Capítulo 217 – A Investida Solo e o Jovem Guerreiro de Um Olho Só
Atravessei o campo inimigo. Girando a lança, derrubei os que se colocavam no caminho. Junto com o rugido do Kohaku, os soldados na frente foram arremessados pela onda de choque, abrindo caminho. Corri por ali e atravessei o campo inimigo de uma vez.
Fiz meia-volta e reajustei a lança.
Uaa. Que quantidade, hein. Ainda tem um monte sobrando.
Flechas voavam em nossa direção como chuva torrencial, "hyun-hyun".
— [Shield]
Ergui uma barreira de defesa e bloqueei as flechas. As flechas que vinham voando foram sendo desviadas e caindo, uma atrás da outra.
Certo, vamos avançar de novo. Assim que ia sair correndo com o Kohaku, um jovem guerreiro montado a cavalo apareceu do campo inimigo.
— Ei, ei, eu sou Fukushima Masanori, subordinado do Hashiba! Na lança, sou invencível sob os céus, não existe quem me supere! Guerreiro demônio aí, quem é você! Diga seu nome, se ousar!
— [Slip]
— GUHAAA!?
O jovem guerreiro, que soltava aquela apresentação comprida demais, caiu do cavalo de um jeito patético. Removi o coeficiente de atrito da sela dele.
Se apresentar no meio do combate, que idiotice. Até no nosso mundo, dizem que isso quase não se faz mais desde a invasão mongol. Bom, não sei como é por aqui.
Ouço vozes tipo "que covardia!" ou "lute com honra e dignidade!", mas sei lá, não é problema meu.
Avancei em silêncio pro campo inimigo. Waaa! Os soldados fugiram, espalhando-se como aranhas assustadas. O que é isso. E ainda tem cara de chamar isso de covardia.
Mesmo assim, tinha quem viesse pra cima, então desviei da lança desferida e, ao contrário, derrubei o guerreiro montado.
Como já tava ficando denso demais e incômodo, conjurei um feitiço.
— Vento, forme redemoinho; turbilhão da tempestade: [Cyclone Storm]!
— UWAAAAAAAAAAAH!!?
Um tornado se formou no campo inimigo, e os soldados foram arremessados pro alto. Observando de canto de olho aquele golpe de vendaval, fui brandindo a lança, derrubando o exército Hashiba, um atrás do outro.
— Espera aí! Eu sou vassalo do Hashiba, Katō…
— [Cyclone Storm]!
— UHYOWAAAAAAAAAH!!?
Voando alto pro céu, o tal Katō. Já falei que não me interessa isso.
— O que estão fazendo! É só um homem, cerquem e cravem tudo de uma vez!
Ao comando de um general montado num cavalo castanho-avermelhado, todos os soldados de infantaria, em 360 graus, dispararam lanças na minha direção simultaneamente.
Mas, mais rápido que isso, o Kohaku saltou verticalmente, e nós dois voamos pro ar.
— Areia, venha; poeira cega: [Blind Sand]!
— UGWAAAA! MEUS OLHOS!!
Os soldados se contorciam com areia nos olhos. O Kohaku disparou uma onda de choque direto pra baixo, arremessando-os em círculo.
Assim que o Kohaku aterrissou, saiu correndo de uma vez, e, no ritmo disso, fui desferindo a lança, derrubando os inimigos, um atrás do outro, no local.
— Vento, perfure; lâmina de lança espiralada: [Spiral Lance]!
Ao empunhar a lança envolta em vento pra frente, ela virou uma lança de vendaval, arremessando o exército Hashiba numa linha reta, sem parar.
— Ah, é um oni! É o guerreiro demônio!
— Vamos ser mortos! Todo mundo vai morrer!
Que exagero. Parece que morreram, mas só estão paralisados, incapazes de se mover.
Enquanto ficava emburrado com isso, ouvi um grito irritado vindo da direção do portão do castelo.
— O exército Tokugawa saiu pra atacar! Contra-atacar!
— Não dá! A formação da ala direita continua desfeita! Não conseguimos interceptar!
Ah, será que a Yae avisou o senhor Jūbei e os outros sobre mim?
O exército Hashiba, que eu tinha revirado de qualquer jeito, já virou pura confusão desorganizada, e a maioria perdeu completamente a vontade de lutar. Resultado,
— R-recuar! Retirada! Retirada!
— TODO O EXÉRCITO, RECUAR!
DODODODODO, os generais montados a cavalo dispararam correndo, sem olhar pra trás. Sem querer ficar atrás, os soldados de infantaria também começaram a fugir do local, cada um pra si. Só sobraram os soldados paralisados, incapazes de se mover.
