Capítulo 254 – A Entrevista e os Aprovados
— Certo. O resultado será afixado na frente do castelo depois de amanhã. Todos podem se retirar.
— «« «« «« SIM »» »» »»
Diante da voz da capitã Rain-san, os cinco que terminaram a entrevista responderam e saíram do cômodo.
Confirmando que todos saíram do cômodo, a Yumina abriu a boca primeiro.
— Esse, esse e esse. Esses três não servem. Nesses dois, dá pra ver a ambição transparecendo. Algum dia, devem ter o pensamento de empurrar os outros pra passar por cima. O restante, esse, tem espírito rebelde forte demais. Talvez quebre ordens que não concordem com a própria vontade, usando desculpa conveniente. Pode virar causa de desarmonia.
— Também senti algo parecido, por instinto. E, além disso, os três pareciam transparecer arrogância nas entrelinhas das palavras… Também mentiram em algumas coisas.
Ouvindo a fala da Yumina e da Rain-san, tracei um traço diagonal nos nomes desses três na lista. Desclassificado.
— E os outros dois, como foram?
— Deixa eu ver, gaguejaram um pouco nas respostas, mas responderam com sinceridade, e não senti nenhum mau caráter. Devem estar bem.
— De fato. Talvez sejam sérios demais, a ponto de cometer algum erro, mas já superam bastante o critério mínimo de aprovação.
Certo, então esses dois, aprovados.
Dois dias depois da sobrevivência, foi realizada a entrevista dos candidatos, num cômodo do castelo.
Os entrevistadores somos eu, a Yumina, e a capitã Rain-san. Continuo mudando a aparência com [Mirage], claro.
Entrevistamos, em ordem, cinco por vez, dos aprovados do teste de sobrevivência. Mesmo dez minutos por entrevista, precisamos fazer mais de 80 entrevistas, então dividimos em dois dias, mas, mesmo assim, é um trabalho enorme.
Ainda assim, não posso relaxar nisso. Se colocar gente estranha na Ordem de Cavaleiros, quem sofre com o problema não somos nós, é o povo.
Acima de tudo, o que buscamos como membro da nossa Ordem de Cavaleiros não é trabalhar "pelo país", e sim conseguir trabalhar "pelo povo". Não precisamos de gente tipo "pelo rei" ou "por honra e orgulho".
Ou melhor, se algum dia eu governar mal e prejudicar o povo, quero que sejam capazes até de tentar me derrubar. Claro, não pretendo fazer isso, mas.
— Certo, então. Chama os próximos cinco.
— Sim.
Diante do meu pedido, a Spica-san, Elfa das Trevas, que ficava ao lado da porta, chamou os próximos candidatos. Ao lado da porta, também ficavam as gêmeas Lâmia, Myuret e Sharet.
Desculpa pelas três, mas estão servindo de um dos critérios de avaliação dos candidatos.
Entre os cinco que entraram no cômodo, três franziram a testa ao ver os demônios. Nós observamos isso. Os outros dois ficaram surpresos, mas a expressão deles não continha desprezo nenhum. Pareciam ter curiosidade, sim. Afinal, a Spica-san é bonita, e as gêmeas Lâmia têm metade inferior de serpente.
A essa altura, já perdemos interesse nos três que franziram a testa. Mesmo assim, fizemos perguntas neutras pra todos, misturando algumas questões mais decisivas, conferindo a reação do detector de mentira.
Tinha quem mentisse, e quem respondesse com sinceridade. Não é que eu exija que todos falem só a verdade absoluta. Um certo grau de mentira é inevitável em alguns casos. Nem sempre a pessoa quer causar boa impressão, ou tem coisas que não quer responder. Misturando mentira e verdade, cabe a nós julgar isso como material de avaliação.
Depois de dispensar os cinco, conversamos com a Yumina e os outros, e, de fato, era melhor evitar os que franziram a testa. Segundo a Yumina, sentiu forte arrogância e vaidade neles. Entre os outros dois, um também mentiu bastante sobre local de origem e histórico. Sinceramente, não dá vontade de aceitar esse aqui. Dos cinco da lista, tracei diagonal em quatro, aprovando só um.
