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Isekai wa Smartphone to Tomo ni – Capítulo 211

O Radar e a Elfa das Trevas

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Capítulo 211 – O Radar e a Elfa das Trevas

— Este aqui é o comprimento de onda sonora dos Phrase, iSS. Aqui é espécie intermediária, e aqui, espécie superior, iSS. Parece que, um pouco antes do surgimento, esse som atravessa até o espaço e chega até aqui — se aproveitarmos isso, acho que dá pra saber, aproximadamente, a quantidade e o tipo, iSS.

Operando a imagem projetada no monólito do "Depósito", a Paruche, ainda vestida de miko, explicava. Ela ficou fazendo várias observações externas durante o combate desta vez.

— Dá pra confirmar o local e o horário exato do surgimento?

— Medindo a distorção do espaço, e a partir do tamanho e da taxa de curvatura, dá pra prever quando o espaço vai se rasgar, iSS. Pode ter uma margem de dois, três dias, mas acho que não deve desviar muito mais que isso, iSS.

Dois, três dias já parece bastante desvio, mas, bom, dentro do aceitável. Dessa vez também desviou uns três dias.

— Usando esses dados, será que dá pra criar algo tipo um radar pra prever o surgimento dos Phrase?

— Acho que dá, iSS. Só que não deve conseguir cobrir uma área tão ampla assim, iSS.

Mesmo assim, já ajuda bastante conseguir prever o surgimento. Se fizer vários, deve dar pra cobrir uma área maior. Vou pedir pra Rosetta construir isso o quanto antes.

A Rosetta agora está montando o Frame Gear da Sue, mas será melhor priorizar isso. Se der pra prever o surgimento dos Phrase, ganhamos tempo pra preparar contramedidas.

Fui até a "Oficina" e pedi pra Rosetta construir o radar de Phrase, e levei uma bronca na hora.

— UGAAA!! Não dá pra fazer tanta coisa ao mesmo tempo assim, iSS!! Eu sou só uma pessoa, iSS!!

Correção. Levei uma bronca daquelas mesmo. Faz sentido. A falta de mão de obra é inegável. Aumentei o número de mini-robôs, mas parece que precisa de mais uma ajuda ainda.

— Então, é pra mim?

— É.

No fim, decidi pedir pra Riola, que ficava no castelo de Babylon. Ou melhor, não tinha muita opção mesmo… Não dá pra confiar isso pra desastrada, viciada em texto impresso, ou pra dorminhoca.

— Entendido. Já ajudei bastante a doutora antes, então acho que consigo dar uma mão até certo ponto.

Digna da primogênita de Babylon. Entende bem a situação. Espero que isso alivie um pouco a carga da Rosetta.

— E a Noel?

— Dormindo.

— Como sempre, hein… Ah, isso aqui, marmita que a Clara-san fez. Entrega pra Noel. Tem uma pra você também, Riola.

Entreguei as duas trouxas embrulhadas em pano pra Riola. A dela é tamanho normal, mas a da Noel é uns cinco vezes maior. Ela come tanto quanto a Yae, afinal.

Sempre impressiona como ela come e dorme sem parar assim e não engorda nada. Ah, será que é porque é androide que não engorda?

— Muito obrigada. Nós não precisamos comer pra sobreviver, mas comida gostosa continua sendo bem-vinda mesmo assim.

A Riola recebeu a trouxa e sorriu. A Riola, a Noel e a Fam, da "Biblioteca", quase não descem pra superfície.

A Paruche, por outro lado, eu gostaria que descesse menos… outro dia, quase incendiou a cortina do castelo. Não tem jeito de resolver esse "atributo desastrado"?

Ao voltar pro castelo de superfície, dei de cara com a Sakura, que vinha com a Kōgyoku.

Desde então, não há sinal nenhum de que a memória dela vai voltar. Ela mesma parece se sentir tranquila mesmo sem recuperar a memória.

Nunca tive amnésia, então não sei dizer, mas será que não fica curiosa sobre o próprio passado.

Por precaução, pedi pra ela sempre levar algum do Kohaku e das outras junto ao se movimentar, já que a identidade dela ainda é desconhecida, mas já sinto que a vigilância nem é mais necessária.

