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Isekai wa Smartphone to Tomo ni – Capítulo 265

A Capital em Chamas e o Esqueleto de Cristal

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Capítulo 265 – A Capital em Chamas e o Esqueleto de Cristal

No deserto, distante da segunda capital de Sandra, Astal, encontrei as três kunoichi.

Por ora, apliquei [Recovery] em todas, e as teletransportei direto pra enfermaria de isolamento do castelo de Brunhild com [Gate]. Pra Flora e a Tica examinarem.

Se por acaso for algum tipo de patógeno, seria terrível. Mas acho que deve estar tudo bem.

Enquanto elas iam, pedi pra irmã Moroha e a irmã Karina, que estavam livres, virem comigo.

Como o sol já ia se pondo, montei as duas no tapete mágico e voamos de uma vez até Astal.

No caminho, cruzamos com algumas carruagens que pareciam fugir de Astal.

Como tinha magia de ocultação aplicada, não perceberam nossa presença nenhum pouco, mas pareciam comerciantes viajantes. No mapa de antes, não tinha sobrevivente nenhum, então provavelmente viram a tragédia em Astal e fugiram.

Por fim, no meio do deserto ao entardecer, avistei uma cidade fortificada solitária. Aquilo deve ser a segunda cidade de Sandra, Astal.

A muralha alta, feita de tijolo avermelhado-marrom, devia impedir a invasão inimiga e proteger a cidade. Mas o portão de entrada da cidade estava totalmente aberto, sem cumprir mais sua função.

Diante do portão, várias pessoas caídas, mortas. Pela armadura, devem ser guardas do portão.

— Isso é…

Todos com expressão contorcida de agonia, ressecados feito múmia. De todo canto do corpo, brotavam pequenos cristais hexagonais tipo quartzo, como se tivessem perfurado de dentro pra fora.

Cutucando um desses cristais com a lâmina da Brunhild, caiu junto com o tecido do corpo na raiz, "goroto".

Ao pegar o cristal caído na mão, a resistência era frágil demais pra ser material de cristal de Phrase. Se apertar com força, quebra facilmente feito doce de vidro.

— O que aconteceu nessa cidade, afinal…?

Murmurei sozinho, e a irmã Moroha e a irmã Karina, ao lado, com expressão séria, examinaram os corpos caídos.

— Como imaginava, isso…

— Não deve haver engano, hein.

As duas se entreolharam e assentiram. Hã? O que foi?

— Perceberam algo?

— Sim. Não sei o que aconteceu, mas as pessoas caídas aqui tiveram a alma devorada.

— Alma devorada?

Como assim isso? Já ouvi falar de "a alma sair do corpo" pra descrever alguém em choque total, mas…

— Explicando de forma simples: quando um humano morre, a alma sai do corpo e vai pro mundo celestial, abaixo do mundo dos deuses onde moramos. Lá, a alma é purificada, e, pra renascer num novo corpo, é enviada de volta. Isso é reencarnação, o ciclo do samsara.

— Bom, almas que cometeram pecado demais precisam de purificação bem forte, então a alma é reduzida, podendo só reencarnar como animal, mas, mesmo assim, nunca é retirada do ciclo de reencarnação. Só que…

— As almas das pessoas aqui não subiram pro mundo celestial. Touya, concentra poder divino nos dois olhos, olho divino… e olha pro cadáver.

Como a irmã Karina diz, concentrei poder divino nos dois olhos e foquei o olhar no cadáver.

Então, dentro do cadáver, vi algo tipo uma esfera brilhando fracamente. Isso é a alma?

Mas essa alma tava corroída em pedaços, tipo comida por traça, e a luz parecia enfraquecer aos poucos.

— Conseguiu ver? Isso é a "alma devorada". Só resta desaparecer. Sai até do ciclo de reencarnação, nunca mais renasce em nada. É extinção verdadeira.

Extinção verdadeira. A existência desaparece tanto deste mundo quanto do outro. Sem querer, senti um arrepio diante disso.

— Não tem jeito de salvar pelo menos a alma…

— Existe, sim. Mas isso é técnica divina. Não é algo que a gente use displicentemente na superfície. Nem pense em tentar isso, viu? É carga pesada demais pra um deus novo.

Fui advertido pela irmã Karina.

— E também, todos os cadáveres aqui precisam ser queimados por completo. Se a alma não subir pro céu, existe possibilidade de se fixar no corpo físico. Se isso acontecer, viram não-morto sem escapatória. Nasce um zumbi que vaga pela superfície buscando vida.

