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Isekai wa Smartphone to Tomo ni – Capítulo 222

A Coleção e o Cunhado

Capítulo 222 – A Coleção e o Cunhado

— Isso é…

— Como acha? Bem impressionante, né?

Fui levado pelo Rei de Felsen até a sala de coleções dele. Ali, armas alinhavam parede e pedestais, sem espaço sobrando.

Espada, lança, arco e machado, pra começar, e até espada grande, adaga, katana, foice de corrente. Todas feitas de metal especial, com algum tipo de encantamento aplicado.

Diante da quantidade absurda, eu e o rei-cavaleiro ficamos sem palavras. Isso aqui é literalmente um arsenal, né.

— Esse é o machado que o herói de 500 anos atrás, o guerreiro matador de dragões, Baculam, usava. Tem encantamento de bola de fogo, e dizem que o Baculam, que não conseguia usar magia, valorizava muito esse item.

Dizendo isso, o Rei de Felsen ergueu um machado vermelho. De fato, parecia bem antigo.

— O Rei de Felsen gosta de armas, hein.

— Opa. Não me entenda errado, mas eu não gosto de arma. Gosto do modo de vida dos heróis que empunharam essas armas e realizaram grandes feitos.

Entendi. Quer dizer que todas as armas aqui são relíquias desses heróis.

— Quando penso nos heróis que empunharam armas e lutaram, mesmo na minha idade, fico animado feito criança. Gosto de histórias de heróis. Quando era pequeno, ficava absorto lendo essas histórias.

Que pessoa completamente inadequada pra ser mago, hein. Mesmo sendo outro país, fico preocupado.

— Quando criança, eu não duvidava nem um pouco de ser um herói de verdade. Cheio de confiança, entrei sozinho na floresta onde vivem feras mágicas e, sem noção nenhuma, provoquei briga com um Urso Tigrado. O preço que paguei foi isto.

O Rei de Felsen apontou pra própria cicatriz na bochecha, meio irônico. Urso Tigrado… ah, aquele urso listrado tipo tigre. Se não me engano, a Yae já derrotou um numa missão de guilda. Enfrentar isso quando criança, hein. Deve ter sido bem imprudente mesmo.

— Sinceramente, tenho inveja do Príncipe. Derrotar dragão, derrotar golem, exterminar demônio. Uma sequência de aventuras. Se meu irmão não tivesse morrido, também queria ter vivido uma vida assim.

No meu caso, comecei como aventureiro, então já era normal mesmo.

— Aliás, ouvi dizer que o Príncipe usa uma arma incomum. Será que dá pra me mostrar aquilo na sua cintura?

O Rei de Felsen olhou pra Brunhild, pendurada na minha cintura. Não é nada pra esconder, então tirei do coldre e mostrei.

— Chamo de "Brunhild", igual ao nome do país. É uma arma que serve tanto pra tiro à distância quanto pra combate corpo a corpo, feita por mim mesmo.

Transformei a Brunhild pro modo lâmina na frente do Rei de Felsen. Surpreso com a lâmina se estendendo de repente, ele arregalou os olhos.

— Você mesmo fez isso… Que absurdo, quase impossível de acreditar…

— O Príncipe de Brunhild também é um artesão de armas de primeira linha. Minha espada também foi feita por ele.

Dizendo isso, dessa vez o rei-cavaleiro de Lestia sacou a espada da cintura e colocou sobre a mesa. É uma espada de cristal feita à imagem da Espada Sagrada Lestia.

— Ooh! Que maravilha! Uma espada tão nobre…

Ambas feitas de material de cristal, esse nível de processamento nenhum outro país ainda tem.

— Você disse que ele fez pra você…

— Sim. De presente pra minha cerimônia de coroação. Desde então, ando sempre com ela. Fio afiado e leveza surpreendente — o único problema é que sinto que consigo vencer qualquer fera mágica.

Deve ter feito teste de corte de verdade também. Contra qualquer coisa exceto espécie superior de Phrase, deve cortar com facilidade, então, se o ataque alcançar, com certeza vence.

O Rei de Felsen, olhando com inveja pra espada de cristal, aproveitou a deixa pra entrar direto no assunto.