De novo, a Spica-san recebeu os próximos cinco. Opa, ah.
Entre os cinco que entraram, dois eram o homem de armadura e o garoto do inhame que eu tinha visto.
Ambos ficaram surpresos ao ver a Spica-san e as outras, demônios, mas só isso. O garoto do inhame estava tão duramente tenso que talvez nem tivesse percebido direito.
Parece que tinham número próximo, sentaram lado a lado, na ponta esquerda.
Deixa eu ver… o jovem loiro de cabelo curto e armadura é Lanz Tempest, e o garoto do inhame é Karon.
Lanz Tempest. Origem: Reino de Cavaleiros de Lestia. Terceiro filho de cavaleiro de baixo escalão. Tem dois irmãos na Ordem de Cavaleiros de Lestia, hein.
— Por que veio até nosso Brunhild?
— Sim! Já ouvia falar há tempos sobre os feitos de Sua Majestade o Rei e o boato da Ordem de Cavaleiros. A caçada de dragão em Brunhild ecoou até Lestia. Numa Ordem de Cavaleiros assim, mesmo com pouca força, gostaria de me dedicar.
Não sabe que eu, aqui na frente dele, sou esse rei, mas não tá mentindo. Bom, mesmo assim, vou perguntar mais um pouco.
— Vai virar cavaleiro de Brunhild, não de Lestia. Isso tá tudo bem?
— Sua Majestade o Rei de Brunhild tem noivado firmado com Sua Alteza Hildegard, princesa do Reino de Cavaleiros de Lestia. Brunhild é país aliado de Lestia, e, já que ofereci minha espada, pretendo trabalhar com todas as forças como cavaleiro de Brunhild.
Não mentiu. Parece sério mesmo, mas meio duro, hein. Será que gente vinda de família de cavaleiro é assim mesmo.
Em seguida, olhei pro garoto do inhame, Karon.
Karon. Origem: Reino de Belfast, hein.
— …Segundo o relatório do membro que fez papel de "oni", você coletou vários tipos de alimento dentro da floresta. Onde aprendeu essa técnica?
— N-não chega a ser bem uma "técnica", não, minha família é de boticário, então costumava entrar na floresta com frequência, então, sim.
Nervoso demais. As palavras dele até saem estranhas.
Ah, boticário, é. Fazia sentido conhecer tanto de planta. Será útil, hein.
— Por que quis entrar na Ordem de Cavaleiros?
— O-ouvi que a Ordem de Cavaleiros de Brunhild também se dedica ao desenvolvimento de terras agrícolas. A-achei que, sendo assim, eu também poderia ajudar. A-ah, também consigo lutar até certo ponto. Derroto até um urso.
Um matagi, hein. Bom, sobreviveu àquele teste de sobrevivência, então deve saber lutar até certo ponto mesmo. Combinaria bem com um facão, digamos.
Não parece estar mentindo também, então esses dois, talvez sirvam.
Depois que os cinco saíram, perguntei a opinião da Yumina e da Rain-san, e ambas responderam do mesmo jeito que eu, que queriam contratar esses dois.
— O jovem chamado Lanz, gostaria pro esquadrão de guarda do castelo. O garoto Karon, sob responsabilidade do senhor Naitō, seria um talento perfeito pro desenvolvimento do leste.
A Rain-san pensava igual a mim. Certo, os dois, aprovados.
Os próximos que entraram foram os que tinham sido expulsos naquela sobrevivência: a fera-humana leão, o homem alado, o jovem Wardog e a garota Aracne. E mais um homem de armadura de couro, mas esse aqui parecia não ter boa impressão dos outros quatro presentes, então rapidamente perdi o interesse nele.
A fera-humana leão é a Ashley.
O homem alado é o Bals.
O jovem Wardog é o Dingo.
A garota Aracne é a Rifon.
A Ashley viajava com o Bals, e o Dingo com a Rifon, e, segundo eles, ouviram falar em outro país sobre o recrutamento e vieram direto pra Brunhild.
Existem Ordens de Cavaleiros em Mismede e Zenoas também (em Mismede, se chama Corpo de Guerreiros Real), mas, em Mismede e Zenoas, é difícil pra plebeia virar cavaleira mulher, então faz sentido o motivo da Ashley e da Rifon.
