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Isekai wa Smartphone to Tomo ni – Capítulo 214

A Vagoneta e os Sinais de Guerra

Capítulo 214 – A Vagoneta e os Sinais de Guerra

Alguns dias depois de entregar a placa de detecção pra guilda, logo veio uma resposta. Surgiram três espécies inferiores. Local: uma cidade portuária a noroeste de Refreese. Parece que aventureiros de Refreese deram conta.

Bom, sendo espécie inferior, alguns aventureiros rank Vermelho já resolvem. Talvez com bastante dificuldade, mas dá.

Só que teve um problema: mesmo prevendo com certa precisão o local e a quantidade de surgimento, o horário previsto teve bastante desvio, ao que parece. Ficar de plantão 24 horas por dia, durante 3 dias, deu trabalho e tanto.

Em compensação, a guilda compra o material de cristal por um bom preço, então acaba equilibrando. O material comprado é revendido pro próprio país onde surgiu, ou a guilda vende pra comerciantes.

Essa missão de extermínio de Phrase é do tipo "designada", então não é aberta pra qualquer um pegar. É atribuída, através da guilda, a aventureiros de confiança.

Afinal, não dá pra deixar alguém aceitar e depois sumir sem fazer nada.

De qualquer forma, fico feliz que consegui confirmar o desempenho da placa de detecção. Parece que não tem problema.

No Grande Mar de Árvores também, com a ajuda da Pam e da tribo Lauri, já distribuímos pras outras tribos, e, se algo acontecer, um pássaro-mensageiro (não parece pombo, mas) voa até a tribo Lauri, e a Pam manda aviso pra mim através do Espelho-Gate.

O problema é se surgir no mar. Isso, infelizmente, não tem muito o que fazer.

De qualquer forma, só resta rezar pra não haver dano grande.

— Opa, acho que tá bom assim.

— Ora, ora. Então isso é a tal "vagoneta manual", hein.

Nesse meio tempo, eu explicava a vagoneta manual diante do alto escalão de cada país. Coloquei um trilho reto na ampla planície de Brunhild, e demonstrei o funcionamento andando de vagoneta em cima dele.

— Como expliquei antes, movendo essa alavanca pra cima e pra baixo, esse carrinho avança sobre o trilho. É uma ferramenta pra transporte.

— Entendi. A estrutura não é tão complicada assim. Mas, com isso, será que dá pra transportar quantidade grande?

— Por enquanto, é isso mesmo. Mas já tenho em mente algo que substitua a vagoneta, capaz de transportar em alta velocidade e grande quantidade. Por ora, quero apresentar isso pra todos, e, se não houver problema, pretendo avançar com o plano.

Não quero sair já construindo uma locomotiva a vapor do nada — imagina, se alguém for atropelado por não conhecer trilho ou trem, seria terrível. Por ora, achei melhor deixarem o conceito de "trilho, e algo que roda sobre ele" mais familiar. Com vagoneta, mesmo em caso de acidente, não deve virar tragédia grande.

Segundo a Shesca e as outras, até o antigo reino tinha trem normalmente. Ou seja, isso é menos "trazer tecnologia de outro mundo" e mais "reviver a tecnologia deste mundo mesmo". Bom, na civilização antiga, dizem que era um trem totalmente mágico e avançado.

— Quem consegue usar magia de Terra, já facilita bastante o nivelamento do terreno ao instalar o trilho. E também é conveniente pra transportar minério extraído de dentro de mina até o exterior.

— Hmm. De fato.

— Só que uma coisa que peço pra respeitarem é a bitola do trilho. Isso, se possível, gostaria que fosse padronizado. Se algum dia der pra estender o trilho de Refreese até Lodmea, o comércio ficaria muito mais fácil. Reconstruir depois seria trabalhoso, né?

Bitola do trilho… chamada de "gauge", também, mas a bitola mais usada no mundo, chamada "bitola padrão", tem 1435mm; no Japão, a mais difundida é a "bitola estreita", de 1067mm, menor que essa. O Shinkansen usa a de 1435mm, e eu também adotei essa.

