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Isekai wa Smartphone to Tomo ni – Capítulo 208

Um Interlúdio e a Fenda Dimensional

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Capítulo 208 – Um Interlúdio e a Fenda Dimensional

Nunca imaginei que ela apareceria. Logo ela, a mais rancorosa contra mim entre os assessores próximos do "Rei", aparecer bem na minha frente — que azar dos grandes.

De algum jeito, consegui levá-la pra fora da barreira através de teletransporte dimensional — pra fenda entre dimensões. Só que prefiro evitar usar isso demais. Demora um tempo pra recuperar a força necessária pra voltar pro outro mundo.

Num espaço vazio, meio escuro, entre dimensões, eu e ela ficamos frente a frente. Como sempre, o olhar dela me encara com aspereza. Entre nós dois, se estende uma barreira tipo grade, como se marcasse a divisão entre nós.

— Pensei que era estranho ter tantos humanos vivos, comparado ao número da tropa de vanguarda que atravessou a barreira… então foi obra sua, Endymion!

— Bom, não tá errado. Já que dá trabalho se vocês saírem por aí, fui destruindo todos, um a um. Mas, se você, sendo espécie dominante, já consegue atravessar, talvez seja questão de tempo até a barreira ruir de vez.

Ainda que diga isso, também não deve ser algo tão simples de atravessar assim. Encontrar uma brecha que leve até o outro mundo já é bem difícil.

— Bom, tanto faz. Tenho um monte de coisa pra perguntar a você. Onde está o "Rei"? Você sabe, não sabe!

— Já falei que não sei. Deve estar em algum lugar daquele mundo, isso é certo, mas… acho que, pra começo de conversa, aquele lado nem quer encontrar vocês, sabia?

— CALA A BOCA! Se você não tivesse instigado, o "Rei" nunca teria enlouquecido! Não banca o importante, você que é a raiz de tudo isso!

Instigar, ele fala… que forma feia de colocar isso. Isso foi decisão da própria pessoa. Eu só tô observando de perto. Bom, tenho consciência de que ajudei bastante, admito.

— Só uma pergunta: você não pensa em desistir e sair desse mundo?

— Não banca de idiota! Nosso objetivo é recuperar o "Rei". Não temos como recuar!

— "Recuperar"… será? Não seria "assimilar", o correto?

Diante da minha fala, ela — Nei — abriu a boca com raiva, com um olhar cheio de ódio.

— Não me compara com aqueles! Nós não queremos o poder do "Rei". Nós precisamos do "Rei"!

Todo mundo procura pelo "Rei". Sei que existem até alguns que nutrem a ambição de virar o próprio "Rei". Ela parece ser diferente disso, mas, já que tenta trazê-lo de volta como "Rei" dos Phrase, isso não combina comigo de jeito nenhum.

— De qualquer forma, eu queria que me deixassem quieto. Eu também já gosto bastante daquele mundo. Até fiz um amigo esquisito por lá.

Mochizuki Touya. Um sujeito estranho. Tudo nele foge do padrão, difícil até de avaliar. Parece humano, mas, ao mesmo tempo, dá a sensação de não ser. Mesmo vivendo naquele mundo, parece ser de outro lugar. Nunca encontrei alguém assim antes. Será uma raça mutante?

Ah, é verdade, aquela mulher que ele chamava de "irmã" também era anormal. Talvez seja também uma raça rara.

Uma coisa é certa: ele não é gente má. Afinal, foi gentil comigo desde o primeiro encontro, e ainda se mete em conflitos que não são da conta dele, tirando o pior da sorte com isso.

Se possível, até queria apresentar ele ao "Rei".

— Mesmo que seja preciso exterminar todos os humanos daquele mundo, vamos recuperar o "Rei". Não importa o que você faça.

— Será? Talvez exista alguém bem mais difícil de lidar do que eu, sabia?

De novo, com olhar carregado de ódio, ela me encarou. Bom, faz sentido, já que a razão de terem perdido o "Rei" veio de mim mesmo, num certo sentido.

Claro, nunca imaginei que fosse virar algo assim. Mesmo perdendo o "Rei", achávamos que os Phrase escolheriam um novo "Rei" e seguiriam um novo caminho.

Mas eles buscaram poder. Em vez de um caminho novo, se agarraram ao poder do passado. Desejaram obter esse poder. Mesmo que precisassem atravessar mundos e destruir os que vivem lá.

Já enfrentei eles em vários mundos diferentes, e, como resultado, arrastei muita gente pra dentro disso. Mesmo assim, não tenho intenção de parar. Isso também é um desejo meu. Sei muito bem que "tentar minimizar o dano" não passa de uma hipocrisia egoísta minha.

O núcleo do "Rei" absorve, aos poucos, aos poucos, a energia vital do hospedeiro, e, quando esse hospedeiro chega ao fim da vida, ele se transfere aleatoriamente pro corpo de outra pessoa. A maioria dos hospedeiros termina a vida sem sequer perceber isso.

Depois de repetir isso algumas vezes, quando fica possível se transferir pro próximo mundo, o "Rei" usa toda a força acumulada até então e parte daquele mundo. Rumo a um mundo ainda mais elevado.

No momento em que o hospedeiro morre, no curto instante da transferência pro próximo hospedeiro, dá pra ouvir o "som" do "Rei".

Toda vez que ouço esse som, sinto que "ela" está subindo os degraus, aos poucos. Consigo acreditar que, mesmo mudando de forma, ela continua viva em algum lugar do mundo.

— Os humanos daquele mundo têm força pra nos deter?

— De fato, a espécie superior já foi derrotada, não foi?

— Feh, deve ter sido você que ensinou algum truque desnecessário a eles. Se não fosse por essa barreira incômoda, eu aniquilaria tudo de uma vez!

GA! Nei bateu na barreira, na escuridão.

Neste momento, mesmo estando na mesma fenda entre dimensões, eu estou do lado de dentro da barreira. Ela, do lado de fora. Diferente de mim, elas não conseguem fazer teletransporte dimensional, então não conseguem atravessar pro outro mundo através da brecha da barreira. Só resta encontrar, por acaso, uma fenda que se abra, e mergulhar nela.

Com isso, deve dar pra ganhar um tempo. Mesmo assim, enquanto isso acontece, talvez outra espécie dominante esteja tentando atravessar a barreira.

— Já perguntei antes, mas, será que não pensa em colaborar comigo…

— NUNCA! Não pensa que vai me enrolar como fez com a Rise!

— Que pena. Ela também deve estar querendo te ver.

— ………….A Rise está bem?

— Sim.

Enquanto isso, ela deve estar esperando minha volta. Dessa vez, vou demorar um pouco mais pra voltar, mas aquela garota deve ficar tranquila mesmo assim.

— …Da próxima vez que nos encontrarmos, não vou ter piedade. Fica se preparando.

Como se não tivesse mais nada a dizer, Nei desapareceu na escuridão, deixando essas palavras. Aah, sério. Que chata mesmo.

Bom, agora vai demorar um tempo pra atravessar de volta pra lá. Por isso mesmo que eu preferia evitar teletransporte dimensional. Mas, se eu não tivesse feito aquilo, toda aquela região talvez tivesse virado terra arrasada. Não tinha escolha.

Ou será que o Touya teria dado um jeito de resolver? Isso também eu queria ter visto. Faz tempo que não via um humano tão diferente assim.

A última vez que vi algo parecido foi… uns 5000 anos atrás, mesmo.

Ela também era uma pessoa interessante.

Aquela mulher chamada Regina Babylon.


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