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Isekai wa Smartphone to Tomo ni – Capítulo 196

O Comerciante de Escravos e a Madrugada

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Capítulo 196 – O Comerciante de Escravos e a Madrugada

Com um estrondo chamativo, a base do mastro principal explodiu em pedaços. Claro, o mastro caiu com um estalo horrível, desabando com toda a força. Vendo o mastro caindo do convés direto no mar, o navio inteiro entrou em pânico.

— O-o que aconteceu!?

— Não sei! De repente, uma explosão…!

Pela porta da frente que leva pro interior do navio, o comerciante de escravos, Jaber, saiu correndo. Aproveitando esse momento, pousei na proa e me expus sob a luz do luar.

— Q-quem é você!?

— Mochizuki Touya, Príncipe do Principado de Brunhild.

Dava pra sentir todo mundo no convés prendendo a respiração. Entre eles, o comerciante de escravos se contorcia de um jeito patético, os olhos correndo de um lado pro outro. Bom, então ele mesmo já tinha consciência de que fazia algo errado.

— Esta ilha é território de Brunhild. Vim aqui pra pedir que parem com esse comércio irregular.

— Co-comércio irregular!?

— Não banca de bobo. Já sei que você sequestrou aventureiros novatos da masmorra pra vender como escravos.

O canto da boca do comerciante de escravos se contorceu. Suor frio brotava no rosto dele, e a inquietação só aumentava.

— Sinceramente, sendo um país pequeno, até agora não tínhamos leis ou punições bem definidas por aqui. Nunca tinha aparecido uma pessoa tão má assim. No máximo, um viajante causando confusão na cidade. Por isso, reconheço que faltou reflexão da minha parte sobre isso.

Se, naquele dia, eu não tivesse entrado na masmorra junto com a Leen, o Rop e os outros não só teriam sido vendidos como escravos, como provavelmente teriam surgido mais vítimas depois disso. E talvez eu nem tivesse percebido isso.

Entendo que a punição funciona como fator de dissuasão contra o crime, mas, talvez por levarmos uma vida tranquila demais até agora, não posso negar que eu vinha pensando "não precisa chegar a esse ponto". Como tenho o olho mágico da Yumina, até agora, basicamente, não apareceu gente má mesmo.

Mas crime na medida certa deve receber punição na medida certa, e isso precisa ser deixado claro.

Preciso pensar nisso com urgência. Por ora, vou pedir pra criarem algo baseado nas leis de Belfast. Desde que a masmorra surgiu, gente de todo tipo de origem se misturou, e casos inesperados aumentaram. Não tem jeito, vou ter que resolver um por um. Por ora, vamos resolver o problema à minha frente.

Ué? Vi quatro botes se afastando do navio. O Rop e os outros conseguiram escapar, então. Com isso, não preciso mais me conter.

— Ugh, não é possível que um príncipe esteja num lugar desses! Vocês, resolvam isso!

Ao comando do comerciante de escravos, Jaber, três escravos de combate sacaram espadas curvas e avançaram cortando na minha direção.

— [Slip]

Sutén! Os três caíram de uma vez, espetacularmente, sobre o convés. As espadas curvas soltas das mãos deles cravaram no piso.

Os três tentaram se levantar, mas caíram de novo no mesmo lugar. Hmm? O efeito do [Slip] parece estar durando mais tempo. Antes, achava que era um pouco mais curto… Será também efeito do "poder divino"?

— O que estão fazendo!? Parem de brincadeira e resolvam logo!

Ao gritar isso, os escravos começaram a segurar o pescoço e se contorcer de dor. O Jaber estava usando a "Coleira da Servidão" pra infligir sofrimento.

Direcionei a Brunhild pros pés do Jaber e disparei. [Explosion] (fraco) ativou, e uma pequena explosão o arremessou longe.

— BUEEEEE!?

Caído miseravelmente no convés, o Sinbad gorducho falso recuou, sangrando pelo nariz.

— P-perdão! Foi só um impulso momentâneo…!

— Se, com esse tal "impulso momentâneo" seu, você reduziu gente inocente a escravo e se alimentou da vida alheia pro próprio lucro, será que isso merece perdão?

— M-me ajuda…

— E as pessoas que você escravizou, será que vão te ajudar?

Não sei o que esse cara já fez até agora. Mas, pra fazer algo assim, com certeza não é gente boa.

Falar mais não vale a pena. Troquei a munição da Brunhild pra bala paralisante e atirei no comerciante de escravos.

Biguya! Soltando um som estranho, o Jaber ficou imóvel.

Também disparei bala paralisante nos escravos de combate caídos. Devem ter sido só forçados a obedecer, mas será que faziam isso a contragosto, ou de bom grado — a culpa deve mudar dependendo disso. Mais complicado até que o Jaber. Como nem consigo decidir se é certo libertá-los da escravidão, por ora vou deixá-los assim mesmo.