— Rei-sama. Que bom, tava procurando você.

— Hm? Aconteceu alguma coisa?

A Sakura veio correndo, um pouco apressada. É raro ela mostrar essa expressão. Fiquei um pouco surpreso, e, na hora, ela segurou minha mão e saiu correndo em alguma direção.

— Pe-pera aí, o que houve?

《Um doente.》

— Doente?

A Kōgyoku, voando ao lado enquanto corríamos, respondeu no lugar da Sakura. Doente não soa nada tranquilo.

《Passeando pela cidade, encontramos alguém desmaiado. Levamos até a "Lua de Prata", mas parece que ela contraiu uma doença estranha, num estado grave.》

— Doença estranha?

— Doença do Endurecimento Mágico. Doença que só acomete demônios. Taxa de contágio não é alta, mas se transmite por contato — já avisei os demônios pra não se aproximarem. Leva à morte dentro de um mês do início dos sintomas.

A Sakura explicou, correndo enquanto puxava minha mão. Que detalhada, hein… Será que leu algum livro de medicina no acervo do castelo? Essa menina, embora não tanto quanto a Fam, também é bem viciada em texto impresso.

Mas doença que só acomete demônios, hein. Quer dizer que a paciente, naturalmente, é demônio.

— Mas por que me chamar? Se é doença, seria melhor chamar a Belflora…

— A Doença do Endurecimento Mágico é uma doença de mudança de estado. Praticamente impossível de curar. Mas [Recovery], magia nula…

Entendi. A magia de recuperação de estado, [Recovery], cura paralisia, veneno, cegueira, surdez, mal-estar físico, e outras anormalidades de estado. Provavelmente, também remove objetos estranhos tipo cálculo biliar ou pedra nos rins. Talvez até cure câncer.

Mas não cura resfriado, né. Por que será isso? Por isso, achava que não conseguia curar doença comum, mas parece que funciona nessa tal Doença do Endurecimento Mágico.

Se for assim, é melhor correr.

Abri um [Gate] na frente da Sakura correndo e teletransportamos direto pra frente da "Lua de Prata".

Guiados pela funcionária Fleur-san, entramos no último quarto do terceiro andar, e, deitada na cama, estava a pessoa.

Envolta num manto surrado, com o corpo inteiro enrolado em bandagens. Nas partes onde a bandagem se soltava, a pele estava tipo uma casca marrom-avermelhada, e vários pedaços descamados da pele caíam sem parar sobre o lençol da cama. Tinham um brilho estranho, tipo metal.

O cabelo prateado longo estava todo emaranhado e danificado, e, com o rosto também coberto de bandagem, não dava pra saber ao certo, mas provavelmente é mulher. O peito grande, subindo e descendo de leve com a respiração superficial, confirma isso.

Mas que estado terrível, hein… Onde a pele se descamou, tá vermelho e purulento.

— E-ela tá viva, né…?

— A Doença do Endurecimento Mágico é uma doença onde a pele do corpo endurece e vai se descamando sem parar. A pele descamada endurece de novo, sem cura nenhuma. Isso corrói o corpo e a mente do paciente aos poucos, até levar à morte. Mas ainda dá tempo pra ela. Rápido, [Recovery].

Incentivado pela Sakura, apliquei rápido [Recovery] nela.

Envolta numa luz suave, a pele dela foi se descamando, uma atrás da outra. Por um instante, achei que algo tinha dado errado, mas, embaixo da pele descamada, aparecia uma pele brilhante e viçosa, coberta de suor. Uma pele saudável, cor de trigo, aparecia por baixo das bandagens. Parece que deu certo.

De quebra, lancei também magia de cura e [Refresh]. Com isso, ferimentos e resistência física devem se recuperar também.

A Fleur-san tirou a bandagem do rosto e limpou com uma toalha úmida que trouxe, e, sob a pele que caía aos poucos, aparecia pele morena e orelhas longas.

— Elfa das Trevas…

— Hm.

A Sakura assentiu. Orelhas longas, iguais às da mestra da guilda Relisha-san. Mas, diferente dela, pele morena e cabelo prateado.

