Capítulo 258 – A Cápsula e a Terceira Pessoa
— Então, é o produto novo.
— Hoo. O que é isso, afinal? Parece ter algo dentro…
Objeto colocado na frente da filial de Brunhild da Corporação Strand, do Orba-san.
Na parte de cima, uma caixa grande cheia de conteúdo, embaixo, uma abertura pra colocar dinheiro, uma manivela pra girar, e uma saída de produto.
Chamado de "brinquedo em cápsula", digamos.
— Uma máquina de compra de brinquedo por sorteio, digamos assim. Bom, tenta experimentar.
Seguindo minha instrução, o Orba-san colocou uma moeda de bronze na abertura e girou a manivela com um "gachagachan". Então, algo cilíndrico de uns 10 centímetros de diâmetro caiu na saída.
— O que é isso?
— Tenta abrir a tampa.
Ao remover a tampa de couro presa por cordão, saiu de dentro uma miniatura de Frame Gear. Um cavaleiro pesado. Uma miniatura de borracha rígida, feita com detalhe fino, já colorida.
— Hoo! Isso é bem bem feito! Mas, sendo assim bom, não seria melhor vender normalmente?
— Aqui dentro, não é só o cavaleiro pesado, tem várias outras coisas diferentes. Essa aqui é a lista.
O Orba-san olhou a lista que entreguei, meio surpreso com a quantidade, mas ainda parecia não entender bem o conceito.
— Hmm. Ainda não entendi bem o sentido de colocar isso dentro dessa caixa… Não seria melhor vender cada um separado dentro da loja?
— De fato. Por exemplo, digamos que o Orba-san queira o cavaleiro negro que tá na lista. Se vender enfileirado, dá pra comprar com uma moeda de bronze na hora, né? Mas, colocado dentro dessa caixa…
— …! Entendi! Não é garantido sair na primeira vez! Precisa girar várias vezes… entendi! Ou seja, dá pra ganhar mais dinheiro assim!
Produto que estimula o desejo de apostar, mas, em troca, o preço é baixo. E, ainda por cima, se trouxer de volta pra loja dez cilindros usados, dá pra trocar por uma moeda de bronze. Ou seja, dá pra reabastecer e reutilizar o produto.
Abri o [Storage] e tirei outra máquina de cápsula parecida.
— E, além disso, essa aqui é um pouco mais luxuosa. Uma moeda de cobre por vez. Dez vezes o valor. Mas o produto que sai é de metal, bem melhor.
Digamos, versão infantil e versão adulta. Bom, tanto faz qual compram.
O Orba-san girou a manivela dessa também. Saiu um cavaleiro azul de metal. A máquina da vice-capitã Norn-san.
Um pouco maior que a versão de borracha rígida, com sensação de peso, bom até como enfeite.
Aliás, a lista de produtos é:
Gerhilde (máquina da Elsie) Schwertleite (máquina da Yae) Sieglinde (máquina da Hilda) Ortlinde (máquina da Sue) Helmwige (máquina da Lindsey) Grimgerde (máquina da Leen) Cavaleiro Branco (máquina da capitã) Cavaleiro Negro (máquina da vice-capitã) Cavaleiro Azul (máquina da vice-capitã) Cavaleiro Pesado (máquina de cavaleiro comum) Cavaleiro Dragão (máquina do Ende) Diversos conjuntos de arma
Essa é a lista de Frame Gears, e:
Dragão Negro Wyvern Snorawolf Golem de Mithril Scorpinas Demon's Lord Bloody Crab Golem de Madeira King Ape Fera mágica pequena (sortido)
Essa é a lista de feras mágicas.
Coloquei feras mágicas também porque achei que precisava de personagem "vilão" também, e porque, se fosse só Frame Gear, ia ter reclamação tipo "ah, que saco, de novo cavaleiro pesado".
Bom, a proporção de saída de cada um é um pouco diferente, então esse tipo de coisa deve acontecer mesmo assim.
E, do [Storage], tirei mais uma máquina, na verdade a principal.
Essa aqui não tem fera mágica, e o tamanho é maior.
— Essa aqui não é pra colocar dinheiro e girar, é pra usar como brinde quando o cliente faz uma compra de certo valor na sua loja, Orba-san. Por isso, o material interno é feito de osso de fera mágica, bem elaborado, já pintado, e, além disso, os braços e pernas se movem.
