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Isekai wa Smartphone to Tomo ni – Capítulo 225

A Primavera, e Terra, Vento e Fogo

Capítulo 225 – A Primavera, e Terra, Vento e Fogo

É primavera.

Neste mundo, existem países com quatro estações e países sem elas, misturados sem padrão nenhum, então, em geral, não se costuma curtir tanto a mudança das estações.

Mas isso, ao contrário, significa que quem curte, curte de verdade. Ishen é o exemplo máximo disso. Como quase 70% dos moradores de Brunhild vêm de Ishen, naturalmente esse temperamento é forte. E, felizmente, Brunhild tem as quatro estações.

E, quando a alameda de cerejeiras, transplantadas experimentalmente de Ishen ao longo do caminho do castelo até a cidade, floresceu magnificamente, só resta uma coisa a fazer. Festa.

Originalmente, aventureiros já gostam de festival. Num piscar de olhos, formou-se, debaixo das cerejeiras, um grupo bebendo e cantando. Bom, contanto que não causem problema sério nenhum, decidi relevar essa agitação dessa vez. O povo da cidade também saiu pra apreciar as flores, parecendo se divertir. Claro, quem exagerar demais ou cometer violência vai pra cela refletir por um dia.

E, claro, onde tem gente reunida, naturalmente surgem barracas de comida. É Brunhild em pleno auge da apreciação das flores.

Claro, não íamos deixar essa chance passar. As cerejeiras jovens que o Fullio-san plantou no jardim interno, e as que eu transplantei de Ishen, também floresceram por completo. As pétalas caindo suavemente no fosso do castelo criam um clima difícil de descrever.

Justo depois de terminar a reunião da Aliança Leste-Oeste, montamos um banquete.

Mesmo não sendo membros da aliança, teria sido bom convidar também os reis de Felsen e Lyle, mas, sendo de repente assim, achei que seria pedir demais, então desisti.

Mesmo assim, um banquete com representantes de nove países — Brunhild, Belfast, Regulus, Refreese, Riinie, Mismede, Ramish, Lestia, Lodmea — já é um elenco luxuoso demais.

Na mesa montada no jardim interno, as obras da equipe da cozinha, liderada pela Clara-san, se enfileiravam sem espaço sobrando.

Como representante, segurando o cálice, dei o brinde de abertura.

— Então, desejando ainda mais prosperidade e felicidade a todos vocês… um brinde!

— UM BRINDE!!

O saquê nas mãos de todo mundo é um presente do Ietasu-san, de Ishen, de outro dia. O meu é água de fruta. Ora, ainda sou menor de idade.

O pessoal da nossa Ordem de Cavaleiros também participa do banquete em revezamento. Ficam num lugar afastado dos reis, mas. Claro, quem tem serviço de guarda depois é proibido de beber.

As Ordens de Cavaleiros de outros países também participam do banquete, exceto os poucos designados pra escoltar os reis. Só que quem beber precisa deixar a arma de lado. Bom, na minha frente, claro, ninguém faria nada mesmo.

— Mesmo assim, isso é uma cena que, até pouco tempo atrás, eu não acreditaria.

— Realmente. Cavaleiros de Belfast e Regulus bebendo juntos. Fera-humano de Mismede e cavaleiro sagrado de Ramish dividindo comida no mesmo prato. Sinceramente, desde que conheci Touya-dono, tantas mudanças aconteceram tão rápido que já não sei mais o que é "normal".

Enquanto o Imperador de Regulus e o Rei de Belfast conversavam isso, as filhas de cada um sentaram do lado.

— Isso é o "normal" do Touya-san, pai. Origem, posição, raça, país — tudo isso não passa de detalhe.

— O Touya-sama une todo mundo e traz felicidade! Afinal, ele é nosso noivo!

Diante da fala da Yumina e da Lu, os dois pais deram um sorriso amargo. Que vergonha, para com isso, por favor…

— Touya-dono! Traz um Frame Unit aqui! Quero um duelo com o rei-cavaleiro!

Atendendo esse pedido do Rei Ferino de Mismede, instalei algumas unidades de Frame Unit e um monitor grande no jardim interno pro duelo. Como as máquinas têm as mesmas configurações, o resultado depende puramente da habilidade. Bom, também influencia a escolha de arma e tal.

Num piscar de olhos, começou um torneio eliminatório entre os cavaleiros, cada um exibindo a própria habilidade. O pessoal de outros países também já se acostumou bem a pilotar, hein. Bom, faz sentido, depois de serem jogados naquele combate intenso contra os Phrase.

Nesse meio, apareceu alguém pedindo pra irmã Moroha, que estava bebendo, "um combate de instrução, por favor". Quem pediu foi cavaleiro de outro país. Sendo também espadachim, parece que quer lutar contra o espadachim mais forte do nosso reino. Vendo isso, o pessoal da nossa Ordem de Cavaleiros dava sorrisos amargos, ou olhares de compaixão. Vai ser derrubado. O pilar chamado "confiança" vai desabar. Coitado.