OOOOOOOH!! Um grito de festa se ergueu do exército aliado Tokugawa-Date, e um brado de vitória ecoou ao redor. Parece que não vão perseguir.
— Por ora, consegui repelir, então.
《Parece que sim.》
Saltei das costas do Kohaku e guardei a lança de volta no [Storage]. Olhando pra direção do portão do castelo, vi a Yae e o Jūtarō-san vindo correndo em minha direção.
— To…!
— Shhh!
Interrompi com gesto a Yae, que quase gritou meu nome sem querer. Falei baixinho com os dois, que se aproximaram.
— Faz tempo, Jūtarō-san.
— Touya-dono, muito obrigado pela ajuda. Foi salvação de verdade.
O irmão da Yae, o Jūtarō-san, curvou profundamente a cabeça. Como sempre, sério demais, hein.
— Mesmo assim, essa roupa, é…
— Bom, tenho uma posição a considerar, então, se Brunhild se envolver, complica as coisas. Por isso, vim como um guerreiro demônio misterioso.
— Ah, entendo… Bom, por nós tudo bem, mas como devo chamá-lo?
— Nome? Hmm… então, Shirogane.
Simples, mas tanto faz. Bom, fora a máscara, tô todo de preto mesmo.
— Mais do que isso, o senhor Ietasu tá bem? Ouvi dizer que se feriu.
— Ah, sim. O senhor foi ferido no ombro por uma flecha, mas não corre risco de vida.
— Será que dá pra me deixar vê-lo. Acho que dá pra curar com magia de cura.
Assim como a Yae, a maioria do pessoal de Ishen não tem atributo mágico nenhum. E, entre os poucos que têm, atributo raro tipo Luz ou Trevas deve ser ainda mais raro.
Não que não tenham energia mágica nenhuma — em vez disso, desenvolveram uma técnica mágica simplificada própria. Tipo talismã ou técnica ninja. A técnica da Tsubaki-san, de projetar a voz através do gato, também deve ser disso.
— Isso é uma bênção. No castelo, meu pai também está esperando. Vamos, Touya… perdão, Shirogane-dono.
Guiado pelo Jūtarō-san, chamando bastante atenção dos soldados Tokugawa, atravessei o portão do castelo junto com a Yae, montada no Kohaku.
— Não, sinto muito. Fiquei mais uma vez em dívida com Touya… Shirogane-dono.
Curei o ferimento no ombro do Ietasu-san com magia de cura, e, de quebra, curei os outros feridos também.
No grande salão do castelo, eu e o Ietasu-san ficamos frente a frente. Ao redor, também estavam reunidos os altos vassalos. Entre eles, dava pra ver a figura do Jūbei-san, pai da Yae.
— Até Ishen já ouviu falar do senhor, sabia. Parece que anda fazendo coisas e tanto.
O Ietasu-san, do bigodinho fino, disse isso em voz baixa, com os olhos cheios de curiosidade e interesse. Sinto um cheiro parecido com o do Rei de Belfast e o Rei Ferino de Mismede…
— Aliás, que tipo de boato?
— Cativou princesas de vários países, exterminou sozinho um exército de demônios invocados, dominou gigantes e destruiu um país inteiro — não tem fim se for listar tudo.
Ouvindo o Ietasu-san, forcei um sorriso contraído. O fato de ter um pouco de verdade misturada torna ainda mais difícil de negar. Deve ter sido resumido, exagerado, e transmitido de forma meio distorcida.
Bom, não tem relação com o momento agora, então melhor deixar quieto.
— Senhor. Quem seria essa pessoa, afinal…
Uma dúvida se ergueu entre os altos vassalos. Bom, faz sentido desconfiar, aparecendo um homem cheio de suspeita, com máscara na cara.
— Ora. Este é o senhor Shirogane. Convidado deste Kokonoe Jūbei aqui. Como todos viram agora há pouco, a força dele é incomparável, verdadeiramente um guerreiro que vale por mil. Sabendo da nossa crise, veio até aqui de propósito nos ajudar.
Todos os olhares se voltaram pro Jūbei-san. Diante disso, ele assentiu de leve, confirmando. Ao lado dele, também estava a Yae. Aliás, o Kohaku já ficou pequeno, enroscado no colo da Yae.
— Ah, Ietasu-dono. E aí, como tá a situação da guerra?
— Extremamente desfavorável. Em números, o exército Hashiba supera muito o nosso. Se houver chance de vitória, só será explorando a fraqueza da união deles.
— Fraqueza da união?
— Falam "exército Hashiba", mas, originalmente, a maioria são soldados dos Oda, Mōri, Shimazu, Chōsokabe. A maioria não obedece por lealdade. Todos só temem o poder do Hideyoshi.