O Bals e o Dingo, assim como a Rain-san, parecem ter ouvido falar dos meus feitos e desejado servir a este país. Por precaução, reforcei que o salário é baixo, mas parece que não tinham objeção. O detector de mentira não reagiu. É baixo mesmo, viu?
Depois de mais algumas perguntas, os quatro pareciam realmente sinceros na intenção de trabalhar por Brunhild.
Depois de dispensar os cinco, confirmei com a Yumina, e ela disse que não tinha problema, então aprovamos os quatro, exceto o de armadura de couro.
No dia seguinte, continuamos com as entrevistas. Como o pessoal infiltrado se abstinha, o número diminuiu um pouco, mas ainda era uma quantidade considerável. E, além disso, não podia relaxar, então foi trabalhoso.
Fomos decidindo os aprovados de forma consistente, e conseguimos reunir gente de bom talento.
E os últimos três…
— Sarutobi Honō, Kirigakure Shizuku, Fūma Nagi…
Diante de mim, sentadas, três garotas vestindo traje ninja. Elas são as recomendadas pela Tsubaki-san.
Filhas de Sarutobi Sasuke, Kirigakure Saizō e Fūma Kotarō, respectivamente.
Filhas, é. Achei que fosse a pessoa em si que viria. Ouvindo a história, parece que os pais já têm idade avançada, então estão se aposentando.
Idade: as três têm 15 anos, dois anos mais novas que eu. Mesma idade da Elsie e da Lindsey. A Honō é animada e cheia de energia. Em contraste, a Shizuku dá impressão calma e fria. A Nagi parece distraída, difícil de captar.
O estilo de cabelo também varia: Honō, curto; Shizuku, comprido; Nagi, semi-longo ondulado. A área de especialidade também: Honō, taijutsu; Shizuku, técnica de ocultação; Nagi, técnica de arremesso — cada uma diferente, mas isso é só a especialidade delas, já que completaram um treino completo de técnica ninja.
Aliás, naquela hora, com o rosto coberto, não deu pra ver, mas quem me encontrou em cima da árvore foi a Honō.
— Difícil de perceber, mas eu tenho olho mágico. Consigo enxergar objetos bem distantes. Se for obstáculo pequeno, consigo até enxergar por cima dele.
De fato, o olho direito da Honō era um pouco mais castanho que o esquerdo. Só olhando rápido, não daria pra perceber. Parece que ela batizou essa habilidade de "Olho de Mil Ri". De fato, deve ser uma habilidade útil pra ninja.
Devido a essa capacidade, se aprovadas, provavelmente seriam incorporadas ao corpo de inteligência liderado pela Tsubaki-san. Perguntei se tudo bem com isso, e disseram que sem problema.
— Sou especialista em técnica de disfarce, então gostaria de me destacar em investigação de infiltração, ou coleta de informação na cidade.
Respondeu a Shizuku, e…
— Eu, sou rápida com as pernas, então não perco em pega-pega~.
Respondeu a Nagi. Parece que foi com essa velocidade de pernas que ela superou o exame dessa vez.
Mesmo assim, essa garota Nagi, me lembra alguém, ah, é a Cecil, nossa criada. O jeito de falar também é parecido, e, se não me engano, a Cecil também é boa em arremesso de faca. Originalmente, ela também era membro do corpo de inteligência de Belfast, afinal.
《Prazer em conhecê-la~. Sou a Cecil~》
《Sou a Nagi. Muito prazer~》
《Ufufu~》
《Eheheh~》
Imaginando o encontro das duas, sinto até um leve desânimo. As duas devem ser competentes… mas. Espero que não sejam irmãs separadas ao nascer ou algo assim.
Depois disso, fiz uma série de perguntas às três, encerrando a entrevista. Não mentiram, e nem o olho mágico da Yumina detectou problema. Com a recomendação da Tsubaki-san, as três, aprovadas.
Com isso, todas as entrevistas terminaram. Dos 416 aprovados do segundo exame, os aprovados na entrevista foram 131. Um número menor do que planejado, mas, quanto ao resto, não sendo membro da Ordem de Cavaleiros, e sim funcionário civil ou vice-secretário, deixamos pro Kōsaka-san examinar e entrevistar.