— Elfa das Trevas é demônio? Então elfo também é demônio?

— ? Elfo e Elfa das Trevas são raças completamente diferentes. Parecidas, mas diferentes. Elfo é habilidoso em magia; Elfa das Trevas tem capacidade física superior.

— Elas se odeiam mutuamente ou algo assim…

— Nunca ouvi falar de nada assim.

Ah é, entendi. Parece que é uma existência bem diferente do meu conhecimento raso de fantasia.

Vendo bem assim, é uma mulher bem bonita, hein. Será que isso é uma característica racial, igual aos elfos. Hmm. Interessante.

— Ahn… vamos limpar o corpo dela agora…

— Ah, é melhor mesmo. Bom tirar logo a pele endurecida.

Concordei com a sugestão da Fleur-san. Claro que é melhor deixar o corpo limpo o quanto antes. Só que a Fleur-san não fazia menção de começar o trabalho, e continuava lançando olhares de relance na minha direção. ? O que é?

— Ahn… como vou tirar a roupa dela, será que Vossa Majestade ficar aqui, seria…

Diante da fala hesitante da Fleur-san, finalmente percebi a situação.

Ah, não! Não é isso! Não que eu estivesse parado ali querendo ver ela nua!

Na hora, dei meia-volta e saí do quarto pro corredor. Já basta o boato de que sou um rei devasso, com oito noivas. Não vou aumentar ainda mais essa credibilidade!

Deixei a Fleur-san e a Sakura cuidando dela, e saí da "Lua de Prata".

— Que fracasso, hein…

— Vossa Majestade!

Enquanto limpava o suor frio, o pessoal demônio da nossa Ordem de Cavaleiros se reuniu na minha frente. O jovem Vampiro Rushēdo, o Ogro Zamza, a Alraune Rakushe, e as gêmeas Lâmia, Myuret e Sharet.

— O-o que aconteceu com a pessoa que foi carregada?

— Ah, tá bem. A doença já curou, e deve conseguir se mover em pouco tempo.

Ao ouvir minha resposta, todos pareceram aliviados, soltando um suspiro e levando a mão ao peito. O que é isso, o que é isso, que reação exagerada. Será que se preocupam tanto assim só por ser da mesma raça demônio?

— Será que vocês conhecem ela?

— Não, mas, sendo mesma raça demônio, sabe… Quando um demônio sai do Reino do Rei Demônio, às vezes sofre discriminação e perseguição racial… E, além disso, sendo Doença do Endurecimento Mágico, pensamos que ela deve ter passado por algo bem difícil…

O Rushēdo murmurou, preocupado.

Doença que só acomete demônio. Talvez aquela bandagem não fosse só pra esconder que é demônio e disfarçar a pele feia, mas também pra evitar contágio pra outros demônios.

— Uma Elfa das Trevas sair do Reino do Rei Demônio já deve ser algo grave, hein.

— Como assim?

— Elfa das Trevas, assim como Vampiro, é raça de vida longa, então costuma ter muita família nobre entre eles. A maioria ocupa cargos importantes no país.

Quer dizer que aquela moça pode ter dezenas de anos de idade. Mas parecia ter só pouco mais de vinte anos.

Comentei isso baixinho, sem querer, e o Rushēdo, na minha frente, respondeu "eu também já passei dos 60 anos". Mentira! Você também parece ter só pouco mais de vinte anos! Aliás, o motivo do Rushēdo entrar na Ordem não era "querer se tornar independente"? Ficar independente dos pais só depois dos 60, hein, que estranho.

Os costumes dos demônios são difíceis de entender, viu…

Normalmente, se for do nível de nobre do Reino do Rei Demônio, mesmo pegando a Doença do Endurecimento Mágico, colocam um cuidador humano ou semi-humano, e a pessoa fica confinada por um mês até a morte, dizem.

Provavelmente, essa Elfa das Trevas contraiu a doença durante uma viagem. Por acaso chegou num país onde eu estava, e foi salva, mas, se não fosse assim, com certeza teria morrido.

…Foi mesmo por acaso, né?


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