Segundo a irmã Moroha, independente de a alma estar corroída ou não, o estado de a alma se fixar no corpo físico depois da morte é o que chamam de não-morto. Existe não-morto com vontade própria, movido por rancor ou apego à vida, mas o não-morto de alma corroída não tem vontade nenhuma.

Normalmente, ao purificar um não-morto, a alma é liberada do corpo e sobe pro mundo celestial. Mas alma corroída não consegue subir. Só resta desaparecer junto com o corpo físico.

Será que realmente sai do ciclo de reencarnação de vez.

Entrando na cidade, não só humanos, mas até cavalos, cachorros, aves pequenas, tiveram a alma devorada, brotando cristal do corpo, mortos. Será que isso também é obra de Phrase, afinal?

Pensei em várias coisas, mas achei melhor queimar a cidade inteira. Deve ter mercadoria e dinheiro em casas e lojas, mas não senti vontade nenhuma de pensar "que desperdício" ou "vou aproveitar isso". Não quero fazer nada tipo saqueador de túmulo.

Mas, se deixar assim, vira propriedade de gente sem escrúpulo ou bandidos. Se for assim, achei melhor apagar tudo da superfície junto com os donos.

Cheguei a pensar em entregar pro Reino de Sandra, mas ainda existe possibilidade de patógeno, e seria complicado se virasse fundo pra produção em massa da "Coleira de Escravização".

Confirmei com magia de busca que não havia ser vivo nenhum, e queimei essa cidade com calor capaz de derreter até moeda de ouro, prata, e metal.

Junto com todas as almas fora do ciclo de reencarnação.

— Fogo, enlouqueça, chamas do purgatório, [Prominence].

A cidade inteira foi envolvida pelas chamas da magia que ativei. Na escuridão, com o sol já completamente posto, o fogo infernal, queimando a ponto de escurecer o céu, queimava tudo, absolutamente tudo.

As paredes das casas desmoronavam, telhados caíam, envoltos em chamas, derretendo.

Observando isso, senti um sentimento indescritível de impotência.

— Ter a alma devorada é algo que acontece com frequência?

— No caso de monstro espiritual, é possível. Tipo Wraith, Fantasma, Espectro. Monstro "devorador de alma" costuma ser atraído por emoção negativa humana. Alma tingida de sentimento sombrio é o banquete supremo pra eles.

— O que mais atrai eles é o "medo". Ansiedade, temor, desespero — almas tingidas por esses sentimentos são as favoritas deles. Por isso, não mostram a própria forma, e perseguem a vítima com terror psicológico. "Medo do desconhecido", contra algo incompreensível, é um sentimento que todo mundo carrega, afinal.

Pensando bem, já ouvi em algum lugar que só humano teme escuridão. Humano acaba imaginando que existe "algo" naquela escuridão. Isso gera "medo". "Medo do desconhecido" nasce da imaginação.

Bom, entendi que monstro espiritual pode devorar alma. Mas não consigo imaginar de jeito nenhum que isso seja obra de monstro nesse caso.

Aquele cristal, e também, essa quantidade absurda de gente devorada de uma vez só, parece impossível pra monstro fazer. Se fosse dezenas de milhares de Wraith atacando, até entenderia, mas.

Alguma coisa… alguma coisa desconhecida está se movendo.

— Tenho um palpite.

Observando a cidade em chamas, a irmã Moroha murmurou.

— Algo que devora alma e cresce… talvez um deus maligno esteja nascendo.

— Ahh, entendi, era isso. Neste mundo, só existe artefato divino tipo o "smartphone" do Touya… deus subordinado, então?

Deus maligno, aquilo. Deus mal-acabado nascido quando coração maligno se acumula em artefato divino carregando poder dos deuses. Dizem que fica abaixo até de deus subordinado, então talvez não seja tão grave assim pros deuses, mas, pro povo da superfície, é assunto sério.

Mesmo chamando de deus maligno, não é deus de verdade, e, sendo algo nascido na superfície, basicamente os deuses não interferem. Mas, como o nascimento dele envolve poder divino, os deuses não deixam totalmente abandonado, dando pelo menos uma espada divina ou espada sagrada a algum herói.

Deus subordinado gerando algo tipo artefato divino, tramando o nascimento de deus maligno?

— Bom, mesmo que nasça deus maligno, já que tem o Touya-kun neste mundo, não precisa se preocupar.

— Ambas carregam poder divino sem serem deus de verdade. Mas um é o pior nível, produto malfeito criado por deus subordinado; o outro é parente de deus onisciente e onipotente supremo. Não tem comparação.

— …Espero que seja assim mesmo…

Deus maligno também, poupa por favor. Bom, se for pior que aquele deus NEET, sinto que consigo lidar de algum jeito.

