Capítulo 236 – A Produção em Massa e a Correria
— Touya-dono, isso é…
Na mesa de reunião, todos arregalaram os olhos diante do objeto entregue, um pra cada.
O formato é um pouco maior que o meu. A cor é branca, deixando claro, à primeira vista, que é diferente do original que carrego.
— Isso parece com o artefato que Touya-dono carrega, mas não me diga que…
— Sim. Oficialmente, se chama "smartphone", abreviado "sumaho" ou "sumafo". O que entreguei a vocês é uma versão simplificada, diferente do meu.
Comecei a explicar, respondendo à pergunta do Rei de Riinie.
— Primeiro, o botão de cima na lateral, aqui. Ao apertar, liga. Tentem apertar.
— Ooh!? A-apareceu alguma coisa!?
— Vários desenhos pequenos…
Parece que ligou direito. Aliás, os textos estão no idioma comum deste mundo, então devem conseguir ler sem problema.
— O que aparece em cima é o horário e a bateria… ah, energia mágica restante. Quando isso chegar de 100% a 0%, o aparelho para de funcionar, então tomem cuidado. Mesmo parando, dá pra reativar canalizando energia mágica, então não precisa se preocupar.
Em seguida, selecionei "Imperador de Regulus" nos "contatos" e fiz uma ligação teste.
— UOA!?
Diante do toque repentino, Sua Majestade quase deixou cair o smartphone que segurava.
Os olhares de todos se voltaram pra lá, e alguns até se levantaram de repente da cadeira.
— Sem se preocupar. Sou eu ligando "por telefone" pra Sua Majestade. Sua Majestade, consegue ler o texto na tela?
— H-hmm. Tá escrito "Príncipe de Brunhild".
— Assim, dá pra saber de quem é o contato. Agora, toque na marca verde abaixo, e coloque o smartphone na orelha, igual eu fiz.
Timidamente, Sua Majestade tocou a tela como indicado e colocou o smartphone na orelha.
— Alô? Tá me ouvindo?
— Ooooh, dá pra ouvir a voz do Príncipe vindo da orelha! Entendi, então dá pra usar assim, como ferramenta de comunicação!
Como todos já conhecem a função de comunicação do Frame Gear, o entendimento é rápido.
— Ao tocar no desenho escrito "contatos" na tela, deve aparecer uma lista de nomes. Ao tocar num nome, dá pra ligar pra essa pessoa. Vamos testar, alguém aqui sentado ligando pra alguém do lado de frente.
Ficou parecido com curso de informática pra idoso, hein.
Depois disso, fui ensinando várias funções aos reis de cada país.
Mesmo assim, não tem tantos aplicativos instalados. A parte externa é smartphone do meu mundo, mas o conteúdo é original da Doutora (ou melhor, cópia, mas).
Telefone, câmera, mapa, bússola, calculadora, bloco de notas, relógio, e-mail, lanterna, calendário, jogos — já é suficiente com isso.
Bom, o mapa, comparado ao meu, não tem [Search], então é bem mais simples. Mesmo assim, dá pra pesquisar posição atual e nome de cidade.
Por um tempo, deixei os reis se divertindo, ligando um pro outro, mandando e-mail, animados feito criança com brinquedo novo, mas, como estava ficando incontrolável, resolvi acalmar todo mundo.
— Voltando ao ponto, esse smartphone é de presente. Se perder ou for roubado, dá pra recuperar através de operação daqui, então me avisem na hora.
— Isso é útil demais… Deve facilitar bastante a comunicação entre nações.
A Governadora-Geral de Lodmea comentou, impressionada, mexendo no smartphone.
— Touya-dono. Já reparei nisso há um tempo, esse ícone de "jogo"? Não me diga que é…
— Ah, coloquei uns testes. Tem vários tipos de jogo. Se conectar por comunicação, dá pra jogar shogi a dois, ou mahjong e cartas até com quatro pessoas simultâneas.