Tipo boneco de ação, digamos, mas até a transformação da máquina da Lindsey foi reproduzida — item excepcional. O osso usado é de material parecido com plástico, processado.
— Certo valor, tipo uma moeda de prata?
— Hmm, bom, mais ou menos isso. Sinceramente, não entendo bem de preço, então pode ajustar como achar melhor.
Uma moeda de prata seria uns dez mil ienes? Bom, é só brinde de compra mesmo.
A produção em si não deve ser difícil. A figura articulada exige alguma técnica, mas parece que a rede de contatos do Orba-san tem artesãos anões também, deve dar certo.
Assim que instalei a máquina de moeda de bronze dentro da loja (fora, corre risco de roubo), as crianças vieram e giraram. Opa, saiu o Cavaleiro Dragão. Esse é raro, viu.
— De fato, isso… consegue economizar até em custo de mão de obra… mudando o conteúdo…
Observando as crianças girando a manivela, "gacha-gacha", a cabeça do Orba-san já parecia calcular várias coisas.
Entreguei o molde das figuras ao Orba-san e saí da loja.
Caminhando pela rua principal da cidade do castelo, notei alvoroço à frente.
Espiando entre os curiosos, era uma prisão em andamento.
— Segurem ele! Prisão!
Quatro cavaleiros seguravam dois homens que se debatiam. Amarrando rápido com corda pelas costas, três cavaleiros arrastaram os homens dali.
— Desculpe pelo alvoroço. Já tá tudo bem.
O cavaleiro restante falou pra tranquilizar os moradores ao redor. Opa? Esse aí, deixa eu ver…
— Ei. Bom trabalho.
— Hã? A-aquele é… Vossa Majestade!
O cavaleiro loiro de cabelo curto tentou se ajoelhar no lugar. Lanz Tempest. Jovem cavaleiro novato, natural do Reino de Cavaleiros de Lestia.
— Ah, tá bom, tá bom, levanta, levanta. Se não for ocasião oficial, não precisa fazer isso. Chato.
— S-sim…
O jovem Lanz se levantou, meio sem jeito. Faz sentido, sendo natural do Reino de Cavaleiros, deve ter sido criado com essa noção incutida de que cavaleiro é assim.
— E aí, o que aconteceu?
— Sim. Assédio a garçonete dentro de um restaurante. A criança que ajuda no serviço veio correndo até o posto, então saímos em ação.
Entendi. Assédio sexual à garçonete, é. Não é crime tão grave, mas precisa refletir direito.
Mesmo assim, prender com corda é bem clima de drama de época. Se tivesse algemas, seria mais conveniente. Bom, tem grilhão de mão e corrente de mão, mas.
— …Vou fazer.
— Hã?
Ali mesmo, tirei um lingote de aço do [Storage] e fui transformando com [Modeling], seguindo o que já pesquisei antes na internet. Ah, é verdade, preciso fazer a chave também. Depois de alguns minutos, uma algema de brilho fosco estava pronta.
— Vossa Majestade, o que é isso?
— Isso é algema. Uma versão pequena e portátil de grilhão de mão. Pode estender o braço aí?
Coloquei a algema nos dois pulsos do Lanz estendidos, prendendo num instante.
— I-isso é incrível. …E, ainda por cima, resistente.
O Lanz forçou os braços tentando arrebentar, mas, claro, nem se mexeu. Mas, ao tirar a chave e girar no buraco, se soltou com facilidade.
— Isso eu dou pra você. Use pra prisão. Daqui a pouco, vou fazer virar equipamento padrão dos cavaleiros de patrulha. Se perder a chave, não vai conseguir abrir, então cuidado. Ah, vou entregar reserva… chave sobressalente também.
— Sim, senhor!
Sério, sério. O capitão de patrulha, se não me engano, era o Logan-san. Depois preciso conversar e decidir os detalhes.
— Já se acostumou com a vida por aqui?
— Sim. Neste país, tudo que vejo e ouço é novo e estimulante, maravilhoso. As pessoas também são gentis, e tem movimento animado.
Fico feliz de ouvir isso. Ser elogiado por alguém de fora sempre é bom mesmo.
