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Isekai wa Smartphone to Tomo ni – Capítulo 194

Falsos Aventureiros e o Tráfico de Pessoas

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Capítulo 194 – Falsos Aventureiros e o Tráfico de Pessoas

Ao chegar naquele local no segundo andar do subsolo, o menino da lança curta acabava de ser arremessado longe. O menino arqueiro e a garota maga já estavam feridos, caídos. De algum jeito, a garota espadachim e o menino da lança protegiam os dois.

— Ei, ei, não estraga demais eles não. São mercadoria importante.

— Já sei, ué. Argh, se você não tivesse esquecido o veneno paralisante, não teríamos que fazer esse trabalho todo chato desse jeito.

— Chega de reclamar e vamos logo. Se aparecer alguma fera mágica, vai ficar ainda mais complicaOOOOOAH!?

Chutei em cheio o rosto do homem gordo que fazia vigia, arremessando-o pra dentro do cômodo. Voando com força, tipo bola de borracha, ele desabou espetacularmente na frente dos próprios companheiros.

— Q-quem é você, afinal!?

— Essa pergunta é minha. Quem são vocês?

Gordo, magro e alto, e um careca disfarçado. Trio com cara de suspeito, sem dúvida.

O gordo que chutei se levantou limpando o sangue do nariz. Hmm? Bem resistente, hein. Será que a gordura absorveu o impacto.

— Ah, parece que chegamos a tempo.

A Leen veio junto com a Paula. Vendo isso, o rosto dos três se contorceu de um jeito nojento. Entre os três, o magro alto se aproximou de mim e da Leen, espada em punho. Os outros dois também se viraram na nossa direção, armas em mãos. Devem ter pensado que eu só tinha uma adaga. Diferente de antes, mostraram uma confiança tranquila, olhando pra Leen com um olhar de quem avaliava o valor dela.

— Hihi, que peça e tanto, hein. Que sorte a nossa. Ei, você. Se preza a vida, deixa essa mulher aqui e vaza.

— …Hã?

— Não ouviu não? Falei pra entregar essa mulher e sair. Quer morrer, é?

Me aproximei em silêncio do magro alto, que arregalava os olhos, e cravei o pé com força no dorso do pé dele, esmagando os ossos com um estalo.

— GYAAAAAAAAAA!?

Segurando o pé, o magro alto se contorcia no chão. Se debatendo pelo chão, choroso e ranhoso. Que chato. Chutei de novo, na boca do estômago, pra fazê-lo se calar.

— UGOEEEEEEE!!

Por que raios eu daria a Leen pra vocês. Fala sonho enquanto dorme. Aventureiros de meia-tigela desses. Vou matar vocês.

— Se-seu! O que você tá fazendo!

— Nós somos aventureiros rank Azul! Acha que vai vencer a gente…!

— Falando grande, hein. Aposto que subiram de rank roubando presa de outros. Rank Azul não pode ser tão fraco assim. Não subestime aventureiro.

Chutei o joelho do gordo diretamente de frente. Sem aguentar o próprio peso, ele caiu de bruços pra frente e começou a se contorcer da mesma forma.

— GUGAAAAAAA!? MEU JOELHO, MEU JOELHO!!

— Hii!

O careca disfarçado virou as costas, tentando fugir e abandonando os companheiros. Sem hesitar, saquei a Brunhild em direção às costas dele e puxei o gatilho.

— GUHA!?

Atingido por bala paralisante, o careca disfarçado caiu de bruços. Que belo aventureiro, abandonando os companheiros e fugindo. Não dá nem pra rir do rank Azul dele.

— …Você é bem agressivo, hein. Fiquei meio surpresa.

A Leen comentou, observando o magro alto e o gordo, ainda se contorcendo e soluçando no chão.

— Ah… foi mal. No instante em que falaram alguma coisa sobre fazer algo com você, meio que perdi a cabeça.

Fazia tempo que não ficava tão irritado assim. Desde aquele príncipe idiota de Riinie. Achei que já tinha ficado mais paciente, mas parece que ainda tenho muito o que evoluir.

— Hmm. Fico feliz que tenha ficado bravo por minha causa, viu.

