Capítulo 266 – A Convocação de Emergência e a Ilha sem Retorno
No dia seguinte, convoquei em emergência os representantes da Aliança Leste-Oeste, e contei tudo o que aconteceu na Capital de Astal. O fato de a cidade ter sido destruída já era problema, mas o que mais importava era a causa disso.
No exame da Flora, não foi detectado nada no trio de kunoichi. No fim, ainda não sabemos qual foi a causa de humanos se transformarem em Phrase.
Diante desse relatório, dava pra ver cor de desânimo nos reis. Afinal, pode acontecer a mesma coisa no próprio país. Faz sentido ficarem inseguros.
Parece que "alma devorada" virar não-morto humano já é algo conhecido desde tempos antigos, então isso em si não causa tanta surpresa. O problema é a escala, e o fato de não conseguir determinar se isso é obra de monstro ou artimanha de Phrase.
Mas eu já pensava, com quase certeza absoluta, que foi obra de Phrase. Senão, não teria como explicar aquele esqueleto de cristal.
O único alívio (embora nem tanto assim) é que o próprio Phrase esqueleto pode ser combatido até por cavaleiro ou aventureiro comum.
Só que, na minha opinião, aquilo é apenas um subproduto. Não consigo deixar de pensar que o objetivo real deles era devorar a alma humana.
Será que envolve o deus subordinado, afinal. Talvez estejam tentando gerar aquele tal deus maligno de que a irmã Moroha falou.
Assunto envolvendo deus subordinado não posso contar aos reis. A Papisa talvez entendesse, mas.
Por ora, não tem nada que possamos fazer agora. No máximo, prestar atenção pra não deixar passar nenhuma pequena mudança.
Por precaução, decidi avisar essa informação, através da Relisha-san, apenas às Mestras de Guilda de Aventureiros.
■ Existe "algo" que devora almas. ■ Humanos com "alma devorada" se transformam em Phrase esqueleto. ■ E, isso é só uma dedução minha pessoal, mas… talvez apareçam em lugares repletos de "sentimento negativo".
O monstro devorador de almas, tipo Wraith e Espectro, atraído por sentimento negativo, e o deus maligno, que nasce absorvendo sentimento negativo humano — não consigo ignorar esse ponto em comum.
A Capital de Astal era conhecida como "cidade escrava", com número enorme de escravos e comércio intenso.
O desejo de quem comercializa escravo, o desespero de quem virou escravo, o lamento dos escravos maltratados, a arrogância de quem maltrata escravo — será que esses "sentimentos negativos" serviram de gatilho.
É só uma hipótese, mas acho que não estou muito longe da verdade.
Se isso estiver certo, será que Eurono também correria perigo, pensei. Mas, por lá, a população já ficou esparsa, então acho que não deve ter sentimento negativo em rodamoinho tão intenso assim. Mas, se almas mortas ainda estiverem vagando pela superfície até hoje, não sei dizer.
Bom, isso é só minha suposição, não é certeza absoluta, e não sei a verdade real. Talvez tenha sido só coincidência aquela cidade virar alvo.
Por ora, decidi suspender por um tempo a investigação de infiltração em Sandra. Se minha previsão estiver certa, existe possibilidade de Sandra, onde sentimento negativo se acumula, sofrer de novo com "devoração de alma". Dessa vez, escaparam, mas quero evitar envolver aquelas três de novo.
Realmente não quero que nasça deus maligno… Não sendo deus completo, as irmãs não podem interferir tanto assim como deusas. Se for assim, quem vai lidar com isso, obviamente sou eu.
…Será que não aparece de algum lugar um herói lendário?
Terminando a reunião, teletransportei pra Babylon, e a Doutora estava no Segundo Laboratório do "Laboratório", projetando o mapa deste mundo no monitor, pensativa.
Sobre a mesa, vários documentos, livros e canetas espalhados, e café pela metade e biscoito mordido em cima também. Arruma isso, ei. Vai atrair inseto.
— O que tá fazendo?
— Hmm? Ah, Touya-kun. Nada não, só percebi algo curioso.
— Curioso?
A Doutora, no console à mão, projetou no lado direito do monitor, ao lado do mapa deste mundo, o mesmo mapa. Hmm? Ué, esse mapa é diferente? Parece, mas os detalhes são diferentes…
— Isso é o mapa deste mundo de 5000 anos atrás, quando eu vivia. Antes da guerra contra Phrase. Dá pra ver que mudou bastante, comparado a agora, por causa de magia em larga escala capaz de alterar terreno, ou movimento de placa tectônica, né?
Dizendo isso, ela sobrepôs os dois mapas. Ah, de fato. Dá pra ver litoral erodido, e lugar onde terra que era conectada. Hee, então Refreese e Riinie eram terra contínua há 5000 anos. O Grande Rio Gau também não se estendia até Ramish.
Será que o relevo mudou por causa de magia que explodiu tudo? Não me diga que caiu colônia espacial ou algo assim.
— Contra Phrase, magia direta não funcionava, afinal. Teve país que fez coisa idiota, tipo [Explosão de Terra] pra explodir o próprio solo.
Magia que explode o próprio solo, causando dano com pedra? Bom, sem fazer algo assim, talvez não conseguisse enfrentar espécie superior, mas faz sentido o relevo mudar.
Magia antiga tem muita coisa poderosa, e sabiam que era perigoso, mas. Dizem que existem magias de atributo terra de alto nível capazes de erguer ou afundar relevo em área ampla.