Daqui pra frente, precisa alocar cada um pra guarda, patrulha, ou serviço secreto, conforme a característica individual. Alguns já têm posição decidida, mas a maioria ainda não.
Bom, por ora, os aprovados já foram decididos, então falta só a cerimônia de admissão.
— Parabéns a todos pela aprovação. Como rei, fico feliz de poder receber vocês na Ordem de Cavaleiros de Brunhild.
Fiz o discurso no palanque, diante dos novos cavaleiros. Quem me viu pela primeira vez, talvez tenha ficado surpreso. Nos rumores espalhados por aí, dizem que sou o aventureiro de rank mais alto, matador de dragões, quem controla o legado da civilização antiga, herói que derrota monstros de cristal.
Ver isso vindo de um jovem assim, faz sentido causar estranheza. O fato de não me menosprezarem, deve ser justamente por serem gente que passou pelo crivo da Yumina.
— Certo, como fizemos no exame anterior, quero ver a força de vocês. Todos aqui vão lutar contra mim.
Diante do rosto dos novos, confusos sem entender o que eu disse, os aprovados da vez anterior soltaram um "uwaa…" de exclamação indescritível.
— De novo vai fazer aquilo…
— Vamos apostar? Quantos acha que vão sobrar?
— Não dá pra apostar nisso…
— Espero que não vire trauma…
Nos movemos pro amplo Segundo Campo de Treino, e começou o combate 1 contra 131. Os novatos seguravam armas de treino tipo espada e sabre de madeira, ou lança acolchoada. Podia até ser com espada de verdade, mas seria complicado se ficassem constrangidos demais pra usar força total contra mim. Claro, também não tenho intenção nenhuma de deixá-los me acertar.
Vou usar esse combate também como material pra decidir a alocação deles.
— Certo, vamos começar. — [Accel].
Contra os novatos que vinham avançando, ativei a magia de aceleração.
Assim como da vez anterior, ninguém conseguiu ficar de pé até o fim. Depois de 20 minutos, os 131 novatos, todos derrubados, estavam espalhados pelo campo de treino.
Lancei [Mega Heal] e [Refresh] neles, restaurando totalmente. Sem isso, ficaria complicado.
Alguns até agradeceram por isso, mas, sendo agradecido demais, meu coração dói um pouco. Afinal, fui eu quem os machucou, e, daqui pra frente, ainda tem a primeira provação esperando por eles…
— Certo, a partir daqui é minha vez.
No lugar onde eu estava, a irmã Moroha entrou no campo de treino. Por que tá sorrindo assim? Bom, deve ser porque tem material bom pra treinar.
— Sou Mochizuki Moroha, conselheira de esgrima da Ordem de Cavaleiros de Brunhild! Parabéns pela admissão! Sem demora, vamos começar o treinamento a partir de agora!
Na verdade, a partir de agora, por uma semana, espera os novatos um cronograma infernal de treino elaborado pela irmã Moroha. Isso foi condição de troca pra impedi-la de participar como "oni" naquele teste de sobrevivência.
— Então, primeiro, quero que corram ao redor do castelo. Umas 50 voltas.
Grito de horror dos novatos. O perímetro deste castelo é de uns 2km. Multiplicado por 50, dá aproximadamente uma maratona de 100km. Já começa acelerando forte demais, hein…
Vendo os novatos sendo expulsos do castelo, apressados pela irmã Moroha, não consigo deixar de rezar por eles, pra que fiquem bem… espera, quem tá apressando também é deusa mesmo.
A irmã Moroha e as outras são proibidas de interferir na superfície usando poder divino. Então, dizem que é só força dentro do limite humano, mas o problema é que esse limite já tá em nível super-mestre.
Isso é o tipo de nível que humano talvez alcance depois de uns mil anos de treino. Antes disso, morreria de velhice normalmente. Ignorando o tempo completamente. Talvez elfo, demônio, ou raça das fadas consigam alcançar esse nível, mas.
Bom, com certeza isso vai deixar os novatos mais fortes. Vamos torcer pra que se esforcem, por este país também.