— E aí, Vossa Majestade Príncipe? Será que dá pra fazer uma pra mim também? Vou pagar direitinho, claro.

Hmm. Bom, já tem gente demais que sabe do material de cristal, então dar mais uma arma a essa altura não muda muita coisa. No máximo, a coleção do Rei de Felsen aumenta.

— Sem problema. E aí, o que devo fazer?

— Sério mesmo!? Deixa eu ver… Espada seria bom, mas… será que dá pra aplicar algum encantamento também?

— Dá. Só que, se pedir vários tipos, fica complicado.

E também prefiro não deixar tão poderoso demais. Se encantar com magia antiga, viraria uma arma absurda. Bom, mesmo disparando uma vez, provavelmente ele desmaiaria por esgotamento de energia mágica. Mas, se assumir esse risco e revezar entre várias pessoas, poderia até disparar em sequência.

— Será que dá pra encantar com magia de cura de estado, tipo veneno ou paralisia?

Veneno ou paralisia? Que assunto perigoso, hein. Provavelmente [Recovery] resolveria bem.

— Dá, mas tem certeza que é isso mesmo?

— Ah, sim, isso mesmo. Espada larga… vamos ver, algo desse estilo. É a espada do Gandal, aventureiro errante de uns 410 anos atrás — dizem que, ao brandir, levantava poeira e…

Achando que ele ia entrar na explicação da espada de amostra que trouxe, comecei logo a fabricação.

Tirei material de cristal do [Storage] e, com [Modeling], fui transformando à imagem da tal espada do Gandal. Copiei o tamanho da espada, mas mudei o design do cabo e outros detalhes. Colocando o brasão da família real de Felsen na superfície da lâmina, e por aí vai. A forma deve estar boa assim. Depois, encantei com redução de peso via [Gravity] e [Recovery], e pronto.

Ao confirmar o peso, ele disse que estava um pouco leve demais, então ajustei. Achei que quanto mais leve melhor, mas, segundo ele, precisa de um peso mínimo pra sentir a "resposta" de segurar uma espada. Não entendi bem isso.

— Hmm. Assim tá sem problema. Espada esplêndida.

— Se colocar a mão no cabo e canalizar energia mágica, ativa o [Recovery]. Mas consome bastante energia mágica, então não é qualquer um que consegue usar, esse é o defeito.

— Entendi. Vou testar.

Ué? Testar?

O Rei de Felsen pegou da coleção uma adaga dourada, encostou no braço esquerdo e fez um corte leve. Na hora, o rosto dele ficou pálido, e um suor abundante escorreu, com expressão de agonia.

— I-isso é… a adaga que o ladrão nobre Alejandro us-usava… e-e-está encantada com ven-veneno…! Com essa adaga, o Alejandro…

— Deixa a explicação de lado e ativa o [Recovery] logo!

Que perigo! Esse velho é um idiota!

Rapidamente canalizei energia mágica na espada que fiz, ativando [Recovery], e o rosto do Rei de Felsen voltou ao normal na hora.

Sem querer, eu e o rei-cavaleiro soltamos um suspiro de alívio. Se ele morresse aqui, será que a gente ia levar a culpa. Ah, tem guardas de Felsen e de Lestia na sala também, mas… ei, era pra vocês impedirem isso!

— Hmm. Confirmado, se recupera mesmo. Parece que tá tudo bem.

— Pera aí, por favor… e se a energia mágica não fosse suficiente, o que ia fazer?

— Eu também sou da família real, sabe. Parece que tenho uma quantidade razoável de energia mágica. Mesmo se não fosse suficiente, tem o Príncipe aqui pra me curar, né?

Isso é verdade, mas! Não pensou na possibilidade de eu não ter encantado com [Recovery], ou de não usar magia em você depois de desmaiar?

Olhei pro rei-cavaleiro de Lestia, e ele deu um sorriso amargo. De fato, essa pessoa não parece do tipo capaz de armar esquema desses.

— Mesmo assim, magia de cura de estado alterado… será que corre algum risco de envenenamento?

— Hm? Bom… digamos, precaução antecipada.

O Rei de Felsen disfarçou de forma vaga, mas senti instintivamente que era mentira. Parece que sente algum risco de vida, ainda que pequeno. Será que tem alguma coisa acontecendo?

