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Isekai wa Smartphone to Tomo ni – Capítulo 221

Felsen e a Ponte

Capítulo 221 – Felsen e a Ponte

— Desculpe pelo pedido meio forçado.

— Não, não, imagina.

Sorrindo, o rei de Cavaleiros de Lestia acenou com a mão. Bonitão como sempre. Digno do meu futuro cunhado Reinhard. Mesmo ainda não tendo casado com a Hilda.

Estamos agora numa carruagem do Reino de Cavaleiros de Lestia, indo em direção ao palácio real de Felsen. O rei-cavaleiro arrumou o encontro com o rei de Felsen.

Como não seria legal invadir de repente com [Gate] direto no palácio, teletransportamos a carruagem inteira, junto com os cavaleiros de escolta, até perto da capital, e, dali, fomos "paca-paca" de carruagem com o rei-cavaleiro Reinhard.

Ao mostrar pro rei-cavaleiro o resultado da investigação daquele caso de roubo e explicar a suspeita sobre Felsen, ele cruzou os braços e ficou pensativo. Ao perguntar o motivo, disse:

— Como direi… será mesmo que aquele rei de Felsen faria algo assim.

Lestia e Felsen são vizinhos. Por posição geográfica, Lestia só faz fronteira com Felsen e o Reino de Lyle, então, basicamente, tem relação profunda com esses dois países.

Ao longo da longa história, parece que já foram rivais também, mas, atualmente, mantêm uma relação equilibrada.

Segundo o rei-cavaleiro, o rei de Felsen tem personalidade despretensiosa e franca, sem se apegar a detalhes — completamente diferente do estereótipo de mago. Que gosto por musculação como hobby, isso já é bem incomum.

O rei anterior de Felsen se dedicava tanto à pesquisa mágica que morreu num acidente durante um estudo. Quem assumiu depois foi o irmão mais novo dele, o atual rei.

O atual Rei de Felsen, Blanger Frost Felsen, desde criança, diferente do irmão, gostava mais de artes marciais do que de magia. Parece que isso não mudou nem depois de virar rei.

Dessa vez, o motivo oficial da visita é sobre a Ilha Enrush, que flutua no Mar de Rondo, ligado ao Grande Rio Gau, bem no centro dos quatro países: Lodmea, Felsen, Lyle e Lestia.

Mapa da região

Essa ilha, tecnicamente, é território de Lestia, mas não tem recurso mineral pra extrair, e a ilha tem muita fera mágica poderosa. O solo é pobre, quase não cresce plantação, e, no grande rio próximo, tem fera mágica que ataca navios escondida — sinceramente, uma ilha difícil de aproveitar.

Só que, olhando a posição dessa ilha, tive uma ideia e propus ao rei-cavaleiro de Lestia.

Resumindo rápido, seria conectar os quatro países por meio de pontes, tendo essa ilha como centro.

Uma ponte de distância absurda, mas não impossível. Assim, dá pra fazer comércio entre Lestia e Lodmea, ou entre Lyle e Felsen, facilitando bastante. E também, se der pra fazer compra e negociação nessa ilha, talvez ela se desenvolva como praça de mercado.

Claro, cada país vai instalar algo tipo alfândega, pra fiscalizar bens de importação e exportação.

As pontes da ilha até cada país, eu construo. Em troca de eu cuidar do extermínio das feras mágicas da ilha também, receberia parte da taxa de passagem que passa por essa ilha.

Lodmea e Lyle já tinham dado autorização. Só falta a autorização de Felsen. Mesmo que não seja concedida, pretendo construir a rota comercial só com os três países mesmo, então acho que, nessa situação, não vão querer ser o único país a sair perdendo.

— Ouvi dizer que Felsen tem tecnologia mágica bem desenvolvida.

— Isso mesmo. Pesquisa de artefatos mágicos, magia antiga, magia de gravação, magia de encantamento, técnica de talismã, técnica ninja, técnica de controle de feras — até técnicas já em declínio, eles pesquisam.

Basicamente, "magia" só tem 7 atributos, mas, separado disso, existem "técnicas" que também usam energia mágica, mas desenvolvidas de forma independente. Um exemplo fácil de entender é a técnica ninja que a Tsubaki-san usa.

