Capítulo 210 – A Busca por Soluções e a Mudança Suave
Reportei a cada país que um Frame Gear destruído, mais ou menos uma unidade completa, tinha sido furtado, e pedi pra ficarem atentos caso aparecesse algum Frame Gear suspeito. Afinal, não dá pra descartar a possibilidade de algum impostor usar o nome de Brunhild.
— Já sei que o lugar com barreira mágica é suspeito, mas…
De qualquer forma, tem demais. Castelos, fortalezas, instituições de pesquisa mágica, todos costumam ter barreira instalada, com diferença de intensidade. Somando salas de tesouro e quartos reais, tanto grandes quanto pequenos, a quantidade é considerável.
Claro, barreira mágica tem de tudo, do fraco ao forte, mas, pra bloquear energia mágica, mesmo algo não tão poderoso já basta. Até um amuleto pequeno consegue bloquear [Paralyze].
Se tivesse um prédio no meio do deserto com uma barreira de bloqueio forte, [Search] não conseguiria encontrar. Dá pra ver visualmente, então, indo até o local, talvez perceba. Não, se também tiver efeito de bloqueio visual, talvez nem isso funcione.
Bom, ficar preocupado não resolve nada. Só resta fazer o que dá pra fazer agora.
— Se não me engano, o "Hangar" tem alguns veículos, né?
— Ah, tem sim. Tanque blindado, dirigível de alta velocidade, submarino subterrâneo, várias coisas. Todos consomem muito líquido de Éter, então não recomendo tanto.
Perguntando isso pra Monica, que fazia o ajuste final da máquina da Yae na garagem, veio essa resposta.
— Será que dá pra usar isso como mecha de suporte da Sue? Dá pra combinar com a máquina base?
— Não digo que seja impossível… mas precisaria de uma reforma e tanto, né? E, além disso, não entendo o motivo. Por que não simplesmente fazer um Frame Gear grande desde o início? Precisa mesmo se dar ao trabalho de combinar?
A Monica inclinou a cabeça, curiosa. Bom, entendo o que ela quer dizer. Até dá pra explicar com várias justificativas meio forçadas, mas…
Por ora, peguei o anime que já tinha mostrado pra Sue e chamei também a Rosetta, mostrando alguns episódios juntos no monitor da garagem.
No começo, as duas assistiam sem entender nada, franzindo a testa, mas, aos poucos, foram se inclinando pra frente, até ficarem completamente grudadas na tela.
Don't think, feel.
Não pense, sinta.
Depois de assistir, as duas pareciam totalmente influenciadas, e começaram a se dedicar com toda energia à construção do sistema de combinação. Não existe motivo lógico nisso. Ser racional não é tudo.
…Mesmo assim, anime japonês funciona até em outro mundo, hein.
— Então, a próxima é a Frame Gear da Sue?
— Sim. Como vou construir a partir do sistema básico, deve levar um tempo. A da Yumina vai ficar pra depois, mas…
— A minha pode ficar pra depois mesmo. Assim, provavelmente vai sair melhor.
De fato. Se forem testando e refinando aos poucos, quem vier depois pode acabar com um resultado melhor.
Agora, tomando chá, estou tendo um descanso tranquilo depois de um tempo, num pequeno salão do castelo. Ao lado do sofá, a Yumina está sentada, relaxando do mesmo jeito.
— Faz tempo que a gente não tem um momento assim, hein.
— Será? Bom, depois de fundar este país, ficou bem corrido.
— Não é isso. Quero dizer, os dois sozinhos.
Dizendo isso, a Yumina encostou a cabecinha no meu ombro, "koten".
Ah, então é isso mesmo. De fato, os meses vivendo na "Lua de Prata" de Riflet e na mansão de Belfast, ainda dava pra ter esse tipo de tempo.
— Como esse tipo de momento é precioso, será que posso me mimar bastante?
— Hm? Se mimar, quer dizer…
Olhei pra Yumina, e ela ergueu o rosto de olhos fechados. Sorri de leve pra ela, coloquei a mão no ombro dela e uni os lábios devagar.