A Leen sorriu de um jeito significativo. Ugh. Que vergonha, isso. Sinto que meu rosto ficou vermelho, então virei de costas pra ela e voltei a atenção pros aventureiros novatos.

— Vocês estão bem?

— Ah, sim! Eu tô um pouco ferido, mas tô bem. Só que o Claus e a Ion…

O menino da lança olhou pros dois caídos. Acho que eles só desmaiaram, mas, por precaução, lancei [Cure Heal] e [Refresh], e os dois recuperaram a consciência.

Os quatro me agradeceram de novo, com efusão, mas dispensei rapidamente e perguntei como chegaram a essa situação.

Parece que, dentro da masmorra, esses três tinham abordado eles oferecendo mostrar um terreno seguro de caça, e eles seguiram. Que descuidados.

Resultado, foram trazidos até aqui e atacados. Os dois que não eram da linha de frente foram nocauteados num piscar de olhos, no ataque de surpresa.

— Pela conversa de antes, esses caras devem ser sequestradores. Se alguém some numa masmorra, basta deixar um vestígio grande de sangue e a carteira de aventureiro pra ser julgado como devorado por fera mágica, e ninguém procura mais.

— É! Eles disseram que iam vender a gente pra comerciante de escravos!

A garota espadachim, de rabo de cavalo, ergueu a mão com firmeza pra dizer isso. Que animada, hein.

Mas comerciante de escravos, hein. Será que…

Me agachei na frente do magro alto, que ainda gemia, e encostei o cano da Brunhild na têmpora dele.

— Responde de forma clara, sim ou não. Aqueles aventureiros que se achavam mortos até agora, na verdade, foram sequestrados por vocês, né?

Com suor frio escorrendo, o magro alto assentiu com força. Sabia.

Ouvindo isso, a Leen inclinou a cabeça.

— Mas, mesmo sequestrando, não dava pra levar pelo portal de teletransporte, né? Como será que…

— Fácil. Provavelmente estão vindo direto de navio até aqui. Navio de tráfico de escravos. Não é?

De novo, o magro alto assentiu com força. Viu só.

Essas ilhas ficam posicionadas exatamente ao sul do Reino de Sandra. E o Reino de Sandra ainda mantém firmemente enraizado o sistema de escravidão.

Um país onde, através de um artefato chamado "Coleira da Servidão", tiram a liberdade das pessoas e as tratam como mercadoria. Pretendiam vender em lote pra lá.

— E aí? Os aventureiros que já foram sequestrados até agora, já foram enviados pra Sandra?

O magro alto, dessa vez, balançou a cabeça em negativa. Quer dizer que ainda não enviaram. Então ainda tem chance de salvar.

Provavelmente, o navio de escravos está escondido, ancorado em algum lugar. Esses novatos também deviam ser sequestrados daqui, levados até lá, e, na masmorra, dados como desaparecidos, mortos.

Fiz uma busca no mapa, e, numa ilhota a nordeste da ilha onde fica a masmorra "Amaterasu", havia um navio de porte médio ancorado. É isso.

— E aí? Os aventureiros que sequestraram até agora, já enviaram pra Sandra?

O magro alto balançou a cabeça em negativa de novo. Quer dizer que não enviaram ainda. Já entendi a situação do crime. Não preciso mais de vocês. Paralisei também os dois que ainda gemiam, com [Paralyze].

— Ahn… o que vamos fazer? Se for pra avisar a guilda ou a Ordem de Cavaleiros, eu posso ir…

A garota espadachim perguntou meio receosa. Os outros três também olhavam pra mim, esperando. Devem ter percebido a gravidade da situação. Dá pra sentir uma mistura de ansiedade e empolgação neles.

— Não precisa, eu mesmo aviso. Ah, é verdade, ainda nem me apresentei direito. Essa aqui é a Leen, e o ursinho é a Paula. Eu sou Mochizuki Touya. Sou rei deste país.

— "REI!?"

Os quatro arregalaram os olhos ao mesmo tempo e se levantaram de uma vez, e, logo depois, se ajoelharam apressados de novo. Que trabalheira.