Paralisei também os demais tripulantes que estavam no convés, deixando-os incapacitados pra lutar.

— Busca. Ainda tem tripulante dentro do navio?

《Buscando… busca concluída. Dentro do navio, 3 pessoas. Todos estão paralisados e caídos.》

Hmm. Devem ter sido derrubados quando o Rop e os outros fugiram. Então isso é todo mundo. No total, 20 pessoas. Metade deles, escravos.

Ué? Pensando bem, aquele homem de dentes proeminentes que levou o Rop e os outros embora, onde foi parar?

— Fugya!

Ouvi um gritinho vindo da direção da terra. Estendi a visão com [Long Sense]. Vi o homem de dentes proeminentes caído, soltando fumaça, e a Leen acenando de leve na minha direção. Aquele cara, quando será que fugiu. Parece que a Leen que deu conta dele.

O Rop e os outros também desembarcaram e estavam indo em direção à Leen. Por ora, isso deve resolver o caso.

Vendo o pessoal da Ordem de Cavaleiros chegando do fundo da floresta, teletransportei todo mundo que estava dentro do navio, sem exceção, até a praia.

O comerciante de escravos Jaber, os subordinados, tripulantes e escravos de combate, todos amarrados, foram levados pela Ordem de Cavaleiros. Por ora, vou jogar todos na cela do subsolo e conversar com o Kōsaka-san depois.

— Parece que resolvemos.

— Ainda sobra bastante coisa pra resolver depois.

Pousei na praia e respondi assim pra Leen, olhando de novo pro navio de escravos. Pensando bem, o que fazer com aquele navio de escravos, hein. Será que dá pra confiscar como propriedade do Estado? Já que destruí o mastro, não deve dar pra vender do jeito que tá.

— A-ahn, Vossa Majestade! Todos os aventureiros sequestrados estão a salvo!

O Rop veio me relatar, mas, como já estava acompanhando tudo através do camundongo, já tinha uma ideia geral da situação. Lancei [Refresh] nos aventureiros com energia baixa, e todos nós teletransportamos direto pra "Lua de Prata", onde reservei quartos pra eles. Um jeito, digamos, de pedir desculpas.

Dei ao Rop e aos outros umas 10 poções, em agradecimento pela ajuda. Não é algo que faz falta se ficar sobrando mesmo.

Deixei o interrogatório detalhado pra outro dia e nos despedimos ali.

Depois disso, fui até a Guilda de Aventureiros, contei todo o desenrolar do caso pra Relisha-san, e pedi pra reemitir as carteiras de aventureiro dos novatos que tinham sido dados como mortos.

— Este caso também é lamentável pra Guilda. A Guilda é, no fundo, apenas intermediária entre solicitante e aventureiro — não temos poder pra punir um aventureiro. Oficialmente, só podemos cassar a qualificação de aventureiro e cortar relação comercial com essa pessoa.

— …Oficialmente?

— Aqui, só entre nós: se for julgado que causa dano à Guilda, existe uma tropa secreta ligada à Guilda que pode agir. Se Vossa Majestade não tivesse resolvido isso dessa vez, talvez tivéssemos despachado essa tropa até aqui.

Tropa secreta da Guilda? Não me diga que é tipo guilda de assassinos. Um pouco assustador, melhor nem perguntar. A guilda de aventureiros existe pelo mundo inteiro. Dizem que existem vários mestres de guilda no mesmo nível da Relisha-san, unificando isso tudo, e essa tropa é liderada por um deles. Melhor não me envolver muito nisso.

Por ora, deixei o acompanhamento dos aventureiros resgatados a cargo dela, e eu e a Leen deixamos a guilda.

Ficou bem tarde, hein. Tirei o smartphone, liguei e conferi as horas. Uaa, já passou bem da meia-noite.

Tava com bastante fome, mas, essa hora da madrugada, não dava pra pedir pra Clara-san preparar nada no castelo. Vamos comer alguma coisa por aqui mesmo. Tem espetinho no [Storage], mas, coincidentemente, do lado da guilda tem um bar.

— A Leen quer vir? Se quiser, eu pago.

— É, vamos aproveitar então. Faz tempo que não como fora mesmo.

Levando a Leen e a Paula, entramos no bar ao lado da guilda. Talvez tenha alguém que me reconheça, então, por precaução, levantei o capuz do casaco.

O interior era bem espaçoso, e tinha uma mesa vazia pra quatro pessoas no fundo, então sentamos ali.

Como não bebo, pedi água com frutas e um combo de frango grelhado com ervas. A Leen pediu massa, salada verde, e um pouco de vinho de fruta.