Quando os lábios se separaram em silêncio, ela corou e, sorridente, se abraçou fortemente em mim.
— Eheh. Peguei o Touya-san só pra mim.
Nunca imaginei que fosse conseguir fazer isso um dia. Costume é assustador, hein.
Nunca imaginei que fosse ter oito noivas assim que viesse pra outro mundo. E, ainda por cima, todas mais novas que eu… ah, espera, a Leen é mais velha.
— Ultimamente, tá tendo algo estranho, sabia.
— ? Estranho como?
— Meu olho mágico enxerga a essência das pessoas, o bem e o mal delas. Mas, ultimamente, às vezes aparece uma habilidade diferente.
— Habilidade diferente… do olho mágico?
— Sim.
A Yumina se afastou de mim e inclinou a cabeça, pensativa, "hmm".
— Touya-san, vamos jogar "pedra, papel ou tesoura".
— De repente assim? Isso tem a ver com essa habilidade?
— Sim. Ah, faz um pouco devagar, tá?
"Pedra, papel ou tesoura" foi um jogo que eu ensinei a todo mundo, mas o que ela quer fazer com isso?
— Um, dois, três!
Perdi. A Yumina fez sinal pra continuar. Parece que vamos repetir.
— Um, dois, três!
Perdi de novo. Depois disso, e depois, não sei quantas dezenas de vezes joguei, perdi todas. A Yumina sempre foi tão forte assim em pedra-papel-tesoura? Não, isso já não é nível de "forte". Será que essa é a habilidade da Yumina?
— Não é… habilidade de ganhar em pedra-papel-tesoura, né?
— Não é isso. Como direi… eu sei. O que o Touya-san vai jogar.
— …Quer dizer que você consegue ler meus pensamentos?
Leitura de mente? Isso é meio assustador. Não daria pra esconder nada. Traição seria descoberta na hora. Não, eu não traio ninguém! Ah, espera, será que até esse pensamento também é lido!?
— Não consigo ler pensamento. Mas consigo ver. O que o Touya-san vai jogar, alguns segundos antes. Um pouquinho de futuro, vagamente, tipo visão.
…Previsão do futuro, hein. Impressionante. Parece que só dá pra ver alguns segundos à frente.
Mas por que essa habilidade tão de repente… ah. Não me diga, será aquele tal "virar serva" que a irmã Karen mencionou!?
Sendo meio-deus, e recebendo "amor divino" tanto da irmã Karen quanto da irmã Moroha, talvez essa habilidade tenha despertado nela.
Pensando bem, ultimamente todo mundo teve várias mudanças. O florescimento da habilidade de pilotagem de Frame Gear da Sue, o aumento da capacidade de combate da Lu… nada disso é ruim, mas.
— Deixa eu testar uma coisa.
Preparei algumas moedas e segurei na mão direita. A Yumina teria que adivinhar quantas estavam na mão.
Acerto total, cem por cento. Acertou tudo, direitinho. Em seguida, a Yumina declarou um número de moedas, e, discretamente, usei [Apport] pra mover uma moeda da mão direita pra esquerda. Isso, claro, ela errou. Hmm, será que, no instante em que eu usei [Apport], o futuro mudou?
Mas essa ação foi porque eu já sabia da habilidade dela, e, se ela previsse até isso incluído, deveria ter declarado "0 moedas". Só que, se a Yumina declarasse "0", eu não usaria [Apport]. De qualquer jeito, ela erraria.
É uma habilidade de previsão instável. Bom, se for um futuro que não muda por mais que eu faça, talvez seja melhor nem ver mesmo. Se visse um futuro de quebrar um osso em alguns segundos, mas não pudesse evitar, só saber disso já seria um prejuízo.
Se a mudança de futuro só acontece quando parte de uma ação da própria Yumina, então poder prever de onde vem o ataque do adversário já ajuda bastante. Bom, mesmo prevendo o futuro, tem várias vezes que não dá pra desviar mesmo.