Na verdade, meu avô trabalhava medindo bitola de trilho, e sempre me contava sobre a importância disso. O trilho pode se expandir ou contrair com calor ou frio excessivo. Se essa distorção não for percebida e ficar sem tratamento, pode até causar acidente de descarrilamento, no pior caso. Lembro dele dizendo que o trabalho dele era importante justamente por isso.

— Nosso país não faz fronteira com nenhum de vocês, sabe…

O rei de Riinie, Claude-san, ergueu a mão. Bom, é um país insular, faz fronteira só com o Reino de Paruhu ao norte.

— Se usar a mesma bitola de trilho, dá pra reaproveitar vagonetas de outros países caso um dia recebam de presente ou herança. Não vejo motivo pra fazer diferente de propósito.

— Ah, é verdade mesmo.

Depois de explicar vários pontos de atenção — como o costume de instalar duas linhas, ida e volta, pra evitar colisão frontal — entramos, como sempre, na hora de diversão dos reis.

Indo e voltando na linha reta de 200 metros, todos se divertiam movendo a alavanca pra cima e pra baixo. Que crianças.

Claro, a Papisa e as duas Governadoras-Gerais não subiram na vagoneta nem se empolgaram tanto assim.

Em compensação, olhavam atentamente o manual e as plantas da vagoneta que entreguei a todos. Já pareciam ter pensado em alguma utilidade.

Lodmea e Ramish são vizinhos separados por um grande rio, então, se conseguirem construir uma ponte, acho que o comércio deve florescer bastante.

Aliás, o Rei Sacro de Refreese e o Rei Ferino de Mismede, se empolgando demais e indo rápido demais, não conseguiram parar mesmo freando e saíram voando na ponta — um bom exemplo de como acontece um acidente. Claro, curei os arranhões deles com magia de cura, mas era óbvio que ia dar nisso, entrando naquela velocidade toda.

A estação também tá quase virando primavera. Os dias frios diminuíram, e os dias quentes aumentaram.

Junto com isso, sinto que o número de viajantes também aumentou. As ruas da cidade-castelo também ficaram mais animadas e movimentadas.

Aventureiros atraídos pela masmorra se reúnem, e comerciantes de armas atraídos por esses aventureiros também alinham suas lojas na rua.

Que bem desenvolvido esse país já ficou, hein. No início, cheguei a duvidar como isso ia acabar.

《Vossa Majestade.》

— Hm? Tsubaki-san?

Andando pela cidade, um gato em cima do muro falou comigo. Não é fera invocada. Parece ser alguma técnica ninja dos Takeda, capaz de emitir voz de uma direção diferente de onde a pessoa realmente está. A Tsubaki-san deve estar escondida por perto.

Cheguei a pensar que não precisava se dar ao trabalho disso, podia só falar diretamente comigo, mas talvez seja uma questão de estética.

《Tenho uma informação que gostaria de compartilhar. Parece que a guerra começou em Ishen.》

— Em Ishen? Entre quem?

《Entre os oito senhores — Oda, Hashiba, Chōsokabe, Mōri, Shimazu, Tokugawa, Uesugi e Date — os Chōsokabe foram derrotados pela aliança Oda-Hashiba e perderam o território. Logo depois, o senhor dos Oda, Oda Nobunaga, foi assassinado, e o senhor dos Hashiba, Hashiba Hideyoshi, tomou os Oda pra si, virando uma força unificada e poderosa. Diante disso, os Tokugawa formaram aliança com os Date pra resistir.》

Hmm? Aquele Nobunaga… Nobunaga? dos Oda foi morto, hein. Como eu esperava.

— Quem matou o senhor dos Oda foi um subordinado, o senhor Akechi? Atacado à noite, num templo?

《…Sim. Foi traído por um homem chamado Akechi Mitsuhide, atacado enquanto se hospedava no Templo Honnōji. Como o senhor sabia disso?》

— Hmm, bom, tive esse pressentimento.

Como eu imaginava. Parece que não segue exatamente a história do nosso mundo, mas em boa parte se assemelha. Não entendo bem essa aliança entre Tokugawa e Date, mas.

— E o que fez o exército Hashiba depois disso?

《Continuou dominando os Mōri e os Shimazu, restando só Tokugawa, Date e Uesugi. Mas…》

— Aconteceu algo?

