEGOOOOOU!!

Erguendo os dois punhos, expressando a alegria com o corpo inteiro, estava a garota gótica-lolita pequena, de duas maria-chiquinhas — não precisa nem dizer, é a Leen.

Ao lado dela, o urso de pelúcia também erguia os dois "punhos" na mesma pose de comemoração.

— A cristalização da sabedoria antiga! Conhecimento e história desconhecidos! Tudo isso, nas minhas mãos!

— Odeio estragar seu clima, mas vou limitar o acesso aos livros da "Biblioteca", tá?

— O QUÊ!?

A Leen se virou de repente na minha direção, arregalando os olhos.

Aliás, aqui é o castelo de Brunhild — ainda não levei a Leen nem ninguém pra "Biblioteca" de Babylon. Chamei a Leen na sala de visitas (a Paula veio junto também) e comecei a contar sobre a descoberta da "Biblioteca".

— Não, pensando de forma normal: afinal, a Leen é embaixadora de Mismede. Não dá pra simplesmente deixar levar embora essa tal sabedoria antiga assim tão fácil. E, além disso, ainda não sei nem o que tem guardado lá dentro.

— Ah, é assim que vai ser… Bom, faz sentido, admito. …Certo, então vamos fazer assim: me aceita como Maga da Corte de Brunhild.

— Hã?

O que essa mulher tá falando. De fato, ainda não temos o cargo de Maga da Corte por aqui. Bom, sendo líder do povo das fadas, excelente em magia, a capacidade dela não deve ser problema.

Mas a Leen é embaixadora de Mismede, não vai ter algum problema aí?

Sendo uma das líderes das sete raças semi-humanas, ela é uma figura que, tecnicamente, esteve no núcleo do governo de outro país, não é?

— Sem problema nenhum. Sendo líder do povo das fadas, tecnicamente eu tava listada nesse cargo, mas, na prática, era quase só um título honorário. A maior parte do trabalho concreto era feita pela Elis.

— Elis?

— A atual Maga da Corte de Mismede. Já que é assim, vamos aproveitar e passar o posto de líder do povo das fadas pra ela também. Assim eu me aposento de vez e posso me dedicar de corpo e alma à busca pelo conhecimento.

Hmm, se por lá era só um cargo de nome, provavelmente ela não sabe de segredos de estado de Mismede, então não teria motivo pra preocupação de vazamento. E, além disso, aquele Rei Ferino provavelmente não se importaria nem um pouco com isso. Ele até deseja a elevação de status dos semi-humanos em outros países também, então provavelmente aprovaria isso de braços abertos. Deixando de lado se seria útil ou não.

— Que grosseria. Se eu me empenhar, sou incrível, viu. Vou usar bem o conhecimento adquirido na "Biblioteca" pro bem de Brunhild. Ah, e, aliás, que tal eu virar sua esposa também?

— Não, por enquanto já tô com gente suficiente por aqui. …Aliás, a Leen não é casada?

— …Que jeito displicente de desviar de uma confissão única na vida… Você não pensa nem um pouco?

Ela murmurou algo, mas vou ignorar. Pensando bem, já que ela vive há mais de 600 anos, não seria estranho já ter casado uma ou duas vezes. Será que até tem filhos?

— Infelizmente, nem casei, nem tenho filhos. Já falei antes, mas o povo das fadas para de crescer entre o final da adolescência e o começo dos vinte. …No meu caso, isso parou bem cedo… Por causa disso, nunca encontrei alguém assim pra esse tipo de relação. Alguns homens com gosto estranho já vieram me paquerar, mas não caí tão baixo a ponto de considerar esse tipo de gente.

Bom, com essa aparência, é compreensível mesmo. E, ainda por cima, com o crescimento parado assim. Sendo também líder do povo das fadas, deve ser motivo pra homens hesitarem em se aproximar.

Tem aquele ditado, "procure uma esposa mais velha mesmo que precise gastar sandálias de ouro", mas, nesse caso, ela é velha demais. Se fosse pra procurar mesmo usando sandália de metal indestrutível, será que valeria a pena…

— …Você não gosta de mulher mais velha?

— Hã? Não é isso. No caso da Leen, nem sinto que seja "mais velha" de verdade, então não me incomoda tanto assim. Mas casamento é outra história. Confio na Leen, e não é que eu não goste dela. Mas…

— Ah, eu gosto bastante de você, sabia. A ponto de considerar casamento. É esse tanto de gostar, viu?

Ugh…! Ela foi direta com o "gosto de você"… Isso pegou de surpresa.

A Leen se inclinou pra frente na cadeira, olhando bem no meu rosto. Aqueles olhos travessos me encaravam fixamente. Por algum motivo, não conseguia desviar o olhar. Que situação — tipo sapo encarado por cobra.

De repente, os olhos dela se fecharam, e, no instante seguinte, ela me deu um beijo leve.

— !?

— Fufu, com essa reação, dá pra ver que não é bem indiferença total. Ter sete noivas e ainda não estar acostumado com esse tipo de coisa… o que será isso, hein?

