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Isekai wa Smartphone to Tomo ni – Capítulo 229

O Rei Demônio e o Pai Bobo

Capítulo 229 – O Rei Demônio e o Pai Bobo

— Farnese!

BAM! Abrindo a porta, o Rei Demônio de Zenoas, Zelgadi von Zenoas, vendo a Sakura sentada ao lado da Fiana-san na sala de estar da família Frennel, soltou um grito de alegria.

Abrindo os braços pra abraçar a filha, foi direto pra cima dela, mas a Sakura desviou completamente, e ele foi de cabeça direto no sofá.

— Por quê!?

— Medo. E também sujo.

Ah… bom, faz sentido não querer ser abraçada por alguém todo bagunçado de lágrima e ranho.

Recuando aos poucos do pai, a Sakura veio se esconder atrás de mim, que entrei na sala logo depois.

— Príncipe de Brunhild! Sou grato do fundo do coração por ter salvado a Farnese, mas será que é apropriado ficar tão íntimo assim na frente do pai!?

— Não tô íntimo com nada.

Apontando o dedo firme, o Rei Demônio disparava um discurso, e, sinceramente, já tava enjoado. Que pai bobo é esse.

Chifres reais crescendo de cabelo vermelho vivo, pele azulada, orelhas pontudas, e um manto preto com bordado dourado. Essa pessoa é o pai da Sakura, o Rei Demônio de Zenoas.

Depois do combate contra o Gira, espécie dominante de Phrase, encontrei o Rei Demônio pra explicar a situação e contar sobre a Sakura. Junto, também encontrei o Sirius-san, chefe da família Frennel, escolta do Rei Demônio e pai da Spica-san.

Foi só terminar de contar tudo — a explicação da situação, o desenrolar do combate, e a história da Sakura — que o Rei Demônio saiu correndo do Man Ma Den. Ah, e como ele era rápido. Deu trabalho até alcançar. Nem cheguei a pensar em usar [Boost] ou [Accel] pra detê-lo. Já sabia o destino, afinal.

E acabou vindo direto pra dentro da família Frennel assim.

Diante do Rei Demônio entrando de repente, a Spica-san e a Swella-san também ficaram surpresas demais pra reagir.

— Calma, calma, Vossa Majestade, se acalme.

— Hmm… Sirius, você tá tomando o lado do Príncipe?

— Mais do lado de Vossa Excelência Farnese do que do Príncipe, Majestade.

Quem apareceu detrás de mim foi o jovem Elfo das Trevas, pai da Spica-san, Sirius-san. Pele morena, cabelo prateado comprido e bonito, preso atrás. Como sempre, essa raça parece jovem demais… Não, o próprio Rei Demônio também parece ter uns vinte e poucos anos. Será que a linhagem do Rei Demônio também é de vida longa. Se for assim, quando a Sakura crescer o suficiente, também vai parar de envelhecer.

— E, ainda por cima, Vossa Majestade não é só a Vossa Excelência Farnese que o Príncipe salvou. Salvou também minha filha e nosso país. Isso, Vossa Majestade também deve reconhecer, não?

— Ugugugu.

O Rei Demônio ficou emburrado, calado. Será que tá tudo bem esse ser o Rei Demônio… desse país…

A Fiana-san avançou diante do Rei Demônio, dobrou o joelho e começou a falar.

— Vou dizer isso a Vossa Majestade. A Farnese já é adulta, capaz de decidir por si mesma. Minha filha deseja ir até o Príncipe de Brunhild, e eu também pretendo ir junto com ela. Sou profundamente grata pela benevolência de Vossa Majestade até agora, mas peço, do fundo do coração, que nos permita partir.

Diante da declaração repentina de despedida, o Rei Demônio ficou de boca aberta, paralisado, mas, depois de um tempo, o rosto tremeu e ele voltou a si.

— Es-espera, espera, espera! Tanto Farnese quanto Fiana vão pra Brunhild!? Não permito! Isso eu não permito!

— Mas, Vossa Majestade. Eu não sou esposa de Vossa Majestade. Minha vida é minha.