— Ara? Não é o Touya-san? Ah, e o Lanz-san também.
Quem passou por ali foi a Mika-san, dona da filial de Brunhild da pousada "Lua de Prata". Nas mãos, carregava várias compras. Fazendo compras, será?
— Que saudade. Tudo bem? Tá comendo direito?
— Tô comendo sim. Tô bem.
Sem querer, dei uma risada, vendo ela do mesmo jeito de sempre. Pensando bem, faz tempo que não como na "Lua de Prata".
— M-Mika-dono! Falar assim com Sua Majestade…!
— Ah, tá tudo bem, tá tudo bem. Conheço a Mika-san há mais tempo que a Elsie e as outras. Não tem problema.
Acalmei o Lanz, que ficou apressado. Quem conheço há mais tempo que a Mika-san, só o Zanack-san, da "Fashion King Zanack". Bom, diferença de umas horas.
— A Mika-san já conhece nosso Lanz aqui?
— Sim. Ele vem quase todo dia ultimamente. É cliente fiel.
— Ah, é que a comida da Mika-san é maravilhosa, e acabo vindo sem perceber! Como direi, sabor que não cansa de comer, ou sabor caseiro aconchegante!
De repente, ficando apressado e falante, o Lanz assumiu postura em pé, rígido. De alguma forma, o rosto tá vermelho. Ué? Não me diga que…?
— Ou seja, o Lanz virou cativo.
— O QUÊ! V-Vossa Majestade, o q-que tá…!
— …Da comida da Mika-san.
— I-isso mesmo!
Engraçado. A Mika-san, sem entender bem, inclinava a cabeça confusa.
— Mika-san, a bagagem deve estar pesada, hein. Lanz, será que dá pra levar a bagagem da Mika-san até a "Lua de Prata"?
— Ara, ajuda bastante.
— S-sim, senhor! Deixa comigo!
O Lanz, com o rosto ainda vermelho, recebeu a bagagem da Mika-san, e os dois foram caminhando juntos. Acenei de leve, me despedindo deles.
Se não me engano, a Mika-san tem 20 anos, e o Lanz, 22. Combinam bem em idade, mas, ei, Lanz, o pai da Mika-san é um homem enorme e musculoso, de barba ruiva. Será que ele consegue enfrentar isso?
— Isso tá ficando interessante, viu.
— UOAH!? Que susto!
Sem perceber, a irmã Karen já estava ao meu lado, com sorriso maroto de curiosidade explícita. Por que ela tá aqui!?
— Fufufu. Onde tem amor, eu estou lá. Onde tem paixão, também estou lá. É isso, a deusa do amor, Mochizuki Karen!
BAM!, com uma pose decidida, apontou pra mim, mas eu devolvi um olhar de exasperação pra irmã.
— …Você tava só bisbilhotando, né?
— Também dá pra dizer isso!
Vai acabar levando um coice de cavalo qualquer dia desses. Bom, como o nome sugere, deusa do amor, parece que quem recebe conselho da irmã Karen vira casal, um atrás do outro.
Claro, tem quem termine depois, e ela também aconselha quem tá numa paixão sem futuro a desistir. Segundo ela mesma, isso também faz parte do amor.
— Não vai interferir demais, viu.
— Que grosseria. Não pretendo aconselhar a menos que peçam. Basicamente, amor é algo que cada um constrói por conta própria.
Fala coisas convincentes, mas até que ponto é sério, é meio duvidoso.
Basicamente, essa pessoa nunca se contém.
— Aliás, veio até aqui pra fazer o quê? Não me diga que tava seguindo esses dois?
— Isso, isso. Tem uma coisa que me incomodou um pouco. Senti um pouco de poder divino vindo da direção sudeste daqui.
— Hã!?
Não me diga, deus subordinado!? Eu também consigo sentir poder divino, mas ainda não consigo sentir presença tão pequena quanto a irmã Karen ou a irmã Moroha conseguem.
— Aquilo é o deus subordinado…
— Não, não é isso. Essa presença é claramente da mesma categoria que nós, deus de nível inferior. Achei que não seria possível, mas…
Hã? O que é isso? Sinto um pressentimento ruim, forte.
— Parece que desceu uma terceira pessoa.
Poupa, por favor. Que deus veio agora?