Capítulo 218 – A Cabaça Dourada e o Despertar
— Date… Masamune? Então essa pessoa aí é…
— Meu vassalo, Katakura Kojūrō Kagetsuna.
— É um prazer conhecê-lo.
O rapaz de olhos estreitos curvou a cabeça em silêncio. Como eu imaginava. Falando em Date Masamune, é Katakura Kojūrō Kagetsuna — dupla inseparável, afinal.
Ou melhor, mais do que isso.
— "Me levar junto"… quer dizer, pro Castelo de Osaka?
— Exatamente. Queria ver com meus próprios olhos esse tal Hideyoshi pelo menos uma vez. E também tenho interesse nessa tal cabaça dourada.
Masamune sorriu com um ar audacioso. Um sorriso bem de garoto travesso. Parece estar tramando algo…
Vendo isso, o Ietasu-san soltou um suspiro incrédulo.
— Masamune-dono. Certamente já pensou em pegar a cabaça dourada e usar pra si próprio, mas é melhor desistir disso.
— GUH!? Como sabe o que se passa na minha cabeça!?
— Masamune-sama. Seus pensamentos apareciam claramente no seu rosto.
Diante do Masamune, que se assustou, o Kojūrō, atrás dele, deu esse conselho. Isso é o que chamam de "se entregar falando demais", né.
— Aviso desde já, dependendo da situação, vou destruir a cabaça. Parece ser um artefato e tanto de problemático, ao que parece.
— Ugh… não tem jeito. O que Shirogane-dono diz também faz sentido. Vamos obedecer, então.
Mesmo dizendo isso, o rosto do Masamune tava com um sorriso besta. Que cara sincera demais, hein. Se não me engano, até o Date Masamune do meu mundo original também era famoso por gostar de intriga. Só que a diferença é que, aqui, isso fica claramente estampado no rosto.
— …Já tá pensando em roubar bem na hora antes de eu destruir, né?
— GUH!? Como sabe o que se passa na minha cabeça!?
— Por isso, Masamune-sama. Seus pensamentos aparecem claramente no seu rosto.
A mesma troca de agora há pouco entre senhor e vassalo dos Date. Hmm, não acho que seja má pessoa. Se não me engano, o Date Masamune original também era dito como amante de estratégias. Só que a diferença é que, aqui, ele revela isso descaradamente no rosto.
— Mas, Ietasu-san, será que tá certo levar o senhor dos Date direto pro meio do campo inimigo assim?
— Isso é questão da casa Date, não tenho como interferir.
Pro Ietasu-san, mesmo sendo aliado, parece que ele não pretende interferir tanto assim, mas será que, se o Masamune morrer, a aliança com os Date também se desfaz?
— Ou melhor, eu também quero ir até o Castelo de Osaka. Não sou desavergonhado ao ponto de deixar toda a luta pro convidado e ficar de braços cruzados.
Hmm. De fato, resolver tudo sozinho também não é muito legal.
— Então, será que dá pra cercar o Castelo de Osaka e chamar a atenção dos soldados do castelo? Nesse meio tempo, eu resolvo a cabaça, e o resto deixo a cargo de vocês.
— Por mim, tudo bem, mas… daqui até o Castelo de Osaka é uma distância e tanto… ah, é verdade, Touya… Shirogane-dono consegue usar magia de teletransporte, né.
Como não posso deixar este castelo completamente vazio, decidimos enviar uma expedição combinada de Tokugawa e Date, com cerca de 30 mil soldados. Como é ataque surpresa, essa quantidade já deve bastar.
— Mas, mesmo resolvendo o Hideyoshi, essa guerra civil vai se acalmar mesmo?
— Originalmente, é uma disputa que os Oda começaram, e os Hashiba herdaram, chegando a esse estado atual. Se resolvermos os Hashiba, acho que a luta acaba…
— Mas o Imperador não tem poder pra governar este país. Hmm, nas mãos de quem vai cair o balão de papel do poder, afinal.
O Masamune cruzou os braços dizendo isso. Sua cara ficou bem maliciosa, hein. Sem dúvida, tá tramando alguma coisa. Desse jeito, não vai conseguir competir com um veterano manhoso tipo o Ietasu-san.
Com isso, se derrotarmos os Hashiba, que já absorveram os Oda, no fim das contas o Ietasu-san acabaria sendo o senhor com mais poder.
Ué? Pera aí. Isso quer dizer que vai começar a Batalha de Sekigahara agora? Mas o local é o Castelo de Osaka, então seria o Cerco de Osaka? Não, isso foi depois da morte do Hideyoshi, e agora é inverno… não, logo vira primavera.
