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Isekai wa Smartphone to Tomo ni – Capítulo 195

A Maldição e o Navio de Escravos

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Capítulo 195 – A Maldição e o Navio de Escravos

Depois daquilo, saímos da masmorra por um instante, e eu, sozinho, teletransportei de uma vez os três sequestradores até a cela do castelo.

Se levasse esses aventureiros normalmente até o portal de teletransporte, ia chamar atenção demais. Se os companheiros do comerciante de escravos vissem, e fugissem com o navio inteiro, seria complicado.

Avisei a Relisha-san também, contando os detalhes de tudo. Claro, os três tiveram a carteira de aventureiro confiscada e o registro cancelado. De agora em diante, mesmo usando nome falso, nunca mais poderão se registrar. Aventureiro, aposentado à força.

A punição da Guilda de Aventureiros vai só até aí. Daqui pra frente, é punição do Estado.

Enganar aventureiros novatos que não sabiam de nada, sequestrá-los sistematicamente e vendê-los a comerciante de escravos. Isso é crime grave e tanto. Aliás, aplicando a lei de Regulus, seria pena de morte sem hesitação.

Só que, infelizmente (?), Brunhild não tem sistema de pena de morte. Melhor dizendo, não criamos. Enquanto pensava no que fazer, lembrei de uma magia antiga que li recentemente na "Biblioteca".

Magia de atributo Trevas é, basicamente, magia de invocação, mas, na era antiga, existiam outras magias também de atributo Trevas.

Ou seja, o oposto de atributo Luz e magia de cura. Magia de morte, que tira a vida.

Claro, não é tão simples assim fazer alguém morrer. Exige energia mágica enorme, técnica, e força mental. Sinceramente, acho que eu até conseguiria, mas não tenho vontade nenhuma de testar isso.

Não pretendo usar magia de morte nesses três sequestradores. O que vou usar é uma magia derivada dessa.

"Absorção Vital", "Manifestação de Doença", "Concessão de Medo", "Confusão Mental" — magias dessa linha.

Falando de forma simples, é "maldição". Não, "maldição" soa medonho, mas, de forma ainda mais simples, é uma "promessa".

"Não deve fazer tal coisa. Ou, deve fazer tal coisa." — esse tipo de promessa, e a punição imposta caso seja quebrada. Isso é a magia da "maldição". Também conhecida como magia do "dedo mindinho enganchado, promessa feita, quem quebrar engole mil agulhas".

— Trevas, prendam; imponham a punição pelo pecado dele: [Guilty Curse]!

Ativei a maldição nos três dentro da cela. A condição é simples: "não cometer o crime de ferir outra pessoa". Ao quebrar isso, mesmo um crime pequeno, um dedo por vez fica paralisado. Depois disso, um braço, uma perna, e, avançando mais, até os cinco sentidos — visão, audição — se perdem, e, por fim, o coração paralisa e a pessoa deixa esse mundo. Se cometer um crime grave, morre de uma vez só.

Aliás, isso é, assim como [Enchant], uma magia do tipo "encantamento" — então, mesmo que eu morra, não faz diferença nenhuma. Ou seja, a maldição não se quebra.

Expliquei aos três, com toda a paciência, o conteúdo do que foi imposto. "Ferir alguém" não se limita ao aspecto físico. Também se ativa se ofenderem alguém com xingamentos, ferindo profundamente o coração. Ativa se roubarem algo, ferindo o coração do dono. Ativa até se recusarem a declaração de amor de uma mulher, ferindo o coração dela. Sem piedade nenhuma no gatilho.

Já que escaparam da pena de morte e só a vida foi poupada, é justo que carreguem esse peso. É melhor virarem gente do bem, viu.

Eu mesmo acho impossível viver sem nunca ferir ninguém. Talvez fosse possível vivendo isolado, autossuficiente, longe de todo mundo. Mas, só isso já basta pra salvar a vida deles. Devem agradecer por não estar em Regulus ou outro país qualquer, e sim aqui.

Ao ouvir o conteúdo da punição, os três ficaram pálidos e desabaram sentados. Nas testas dos três, surgiu a marca característica da maldição.

Logo depois, o gordo começou a culpar o magro alto, "por sua causa, olha o que aconteceu comigo!". Aah, sério, esses caras nem ouviram a explicação?

— Uaa!? Uaa!? Meu polegar, não sinto mais! Não tá mexendo!?

O gordo, segurando o próprio dedo, chorava. Óbvio. Sua fala feriu profundamente o magro alto. Ele recebeu a punição por isso.

Já que entenderam o efeito da maldição, tá na hora de expulsá-los do país e nos despedirmos. Certo, hein… Que tal Eurono. Lá tem bastante gente que fala mal de mim, então talvez ganhem até simpatia.