Mais do que isso, fico incomodado com aquele sintoma do cristal. Será que, não me diga… Phrase e o deus subordinado se juntaram?

Que absurdo… queria pensar assim, mas a dúvida não desaparece.

Sinto que Phrase também tá envolvido nesse nascimento de deus maligno. Ainda é só intuição, mas…

— …Nn? Algo tá estranho? Alguma coisa… se movendo?

Diante da voz da irmã Moroha, olhando pro fogo infernal ardendo, ergui o rosto na hora. O que foi?

Uma sombra tremulando no meio das chamas. Impossível. Isso é fogo capaz de derreter até ferro!?

Diante de mim, surpreso, do meio das chamas saltou um esqueleto de cristal.

— Uwaa!?

Erguendo o braço, o esqueleto que atacou teve a cabeça atravessada por uma flecha de material de cristal disparada pela irmã Karina.

O esqueleto, com a cabeça despedaçada, caiu no lugar, mas a cabeça despedaçada regenerou de volta, "paki-paki". Isso é igual a Phrase…!

Regeneração terminada, o esqueleto de cristal se ergueu devagar. Perto do coração, havia um núcleo brilhando vermelho, do tamanho de bola de golfe.

— Isso…!!

Sacando a Brunhild, mirei no núcleo e puxei o gatilho. A bala disparada atravessou o núcleo, e o esqueleto se despedaçou completamente pelo corpo todo.

Capacidade de regeneração. Cessa atividade quando o núcleo é destruído. Exatamente igual a Phrase. Provavelmente, magia também não funciona neles. Senão, não teria como atravessar aquele fogo até aqui.

Isso é… por causa do cristal que brotou daquele corpo!?

— Ainda tá saindo mais, parece. Aparentemente, todos os cadáveres da cidade viraram Phrase…

— Difícil de lutar aqui! Vamos pro lado do deserto!

Diante da minha voz, as duas recuaram pra trás. Do portão da cidade em chamas, um atrás do outro, esqueletos de cristal foram rastejando pra fora. Mantendo distância deles, minha bala e a flecha da irmã Karina foram atravessando os núcleos.

Entre eles, tinha até esqueletos pequenos, só podendo ser crianças, e meu coração se apertava, mas mesmo assim destruía os núcleos deles.

As almas deles já não podem mais ser salvas. Nem alcançar a iluminação, nem dormir em paz. Só resta desaparecer.

A irmã Moroha avançou pra frente, destruindo com a espada os núcleos dos Phrase esqueleto. Individualmente não são fortes, mas, sendo tanta quantidade, é incômodo.

Em força pura, dá pra derrotar até com espadachim comum. Se for assim…

— Trevas, venha, o que busco é o guerreiro esqueleto, [Skeleton Warrior].

Do círculo de invocação que abri no chão, esqueletos completamente brancos foram rastejando pra fora, um atrás do outro. Espada na mão direita, escudo na esquerda, guerreiros esqueléticos.

Olho por olho, dente por dente. Esqueleto com esqueleto.

— Derrotem os esqueletos de cristal que saem do portão da cidade! Cravem no núcleo que tá no peito!

Diferente de outros Phrase, o núcleo do esqueleto de cristal está exposto, dando pra mirar pela fenda das costelas. Também dá pra destruir junto com as costelas, na força bruta. Ameaça reduzida.

Invoquei guerreiros esqueléticos, um atrás do outro. A quantidade, milhares. Com minha quantidade de energia mágica, não é nada difícil.

Batalha entre o exército de esqueletos de cristal rastejando pra fora das chamas e o exército de guerreiros esqueléticos. Parece que os esqueletos de cristal também, assim como outros Phrase, atacam humano por instinto — mesmo Astal tendo outros portões, todos vinham em nossa direção.

Isso era bloqueado pela muralha de guerreiros esqueléticos, destruindo os esqueletos de cristal metodicamente. Como direi… virou trabalho braçal.

Estranhamente, seres não-humanos, tipo cavalo e cachorro, não viraram Phrase. Será que existe alguma condição específica.

— Batalha de esqueleto contra esqueleto, hein… Parece cena do inferno mesmo.

E, ainda por cima, atrás, a cidade continua em chamas. Não é totalmente errado pensar isso.

Depois de umas 2 horas, os esqueletos de cristal foram completamente exterminados pelos guerreiros esqueléticos. O fogo que queimava a cidade também já ia se apagando. Fazendo busca, já não encontrava mais nada se movendo.

Assim, a segunda cidade do Reino de Sandra, Astal, desapareceu.


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