— «« «« OOH »» »»
Os quatro pais aficionados por jogo — de Belfast, Regulus, Refreese e Mismede — brilharam os olhos.
— Por precaução, coloquei limite de duas horas por dia, viu.
— «« «« ÉÉÉ »» »»
Nada de "éé". Senão, vocês ficariam jogando sem parar, com certeza. Se afetar a política do país, quem vai ficar sem explicação são os primeiros-ministros e o povo desses países.
Bom, se isso ajudar a se comunicar sem constrangimento por telefone ou e-mail e se darem melhor entre si, já valeu a pena.
— E também, sobre as imagens tiradas pela câmera, dá pra imprimir aqui no nosso país desse jeito, então, se precisarem, é só falar.
Ao mostrar uma foto (ou melhor, impressa mesmo) da irmã Karen, olhando bem de frente pra câmera com pose, o Rei de Belfast se levantou de repente.
— …Não posso ficar parado assim. Preciso voltar logo e tirar foto do Yamato sem parar!
Será que ele sempre foi um pai tão bobo assim.
Bom, já que veio a calhar, resolvi encerrar a reunião de hoje por aqui. Então, dessa vez, foi a Papisa de Ramish quem veio até mim.
— Ahn, será que não tem foto da Moroha-sama também? Se tiver, gostaria de duas cópias!
Será que essa pessoa também sempre foi tão leve assim. Bom, como religiosa, talvez nem seja uma atitude tão errada assim.
Depois da reunião, logo chegou uma ligação. Não, não é dos reis. Na tela, surgiu o texto "Doutora". Parece que essas comunicações usam um sistema de gravação mágica e magia elemental, em vez de sinal de rádio, então quase nunca falha. Parece que era tecnologia comum na era da civilização mágica antiga onde a Doutora vivia.
— Alô, alô.
— Ei, é o Touya-kun? Esse "alô, alô" aí, o que significa exatamente?
— No país de onde eu vim, acho que veio de "vou falar, vou falar". Tipo uma saudação de "vou começar a falar agora"?
Acho que ouvi algo assim na TV. Não vi direito, então não tenho certeza.
— Entendi, interessante. E aí, como foi a reação dos reis?
— Foi ótima. Todos ficaram contentes.
— Que bom. Mas aquilo era uma versão bem simplificada, viu.
— Você coloca função demais e desnecessária no que faz. Que idiota colocaria função de autodestruição num smartphone?
Existia no meu mundo, hein! Além disso, ela colocou função de gerar ultrassom pra quebrar vidro, e função de fotografia de raio-X pra ver através de qualquer objeto, coisas desnecessárias desse tipo.
Essa Doutora realmente é estranha de algum jeito. A frase "gênio e louco andam de mãos dadas" já passou pela minha cabeça inúmeras vezes.
— Bom, tanto faz isso. Aliás, sobre o novo modelo de Frame Gear que a Rosetta e a Monica estavam fazendo, o da Sue-kun vai ficar a cargo delas, mas os das Lindsey-kun e Leen-kun eu posso continuar desenvolvendo?
— Sim. Acho que as duas vão lutar principalmente com magia, mas magia não funciona em Phrase. Então, o sistema de magia vai ser voltado principalmente pra defesa, e o ataque vai usar espada voadora controlada.
— Aquela arma é boa, hein. Nunca imaginei que dava pra fazer uma coisa dessas a partir do "Satellite Orb". Isso também é conhecimento da "Terra"?
— Bom, mais ou menos.
Bom, é conhecimento de anime. Se eu contar isso, pode virar assunto complicado, então vou ficar quieto. Ela pode pedir pra construir um navio de guerra cavalo de Troia ou algo assim.
Assim que desliguei a ligação da Doutora, logo depois recebi uma ligação da Sakura. Hm? O que será?
— Alô, alô.