Melhor pensar nisso como um "instinto que acerta bastante". Confiar demais também parece perigoso.
— E tem mais uma coisa que eu vejo.
— TEM MAIS!?
Como a habilidade do olho mágico não fica ativa o tempo todo, não é impossível ter mais de uma habilidade. Será que o olho mágico é uma forma diferente de manifestação de magia nula.
— Às vezes, vejo uma luz dourada vaga saindo do Touya-san. Vi um pouco também quando a irmã Karen tava dando conselho amoroso pra uma cavaleira. O que será isso?
Hmm? Será que isso é o "poder divino" ficando visível? Nem eu mesmo consigo ver isso. Segundo a irmã Karen, no meu caso, tá vazando sem parar, e parece que isso ficou visível pra ela.
— Ah… bom, isso não precisa se preocupar. Ah, mas, se ver isso saindo de alguém além de mim e das irmãs, quero que me avise.
Pode ser algum deus subordinado que as irmãs andam procurando. Bom, parece que, assim que poder divino é usado, as irmãs percebem onde está, então não deve ser tão fácil de encontrar assim.
Diante da minha resposta, ela me olhou com um olhar de dúvida, mas, por fim, soltou um pequeno suspiro.
— …Entendi. Não entendo bem, mas vou fazer como você pediu.
— Desculpa. Um dia desses conto tudo direito, tá.
— Sim. É uma promessa, viu?
Dizendo isso, de novo, a Yumina encostou a cabeça em mim, "koten".
Mesmo dizendo isso, como será que explico. "Na verdade, fui morto por Deus, e, como pedido de desculpas, revivi neste mundo." …Não dá. Vou levar um olhar de dó. Bom, já que existe magia de "ressuscitação" nesse mundo também, talvez não me questionem tanto sobre isso. Mas vir de outro mundo é outra história. Não quero que me confundam com a mesma espécie dos Phrase.
Só resta pedir pro Deus descer aqui pessoalmente. No fundo, talvez eu só esteja com medo da reação de todo mundo ao saber a verdade.
— AAAH! Que injustiça, Yumina-san! Ficar sozinha com o Touya-sama assim! Também quero fazer parte disso!
A Lu, que entrou no salão, assim que nos viu, veio correndo apressada em nossa direção e se sentou, "posun", no lado oposto ao da Yumina. E, do mesmo jeito que a Yumina, se abraçou fortemente em mim.
— Ai, ai. Meu tempo exclusivo foi curto.
A Yumina fez uma cara brincalhona, mostrando a língua de leve.
Com uma flor de cada lado, sinto uma vergonha e tanto. Quando é só um por um, não sinto tanto assim.
— Ora, ora. Aproveitando o harém direitinho, hein, Mestre. Fico com um pouquinho de vontade de receber atenção também, saibam.
A Shesca, vestida de criada, que trouxe mais chá junto com a Lu, disparou uma indireta na minha direção.
— "Receber atenção" o quê…
— Tipo afagar minha cabeça, me abraçar bem apertado, me amarrar bem apertado com corda, bater na minha bunda, derramar vela quente no meu corpo nu… haa, haa…
A respiração da Shesca ficou ofegante, e o corpo dela começou a se contorcer. Aah, sério, essa aí.
— É-é isso que o Touya-san gosta? É-é vergonhoso, mas, se é o que o Touya-san deseja…
— O… o meu caso… é a primeira vez, então, se puder ser gentil…
As duas, dos dois lados, coraram e murmuraram, desviando o olhar, hesitantes.
— DAAAAA——-H!! NÃO É ISSO!! Eu não tenho esse gosto não!!
Não inventa gosto estranho pra mim, ué! Isso é pura invenção da cabeça dela!
Empurrei a android tarada, ainda excitada de imaginação, até a porta e chutei ela pro corredor.
— Ahn. Mais um pouco…
Não solta esse som estranho não! Sério, essa aí é péssima influência mesmo!