— Ah, levanta, levanta. Não precisa se preocupar com isso. Vocês já sabem que fui aventureiro antes, né? Ah, ainda sou aventureiro, aliás.

Falando isso, mostrei pros quatro minha carteira de aventureiro dourada. Já que esses garotos foram enganados uma vez, não sei se isso vai servir de prova, mas.

— Dourada…

— Que incrível…

— E-ele derrota dragão, golem, arquidemônio…

— Vou poder me gabar pros meus pais!

Parece que acreditaram em mim. Esses garotos são o tipo bonzinho demais, no fundo. Acreditar em qualquer coisa vai te dar problema. Ah, mas já deram, né.

Os quatro se apresentaram, todos meio tensos. Todos originários da mesma vila, Piton, em Regulus, e vieram todos juntos até este país.

O menino de lança curta e armadura de escama é o Rop.

A menina de espada de ferro e armadura de couro é a Fran.

O menino de arco curto e armadura de couro é o Claus.

A menina de cajado e manto é a Ion.

Dando uma imagem geral: Rop parece dócil, Fran parece animada, Claus parece o tipo "presidente de turma", e a Ion parece meio avoada. Um grupo que dá até uma certa preocupação.

— E aí, o que a gente faz? Claro que vai salvar os aventureiros presos, né?

— É. Já sei a localização do navio de escravos, então acho que vou lá invadir e limpar tudo.

— A-ah, é! Será que tem algo que a gente pode fazer!?

— Ê-ei, Fran!

Enquanto o Claus, nervoso, tentava contê-la, a garota espadachim, Fran, se manifestou.

Hmm, é bom ter animação, mas, sinceramente, será que aventureiros iniciantes recém-formados conseguiriam ajudar em algo?

Queria dar a eles chance de ganhar experiência e treinar, mas, bom, como vou fazer isso…

— O adversário é comerciante que lida com escravo. Talvez até tenha escravo treinado pra combate. Sem querer ofender, mas, com a habilidade de vocês, acham mesmo que dariam conta? Correm o risco de serem capturados e virarem escravos de verdade, sabia.

— Ugh…

A Fran baixou a cabeça, frustrada. Em idade, esses garotos são mais velhos que a Yumina e a Lu, mas mais novos que a Elsie e a Lindsey — não tão distante da minha idade também.

Só que, no nosso caso, as circunstâncias fizeram a gente enfrentar Phrase, dragão, se envolver em golpe de estado, e por aí vai — passamos por experiências intensas demais. …A maioria por culpa minha, admito.

— Mesmo que essas crianças não consigam combater, será que não podem fazer reconhecimento?

— Reconhecimento?

Franzi a testa diante da sugestão da Leen. Reconhecimento… isso também é bem arriscado, né. Se forem pegos, podem sofrer coisa pior ainda…

— Reconhecimento no sentido de se deixarem capturar de propósito e se infiltrarem. Se conseguirem entrar no navio de escravos fingindo terem sido capturados por esses três, dá pra saber a situação dos outros capturados também, né?

— Entendo a lógica… mas será que esses três vão obedecer?

Olhei pros três, ainda paralisados, imóveis no chão. Se ameaçasse, talvez obedecessem, mas duvido que consigam esconder a expressão do rosto — devem se entregar na hora.

— Se você usar [Mirage] pra criar uma ilusão, dá pra mudar de aparência, né?

— Ah, é verdade.

De fato, com isso, eu, disfarçado desses três, consigo levar todo mundo até o navio de escravos. Se conseguirmos chegar até onde os aventureiros capturados estão, talvez dê pra garantir a segurança deles.

Se usarem os aventureiros presos como refém, complica as coisas — não parece má estratégia…

Sinceramente, seria mais rápido eu mesmo ficar invisível com [Invisible], entrar sozinho, encontrar o local de confinamento e resgatar.

Olhei de relance pros quatro, e eles me encaravam com os olhos brilhando de empolgação. Hmm. O que fazer. Será que é essa idade mesmo, de querer aventura? Bom, sendo mercadoria, sendo escravo, acho que não vão ser tratados com brutalidade.

— Então, querem tentar…?

— "SIM!!"

Voltou a resposta animada dos quatro. Será que vai ficar tudo bem mesmo…


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