Switch Mode

Isekai wa Smartphone to Tomo ni – Capítulo 246

A Pessoa Suspeita e o Retorno

Capítulo 246 – A Pessoa Suspeita e o Retorno

Surpreendentemente, a patrulha de gatos organizada pelo Nyantarou era muito competente.

Quando acontece algum problema na cidade, correm na hora até o posto da Ordem de Cavaleiros e chamam os cavaleiros. Se tem alguém suspeito, seguem discretamente, vigiando as ações da pessoa. Se crianças tentam fazer alguma brincadeira perigosa, chamam atenção dos adultos.

Mesmo sem conseguir falar, conseguiram fazer tudo isso. Sem perceber, o povo da cidade passou a gostar dos gatos, e eles passaram a ser vistos por toda parte.

Com tanta quantidade assim, seria de se esperar que roubassem peixe ou aprontassem alguma travessura, mas nunca ouvi falar de nada assim. Deve ser porque o Nyantarou mantém boas rédeas sobre eles.

Também teve um caso de um aventureiro que maltratava um gato dócil unilateralmente, encontrado todo arrebentado num beco. O corpo dele tinha inúmeros arranhões. Parece que foi atacado em grupo. Depois disso, aventureiros que maltratavam gato por diversão diminuíram drasticamente. Até animal fica bravo quando precisa ficar. Aliás, parece que o aventureiro atacado ficou com trauma sério, desenvolveu fobia de gato e deixou a cidade.

Assim, os gatos conquistaram cidadania em Brunhild.

— Então, aquela ali é a pessoa suspeita?

— Nya.

Junto com o Nyantarou, eu observava de longe aquela pessoa no bar ao lado da Guilda. Hoje, como a Fiana-san estava passando o dia com a Sakura no castelo, o Nyantarou tava sem escolta pra fazer.

A pessoa suspeita que os gatos encontraram bebia aos poucos no canto mais afastado do balcão. Vestindo um manto sujo com capuz, não dava pra ver o rosto, mas tinha a sensação de ser mulher. Bom, só sensação, mesmo.

Das mangas do manto, saíam braços e pernas, com braçadeiras e caneleiras visíveis. Será cavaleira de algum lugar?

Bom, é suspeita, sim, mas não a ponto de alarme sério. Deve ter gente com circunstâncias, que não quer ter a identidade conhecida.

— Suspeita à primeira vista, mas o que faz ainda mais suspeito é que essa pessoa não tem cheiro nenhum, nya.

— Não tem cheiro?

— Por mais ou menos que seja, humano tem cheiro próprio, cheiro corporal, nya. Claro, muitas vezes esse cheiro é disfarçado com perfume, mas não ter cheiro nenhum é anormal, nya.

Entendi. Gato, mesmo não sendo tão sensível quanto cachorro, tem olfato centenas de milhares de vezes mais aguçado que humano. Dizem até que julgam a qualidade da comida pelo cheiro, e que se esfregam nas pernas do dono é pra marcar o próprio cheiro.

Se os gatos consideram isso anormal, deve ter alguma coisa mesmo.

— Como possibilidade, são três, nya.

Dizendo isso, o Nyantarou ergueu três dedinhos curtos. Que habilidoso, hein, ei.

— Primeiro, apagou o cheiro com magia. Isso vale pra artefato também. Segundo, é não-morto. Mas, se for isso, não ter cheiro de morte é estranho. Bom, existe a possibilidade de ser espírito também. E terceiro, é golem ou criatura mágica. Mas nunca vi golem tão pequeno assim, nya. Como possibilidade, o primeiro é o mais provável, nya.

Sobre golem, existe o "golem carnal", tipo o monstro de Frankenstein, mas isso é meio parecido com não-morto. Deveria ter algum cheiro de morte também.

Se apagou o cheiro com algum tipo de magia, por que faria isso? Ou melhor, existe mesmo essa magia? Se for magia nula, talvez exista.

Pensando normalmente, "é fedido demais, então aplicou magia de eliminar odor" seria a explicação, mas essa cidade tem casa de banho também. Se tem dinheiro pra beber, devia conseguir ir lá também, penso.

— Bom, é suspeita, sim, mas até agora não fez nada de mais.

— Vossa Majestade é bonzinho demais, nya. Se esperar acontecer alguma coisa, já é tarde, nya. Melhor preparar contramedida enquanto dá tempo, nya.

Será mesmo? Ela só tá bebendo quietinha, não precisa ir tão longe assim… ah?