Bom, pensar demais não resolve nada. De qualquer forma, deixar que o Hideyoshi unifique esse país e depois invada Eurono também dá trabalho.
— Aquele ali é o Castelo de Osaka…?
Que absurdo é esse. Todo dourado e reluzente. Parede, telha, muralha de pedra, tudo brilhando em dourado. Aquilo não é o Templo Kinkaku, não? A forma também é diferente do Castelo de Osaka que lembro. Quanto será que custou isso.
Ficando olhando por muito tempo, a luz do sol refletia e ofuscava os olhos.
O Hideyoshi deve estar lá dentro. Fiz uma busca no mapa, por precaução, mas, como esperado, não localiza. Só resta ir até lá mesmo.
Por ora, vamos teletransportar todo mundo.
Ao redor do castelo dourado, do lado externo do fosso e da muralha, os soldados da aliança Tokugawa-Date apareceram nas quatro direções.
Logo depois, o som de um búzio ecoou de algum lugar, e o tambor de guerra retumbou. De uma vez, soldados avançaram das quatro direções contra o Castelo de Osaka, e logo começou a troca de flechas.
Diante do ataque surpresa repentino, o lado de Osaka, sem defesa preparada, parecia focado só em resistir.
— Certo, aproveitando essa brecha, vamos invadir o castelo.
— Ahn… o Castelo de Osaka tem barreira aplicada, então magia de teletransporte não funciona, né. Se for assim, como pretende… não me diga…
— Claro, voando.
Diante da minha resposta, a Yae fez uma cara claramente de desagrado. Tão ruim assim?
O "Gungnir", pilotado pela Rosetta, está de prontidão lá em cima, mas achei que ir voando direto seria mais rápido do que usar aquilo pra chegar naquele castelo.
— Se quiser, pode ficar esperando aqui…
— Não, eu também vou, decerto. Como futura esposa, se for pra compartilhar o destino com o marido, é uma honra.
Apertando as duas mãos no peito, a futura esposa se preparava mentalmente. Fico feliz, mas gostaria que ela não falasse como se fosse morrer.
— Então vamos. Yae, pode montar no Kohaku?
— Assim, decerto?
Apliquei [Levitation] na Yae e os outros, montados no Kohaku, fazendo-os flutuar.
Levando a Yae e os outros, flutuando suavemente, decolei com [Fly] de uma vez rumo ao Castelo de Osaka. Claro, com a aparência apagada com [Invisible], então nem flecha nenhuma atinge.
Ao invadir de dentro da torre principal, era um cômodo amplo, forrado de tábuas. O que é isso, até por dentro é todo dourado… Do teto à parede, das colunas, tudo reluzente.
— Que mau gosto, decerto…
— Concordo.
Dizem que gente que gosta de dourado tem forte instinto de ascensão social, mas, levado a esse extremo, chega a incomodar.
De qualquer forma, o Hideyoshi não parece estar aqui, então vamos descer pela escada.
No andar de baixo, também não tinha ninguém. Mas, atravessando o longo corredor de tábuas, senti uma presença estranha no meio do caminho. Bem sutil, mas claramente uma presença fora do normal. A Yae e os outros não parecem sentir, mas eu percebo claramente.
Fui com cuidado em direção à presença, abrindo, um por um, os fusuma cobertos de folha de ouro, aproximando-me.
— Ué?
— O que foi, decerto?
Tentando observar a situação, abri um pouco o fusuma e espiei, mas fechei de imediato. O que foi isso agora!? Achando que meus olhos estavam falhando, esfreguei de leve e abri o fusuma um pouco de novo.
Dentro era um grande salão, e, num ponto elevado, havia alguém deitado, esparramado. Vestindo um kosode tingido de cores chamativas, vermelho e roxo, e um hakama e casaco dourado reluzente, aquela figura toda ofuscante coçava a cintura, "pori-pori". Na cintura, uma cabaça dourada, do tamanho de uma garrafa PET de 2 litros, estava amarrada. Não me diga, aquilo é o Hideyoshi!?
Sem palavras, a Yae, que espiou por cima do meu ombro pra dentro, murmurou baixinho.
— …É um macaco, decerto.
— Ah, então não foi engano mesmo.
Diante da fala da Yae, senti um certo alívio. Meus olhos não estavam falhando.
Por mais que olhasse de novo, quem relaxava naquele salão era mesmo um macaco. Não era "um homem com cara de macaco". Era literalmente um macaco.
