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Isekai wa Smartphone to Tomo ni – Capítulo 231

A Peça de Teatro e a Confissão sob as Estrelas

Capítulo 231 – A Peça de Teatro e a Confissão sob as Estrelas

— Uaa, aaah.

Murmurando palavras sem sentido, o Príncipe Yamato estendia a mão, e eu o peguei no colo.

— Ficou bem mais pesado, hein.

— Já vai fazer 1 ano. Daqui pra frente, vai crescer cada vez mais rápido.

Observando o filho, que fazia barulhinhos animados nos meus braços, o Rei de Belfast abriu um sorriso caloroso. Vendo isso, a Rainha Yuel, sentada ao lado, também sorria de leve.

Segurando assim, ele é bem fofo. Com o noivado, ganhei bastante gente que vira meu cunhado ou minha cunhada, mas esse é o único mais novo que eu de verdade.

A Elsie e a Lindsey têm irmãos mais novos também, mas, tecnicamente, são primos delas, então é diferente.

— Que fofo. Eu também quero um irmãozinho ou irmãzinha.

Diante da fala da Sue, que espiava o Yamato do lado do rei, os pais dela, o Duque Ortlinde e a Elen-san, atrás, desviaram o olhar meio sem graça. A inocência às vezes é cruel.

Passei o Príncipe Yamato, que segurava no colo, pra Yumina, que esperava ansiosa. Recebendo o irmão, a Yumina começou a balançar o corpo de leve, ninando ele.

— Yamato~. Sou sua irmã, viu.

Parece que ela estava preocupada de ser esquecida pelo irmão, já que não vinha tanto a Belfast, mas parece que era preocupação à toa. Está até mais animada do que ficou comigo.

— Daqui a alguns anos, será que a Yumina vai estar ninando o próprio filho assim?

— O Yamato vira tio num piscar de olhos. Bom, é isso mesmo que eu espero.

— É verdade~.

Sorri de forma meio forçada, deixando passar a fala do casal real. O que será que vão inventar agora. A Yumina também finge não perceber, olhando pro outro lado, mas dava pra ver, mesmo de trás, que as orelhas dela estavam vermelhas até a ponta.

— Eu também vou dar filho ao Touya! Se for menina, posso até dar de casamento pro Yamato!

A Sue declarou isso, como se não quisesse perder, e se abraçou em mim. Ei, o que você tá falando, garota!? Não vai decidindo o cônjuge de uma criança que ainda nem nasceu!

— …Hmm. Talvez não seja má ideia. Assim, a linhagem do Touya-dono se incorpora a Belfast. …Não é de se descartar.

Sua Majestade murmurou pensativo. Ué? Isso é aceitável mesmo!?

Nesse caso, como ficaria a relação dos dois? Já que o Yamato é primo da Sue, seria um casamento com filho de primo? Existe casamento entre primos também, então não seria estranho?

Pra mim, seria meu cunhado mais novo casando com minha filha; pro rei, seria o filho dele casando com a neta do irmão. Que confuso…

Por ora, tá planejado casar com todo mundo quando fizerem 18 anos, mas fico pensando o que fazer com a Sue. Receber noiva de 12 anos, hein… Não, já prometi, então vou casar mesmo, só que a questão é atrasar uns anos ou não.

Mas deixar só ela de fora também não é legal…

— Faltam uns 4, 5 anos até a Sue conseguir ter filho. Com essa diferença de idade, não teria problema nenhum… hmm.

— Querido. Até quando vai continuar com isso? Não adianta ficar pensando tão à frente assim.

— Opa, haha. Brincadeira, brincadeira.

Repreendido pela rainha, Sua Majestade abriu um sorriso disfarçado.

Não, aquilo não era brincadeira nenhuma. Era sério. Com certeza.

— Fuaa, fuu…

— Ara? Será que o Yamato tá com sono… mãe?

— Deixa eu ver… ah, parece que sim. Bom, bom, então vamos dormir, tá?

Recebendo o filho da Yumina, a rainha o levou pra cama num outro cômodo. A Yumina, a Elen-san e a Sue foram junto.

Ficando só os homens, o duque baixou a voz e falou comigo.

— E então, Touya-dono. Aquilo que combinamos?

— Sim, já confirmei que é seguro. Mas é bem forte, então é só um comprimido por dia, tá? Mesmo tomando mais, o efeito não muda, e, no dia seguinte, você fica com energia mágica extra consumida e uma exaustão absurda, hein.

Avisando isso, entreguei ao duque o frasco com os comprimidos. Fico pensando que nem precisava depender disso, mas, quando falei isso, o duque disse que a inveja da juventude é rancorosa. Por quê?

— O que é isso?

O rei, observando nossa conversa, perguntou desconfiado. Não é algo pra esconder, entre homens, mas, sinceramente, dá uma certa resistência falar abertamente.