Teletransportei os três com [Gate] pra um ponto qualquer de Eurono. Certo, com isso, um problema resolvido.

Opa, ainda não terminou. Agora preciso resolver o problema do comerciante de escravos.

Esperei anoitecer e voltei em direção à floresta perto da masmorra. Peço desculpas, mas pedi pros quatro novatos esperarem nessa floresta todo esse tempo. Se aqueles quatro, que já deveriam estar "capturados", ficassem rondando por aí, não sei que problema poderia surgir.

Por precaução, a Leen ficou junto com eles, então não foram atacados por fera mágica nenhuma.

Dali, todos nós fomos com [Gate] até a ilha onde o navio de escravos está ancorado. Os quatro ficaram surpresos com o primeiro teletransporte da vida.

— Certo. Então me entreguem as armas. Seria estranho se estivessem armados sendo capturados, né.

Os quatro entregaram as armas sem resistência, e guardei tudo temporariamente no [Storage], tirando corda e mordaça no lugar. Amarrei os quatro com isso. Claro, de um jeito que dá pra soltar rápido.

E, além disso, escondi no bolso do Rop uma pequena fera invocada, tipo camundongo. Com isso, dá pra ter uma noção do que acontece dentro do navio.

Por fim, usei [Mirage] pra transformar minha aparência num dos três que mandei pra Eurono — o careca disfarçado. …Por eliminação, só ele mesmo tem porte físico que dá pra disfarçar direito…

— E aí?

— Idêntico… Digno de rei, incrível mesmo…

O Rop me deu um comentário sincero. Da mesma forma, projetei com [Mirage] as ilusões dos outros dois, posicionando à esquerda e à direita.

Coloquei mordaça nos quatro e, atrás deles, posicionei as ilusões do gordo e do magro alto, empunhando espada. Com isso, deve parecer que estão sendo escoltados sob ameaça.

— E a Leen, como fica? Também vai fingir ser capturada?

— Vou passar dessa. Vou ficar de olho pra ninguém fugir do navio.

A Paula ergueu a mão de leve, "shuta". Certo, então vamos rumo ao navio de escravos.

Do lado norte da ilha, embaixo de um paredão rochoso íngreme, escondido na escuridão, o navio flutuava.

Na praia próxima, duas embarcações pequenas estavam amarradas, e, perto delas, quatro homens assavam peixe numa fogueira. Entre os quatro, três eram escravos.

Todos com físico robusto, provavelmente escravos de combate. O restante era um homem de dentes proeminentes, com cara de subordinado de baixo escalão. Parecia bastante com um comediante da região de Kansai. Deixando a Leen e a Paula na floresta escura, nos aproximamos deles.

— Ora, ora. Bom trabalho hoje de novo. Quatro de uma vez, hein, se esforçaram bastante.

O homem de dentes proeminentes nos viu e veio caminhando com um sorriso frouxo e descontraído.

Ele deu uma volta ao nosso redor, avaliando o valor dos quatro amarrados com corda.

— Homem, 2 moedas de ouro; mulher, 5 moedas de ouro, é isso.

— Serve. Passa o dinheiro.

— Oro? Hoje não vai regatear?

— Tô meio na correria.

Aliás, se falar demais, corro risco de ser descoberto. Mas, 2 moedas de ouro, 5 moedas de ouro. Isso dá em torno de 200 mil a 500 mil ienes. Compram a vida inteira de uma pessoa com isso, esses caras.

Devem revender depois por várias vezes mais pra algum rico. Recebi as moedas do homem de dentes proeminentes, que soltava aquela risada desagradável, e me virei, saindo dali.

Se ficasse olhando mais tempo pra aquele rosto, acho que ia acabar batendo nele.

Voltei pra floresta onde a Leen esperava, desativei [Mirage] e voltei à forma original.

Estendendo a visão com [Long Sense], fiquei observando o pessoal, e, depois de terminar de comer o peixe, os quatro embarcaram, dois em cada bote, e remaram mar adentro.

— A infiltração foi um sucesso, ao menos.

— Só falta conseguir contato com os outros aventureiros capturados. Quantas pessoas foram dadas como mortas até agora?

— Confirmei com a Relisha-san, e parece que são 10 mesmo. Todos encontrados com uma poça de sangue e só a carteira de aventureiro, tratados como mortos. Deixa eu ver, 4 homens e 6 mulheres, acho.

— Mais mulheres, hein.

— Provavelmente porque valem mais e são mais fáceis de capturar. Todos rank Preto, completamente iniciantes.

Já ouvi que existe esse tipo de bullying com novatos em outras guildas também. Forçam a entrar em equipe, usam como isca pra atrair fera mágica, e ainda tiram mais da metade da recompensa do novato alegando "taxa de aula". Claro, os novatos que sofrem isso costumam sair da guilda ou passar a caçar sozinhos pra evitar problema. Que raiva, esse tipo de coisa.