— Ah, hmm, alô. Rei, tá tudo bem agora?
— Tô bem, aconteceu algo?
— É que… mamãe disse que quer falar sobre a escola.
— A Fiana-san?
A escola que vai virar local de trabalho da mãe da Sakura, a Fiana-san, já estava cerca de 80% pronta. Por enquanto, é só experimental, então só tem uma turma, mas, conforme aumentar o número de alunos, planejamos ampliar.
— Onde tá a Fiana-san agora?
— Tô com ela na escola.
— Então vou até aí agora, espera.
Desliguei a ligação, abri [Gate] em direção à escola, e, no canteiro de obras do prédio, estavam a Sakura, a Fiana-san, o velho Naitou e o Nyantarou.
— Ah, Touya-san. Desculpe incomodar.
— Não, imagina. Aconteceu algo?
A Fiana-san curvou a cabeça. Será que surgiu algum problema?
— Na verdade, é o seguinte. Ao começar a escola pras crianças, contei a algumas famílias com filhos. Aí, a notícia se espalhou, e reuniu mais gente do que eu esperava. Ficou uma quantidade difícil demais de eu sozinha dar conta…
— Ué? Quantas pessoas ficou?
Perguntei ao velho Naitou, que estava do lado.
— No total, quase 80.
— Ué? A gente tinha tantas crianças assim?
— Ultimamente, aumentou bastante o número de novos moradores. Tem filho de colonizador agrícola, comerciante, carpinteiro, até filho de casal de aventureiros.
Ah, é verdade. Nem todo mundo é solteiro. Tem gente que se mudou com a família inteira também.
O plano original era pra uns 20 alunos. Quatro vezes mais, hein.
— Hmm, se for assim, será que contrato mais um ou dois professores?
— Se puder fazer isso, ajudaria muito. Com três, fica mais tranquilo em vários aspectos.
A Fiana-san suspirou aliviada, com a mão no peito. Bom, sendo instituição estatal, preciso participar da entrevista também.
Preciso avisar o Kōsaka-san sobre a divulgação da vaga. Como o espaço atual já tá pequeno, também vou pedir ao velho Naitou pra ampliar as salas de aula.
Aliás.
— O que tá fazendo aqui, Nyantarou?
— Já disse, é D'Artanyan, nyaa! Recebi da princesa a missão de proteger a mãe da princesa, nyaa!
Deixando de lado o Nyantarou, cheio de orgulho, pensei de relance se não foi um jeito conveniente de se livrar dele, mas, já que ele mesmo tá animado, decidi ficar quieto, sem desanimá-lo à toa.
— O D'Artanyan ajuda bastante em várias coisas, então é uma ajuda e tanto.
— Mãe-sama… Só a mãe-sama me chama pelo nome certo, nyaa. Ultimamente, até a princesa já tá me chamando de Nyantarou…
— É mais fácil de falar.
A Sakura respondeu com naturalidade. Parece que o Nyantarou se apegou bem à Fiana-san. Será que deixo esse aqui virar zelador da escola. Cavaleiro-zelador. Não, cavaleiro-gato-zelador, né.
Por ora, parece que o problema já tá resolvido, então, já que faz tempo, vou comer alguma coisa na "Lua de Prata". A Sakura e a Fiana-san vêm junto.
Assim que pensei isso, o celular no bolso começou a vibrar de novo. De novo? Dessa vez quem é?
Na tela do smartphone que tirei, aparecia o texto "Kōsaka-san".
— Vossa Majestade. Os documentos de autorização estão se acumulando, então, por favor, use o [Gate] e volte imediatamente.
— Táaa bom…
De alguma forma… sinto que produzir smartphone em massa foi um fracasso…
Começo a sentir uma pressão do tempo me perseguindo. Ou melhor, sinto de verdade a correria.
Pensando que facilitar demais o contato também traz seus problemas, abri o [Gate] em direção ao castelo.