Essas técnicas não dependem de aptidão como magia. Dizem que qualquer um consegue aprender. Só que exigem treinamento absurdamente rigoroso. Tem quem leve 5 anos pra dominar, e tem quem, mesmo depois de 10 anos de treino, só consiga o básico. Nesse sentido, talvez seja um campo que exija mais talento até do que a magia.

E também, algumas dessas técnicas só são transmitidas em certas regiões ou famílias específicas, então é difícil dominar tudo. Se não me engano, técnica de talismã é o que os tais "taoistas" usam do lado de Eurono.

— Touya-dono também tem, mas quase 60% das armas e armaduras encantadas com magia são feitas em Felsen. Diferente do "Enchant" de Touya-dono, a taxa de sucesso não é 100%, então não dá pra produzir em massa de forma estável.

— Quer dizer que a taxa de falha é alta? Qual seria a proporção?

— Dizem que, de 10 tentativas, se acertar 1, já é bom.

Nem chega a 10%, hein… Faz sentido que fique tão caro. Será que na "Biblioteca" tem algum método pra aumentar a taxa de sucesso do encantamento. Não, se é uma linha de desenvolvimento independente daqui mesmo, talvez não tenha. De fato, a técnica ninja se originou em Ishen, mas, há 5000 anos, ninguém morava lá…

Enquanto pensava nisso, a carruagem atravessou a cidade e entrou no palácio real de Felsen.

O castelo de Felsen tem um clima diferente do estilo francês — mais tipo fortaleza inglesa. Robusto, com sensação de história. Erguido numa colina, tem um clima retrô de castelo de mago.

Ao chegar na entrada do castelo, desci logo atrás do rei-cavaleiro, e, na entrada do saguão, estava um homem parado.

Pouco mais de 40 anos. Bem alto e com armadura sobre músculos rígidos. Parece jogador de futebol americano ou lutador de wrestling.

Barba cobrindo a parte inferior do rosto, cabelo penteado pra trás de forma desalinhada, com alguns fios brancos misturados. O manto branco, um pouco curto, tinha bordado dourado, e, na mão, segurava um cetro real de platina.

Mas o que mais chamou atenção foi uma marca grande de garra na bochecha. Que isso? Lutou com tigre ou algo assim?

— Bem-vindos a Felsen. Rei-cavaleiro de Lestia, e jovem Príncipe de Brunhild.

Dizendo isso, aquele homem corpulento — o Rei de Felsen, Blanger Frost Felsen — sorriu com um ar audaz.

— Entendi, uma ponte pra Enrush, hein. De fato, se isso acontecer, o benefício pra cada país seria considerável. Mas…

O Rei de Felsen acariciava o queixo enquanto ouvia nossa proposta.

— Algum problema?

— Mesmo com a ponte construída, Enrush continua sendo território de Lestia. Isso significa que, dependendo da vontade de Lestia, seria possível suspender o comércio de outros países, não é?

— Quanto a isso, sem preocupação. Assim que a ponte for concluída, vamos dividir a ilha em quatro e ceder pra cada país. Em troca, pediremos 10% da taxa de passagem da ponte pro próprio país, como custo de construção, pra Brunhild.

Diante da preocupação do Rei de Felsen, o rei-cavaleiro Reinhard respondeu com firmeza.

Sinceramente, eu podia até ter construído a ponte de graça, mas, segundo a Governadora-Geral de Lodmea, esse tipo de coisa é melhor receber direitinho, pra não deixar rusga depois. Então decidi receber mesmo.

Mesmo sendo bem barato, é uma ponte de distância considerável, então é uma soma e tanto. Combinamos que o dinheiro recebido dos 10% da taxa de passagem seria usado pra pagar o custo, e, quando atingir o valor total, param de cobrar. Se for tudo bem, calculando, deve levar uns 10 anos pra quitar. Claro, se quiserem pagar tudo de uma vez, também tudo bem.

Na verdade, cheguei a pensar em instalar um portal de teletransporte, mas, nesse caso, se quebrar, só eu conseguiria consertar. Pensando no futuro, ponte é melhor.

— Mas, Príncipe de Brunhild. Ponte, e ainda por cima uma pra cada país, quatro no total — será mesmo possível construir isso?

Quem falou isso foi um homem de meia-idade, sentado também na mesa redonda onde estávamos. Cabelo castanho, olhos azuis. Olhar de falcão, primeiro-ministro de Felsen. Se não me engano, o nome era Amond.

— Se reunir o material, dá em três dias. Não é uma ponte de estrutura complicada.