— Isso… é… verdade, mas…!

Diante da Fiana-san se levantando e declarando isso com dignidade, o Rei Demônio recuou. Uoo… que medo… A frase "mãe é forte" veio à cabeça. Só na aparência, a Fiana-san até parece mais velha que ele.

— En-então! Vou recebê-la como minha esposa! Já que não tenho primeira nem segunda esposa agora, como esposa oficial…

— Recuso.

— RESPOSTA IMEDIATA!?

Sorrindo docemente, ela cortou a proposta do Rei Demônio de forma direta. Que medo. Por que essa mãe é tão forte assim… Fala reto demais até pro rei de um país inteiro…

Se essa pessoa virar professora de escola, sinto que ninguém consegue discordar dela. De certa forma, talvez tenha conseguido um talento e tanto.

— Se Vossa Majestade e eu nos casarmos, a Farnese precisaria virar Rei Demônio. Isso nem eu nem minha filha desejamos.

— Grr… mas o fato de Farnese ser minha filha continua o mesmo…

— Sim. Exatamente isso. Por isso, por favor, venha visitar a filha. Em Brunhild.

— Nu, grr…

O Rei Demônio engasgou diante do sorriso da Fiana-san, mas, depois de um tempo, soltou um suspiro profundo. Então, virando-se, veio até mim e curvou a cabeça bem fundo. Parece que cedeu. Bom, depois de ser dito com tanta firmeza assim…

— Cuide bem da minha filha, por favor.

Ali não estava um rei de um país, mas um pai preocupado com a filha. Preciso responder isso direito.

— Entendido. Deixe as duas comigo…

Antes de terminar de falar "por favor", o Rei Demônio segurou meu ombro com firmeza e ergueu o rosto, os olhos me perfurando. Um olhar afiado, capaz até de matar alguém, virado pra mim. Que medo!

— Se fizer minha filha infeliz, não vou perdoar, tá?

Ei, que isso? Tô sendo ameaçado?

A Sakura, que estava atrás de mim, espiou o rosto e falou com o Rei Demônio.

— Eu sou feliz enquanto estiver com o rei. Já tenho a permissão de todo mundo, vou virar noiva igual à Lindsey e as outras. E também, o Rei Demônio é chato.

— UEEE!?

— Ara, ara. Já estou ansiosa pra ver o rosto do neto.

Pera aí!? De novo esse desenrolar!? Ou melhor, como assim "já tem permissão"!? Que rapidez absurda, essa aliança de noivas!

Contrastando com a Fiana-san sorrindo, o Rei Demônio caiu de joelhos, desmoronando.

— Cha… chato… A Farnese… falou que sou chato…

Ei, essa é a parte que choca você?

Deixando o Rei Demônio inutilizado de lado, virei pro Sirius-san, pai da Spica-san.

— Na verdade, a Spica-san também entrou pra Ordem de Cavaleiros do nosso país…

Diante da minha fala, a Spica-san se colocou diante do Sirius-san.

— Pai. Vou proteger Vossa Excelência Farnese em Brunhild, dessa vez pra valer. Pela honra e o escudo da família Frennel, com certeza…

— Já entendi. Siga seu próprio caminho. Mesmo longe, desejamos sua felicidade.

— Pai…

O Sirius-san abraçou a filha, que se emocionava até as lágrimas. Vendo de fora, parece até um casal de namorados se abraçando. Faz sentido, parecem da mesma geração.

O Sirius-san parece um pai bem compreensivo. Em contraste com… Olhei de relance pro outro pai, que ainda não se recuperou.

— …Chato? Não sou chato, né? Afinal, sou o pai, né? É normal se preocupar, né? Normal, sim, normal…

Decidi não olhar mais pro Rei Demônio, resmungando algo sozinho, e resolvi no fundo do coração não me tornar assim.

— E aí, será que descobriram quem tá por trás de tentar matar a Sakura… ou melhor, a Farne?

— Não, infelizmente ainda não consegui pegar o rastro. Se soubesse, já teria despedaçado em oito pedaços.