Mesmo com aparência infantil, conseguir carregar um clima tão sedutor assim deve ser fruto de tantos anos vividos.

Que perigo. Sinto que meu rosto ficou vermelho, e eu mesmo percebo isso. Se fosse com alguém completamente desconhecido, a surpresa dominaria, sem tanto constrangimento assim, mas justamente por conhecer bem a pessoa é que fica pior.

Enquanto eu pensava em como reverter a situação, a Leen sorriu de leve, e…

— Bom, entendo que não dá pra responder na hora. Cheguei a pensar até em ficar como amante, mas quero casar pelo menos uma vez na vida. Pensa nisso com um pouco de seriedade, tá? Sou surpreendentemente dedicada, sabia.

Ao se afastar, ela me deu um beijo de novo, dessa vez na bochecha. Ugh, que fofa. Bom, talvez não seja bem a palavra certa pra alguém com mais de 600 anos.

— E aí, se eu virar sua esposa, posso usar a "Biblioteca" livremente, né? Querido.

— Então era mesmo isso o seu objetivo!

— Claro que não é só isso. Realmente gosto de você. Difícil de acreditar?

— Aah, tá bom… Entendi. Pode olhar livremente. Mas não vá espalhar o conteúdo por aí sem mais nem menos, tá?

— Obrigada. Te amo, querido.

Que falso isso. Ué? Será que acabei de ceder a uma sedução? Não, vou pensar que ganhei mais um talento valioso pro time. Sinto que fui bem manipulado, mas, mentalmente, com certeza é melhor pensar assim.

Enquanto eu pensava nisso, a Paula, parada na minha frente, encolheu os ombros e balançou a cabeça de leve, tipo "que Deus me ajude". Argh.

— Fuoooooh…

— Hawaaaah…

As vozes da Leen e da Hilda ecoaram pela "Biblioteca". Todo mundo mais também tava surpreso, mas não tanto quanto essas duas.

A Leen porque finalmente chegou ao objetivo dela, a "Biblioteca"; a Hilda porque tá surpresa com a própria Babylon em si. Afinal, é a primeira vez que a trouxe aqui.

— O que é isso, afinal!? Flutuando no céu… e ainda por cima, o Frame Gear também vem daqui!?

— Desculpe, mas peço silêncio dentro da "Biblioteca".

A Fam, ainda com o olhar fixo no livro sobre o sofá, corrigiu de forma direta a Hilda, que tinha erguido a voz. O que a Fam lê agora é um dos livros novos trazidos do "Tsukuyomi" deste mês. Ah, claro, os mais perigosos já foram removidos por precaução.

— Aliás, como se faz pra pegar os livros lá de cima? Tem escada, banquinho?

— Ah, é só encostar na estante e imaginar mentalmente qual prateleira você quer ver.

Seguindo o que eu disse, a Leen encostou na estante, e apenas aquela estante específica desceu devagar em direção ao subsolo, parando com precisão numa determinada altura.

— Entendi. Então é assim que funciona. Isso é… !

Ela pegou um livro da prateleira que parou diante dela. Como sempre, não dá pra ler o título. Será que a Leen consegue? Animada, ela folheava o livro, e eu perguntei.

— Que livro é esse?

— É um manual de magia antiga! Tá escrito em língua mágica antiga, mas de algum jeito dá pra ler. Tem magias que deram origem às magias usadas hoje em dia, e até magias que já se perderam com o tempo! Isso aqui é uma coisa incrível, sabia!?

— Desculpe, mas peço silêncio dentro da "Biblioteca".

De novo, a Fam a corrigiu. Sem nem desgrudar os olhos do próprio livro. Que consistência. Que viciada em texto impresso.

— Mesmo assim, que quantidade absurda de livros, hein, decerto… Deve dar trabalho e tanto pra encontrar o livro certo.

— Ah, isso também não tem problema. Por exemplo… vamos ver, "pesquisar livros sobre espadas".

Assim que falei isso, uma seta surgiu flutuando no tapete do chão. Seguindo essa seta, dá pra encontrar o livro desejado. Aliás, mesmo se devolver o livro numa prateleira qualquer, ele acaba voltando sozinho pro lugar certo dentro da estante — deve ser algum tipo de função de organização automática. Que conveniente.

Tirando um livro qualquer das prateleiras próximas e folheando, a Yumina, provavelmente pra não ser repreendida pela Fam, comentou baixinho.

— Mas a maioria tá escrita numa língua que a gente nem consegue ler… Precisamos que o Touya-san faça uns óculos tradutores…

— Não me importo de fazer, mas preciso saber que tipo de língua tá sendo usada primeiro. Fam, posso falar contigo um pouco?

Chamei a Fam, e, mesmo sendo do tipo que não dá muita atenção, parece que não conseguiu ignorar completamente o Mestre — ela se levantou e ergueu o rosto do livro.

Sem relação com nada, mas essa garota também, assim como a Shesca e as outras, escolheu entre os trajes que ganhei do Zanack-san algo do gosto próprio, e vestiu. Não sei bem por que escolheu justamente um uniforme escolar tipo marinheiro. Bom, de fato, combina com o clima de garota estudiosa que ela tem.