— Ah, isso é o chamado… remédio de disposição… bom, sendo direto, é afrodisíaco.

— O QUÊ!?

— SHHH! Irmão, tá alto demais!

O duque tapou a boca do rei. Afinal, seria vergonhoso demais se as mulheres ouvissem. Ainda mais tendo filha por perto.

— Outro dia, comentei de leve isso pro duque, e ele pediu com todo o entusiasmo. Pedi pra Belflora, da nossa equipe, preparar. Testamos num bordel, deram pros clientes usarem, e o efeito foi absurdo. Dizem que davam conta de várias rodadas seguidas…

— Ta-tanto assim…! Ei, Al! Divide comigo também!

— Meu irmão não precisa disso! Eu que preciso dar um herdeiro pra Ortlinde, viu!

— Silêncio! Siii-lêên-cio! Tenho outro frasco aqui!

— «« «« SILÊNCIO! »» »»

Um grito veio do quarto ao lado. Viram só, foram repreendidos.

Mesmo assim, os dois seguravam o frasquinho, com um sorriso animado e cheio de expectativa.

Sinceramente, ainda não entendo isso.

— Que saudade da capital de Belfast, hein.

Caminho pela capital acompanhado da Yumina. Nem morei um ano aqui, mas tenho um certo carinho pelo lugar. Foi aqui que comprei esse casaco com toda resistência.

Do meu lado, a Yumina também caminha em traje casual, meio estilo aventureiro. Aqui é mais confortável, e, como em Brunhild a gente não se enfeita muito, já acostumei também.

Afinal, não tem esse negócio de nobreza no nosso país. Mesmo sendo rei, sou mais tipo presidente de associação de bairro.

— Faz tempo que não saio pra passear com o Touya-san.

— É mesmo? Bom, andei ocupado ultimamente.

Um pouco encabulado com a Yumina segurando meu braço, caminho pelas ruas da capital.

Ultimamente andei bem corrido — fui até Ishen derrotar o deus subordinado, fui até Felsen construir a ponte, fui até Zenoas ser perseguido pelo Rei Demônio…

— Só o Touya-san mesmo pra ficar voando de um lugar pro outro assim. Pra mim, é meio solitário, sabe.

— Desculpa. Eu também gostaria de ficar sempre com vocês, viu.

— Eu sei. Por isso, apesar de ser injusto com as outras, hoje quero te ter só pra mim.

Mesmo assim, ainda tenho um trabalho a fazer depois.

Enquanto caminhava pela rua, vi algumas pessoas andando de bicicleta. Parece que já se popularizou razoavelmente na capital. Mas o preço ainda é alto, então só gente rica consegue comprar.

No canto da avenida principal, vi meu destino. O café de leitura "Tsukuyomi". Ao entrar, a funcionária Wendy me chamou.

— Seja bem-vin… ah, patrão! Que saudade!

— Pe-pera aí, Wendy! Não é patrão, é Vossa Majestade Príncipe!

A gerente Sylvie-san repreendeu, mas permiti que ficasse "patrão" mesmo. Ser chamado de Príncipe num lugar desses seria problemático.

— A chegada dos livros novos, deixei a cargo da corporação do Orba-san, tá dando problema?

— Demora um pouco mais pra chegar, mas não tem problema nenhum. E também, aplicamos [Paralyze] direitinho em todos, pra prevenir roubo.

Dizendo isso, a Sylvie-san apontou pra um balcão parecido com copiadora, no fundo do balcão. Aquilo é uma coisa que "programei" pra aplicar [Paralyze] nos livros que chegam.

— As vendas estão indo bem, e a comida também tá fazendo sucesso.

Como a Wendy diz, o "Tsukuyomi" parece estar indo bem. Sinceramente, mesmo sem essa renda, já não faz falta financeira nenhuma, então é meio um hobby, mas fico feliz mesmo assim vendo o lugar prosperar.

— Ah, é verdade, esses são livros novos. Trouxe histórias populares de Felsen, Lodmea, Lestia e Lyle. Aqui deve ser difícil de conseguir.

— Uau, muito obrigada!

Fui empilhando os livros tirados do [Storage] no balcão. Como sempre, trouxe bastante livro "voltado pro público feminino" também.

Depois disso, cumprimentei o resto do pessoal, ajustei as poltronas reclináveis da loja, e saímos do "Tsukuyomi".

Bom, com isso o serviço já tá resolvido, então agora é só passear com a Yumina pela cidade.

— Comparado a Brunhild, aqui ainda é bem maior, hein.

— Não tem jeito mesmo. Mas, quanto maior a cidade, mais lugares fogem do olhar da vigilância, então isso também é preocupante.

De fato. Deve aumentar o risco de crime em locais fora do alcance da segurança. Pensando nisso, será que já tá na hora de abrir mais recrutamento pra nossa Ordem de Cavaleiros também… Hm?

