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Isekai wa Smartphone to Tomo ni – Capítulo 219

O Deus Subordinado e o Mundo dos Espíritos

Capítulo 219 – O Deus Subordinado e o Mundo dos Espíritos

E aí, sou o Touya!

Cheguei quase a soltar essa frase, com o cabelo virando loiro-platinado, crescendo até a cintura, e um brilho divino vazando do corpo. Ainda bem que não ficou arrepiado igual espeto.

Em contraste, o velho à minha frente também tinha algo parecido acontecendo, mas a luz dele, mesmo sendo dourada, era um dourado turvo. Digamos, "dourado escuro". Explodindo de suspeita.

— Shie-YAA!!

O velho magro, tipo louva-a-deus, disparou poder divino da palma da mão, e bloqueei do mesmo jeito com a própria palma. No instante seguinte, tudo ao redor daquele grande salão onde estávamos explodiu. A torre principal dourada, o assoalho, a parede, tudo voou em pedaços ao nosso redor, se despedaçando.

O Kohaku e a Yae quase caíram do castelo se despedaçando, então os fixei no ar.

— UKYAAAAAAAAA!!?

O macaco vestido em traje dourado caiu de cabeça pra baixo, junto com os escombros, rumo ao andar de baixo. Até macaco cai da árvore… não, do castelo.

Eu e o velho — o deus subordinado que revelou a verdadeira forma — continuávamos flutuando no ar, encarando um ao outro.

Ué? Eu tô flutuando sem usar [Fly] nem [Levitation]. Será efeito do poder divino?

Enquanto pensava nisso, curioso, o velho de barba tipo louva-a-deus abriu a boca.

— Você, afinal… veio do mundo celestial pra me capturar? Deus de nível inferior, ou deus subordinado…

— Nenhum dos dois, e isso não é o meu papel também. Ou melhor, por que não se rende de vez? Não é proibido descer pra superfície sem autorização? E, ainda por cima, interferindo tanto assim, olha o estado que ficou Ishen.

— CALA A BOCA! Você entende a dor de suportar dia após dia essa monotonia sem fim!? A sede vazia de nós, que não conseguimos virar deus de coisa nenhuma!

Ah, então "deus subordinado, ainda abaixo do de nível inferior" quer dizer que não tem função nenhuma atribuída. A irmã Karen é a deusa que governa o amor, a irmã Moroha é a deusa que governa a espada. Ou seja, esse cara é desempregado? Tipo um NEET?

— Eu ainda não tô nem usando toda a minha força! Se eu tivesse posição e poder à altura, qualquer um me adoraria como deus…!

Até a fala soa tipo NEET. Devia virar um "deus NEET".

No fim das contas, esse cara ficou insatisfeito com o mundo celestial, que não reconhece a própria capacidade, desceu pra este mundo e tentou secretamente mudar tudo à própria maneira.

E, usando isso como cartão de visita, pretendia arrumar emprego… ou melhor, virar deus de nível inferior. Que incômodo total.

— De qualquer forma, o que você fez viola as regras do mundo celestial, né? Acho melhor se entregar sem resistência.

— Hunf, dá pra sentir. Seu poder divino ainda tem inconsistência. Provavelmente, um deus novo, recém-formado, não é? Acha que um novato desses vai conseguir me capturar?

— Não, é que já falei, isso não é o meu papel…

Justo quando eu tentava corrigir a fala do deus subordinado, de repente, a paisagem ao nosso redor se distorceu.

Ao perceber, o ambiente ao redor tinha mudado — um espaço branco-leitoso, com partículas de luz cintilante girando ao redor. Um espaço belo e misterioso se estendia sem fim, infinitamente. Sem chão nenhum, flutuávamos como no espaço sideral.

— Isso aqui é…

— É o Mundo dos Espíritos, sabia. Aqui, mesmo usando poder divino, não afeta a superfície.

Do meu lado, com um "hyut", a irmã Karen apareceu de repente. Será que foi ela quem nos teletransportou. Ah, e o Kohaku e a Yae!?

— Fica tranquilo, já desfiz o estado de hipnose deles e mandei os dois de volta pro acampamento aliado. Não deixei escapar nada, viu.