— Mais do que isso, na verdade, ouvindo que o Príncipe de Brunhild viria, eu tinha um assunto pra tratar.

— Assunto?

Será que é informação sobre o Frame Gear roubado? Não me diga que o mandante tá justamente neste país, e o rei sabe disso? Ou será que ele sente algum sinal de que vai ser envenenado?

— Ah… bom… veja, eu tenho 42 anos esse ano, mas ainda tô solteiro.

— …Ah, sim.

— Quando jovem, já estava decidido que meu irmão herdaria o trono, então não tinha noiva nenhuma, e eu também não me importava muito com isso. Não encontrei ninguém adequado, então acabei adiando esse assunto, achando trabalhoso demais… Bom, como direi, uma visita bem tardia, ou um encontro do destino, digamos…

Um velho musculoso, passado dos quarenta, todo encabulado — sinceramente, é meio nojento. Mas afinal, que assunto é esse!?

— Não me diga, o senhor vai se casar?

— É, bom, isso mesmo.

Quem deu essa mão amiga foi o rei-cavaleiro. Ah, então é isso. Como ele falou enrolado demais, não entendi. Ou melhor, esse velho sorrindo encabulado também é meio nojento, viu…

— Isso é motivo pra parabéns. E o assunto que quer tratar comigo?

— Ah, sim, isso mesmo… espera um instante. Melhor apresentar diretamente. Assim é mais rápido.

O Rei de Felsen pediu a um guarda que fosse chamar alguém correndo. "Apresentar diretamente" seria o quê?

Por fim, ouviu-se batida na porta, e, ao autorizar a entrada, apareceu uma mulher vestindo um vestido azul-pastel.

Idade parecida com a minha, ou um pouco mais velha? Uns 17, 18 anos. Cabelo prateado bonito, cortado curto, e olhos com forte determinação… Ué? Essa pessoa, já vi em algum lugar…?

— É um prazer conhecê-los, Vossas Majestades, Príncipe de Brunhild e Rei-Cavaleiro de Lestia. Fico honrada em conhecê-los.

— Ah, hmm. Essa é minha noiva, Erisia.

Ei, ei, que diferença de idade é essa… Deve ter uns 24, 25 anos de diferença. Vendo os dois juntos, parece pai e filha. Esse Rei de Felsen, viu, gosta de novinha…

— Especialmente o Príncipe de Brunhild, minha irmã tá sendo bem cuidada, e queria muito conhecê-lo pessoalmente, então fico feliz.

— Hã?

Interrompendo meu pensamento, aquela mulher, Erisia, sorriu com um ar gentil. Irmã? Ué?

— Perdão pela demora em me apresentar. Sou Erisia Rea Regulus. A Lucia está bem?

— Ah, AH!!

Isso, então! Achei que ela se parecia com alguém, é a Lu! Essa pessoa é a segunda princesa imperial de Regulus que tá de intercâmbio em Felsen!

Fiquei atônito diante desse encontro inesperado. Haa… a princesa de Regulus, com o Rei de Felsen, hein… Em termos de posição, até que combina, mas… não dá pra evitar essa sensação de crime…

Bom, não que eu tenha moral pra falar, sendo alguém que vai casar com a irmã dela, de 13 anos.

Nós temos só 4 anos de diferença, então tá tudo bem. Provavelmente.

…Ué? Pera aí. Isso quer dizer que a Erisia-san vira minha cunhada… e esse velho musculoso barbudo vira meu cunhado!? O QUÊ!?

— Aconteceu alguma coisa?

O cunhado rei-cavaleiro falou comigo, vendo-me atônito.

— Eu… só queria o Reinhard-nii-san e o Jūtarō-nii-san mesmo…

— Hã?

Murmurei baixinho, mas ninguém ouviu.

Ah, é verdade, tem também o príncipe herdeiro de Regulus como cunhado. Não, esse aí, o rosto dele é bem discreto! Deixa eu ver, deixa eu ver, Lux-nii-san. …Acho.

Ops. Não consigo lembrar o rosto dele. É uma pessoa muito boa, mas não deixar impressão nenhuma já é impressionante de certa forma.

Por ora, vou me desculpar mentalmente com o Lux-nii-san.

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