— Aconteceu alguma coisa?

A Yumina falou comigo, que tinha parado diante de uma loja. Diante de mim, um cartaz colado na vitrine da loja.

— "Espetáculo de amor e aventura. Pra salvar a Princesa Yuina, o herói Touya enfrenta o Dragão Negro… numa escala grandiosa, o maior sucesso de Refreese finalmente chega a Belfast." …? Touya-san, isso é…?

O cartaz em si é só propaganda comum de peça de teatro. Achei que fosse só impressão minha, mas, ao encontrar o nome escrito ali, confirmei que não era impressão nenhuma.

— Yumina, olha aqui.

— O que foi? "Roteiro daquela famosa autora da 'Ordem dos Cavaleiros da Rosa', Ril Lifris"… ah!

A Yumina ficou sem palavras. Ril Lifris. A verdadeira identidade dessa escritora de pseudônimo é a primeira princesa imperial de Refreese, Liliel Rim Refreese. A princesa fujoshi.

— Essa desgraçada… transformou minha história em obra sem permissão nenhuma…

— Isso somos eu e o Touya-san? Pelo texto de propaganda, parece uma história decente…

Duvido. É bem suspeito. Não vai ter espadachim bonitão ou duque estiloso aparecendo? Preciso conferir isso pessoalmente. Dependendo do caso, vou obrigar a suspender a exibição.

Deixa eu ver, no Teatro Central, a partir de agora seriam 20 minutos.

— Certo, vamos assistir.

— Concordo. É meio estranho, mas parece interessante.

Bom, sendo claramente baseado em mim, tanto faz se a história for boa ou ruim, contanto que não me retratem de forma desonrosa.

Depois disso, assisti com a Yumina a peça, que durava umas boas duas horas, e não teve nada do que temia — foi uma história bem "clássica". Claro, bem diferente do que realmente aconteceu.

Nunca lutei sozinho contra um dragão negro, e, naquela época, a Yumina estava refugiada no palácio real de Belfast. Mais do que adaptação, é praticamente uma criação completamente nova — deve ser a história de outro herói qualquer, sem relação comigo. O ator do papel de Touya é bem bonitão, aliás. A garota que fez a Princesa Yuina também é fofa, mas a Yumina é ainda mais fofa.

Com aventura emocionante e romance de tirar o fôlego, valeu bem a pena assistir. Ao terminar, o público explodiu em aplausos. Aquela princesa fujoshi consegue escrever até história decente, hein. Que surpresa. Repito, que surpresa.

Ao sair do teatro, ao redor já estava escurecendo, e as estrelas começavam a cintilar.

— Que interessante! Especialmente a cena de confissão de amor pra princesa, antes de enfrentar o dragão negro, me emocionei demais!

Diante da fala da Yumina, imitando o herói da peça, me ajoelhei diante dela e segurei sua mãozinha. Diante da minha ação repentina, a Yumina ficou surpresa.

— "Não importa o que aconteça, vou te proteger, e serei sua espada e seu escudo. Por isso, sorria, por favor. Não há felicidade maior pra mim do que ver você sorrindo ao meu lado. Eu te amo. Sempre amei, e vou continuar amando pra sempre."

Recitei a fala do herói de antes. Deve ter alguma diferença, mas era mais ou menos assim.

De repente, olhando pra cima, pra Yumina, vi lágrimas escorrendo sem parar. A-ah!? Será que fiz algo errado!? Levantando apressado, diante disso, pedi desculpas, mas ela balançou a cabeça, negando, e enxugou as lágrimas.

— Não é isso. É que fico feliz demais de ouvir isso do Touya-san de verdade…

Ah, ah. Entendi, que bom. Fiquei apreensivo.

Mesmo assim, ficar feliz com uma fala de peça de teatro é meio patético. Preciso transmitir meus próprios sentimentos direito.

— …A fala é da peça, mas também é o que sinto de verdade. Quero que a Yumina sempre sorria. No começo, meu sentimento era vago, mas agora consigo dizer com clareza. Eu gosto da Yumina. Quero continuar caminhando junto com você daqui pra frente. Quero sorrir junto com você, sempre ao seu lado. Fico realmente feliz de ter te conhecido. Obrigado.

— Touya-san…

A Yumina se abraçou em mim. Abracei com cuidado o corpo pequeno dela, sentindo de verdade a felicidade. Essas garotas são meu tesouro. Não vou perdoar quem ousar machucar qualquer uma delas. Vou proteger, com certeza.

Depois de nos abraçarmos por um tempo, sem combinar nada, nos beijamos, e sorrimos juntos.

— Vamos voltar?

— Sim.

Começamos a caminhar de mãos dadas, devagar, sob o céu noturno.

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