O Rei Demônio respondeu, com a boca se contorcendo nervosa, à Sakura, agarrada ao meu braço.

— Com todo respeito, imagino que tenha sido feito por quem não quer que a Sakura… ou a Farne, se torne Rei Demônio…

— Entendo o que o Príncipe quer dizer. Você deve estar pensando que foi algum dos meus filhos que armou isso, mas não é o caso.

— Por quê?

O Rei Demônio se ajeitou fundo no sofá, cruzando os braços. O corpo virado pra mim, mas o olhar continuava, de vez em quando, desviando pra Sakura.

— Primeiro, o primeiro príncipe, Faron. Numa boa, ele tem personalidade direta demais; numa má, ele é meio burro. Nunca imaginaria um plano de assassinato desses. Odeia covardia, então, se alguém tentasse incitá-lo a um assassinato, provavelmente esse alguém acabaria descartado por ele mesmo.

— E o segundo príncipe?

— O segundo príncipe, Fares, é medroso demais. Alguém que preferiria nem virar Rei Demônio a fazer algo tão grave quanto assassinato. Na cabeça dele só existe livro, livro, livro. Personalidade de evitar problema ao máximo.

Que avaliação dura em relação aos próprios filhos. Diferença abismal em relação à Sakura. Ao questionar isso, a resposta veio sem rodeios: "que graça teria em ser gentil com os filhos, óbvio que a filha é mais fofa".

O Rei Demônio provavelmente queria, no momento em que os chifres da Sakura cresceram, declará-la filha oficialmente e anunciá-la como próxima Rei Demônio, mas a Fiana-san não permitiu. Afinal, a própria Sakura nunca teve essa intenção, então não tinha jeito mesmo. Complicação era o que se via pela frente, afinal.

Bom, de qualquer forma, virou complicação mesmo…

— Então quem seria o mandante?

— A família Reebook, da primeira esposa já falecida, ou, já que essa também morreu, a família Arnos, da segunda esposa. Claro, também existe a possibilidade de nobres ligados a essas duas famílias.

Se o príncipe que apoiam se tornar Rei Demônio, seria vantajoso em vários aspectos. De fato, são suspeitos.

— Nas condições atuais, qual dos dois príncipes está mais perto do trono?

— Não sei. Os dois têm energia mágica quase idêntica. Dependendo do dia, um fica acima, outro abaixo.

Hmm, isso complica ainda mais.

— Qual deles teria mais chance de contato com Eurono?

— Isso também não sei. A família Reebook, que apoia o primeiro príncipe, é a família de marqueses fronteiriços que guarda a fronteira com Eurono. Se quisessem estabelecer contato, teriam meios pra isso. A família Arnos, que apoia o segundo príncipe, é uma grande casa comercial. Nosso país não faz negócios com outros países, mas não é que não haja conexões. Usando os laços entre comerciantes, também parece possível negociar.

Ambos suspeitos, então. Que complicado. Será que seria mais fácil trazer a Papisa aqui, com aquele olho mágico dela que enxerga mentiras, e perguntar pra cada um "vocês contrataram assassinos de Eurono?"

Parece uma boa ideia, mas trazer a representante de outro país pra isso assim, hein. E também não dá pra levar todos os suspeitos até o Reino Papal de Ramish.

Será que não tinha algum detector de mentira no "Armazém"? Mesmo que tivesse, não serviria como prova concreta, né…

Pela memória que espiei da Sakura, sem dúvida nenhuma aquele era um assassino de Eurono. Só que Eurono já foi destruído, então provavelmente não dá pra rastrear por esse lado.

Se anunciar publicamente que a Sakura não vai herdar o trono, será que se acalmam? Não, duvido muito. Talvez tentem eliminar o outro príncipe, e, na pior das hipóteses, pode até surgir um terceiro grupo, "facção da Farnese". Se isso acontecer, a vida da Sakura fica ainda mais em risco.

Gostaria de resolver isso de vez, com firmeza, antes de voltar pra Brunhild, cortando qualquer preocupação futura pela raiz… mas, bom, o que fazer, hein.

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