Tamanho um pouco menor que a Yae. Parece um macaco japonês, mas também parece um orangotango. Não existe macaco japonês desse tamanho, mas. Será fera mágica?
— Como assim isso? Aquele é algum bicho de estimação do Hideyoshi ou algo assim?
《Quem está aí?》
Falou. O macaco falou. Virando o olhar na nossa direção, batia o leque na mão, "pechi-pechi".
Já que fomos descobertos, não adianta ficar assim. Abri o fusuma de vez e encarei o macaco.
《Ora, ora. Oni, mulher e tigre branco. Que visitantes raros. Companheiros dos que fazem barulho lá fora?》
— …Não me diga que você é mesmo o Hideyoshi?
《Kakaka, exatamente. Eu sou Hashiba Chikuzen-no-kami Hideyoshi.》
A voz é audível, mas, ao mesmo tempo, dá pra ouvir também um grito de macaco, "kii-kii". Que estranheza é essa. É como assistir um filme dublado com dublagem ruim.
《Impressionante ter chegado até aqui. Vou elogiar. Como recompensa, vou promover você a meu assessor próximo.》
— Que bondade a sua. Mas, dispenso.
《Não dá pra recusar, sabia.》
Os olhos do Hideyoshi brilharam em vermelho por um instante. Nesse momento, não deixei passar despercebido o que foi disparado da cabaça na cintura dele.
De repente, a Yae e o Kohaku, ao meu lado, enrijeceram, com o olhar perdendo o foco. Parecia exatamente como se tivessem a consciência roubada, no início de uma indução hipnótica.
— …O que você fez? Não, mais do que isso…
《Ué!? Por que você tá tranquilo assim!?》
O macaco se levantou apressado. Os olhos do macaco brilharam de novo, e "aquilo" vazou de novo da cabaça dourada. Como eu imaginava, esse cara…
《Por quê!? Por que não faz efeito!?》
— Você é mesmo só um macaco mesmo, né? E o verdadeiro corpo tá naquela cabaça… não, mostra a real identidade logo, deus subordinado.
《SEU! Quem é você—–!!》
Os olhos do macaco se tingiram de vermelho intenso. E, da cabaça, vazou levemente algo que, sem dúvida, era poder divino. Energia que só seres do mundo celestial possuem, mas, diferente da do Deus do Mundo ou da irmã Karen, parecia turva.
Se não me engano, deus subordinado é a categoria abaixo até de deus de nível inferior. Mesmo sendo o mais baixo da hierarquia, ainda é deus. Claro que consegue manipular humano com facilidade assim.
Eu conseguia resistir porque tenho poder divino também. O Kohaku, existindo através da minha energia mágica, talvez por isso não conseguisse resistir.
《Ruri, tá me ouvindo?》
《Sim, Amo. O que deseja?》
《Procura agora mesmo a irmã Karen ou a irmã Moroha e avisa. Diga que encontrei um deus subordinado, que elas vão entender na hora.》
《Como desejar.》
A irmã disse que, se poder divino for usado, dá pra saber onde está, em qualquer lugar do mundo, mas esse cara provavelmente estava usando o poder bem no limite de não ser detectado. Por isso, só vaza poder divino no instante em que ele libera a força.
Pensando bem, o meu tal poder divino também deveria estar vazando, mas será que esse cara não percebeu? Ou será que já consigo controlar até certo ponto. Vou testar.
Fechei os olhos e voltei a consciência pro interior do corpo.
…Ah, de fato, sinto algo diferente da energia mágica dentro do corpo. Como direi, dá pra sentir claramente, tipo diferença de temperatura no ar. Vou tentar liberar isso pra fora do corpo sem soltar energia mágica junto…
No instante seguinte, do meu corpo, nasceu um clarão ofuscante, e o local inteiro foi envolto num redemoinho de luz. Um brilho reluzente dançava por todo o cômodo.
— Ugh…
Assim que aquilo se acalmou, sem perceber, meu corpo já emitia um brilho fosforescente suave. Espantado, olhei pra baixo pra ver a própria mão, e algo escorregou dos ombros. Ué? Cabelo?
Levei a mão à cabeça, e o cabelo já tinha crescido até a altura da cintura. Que isso, sério… E até a cor tinha virado dourada, ou melhor, platinada!?
《SEU! Você! Esse poder divino, é!! É um mensageiro do mundo celestial!?》
O macaco recuou, assustado. A cabaça rolou da cintura dele, caiu no chão, e, emitindo um brilho dourado turvo, foi tomando aos poucos a forma humana.
Ali estava, encarando-me com olhos cheios de ódio, um velho magro de barba branca, de pé.