Quando a garçonete trouxe a comida, não aguentei mais a fome e comecei a comer com sofreguidão. Bem gostoso. Na cidade, costumo comer na "Lua de Prata" na maioria das vezes, mas esse tipo de refeição também é bem agradável.

No bar, os aventureiros riam, faziam barulho, bebiam e curtiam. Desde que a masmorra apareceu, esse bar ficou movimentado também. Não desgosto desse tipo de ambiente. Só não gosto de bêbado.

Terminamos de comer e saímos do bar. Conferindo o horário, já estava perto das duas da madrugada. A essa hora, como Brunhild não tem bairro de entretenimento noturno, a maioria das lojas já estava fechada. A noite deste país é relativamente tranquila.

Assim como em outras capitais, comerciantes já falaram com o velho Naitō sobre construir cassino ou bordel, mas deixei isso a critério dele. Cheguei a pensar "acho que nem precisa disso", mas parece que, sem esse tipo de coisa, surgem outros problemas incômodos.

Claro, precisa manter olho atento pra não permitir fraude nem negócio desonesto. Não quero que, sem eu perceber, isso vire um antro de crime.

Dizem que, no Reino de Sandra, tem lugar que faz escravo trabalhar em bordel…

— O sistema de escravidão, será que não tem como acabar de vez com isso…

— Se você derrubasse o Reino de Sandra, provavelmente diminuiria bastante, né?

— Não, não, não dá pra fazer isso.

Retruquei sem pensar diante da fala da Leen. Será que ela tá bêbada? O rosto dela tá meio vermelho.

Mesmo assim, dizem que o sistema de escravidão vem diminuindo. Antes, os dois grandes países de escravidão eram Sandra e Eurono, então dá pra dizer que um dos dois praticamente sumiu.

Eurono não usava domínio via "Coleira da Servidão" — era um sistema de escravidão baseado em contrato, então parece que não sofriam tratamento tão cruel assim.

— O Reino de Sandra, sabe, foi fundado quando o líder de uma tribo pequena comandou escravos sob seu controle e derrotou as outras tribos do deserto. Dizem que o primeiro rei era chamado de "Rei dos Escravos".

Rei dos Escravos, hein. Isso soa até como se ele mesmo fosse escravo. Ou será que era mesmo um ex-escravo de verdade? Se for isso, seria de se esperar que abolissem a escravidão depois de fundar o reino.

Será que, quando algo tá tão profundamente enraizado assim, é difícil de mudar.

Levando a Leen, que queria tomar um ar da noite, caminhei de volta em direção ao castelo. No portão do castelo, quatro cavaleiros faziam guarda, e, ao nos avistarem na escuridão, ergueram lanças perguntando "quem está aí", mas, assim que perceberam que éramos nós, baixaram as armas, aliviados.

Agradeci pelo trabalho deles e entrei no castelo. Ao chegar no saguão de entrada, do quadro pendurado na parede, saiu voando a Ripple, o ser mágico que também funciona como câmera de segurança do nosso castelo.

— MESTREEE! É EMERGÊNCIA! Vossa vida corre perigo! Providencie uma solução rápida, urgente… aaah, já é tarde demais…

— O que foi, o que foi, o que aconteceu?

Ela despejou as palavras às pressas, e, de repente, ficando pálida, com um sorriso contraído, a Ripple disse "boa sorte", e sumiu com um "pom", ali mesmo. O que é isso? Que susto foi esse?

— Bem-vindo de volta, Touya-san. Que demora, hein?

— Ah, Yumina. Cheguei… …

Uma voz veio do topo da escada, e a minha própria voz, sem querer, murchou ao erguer os olhos naquela direção.

Ali estavam a Yumina, a Lu, a Elsie, a Lindsey, a Yae e a Hilda, seis reunidas, todas com o olhar voltado na minha direção. Se a Sue estivesse ali, seriam todas as minhas noivas reunidas de uma vez.

Todo mundo tinha um sorriso no rosto, mas os olhos não sorriam nem um pouco. Ué? Será que… elas tão bravas…?

— A-ahn… o que foi?

— Precisamos conversar um pouco. Vem aqui. Ah, a Leen-san também.

— Hã? Ah, tá.

A Leen respondeu, sem entender nada. A Yae e a Hilda desceram e prenderam meus dois braços com firmeza. Ei, espera aí!? O que é esse tratamento que combina tanto com a palavra "escolta forçada"!?

— Desculpe, Touya-sama. É decisão já tomada.

— Vamos, vamos, vamos, Touya-dono. Se resigne.

— Não, não, não! Que conversa é essa!?

Enquanto era arrastado pelas duas, minha cabeça só enchia de pontos de interrogação: "!? !? !?".

A-ahn… será que fiz alguma coisa…?


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