Por outro lado, a irmã Karen andava sussurrando algo pras cavaleiras mulheres. Provavelmente, ou melhor, com certeza, é assunto amoroso.

Deve estar dando conselho… ué? Aquela ali não é a Limit-san, comandante de Lodmea? Que expressão séria, engolindo cada palavra da irmã Karen… Será que ela tem alguém que gosta?

No lugar da Limit-san, outra pessoa estava escoltando a Governadora-Geral. Segundo ela, o comandante também merece relaxar de vez em quando.

Assim como eu, a Governadora-Geral também não bebe. Junto com a Papisa de Ramish, será que essas duas não aguentam bebida?

— Vendo essas flores bonitas assim, dá vontade de ter música. Aliás, Vossa Majestade, este país não tem uma orquestra?

Observando as cerejeiras caindo no vento, a Governadora-Geral de Lodmea perguntou.

— Não temos orquestra nenhuma. Mesmo que tivesse, acho que não teria muito trabalho, viu? Aqui não fazemos muita festa formal.

Afinal, nem tem nobreza aqui. Não tem esse negócio de convidar duque ou conde como em Belfast ou Regulus. Talvez, com o tempo, precise pensar em criar título de nobreza também.

De qualquer forma, contratar orquestra seria desperdício… ah, mas música, dá pra fazer sozinho.

Abri [Gate] e puxei o piano pro jardim interno. A Governadora-Geral se surpreendeu com o objeto negro que apareceu de repente.

— Uau, vai tocar alguma coisa!?

— Ooh, eu adoro o piano do Touya! Que música vai tocar?

A Lindsey e a Sue vieram correndo assim que sentei no banco comprido do piano. Apertei uma ou duas teclas, conferindo o som. Pelo jeito da reação, a Governadora-Geral já entendeu que aquilo era um instrumento.

A Sue sentou de leve ao meu lado. Certo… vou dedicar essa música a elas.

Comecei a tocar em silêncio. Assim que a melodia gentil fluiu, combinando com as pétalas de cerejeira, todos voltaram o olhar na minha direção.

Uma música composta pelo compositor inglês Edward Elgar, dedicada à noiva dele — "Salut d'Amour" (Saudação do Amor).

Existe uma história de que a mulher noiva era 8 anos mais velha, e, apesar da forte oposição da família por causa de religião e classe social diferentes, eles se casaram assim mesmo.

Esse homem também compôs "Pomp and Circumstance", considerada até um segundo hino nacional da Inglaterra, mas gosto mais de "Salut d'Amour".

Terminada a curta apresentação, aplausos vieram de todos ao redor. Comovida, a Sue saltou de repente em cima de mim, e consegui, de algum jeito, segurá-la. Que perigo.

— Isso é incrível. Não só a apresentação, esse instrumento é maravilhoso… Touya-sama, o que é isso?

— Se chama piano. Um instrumento que produz vários sons ao apertar teclas.

Expliquei sorrindo pra Papisa de Ramish, que observava o piano. Ah, é verdade, será que na igreja tem hino também? Coloquei a Sue no chão e perguntei.

— Em Ramish, o hino da igreja tem acompanhamento?

— Com instrumentos simples, sim. Mas nada capaz de produzir tantos sons variados assim, sozinho.

— Então dou de presente uma unidade. Se for músico, deve conseguir tocar bem.

— Sério mesmo!?

Basta duplicar na "Oficina" e aplicar um pouco de encantamento, então é fácil. Ensinar a tocar já dá trabalho demais, então isso deixo de fora.

— Rei-sama…

— Hm? O que foi, Sakura?

Sem perceber, a Sakura já estava do lado do piano. Aos pés dela, o Kohaku a acompanhava.

— Eu também quero cantar. Toca "aquela".

— Hã? "Aquela" é aquela que te ensinei outro dia? Mas o nome da música significa "Setembro", não combina muito com a estação, viu.

— Quero aquela. Toca.

Que insistência quando o assunto é canto! E ainda por cima, é uma música bem difícil…

Originalmente, seria bom acrescentar metais ou bateria, mas não tem jeito. Originalmente, é música disco.

Ativei a magia nula [Speaker]. No ar, surgiram dois círculos mágicos, um grande e um pequeno, e o menor, de uns 10 centímetros de diâmetro, ficou parado perto da boca da Sakura e outro na frente do piano.

Sentando de novo no banco, comecei a tocar num tempo animado. Marcando o ritmo leve da introdução, o som do piano ecoou pelo círculo mágico de [Speaker]. Sendo uma música animada, o corpo se mexe naturalmente, e fico animado também. A Sakura também balançava o corpo pro lado.

A Sakura começou a cantar em direção ao círculo mágico pequeno. Não com aquela voz leve de sempre, mas uma voz que ressoa fundo, do abdômen.

Como se fossem puxados, os corpos de todos que ouviam começaram a balançar de um lado pro outro. Mesmo sendo letra em inglês, e ninguém entendendo o significado, música não tem fronteira, nem entre mundos diferentes, parece. O nome do grupo, "Terra, Vento e Fogo", combina bem com outro mundo.