Em qualquer mundo, sempre tem gente que menospreza iniciante e novato. Sendo que eles mesmos também já foram novatos um dia.

De qualquer forma, espero que os 10 estejam todos a salvo. Já que pretendem vender como escravo, acho que não devem ter matado ninguém. Mas "não estar morto" não significa necessariamente "estar a salvo", né.

Sincronizei minha visão com o camundongo que deixei com o Rop. Vi o convés fraco de luz do navio. Parece que embarcaram sem problema.

Sincronizei também com a audição. Deu pra ouvir vozes ao redor. Aliás, a sincronização vai só até aqui. Uma vez já sincronizei até paladar, e foi terrível. Não precisava saber gosto de inseto.

— Jaber-sama. Hoje foram quatro.

— Ora, ora? Nada mal. Homem e mulher, e ambos jovens, deve dar pra vender caro.

O homem de dentes proeminentes, trazendo os quatro, se aproximou esfregando as mãos até um homem meio gordo que estava no convés. Parece que esse é o comerciante de escravos.

Vestia um casaco de lã grossa, e, no cinto de seda, tinha uma adaga com decoração dourada. Calçava sapato com ponta enrolada, e, na cabeça, um turbante desproporcional. Uma aparência de falso Sinbad gordo.

Jaber, é. Sem dúvida nenhuma, comerciante de escravos do Reino de Sandra. E, ainda por cima, ilegal.

Mesmo no Reino de Sandra, que aprova escravidão, oficialmente é proibido sequestrar pessoas à força pra transformá-las em escravo. Escravo é definido como quem cometeu crime, ou quem deseja se vender voluntariamente.

Mas isso é só fachada. Existem inúmeras formas de reduzir alguém a escravo. Empurrar alguém pra dívida, induzir alguém a cometer crime de propósito pra depois escravizar essa pessoa. E sequestrar sem que ninguém veja é uma dessas formas.

Mesmo que a própria vítima perceba que foi enganada, uma vez virando escravo, nada do que ela diga é aceito. Mesmo gritando que foi enganado, sequestrado, jamais é liberado da escravidão.

— Vem, por aqui! Não fica enrolando!

Puxados pela corda amarrada pelo homem de dentes proeminentes, os quatro foram levados pra dentro do navio.

No convés mais baixo, no fundo do casco, tinha uma cela estreita, e os quatro foram colocados ali. A cela é dividida em duas, esquerda e direita, separando homem e mulher. 4 homens, 6 mulheres. Provavelmente, os aventureiros sequestrados. Rop e os outros também foram separados por gênero e jogados nas celas.

Depois de confirmar que o homem de dentes proeminentes saiu do fundo do navio, o Rop, o Claus, a Fran e a Ion foram, cada um, perguntando o nome de quem estava na mesma cela.

Já que passei os nomes dos aventureiros sequestrados pra eles antes, é pra confirmar se todos estão bem.

Alguns pareciam abatidos e sem energia, mas, por enquanto, parece que não sofreram maus-tratos.

— Parece que todos estão bem. Se fosse de verdade, bastava teletransportar tudo com [Gate] e resolveria fácil.

— Deixa essas crianças ganharem experiência também.

— Experiência… é só sair do navio, né?

— Ora, não perceber o inimigo, prestar atenção ao redor, avaliar a situação a cada momento e agir de acordo. É uma experiência importante, viu?

A Leen disse isso, sorrindo. Bom, talvez seja mesmo.

No fundo do navio, o Rop e os outros começaram a se preparar pra fuga. Antes, entreguei a cada um dos quatro dois itens.

Um deles é uma pequena faca dobrável, com lâmina de uns 5 centímetros. Claro, não é uma faca comum. Feita de material de cristal, corta qualquer coisa. Com isso, escapar da cela fica fácil.

O outro é uma fita métrica de mais ou menos 1 metro. Ao puxar e esticar, funciona como um chicote com efeito de [Paralyze] encantado.

Esse navio tem escravo de combate também. Se lutarem de frente, o Rop e os outros não teriam chance nenhuma. E, além disso, esses escravos de combate também podem estar submetidos à força.

Logo, o Rop e os outros cortaram a fechadura com a faca e saíram da cela em silêncio, sem fazer barulho.

— Certo, então também tá na hora de eu agir. Assim fica mais fácil pra esses garotos se movimentarem também.

— Vai com cuidado.

Cortei a sincronização com o camundongo e, sendo vista pela Leen, decolei da floresta. Parei no ar acima do navio de escravos, saquei a Brunhild e troquei o carregador de bala paralisante por bala explosiva fraca, carregada com [Explosion] leve.

— Certo, vamos começar.

Mirando o mastro principal do navio de escravos, puxei o gatilho da Brunhild.


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