Dois aventureiros bêbados estavam se metendo com a pessoa de capuz. Chamando atenção de forma ruim, faz sentido atrair esse tipo de gente.

Será que devo intervir?

Enquanto pensava nisso, escondido na sombra da entrada do bar, observando a situação, um aventureiro que se metia com ela veio voando com velocidade absurda bem na minha frente. HÃ!?

Arremessado pra fora pela entrada, o aventureiro caiu de cabeça no chão. Foi jogado pela pessoa suspeita de capuz. Que força absurda, pra arremessar alguns metros um homem de altura e porte considerável assim.

Ao tentar espiar de novo pra dentro pela entrada, o outro aventureiro veio voando de novo. Perigo!?

Encolhendo o pescoço tipo tartaruga, do mesmo jeito de antes, o homem voou pelo ar e caiu no chão.

Espiando dentro do bar, a pessoa suspeita de capuz continuava bebendo aos poucos o copo de bebida, como se nada tivesse acontecido. Deve ser alguém de nervos de aço.

— Seu desgraçado!

— Não zomba da gente!

Os aventureiros de rosto vermelho sacaram a espada da cintura, tentando invadir o bar. Bêbados demais, hein. Achei melhor mediar isso.

— Opa, chega por aí. Isso já tá passando dos limites. Enquanto não saca a espada, é só briga, mas, sacando espada, vira luta de morte. Não posso deixar passar isso.

— Que moleque é esse! Você é aliado dela!

— Não se meta! Quer apanhar também!?

Tratado como moleque, hein. Já passei dos 17, mas parece que minha aparência não cresceu muito, então continuo recebendo esse tipo de reação. Cada vez mais convincente a teoria de que a "divinização" impede o envelhecimento, hein… Não, talvez seja até imortalidade, mas não tenho vontade de testar isso por conta própria.

— O que é isso, o que é isso?

— Parece que um aventureiro tá aprontando confusão.

— Ou melhor, aquele ali é o Vossa Majestade.

Sem perceber, já se formou uma multidão ao redor do bar. Até as crianças acenavam pra mim.

— Vossa Majestade! Vai com tudo!

— Acaba com eles!

Não, não, não é assim, viu.

Sorrindo meio sem graça, acenei de volta pras crianças, e isso deve ter irritado um dos aventureiros, que partiu pra cima de mim de espada em riste.

— URAAAA!!

Desviei com facilidade daquele golpe descuidado, sem nem a postura correta. Deve ser efeito da bebida, até os pés estavam instáveis.

Mesmo assim, sem dúvida é uma situação perigosa.

Podia acabar com a bala de paralisia da Brunhild, mas, com tanta plateia assim, parece que dá impressão ruim, tipo "atirou pra matar". Certo, vou neutralizar de forma normal mesmo.

Desviando do ataque do homem que investiu, toquei o corpo dele e ativei [Paralyze]. Vendo o comparsa desabar feito boneco de corda cortada, o outro também ergueu a espada, mas segurei a lâmina com o dedo e a quebrei com [Power Rise]. Que arma barata, hein.

— O QUÊ!?

Do mesmo jeito, ativei [Paralyze] nele também, neutralizando.

— Fiuu.

Justamente quando terminei de resolver os dois, a Mestra da Guilda, Relisha-san, saiu de dentro da Guilda ao lado do bar.

— Vossa Majestade? O que é essa confusão toda?

— Hmm, tinham uns bêbados aprontando, então neutralizei. Parecem aventureiros, então dá uma bronca neles, por favor.

Precisamente falando, a Guilda não pode punir aventureiro diretamente, mas, se prejudicar significativamente a posição ou o caráter dos aventureiros, ou causar dano real à Guilda, existe uma variedade de penalidades preparadas, desde redução de recompensa até revogação do cartão de guilda. Até tem boato de que existe um esquadrão de assassinos disfarçado, mas não sei se é verdade.

— Entendido. Dessa vez, vou apenas dar uma advertência séria, sem aplicar penalidade. Se continuar acontecendo, aí sim tomarei outra medida. Mas, normalmente, se alguém aponta espada pro rei de um país, já mereceria pena de morte…

— Bom, isso aí, relevem, tá?

Funcionários da Guilda arrastaram os dois caídos pra dentro. O corpo tava paralisado, mas visão e audição continuavam normais, então devem ter ouvido a conversa de agora. Os dois estavam com o rosto completamente pálido. Será que o efeito da bebida passou?