Do mesmo jeito, com um "hyut", agora a irmã Moroha apareceu. O deus subordinado, vendo isso, começou a recuar, com expressão de espanto.

— Deusa do Amor e Deusa da Espada!? P-por que vocês duas estão aqui…!?

— Que "por que", ué. Claro que viemos capturar você, que anda causando problema na superfície. Parece que enganou bem nossos olhos até agora, mas chegou a hora de acertar as contas.

A irmã Moroha sacou a espada da cintura. Nada de especial, uma simples espada de aço. Mas, sendo empunhada por uma deusa da espada, é outra história. Até uma espada de aço comum vira espada divina.

— Existem várias regras pra exercer poder divino na superfície, sabia. Você quebrou isso, né? Ou melhor, sendo desempregado, nem devia usar isso.

— Grr…!

O deus subordinado rangeu os dentes diante da fala da irmã Karen. Basicamente, cada uma das irmãs evita usar poder fora do próprio domínio — amor ou espada. Parece que existe uma regra formal quanto a isso, mas já ouvi antes que minha posição é algo complicado nesse sentido.

Carregando poder divino, mas não sendo deus. Se não é deus, não tem essas restrições de poder. Algo assim.

Se o Deus do Mundo simplesmente reconhecesse "você é o deus de tal coisa!", eu entraria pro grupo dos deuses, mas, por ora, não tenho essa intenção.

— Bom, se render sem resistência facilitaria pra nós, mas, pelo que ouço, parece que não há circunstância atenuante nenhuma.

— Pena de reencarnação como ser inferior por cem milhões de anos, sabia.

— Ugh, para com isso!!

O deus subordinado disparou poder divino de novo, mas, mais rápido que isso, a irmã Moroha se moveu e cortou fora o braço direito dele, do cotovelo pra baixo, num só golpe.

— GUUUUUH!!

Do braço cortado, não saiu sangue nenhum, e o braço decepado continuava flutuando no ar.

Sendo o mais baixo, mesmo assim, deus é deus. Será que também é ser imortal. Se for, esse aparência de velho deve ser só pra impor autoridade. Sempre tem gente que gosta de aparentar pelo visual.

— Se continuar resistindo, corto sua cabeça e te levo assim mesmo. Se pagar direito pelos crimes, talvez consiga reencarnar como deus de novo, mas prefere ser aniquilado?

Deus, mesmo sendo imaterial, parece não ser imortal. Existe até o ditado "curiosidade mata o gato, tédio mata até deus", né. Deus também deve morrer. Provavelmente.

— Antes de virar isso, uma reencarnação inferior qualquer, vou lutar até o fim! HAA!!

— Ugh!? Não vai ser tão fácil assim!

De repente, uma luz ofuscante irradiou do deus subordinado, e, no instante seguinte, a espada da irmã Moroha cortou ele ao meio, da cabeça pra baixo. Uoa. Mesmo sem sangue, é bem pesado visualmente.

— Fh, da próxima vez, não vai ser assim tão fácil…

— "Próxima vez"?

— Moroha-chan, o braço dele!

Enquanto a irmã Karen gritava, ignorando o deus subordinado caído, rindo. O braço decepado, que flutuava no ar, desapareceu do local, tremeluzindo. Logo depois, o corpo principal do deus subordinado abatido foi se desfazendo, como areia.

— Ugh. Que sujeito de má-fé.

— …Não deu. Ele cortou o próprio poder divino.

— Ué? O que aconteceu agora?

Sem entender nada, perguntei pras duas.

— Ele transferiu quase todo o próprio grau e poder divino pro braço direito, e teletransportou isso pra superfície como um clone. E, ainda por cima, apagou o poder divino de novo, se disfarçando de alguma outra coisa.

— Ou seja, voltamos à estaca zero. Começar tudo de novo, sabia.

Que absurdo. Depois de encurralar até esse ponto, ele escapou mesmo assim.

Como apagou o poder divino, não dá pra detectar, e, como não sei em que se disfarçou, nem [Search] funciona.

Corte de cauda de lagartixa, né. Nesse caso, quem foi cortado foi o corpo principal, mas.

— Aliás… Touya-kun? O que é essa roupa?