No refrão, uma voz soul, impossível de imaginar vindo da Sakura de sempre, ecoou. Que absurdo, tô empolgando cada vez mais também. Que divertido.

Seguindo a letra que a Sakura cantava, mesmo sem entender, todo mundo cantava junto também. Naturalmente, surgiram palmas no ritmo, e todo mundo ficou animadíssimo com o canto da Sakura. Como se fosse um show, um redemoinho de empolgação envolveu todo mundo.

Quando a música terminou, um aplauso e grito de festa ainda maior que antes foi dedicado a nós. A Sakura também parecia meio feliz.

— Que canto maravilhoso! Quem é essa pessoa?

— É nossa cantora, sabe.

Respondi à Papisa de Ramish, e, voltando à expressão sem emoção de sempre, a Sakura fez uma pequena reverência e logo se escondeu atrás das minhas costas. Mesmo sendo tímida, não entendo bem como consegue fazer algo tão chamativo assim. Parece meio encabulada também.

— Vo-Vossa Majestade!

Hm? Nossa cavaleira Spica-san veio correndo em minha direção. Sendo Elfa das Trevas, ela chama bastante atenção. Bom, também porque é bonita.

— Aconteceu alguma coisa?

— Ahn…! A senhorita Sakura perdeu a memória, né!?

— Isso mesmo, por quê?

Observando fixamente a Sakura, escondida atrás de mim, a Spica-san abriu a boca.

— Não seria… Vossa Excelência Farne?

— ?

Vendo a Sakura, confusa, a Spica-san deixou os ombros caírem. O que foi?

— Quem é essa "Farne"?

— Ah, ah, desculpe. É a pessoa a quem eu servia, no Reino do Rei Demônio Zenoas. Sua Excelência Farnese Forneus. Uma pessoa que gostava muito de cantar… e a voz de agora era idêntica à dela. Por isso, sem perceber… me desculpe. Uma coisa impossível… A senhorita Farne já não está mais neste mundo… mesmo o rosto e a cor do cabelo sendo diferentes…

Diante da fala melancólica da Spica-san, dava pra entender o quanto essa pessoa era importante pra ela. Será que existe alguma relação entre a morte dessa pessoa e a saída da Spica-san de Zenoas?

— Vendo essa flor com o mesmo nome da senhorita Sakura, me lembro da senhorita Farne. O cabelo dela também era desse tom lindo de rosa-claro.

Pensando em alguém distante, a Spica-san acompanhava com os olhos as pétalas de cerejeira dançando ao vento.

Ah, entendi. Foi por isso que, ouvindo aquele canto tão parecido, ela se confundiu… ué?

— …Pera aí. "Rosa-claro"? A senhorita Farne tinha cabelo rosa-claro?

— Sim, mas… por quê?

— Não, é que você disse "cor do cabelo é diferente" agora há pouco.

— Sim. Confundir com o lindo cabelo negro da senhorita Sakura, que loucura da minha parte.

Como assim isso? A Spica-san enxerga o cabelo da Sakura como preto? Rosa-claro e cor-de-cerejeira, mesmo com expressões diferentes, ambos são um tom de rosa suave, deveriam ser a mesma coisa.

Será que algum poder está agindo aqui? Alguma magia que distorce a percepção de rosto ou cor de cabelo?

Mas não parece que a Sakura esteja usando magia nenhuma…

— Como assim isso…?

— Ahn… aconteceu alguma coisa…?

A Spica-san olhava desconfiada pra minha expressão. Ignorando isso, chamei a Sue, que estava ao lado.

— Sue. De que cor você vê o cabelo da Sakura?

— ? Não é cor de cerejeira? Você deu esse nome porque combina com a cor dessa flor, né?

— !? Ah, será que…! Vossa Majestade! A senhorita Sakura não estava usando algo tipo uma medalha!?

Diante da resposta da Sue, a Spica-san, como se tivesse lembrado de algo, perguntou isso.

Medalha? Aquilo, né? Aquele objeto prateado que ela usava quando resgatei a Sakura.

— …Isso?

A Sakura puxou pra fora do decote uma medalha prateada, presa num cordão, de uns 10 centímetros de diâmetro.

— …Será que dá… pra tirar isso… pra mim?

Com voz seca, a Spica-san falou com a Sakura. Sem entender a intenção, mas, incentivada por mim, inclinando a cabeça de leve, a Sakura tirou obedientemente a medalha do pescoço.

— Ah, ah…

Grandes lágrimas começaram a escorrer sem parar dos olhos da Spica-san. Ajoelhando-se diante da Sakura, ela segurou a mão dela com cuidado e pressionou contra a própria testa.

— Vossa Excelência Farne… Não há dúvida… É a senhora, Farnese Forneus. Viva… a senhora estava viva…

— Farne…?

Diante da Sakura, ainda confusa, inclinando a cabeça, a Spica-san continuou chorando sem parar.

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