— Uma pergunta.

— UOAH!?

De repente, uma voz veio de trás, e, sem querer, soltei um som estranho. Quem estava de pé atrás de mim era a tal pessoa suspeita que bebia no balcão. Não senti presença nenhuma!? Quem é essa pessoa… Pela voz, parece mulher mesmo.

— "Vossa Majestade" é o "rei" deste país, sem engano?

— É isso mesmo, mas…?

— Então você é Mochizuki Touya?

Assenti diante da pessoa suspeita de capuz. O que é isso, afinal. Não me diga que é outro assassino mandado de algum país? Fora Eurono, não me vem à cabeça nenhum outro país que mandaria algo assim, no momento.

— Dá pra conversar um pouco, num lugar sem gente? Não vou tomar muito seu tempo.

— …Certo.

Senti certa resistência em seguir alguém tão explosivamente suspeito assim, mas, como não parecia hostil, e por certa curiosidade, aceitei a conversa.

Andando à frente, a mulher de capuz não dava, como direi… nenhuma sensação de calor. Sinto que tô seguindo um boneco ou robô.

Por precaução, deixei o Nyantarou no lugar, e a mulher me levou pra floresta perto do canal do lado leste.

Confirmando que não tinha ninguém ao redor, a mulher diante de mim deixou o capuz cair pra trás, expondo o rosto sob a luz do sol.

— O QUÊ…!!

Sem querer, saltei pra trás e, por reflexo, saquei a Brunhild da cintura, mirando na mulher. Diante da mira da arma, o rosto que aparecia era bem definido, entraria na categoria de beleza.

Mas o que mais chamou atenção foram os olhos brilhando em vermelho, e o cabelo rígido crescendo da cabeça. Aquele cabelo brilhante como cristal, cintilante, eu já vi duas vezes antes. Primeiro, em Lodmea, depois, em Zenoas.

— Espécie dominante…!!

Ugh! Por que de novo uma espécie dominante entrou em Brunhild!? A placa de detecção não deu sinal de aparição nenhum!?

— Espera. Não tenho intenção de lutar.

— …!?

Não tem intenção de lutar? Como assim isso?

— Sou Rise. Se você é Mochizuki Touya, deve conhecer o Endymion, né?

— Endymion…? Fala do Ende?

Então o nome verdadeiro dele é esse, hein.

— O Endymion não voltou da fenda dimensional. Parece que tá levando um certo tempo pra sair. Por isso, quero pedir seu resgate.

— Resgate?

Sem entender nada, fiquei desconfiado, e a espécie dominante que se apresentou como Rise jogou algo de debaixo do manto na minha direção. Peguei por reflexo, e era um prisma triangular de cristal, de uns 10 centímetros de comprimento.

— Canaliza aquilo que vocês chamam de "energia mágica" nisso. Se passar de uma certa quantidade, dá pra puxar o Endymion de volta pra cá… parece.

— Parece?

— Foi o Endymion quem disse isso. Infelizmente, eu não tenho isso que vocês chamam de "energia mágica". Ele me disse que, se tivesse problema, procurasse o "rei" deste país, Mochizuki Touya.

Já não faço mais ideia de nada. Diante de mim, sem dúvida uma espécie dominante, mas por que estaria tentando ajudar o Ende? Ele deveria estar em confronto com os Phrase, não deveria?

Ou será que isso é uma armadilha?

Olhei de relance pra Rise, que se apresentou assim, mas não via nenhuma emoção nela. Mas sinto que é um pouco diferente das duas espécies dominantes que encontrei antes.

Canalizei um pouco de energia mágica no prisma. Nem o prisma nem eu apresentamos nenhuma mudança em especial. Tá tudo bem… será?

Fui canalizando energia mágica aos poucos, intensificando a quantidade gradualmente. Por fim, quando já tinha canalizado um décimo da minha energia mágica total, o prisma se despedaçou em pedaços.

— UOA!?

Sem querer, soltei da mão o prisma que se estilhaçou, e os pequenos fragmentos brilhantes formaram um grande anel, de onde o Ende espiou o rosto casualmente, atravessando pro nosso lado como se nada fosse.

— Ah, era o Touya mesmo. Que alívio. Sem isso, ficaria preso lá por mais uns seis meses. Opa, cheguei. Rise.

— Voltou, Endymion.

Com o cachecol branco de sempre balançando, o Ende retornou a este mundo, sorrindo.

Comentários

Opções

não funciona no modo escuro
Redefinir