A irmã Karen recuou um pouco, olhando pra minha aparência. Bom, faz sentido, ainda tô de máscara, deve parecer estranho mesmo.

— Me disfarcei pra não dar problema pra Brunhild. Opa, mais do que isso, o que é isso? Meu cabelo mudou de cor e cresceu do nada!?

— Hmm. Deve ser porque o poder divino despertou e alterou o cabelo. Aliás, talvez você não tenha percebido, mas seus olhos também estão dourados.

Ué!? Tirei um espelho do [Storage] e olhei, e, de fato, os olhos também tinham ficado dourados.

— Isso volta ao normal?

— Acho que, se cortar o poder divino, volta ao normal. Já consegue controlar, né?

— Melhor não fazer isso aqui no Mundo dos Espíritos. Agora, como o poder divino tá sendo emitido, nada se aproxima, mas, se perceberem que tem humano aqui, espíritos e feras místicas vão se aproximar, e vira um problemão.

Ah, é assim? Como a irmã Moroha disse, vou evitar cortar o poder divino aqui.

De repente, o smartphone no meu bolso começou a vibrar. Tirei ele, que tava no modo silencioso, e, na tela, aparecia "Chamada: Deus".

— Alô?

— E aí, é o Touya-kun? Parece que o poder divino despertou por completo, hein.

— Será que isso tem algum efeito colateral?

— Hmm? Não, você não virou deus nem nada, então acho que não tem problema em especial. Só que, como fui eu quem trouxe seu corpo pro mundo celestial e consertou, seu poder divino ficou com a mesma qualidade do meu.

Existe até qualidade de poder divino, hein. Ah, mas o poder divino daquele deus subordinado tinha um tom escuro mesmo. Olhando pra irmã Karen e a irmã Moroha, a da irmã Karen parece um dourado misturado com rosa-claro, e a da irmã Moroha, dourado com um pouco de azul-celeste. Isso deve ser a diferença de qualidade.

— Hmm, o que fazer, hein. Sendo do mesmo tipo de qualidade, você vira completamente meu parente… bom, tanto faz. Contigo, não deve ter problema.

— Como assim isso?

— Você, sendo humano, obteve poder divino. Preciso deixar clara sua posição no mundo celestial. Não dá pra te dar um título de "deus de tal coisa", mas também não posso deixar como deus subordinado, então vou tratar você como meu parente mesmo.

— Ou seja, quer dizer que virou família, sabia.

Não entendendo direito, fiquei inclinando a cabeça, e a irmã Karen me explicou. Entendi. Ah, é verdade, para de escutar escondido a ligação, por favor.

Família. Eu, família do Deus do Mundo… será que tá tudo bem?

— Não precisa pensar tão a fundo assim. Já tem duas irmãs, então pensa que ganhou um avô novo.

Não, mas isso já é um degrau alto demais, viu. Ah, é verdade.

— Ahn, será que não sabe o paradeiro do deus subordinado que fugiu?

— Não sei, não. A presença dele era tipo grão de areia. E, além disso, isso não é meu trabalho. Se eu mesmo encontrasse, os outros deuses ao redor iam falar alguma coisa…

Diante da minha nova confusão, dessa vez a irmã Moroha sussurrou baixinho pra mim.

— Significa que perderia a justificativa formal pra descer à superfície. No meu caso, oficialmente, sou só ajudante da irmã Karen.

— Ei, que motivo é esse… Espera aí, não me diga.

Encarei a irmã Moroha com olhar desconfiado, e ela balançou as mãos apressada, negando.

— Não, não. Não deixei fugir de propósito, viu. Não vou misturar assunto pessoal com trabalho a esse ponto.

Será mesmo? Bom, pelo jeito dela agora, parece verdade mesmo. Ué? Quer dizer que ainda tem algum outro deus tentando descer aqui?

— De qualquer forma, é isso, então conto contigo. Até mais.

Ah, ele desligou antes de eu conseguir questionar.

Hmm, por ora, vou testar o que dá pra fazer nesse "modo divino". Já entendi que dá pra usar magia sem incantação, mas é assustador não saber direito o que mais tem.

Pensando nisso, deixamos o Mundo dos Espíritos.

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