— Três dias é exagero demais, não acha? Mesmo usando aquele gigante, o Frame Gear, não teria como fazer quatro pontes em três dias, teria?

O Amond lançou um olhar de dúvida, não totalmente explícito, mas evidente. Bom, faz sentido não acreditar. E, além disso, não vou usar Frame Gear pra construir.

É o mesmo processo de quando construí o castelo de Brunhild na "Oficina". Vai dar mais trabalho que aquilo, mas, com a "Oficina" fortalecida pela "Torre", consigo terminar nesse prazo.

— Não uso Frame Gear na construção. Tenho algo capaz de absorver material e reconstruí-lo na forma especificada. Ou seja, consigo transformar um bloco de pedra direto em ponte.

— …Isso é um artefato?

— Bom, algo do tipo. Só que só eu consigo usar.

Quem interveio na conversa foi um homem magro e sombrio, difícil de saber o que pensa. Até agora tinha olhos de peixe morto, mas agora brilhavam intensos. Um dos magos da corte de Felsen. Se não me engano, o nome era Rudo.

— Por que só o Príncipe consegue usar isso?

— Só posso responder que é esse tipo de artefato mesmo. Isso é segredo de estado até pro nosso país, então peço desculpas.

Soltando um suspiro pequeno, o Rudo voltou aos olhos de peixe morto de antes. Parece completamente indiferente a qualquer coisa que não interesse a ele.

O Rei de Felsen olhou pra mim com um sorriso amargo.

— Desculpa. Esse aí tá cansado, empacado numa pesquisa.

— Ah, não, imagina.

Já tô acostumado com reação exagerada diante de magia desconhecida. Tipo a Charlotte-san de Belfast, ou a mestra dela, Leen.

Aqui presentes, estamos eu, o rei-cavaleiro de Lestia, o Rei de Felsen, o primeiro-ministro Amond, o mago da corte Rudo, e mais uma pessoa.

— Vossa Majestade o Príncipe possui gigantes de guerra e artefatos maravilhosos e tanto. Foi encontrado em alguma ruína?

— …Nem tudo é assim. Alguns eu mesmo fiz.

— Ah, entendi. Vossa Majestade o Príncipe tem [Enchant] e ainda possui todos os atributos. Realmente admirável.

Rindo assim, quem falou foi Izes, mestre da guilda gigante que controla mago, artesão, comerciante — tudo em Felsen — a "Corporação Magi-Técnica". Cabelo grisalho, óculos escuros. Que existisse óculos escuros nesse mundo… E, ainda por cima, carrega energia mágica. Sem dúvida, tem algum encantamento aplicado.

Suspeito. Bom, só por usar óculos escuros também não dá pra afirmar que é suspeito.

Sinceramente, ao conhecer o Rei de Felsen, como o rei-cavaleiro disse, não parece que essa pessoa seria o mandante do roubo do Frame Gear. Bom, é só intuição, então talvez ele esteja escondendo bem a verdadeira natureza.

Primeiro-ministro Amond, mago da corte Rudo, chefe da corporação Izes.

Talvez algum desses três seja o mandante. Se agiram por conta própria, sem autorização do Rei de Felsen. Os três têm poder suficiente pra isso.

Opa, não devo. Suspeitar de todo mundo assim é falta de respeito também.

— A questão da ponte está aprovada. Depois de terminada a construção, assim como os outros três países, vamos pagar parte da taxa de passagem a Brunhild, pra quitar o custo de construção.

— Vossa Majestade, tem certeza?

O primeiro-ministro Amond perguntou, como quem confirma.

— Se só nosso país ficar de fora aqui, podemos sair perdendo muito. Não creio que os outros três países estejam conspirando pra invadir o nosso — seria complicação demais pra isso. E, além disso, já que o próprio Príncipe de Brunhild está intermediando, se algo acontecer, ele deve nos ajudar, né?

— Se algo desse tipo acontecer, claro.

Atualmente, esses quatro países mantêm relação amistosa. Mas nunca se sabe o que pode desencadear uma guerra. Existe a possibilidade de a ponte ser usada como rota de invasão. Por precaução, pretendo construir também barreira de defesa e comportas de bloqueio.

— Certo, com a questão da ponte resolvida, tem algo que eu gostaria que o Príncipe de Brunhild visse. Tudo bem?

Olhando pra mim, o Rei de Felsen abriu um sorriso audaz. O que será?

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