Achei que controle através do medo fosse patente exclusiva de Oda Nobunaga.
Bom, em crueldade, o Hideyoshi também não fica atrás. Se não me engano, quando o filho dele, Hideyori, nasceu, ele forçou o suicídio ritual do próprio sobrinho, Hidetsugu, que já não tinha mais utilidade. E, ainda por cima, decapitou cerca de 30 pessoas, incluindo esposas, concubinas e filhos de Hidetsugu.
Mas, em senhores de guerra do período Sengoku, ser cruel não chega a ser raro. Até o Tokugawa Ieyasu histórico condenou o próprio vassalo, Ōga Yashiro, que traiu pro lado dos Takeda, à execução por serra.
O Ietasu-san à minha frente não parece se encaixar tanto nisso, mas o Hideyoshi parece ser diferente.
— Por que todo mundo obedece o Hideyoshi? Ele é assim tão forte?
— Dizem que o Hideyoshi usa uma técnica misteriosa através de uma cabaça dourada. Ninguém consegue resistir a esse poder, e todos acabam obedecendo. Existe também o boato de que o assassinato do senhor Oda Nobunaga foi porque Akechi Mitsuhide foi manipulado por esse poder.
Cabaça dourada…? Talvez seja um artefato. Não me diga que caiu do "Depósito" de novo, tipo a "Joia da Imortalidade"!?
Apressado, tirei o smartphone e abri a lista de itens desaparecidos do "Depósito". …Não, não tem nada correspondente. Se for assim, talvez seja obra de outro criador, tipo o caso do Rei Dragão.
— Quer dizer que, se resolvermos essa cabaça dourada que o Hideyoshi tem, o lado dele desmorona?
— Provavelmente. Mas o Hideyoshi nunca saiu um passo sequer do próprio castelo. Mesmo eu, sendo senhor da mesma categoria, nunca vi o rosto dele. Segundo o boato, tem cara de macaco bem feia, então evita aparecer em público.
Cara de macaco, hein. Se ficar careca, vira "rato careca", será?
Mas, um senhor recluso assim, hein. Já é estranho de início alguém sem procedência clara ser elevado a senhor de repente.
Será que, por acaso, um homem com cara de macaco achou uma cabaça dourada, usou o poder pra se infiltrar nos Oda, e, no fim, até manipulou o Imperador, se erguendo até virar senhor por conta própria…?
Mas manipular o Imperador seria mais fácil, né… ah, é verdade, em Ishen, o poder do Imperador é só fachada mesmo.
Então, depois de virar inútil e um estorvo, destruiu os Oda e os tomou pra si. Acho que não estou tão longe da verdade, mas será mesmo.
— Onde tá o Hideyoshi agora?
— Castelo de Osaka. O castelo dourado que o Hideyoshi mandou construir.
Dourado, hein. Bem a cara dele, digamos, mas exagerado demais.
Projetei o mapa do smartphone no ar e fiz a busca. Ouvi exclamações de espanto dos vassalos ao redor, mas vou deixar quieto.
Tsc, tem uma barreira bem cuidadosa aplicada nesse castelo. Impossível saltar direto com [Gate]. Bom, se for assim, vou entrar direto com a aeronave "Gungnir".
— Touya… Shirogane-dono. O que pretende fazer?
— Pensei em atacar o Hideyoshi diretamente. …Não, jogar o Gungnir direto na torre principal seria ruim… ia explodir tudo. Que chato, mas só resta entrar de algum jeito dentro do castelo.
Diante do meu murmúrio, o Ietasu-san abriu a boca, meio incrédulo.
— Nem vou perguntar como, mas isso é possível mesmo?
— É possível sim. Do meu lado, tenho vários trunfos escondidos. Como plano, é entrar no castelo, procurar o Hideyoshi, e resolver essa cabaça dourada de algum jeito…
— Esse plano, será que dá pra me levar junto também?
Diante de uma voz repentina vinda do corredor, todos os olhares se voltaram.
Ali estava um rapaz da minha idade, mais ou menos, acompanhado de um servo alto de olhos estreitos. Hakama preto, armadura preta, jinbaori roxo com bolinhas coloridas chamativas. A roupa já é bem chamativa, mas o que mais chama atenção não é isso. É o tapa-olho no olho direito.
Um olho só, com essa aparência — não me diga que…
— Se não me engano, disse Shirogane-dono. O combate de agora há pouco foi realmente esplêndido. Desculpe a demora em me apresentar. Eu sou Date Fuyujirō Masamune, senhor dos Date. De agora em diante, conto com sua consideração.
Como eu imaginava.