Ilustração do capítulo 184

— Quantas línguas diferentes existem escritas nos livros aqui?

— Língua mágica, língua élfica, língua Parteno, escrita secreta de Remília, língua sagrada de Raster, língua oficial dos sacerdotes, língua rápida de Digger, língua fronteiriça de Rald, escrita do Evangelho, pictografia de Esteba, língua Aba, língua Karuna, língua Marukuru, língua comercial de Salieri, língua do Império Uldinias, escrita Gazuru, língua antiga dos demônios… por aí. O resto não lembro. Não é que eu não consiga ler — só de olhar já reconheço.

Que quantidade, hein! Não, comparado às línguas da Terra, ainda deve ser bem menos. Talvez porque existia um estado relativamente unificado.

Se não me engano, o lugar onde a doutora vivia era o antigo Reino Parteno, né? Aquele reino mágico que dominava quase metade do continente. Faz sentido ter tanto livro escrito em língua Parteno.

Um reino que floresceu há 5000 anos, hein. Que também acabou destruído pela grande invasão dos Phrase… Ué? Espera aí.

— Pesquisar livros relacionados a Phrase.

Testei a busca, e uma seta apareceu no tapete. Então existe.

Mesmo com o reino destruído, será que alguém que sobreviveu deixou registro pras gerações futuras.

Seguindo a seta, olhei pra uma prateleira que piscava de leve. Entre os livros alinhados ali, peguei um que ficava ligeiramente pra fora dos outros. Como era em língua Parteno antiga, ativei [Reading]. Certo, agora dá pra ler.

"Cristal Mágico"

Folheando o livro com esse título, dizia sobre o hábito dos Phrase de atacar pessoas, a fraqueza chamada "núcleo", habilidades de regeneração e absorção de energia mágica, mas nada além do que eu já tinha ouvido do Ende. Claro, não havia registro de que buscam o núcleo do "Rei", nem de que são visitantes de outro mundo.

Fora isso, também estava escrito como os Phrase surgiram há 5000 anos, destruindo cidades, vilas e capitais reais, mas, sinceramente, não é lá muito útil. Bom, faz sentido, já que os Phrase desapareceram antes de qualquer solução concreta ser encontrada. Deixando pra trás só um dano incalculável pra humanidade.

Com a invasão dos Phrase, a humanidade (incluindo os semi-humanos) perdeu mais da metade da população. A maioria dos países perdeu os líderes da capital ou da corte real, e foi destruída.

Estava escrito sobre a tragédia extraordinária desse dano, e o fim de guerreiros que lutaram bravamente até o fim, mas não havia informação que fosse realmente útil pra nós. Devem ter tratado isso como monstro misterioso já na época. Não tinha jeito mesmo.

— Ah, isso é…

Perto do final do livro, havia desenhos dos Phrase. Cada um por tipo, com força, tamanho e velocidade marcados por algo parecido com estrelinhas.

Entendi, então não ficaram simplesmente parados sem fazer nada. Pesquisaram e desenvolveram contramedidas.

Ali estava, uma espécie por página, os tipos que o Ende chama de espécie inferior: grilo, cobra, besouro, louva-a-deus, avestruz. Esse tipo tem número alto, mas dá pra derrotar com várias pessoas atacando junto.

Continuando as páginas, agora vinha a espécie intermediária: manta-raia, aranha, tubarão, cachorro, libélula, joaninha. Tem uns tipos que nunca vi. Esses provavelmente exigem uma estratégia bem elaborada, ou magia poderosa que não seja ataque direto físico. Mesmo assim, o dano deve ser considerável. Com Frame Gear, dá pra abater com 1 ou 2 unidades.

E, então, a espécie superior. Além daquele tipo crocodilo que já enfrentamos, havia desenhos de tipo pássaro — ou melhor, tipo pteranodonte —, tipo porco-espinho, tipo javali. Se o crocodilo que vimos serve de base, todos devem ser grandes, escondendo um poder absurdo. Sinceramente, enfrentar isso a corpo aberto seria loucura pura.

Sem pensar muito, virei mais uma página. E o desenho que apareceu ali me deu um choque tremendo. Fiquei sem conseguir falar nada por causa do impacto…

— Como assim… isso…?

O que estava desenhado ali era "tipo humanoide". Um homem e uma mulher, com o corpo inteiro coberto de blocos de cristal, exceto na parte frontal, da testa até perto do umbigo. E, ainda mais surpreendente, força e velocidade superavam até a espécie superior.

— Existe algo assim…?

Será que dá pra chamar de "gente Phrase". Há 5000 anos, esse tipo apareceu, e, pelo menos na época, as pessoas reconheciam esse tipo como mais forte que a própria espécie superior…

Não tenho ideia de quantos exemplares desses existem, mas, do jeito que tá, não dá. Preciso desenvolver contramedidas ainda mais sólidas.

Renovando minha determinação, fechei o livro.


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