《O exército Hashiba, ao mesmo tempo que direciona forças pro leste de Ishen, também está construindo navios de guerra. Parece que existe também a intenção de atravessar o mar e invadir Eurono…》

Nossa. De fato, na nossa história tinha aquela invasão da Coreia, o "Bunroku-Keichō no Eki"… ué? Se atacarem nesse estado atual, Eurono não corre risco sério?

— Como Eurono tá agora?

《Vários nobres influentes estão colocando, cada um, um suposto "filho ilegítimo do Imperador Celestial" como novo Imperador, disputando poder entre si. Parece meio com o que era Ishen até pouco tempo atrás.》

Se o exército Hashiba invadir num momento desses, não seria ruim mesmo? Bom, duvido que consigam dominar Eurono inteiro, mas talvez alguma parte seja conquistada.

Sinceramente, o que acontecer com Eurono não me importa muito… mas.

Mesmo Eurono estando nesse estado, o motivo de não ter sofrido invasão de outros países até agora é, em parte, por causa dos Phrase.

O medo de que, num país onde aconteceu um massacre daquela magnitude, algo parecido aconteça de novo, e a falta de meios pra lidar com isso.

Claro, tem também países como o Reino do Rei Demônio Zenoas e o Reino de Horn, que originalmente não têm intenção de invadir, e o Reino de Hanok, que não quer se envolver com Eurono, então não dá pra generalizar tudo assim.

Lodmea também parece não ter intenção de invasão por enquanto. Se for assim, fico preocupado se o Reino de Felsen e o Reino de Nokia, influenciados pela ação de Ishen, decidam começar avanço militar do mesmo jeito.

Ilustração do capítulo 214

No pior caso, pode virar uma guerra entre esses três países, tendo Eurono como palco. Em termos de poder nacional, Ishen parece bem inferior aos outros dois países, mas como será mesmo.

— Como estão se movendo Felsen e Nokia?

《Por enquanto, nada. Só que, quanto a Felsen, como tem países grandes como Lodmea a oeste e Lestia ao sul, acho difícil se mover tão facilmente.》

Entendi. Se for assim, será que essa ação do exército Hashiba já é calculada considerando isso? Ou será que existe algum objetivo específico…

Será que vão partir pra fora do país sem sequer ter dominado completamente aquele país insular?

— Que tipo de homem é o Hideyoshi?

《Não temos informação muito clara. Num piscar de olhos, recebeu do Imperador de lá a posição de senhor. Depois, se aproximou dos Oda, formou a aliança, e, quando pensávamos que sim, começou a guerra civil interna. Dizem que usa uma cabaça dourada como estandarte, e é um homenzinho com cara de macaco, mas ninguém, fora do clã Hashiba, já o viu de perto.》

Ninguém já viu de perto? Será que se protege contra assassinato? O Hideyoshi na minha memória era do tipo que gostava de chamar atenção, mas aqui parece diferente. Ouvindo isso, parece que quem agia nas sombras, atrás daquele tal Nobunaga, era justamente esse Hideyoshi.

E ainda por cima, existe até um Imperador lá. Ouvi dizer que ele é o rei de Ishen, sem poder pra conter os senhores, mas será que esse Hideyoshi é homem de confiança do Imperador? Senão, não faria sentido virar senhor tão facilmente assim.

— E como tá o Ieyasu-san?

《Formou aliança com os Date, e agora parece estar tentando também se aliar aos Uesugi. Deve querer aliar-se aos Uesugi, que têm exército comparável ao nosso… quer dizer, ao ex-Takeda, pra se preparar contra o exército Hashiba.》

Hmm, como fazer isso, hein. Achei que o Ieyasu-san fosse unificar Ishen tranquilamente.

《O que deseja que façamos?》

— Por ora, vamos só observar. Se o exército Hashiba realmente atacar Eurono, ou o território do Ieyasu-san, me avisa de novo.

《Sim.》

O gato, ainda em cima do muro, deu um bocejo, mas a presença da Tsubaki-san já tinha sumido.

Que estranho, um monte de coisas com cheiro suspeito acontecendo. Talvez seja melhor ir até o Ieyasu-san conversar pessoalmente.

Fora o fato de ser a terra natal da Yae, onde a família dela mora, não é bem um assunto meu… mas.

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