Na prática, deve ter sido situação de "não dá pra ficar escolhendo meios", já que era crise de extinção da humanidade.
— Aqui é onde eu morava, o Sagrado Império de Parteno. Ia de Belfast, Regulus, Brunhild, Ramish, Lodmea, Felsen, Lestia, até parte do Reino de Horn — um grande império ocupando quase um terço do continente.
Olhei o domínio exibido de Parteno. Absurdo. Que país grande. De fato, era um grande império mesmo. Da maior parte do oeste até o leste, quase tudo. No mundo original, seria tipo abranger da Europa até a China inteira.
— Na nossa época, os Phrase invadiram vindo da região de Zenoas, e os países que ficavam onde hoje é Eurono, Nokia, Hanok foram destruídos primeiro. Por isso, essa região tem muita mudança de relevo.
De fato, tanto Zenoas quanto Eurono têm bastante lago, será resíduo daquele combate.
Um reino antigo deve ter resistido com toda força contra os Phrase, e a batalha deve ter sido intensa. Nem consigo imaginar que tipo de combate rolou.
— E então? O que é curioso?
— Sim. Essa ilha, ao norte do que hoje seria Elfrau.
No mapa de 5000 anos atrás, na região marítima ao norte de onde ficaria o Reino de Elfrau, havia uma ilha do mesmo tamanho da Teocracia de Ramish. Mas, no mapa atual, essa ilha não existe. Será que afundou?
— Essa ilha, naquela época, era chamada de "Ilha Maligna". Na região marítima ao redor, tinha monstro do mar, Sirene, e não deixava navio nenhum se aproximar; mesmo tentando com aeronave, ocorria alguma falha inexplicável e caía. Ninguém que foi rumo àquela ilha, coberta por névoa densa e nuvem, voltou. Sem que ninguém desse nome oficial, acabou sendo chamada de "Ilha sem Retorno".
Que ilha perigosa, hein. Nem a tecnologia da civilização antiga conseguia entender… Não me diga que, igual ao Espírito da Grande Árvore ou o espírito das trevas de Ramish, algum poder de espírito estava agindo ali?
— Essa ilha, por algum motivo, não existe hoje em dia. Achei que talvez tivesse afundado, mas fiquei curiosa e fiz detecção de energia mágica nessa região. O resultado é esse.
Projetado no monitor, na região marítima norte de Elfrau, algo tipo névoa vermelha, indicando reação mágica, se espalhava. Isso é… barreira!?
Posicionalmente, coincide com a ilha maligna que existia há 5000 anos. Não me diga, será que continua escondendo a própria existência com barreira até hoje!?
— Minha Babylon também é algo parecido, né. Já fica flutuando no céu há 5000 anos. Não acho impossível fazer isso. Só que fica a dúvida de "quem" e "por que motivo".
— …Será que algum mago ou magi-engenheiro de algum país, fugindo dos Phrase, atravessou até a "Ilha sem Retorno" e criou uma barreira pra não ser encontrado por ninguém?
— Essa possibilidade não é impossível… Mas, pra uma barreira dessa escala, precisaria de alguém extraordinário pra conseguir criar. Na época, além de mim, quem talvez conseguisse isso seria só o lendário mago chamado "Sábio do Tempo", mas ele já tinha morrido de velhice antes da invasão dos Phrase…
A Doutora cruzou os braços e se apoiou na cadeira. Como a aparência é de garota, não fica com muito impacto.
— "Sábio do Tempo"?
— Isso mesmo, literalmente. Ele manipulava magia espaço-tempo. Visão do futuro, teletransporte instantâneo, parada temporal, retrocesso temporal, corte espacial… Um velho absurdo mesmo. Bom, "manipular" não significa que controlava livremente — precisava de várias condições e preparações, e cada efeito era extremamente breve.
— Parada temporal, isso é absurdo demais, magia espaço-tempo…
— Do que tá falando? [Gate], [Teleporte] e [Storage] que você usa também são tipos de magia espaço-tempo. Bom, o incrível dele foi unificar isso num sistema único, mas não era algo que qualquer um conseguisse dominar. Como resultado, acabou caindo em desuso.
Entendi. Diferente de magia nula, que só o indivíduo consegue usar, ele conseguiu tornar isso acessível a mais pessoas, tipo outros atributos de magia. De fato, velho absurdo mesmo.
Se for um velho assim, capaz de manipular magia espaço-tempo, criar barreira daquela escala não deveria ser difícil. A própria essência de barreira — bloquear conexão com o mundo externo — tem relação com magia espaço-tempo mesmo.
— Talvez tenha sido discípulo desse velho quem criou.
— Discípulo… discípulo, hein. Bom, se conseguisse ir até essa ilha, talvez desse pra entender isso também. Se voar de "Gungnir", tenho medo de cair por falha de equipamento, então tava pensando no que fazer.
De fato, seria complicado. Mesmo voando com [Fly], se for uma barreira de "bloqueio de energia mágica" tipo da "Sociedade Dourada", eu cairia também…
Será que devo ir com um veículo que não use energia mágica?
— Será que dá pra ir montado na Ruri ou na Kōgyoku?
— Ah, é verdade, tinha esse jeito. Sim, se for espírito invocado, acho que não corre risco de cair. Só que, se essa barreira for do tipo que desorienta o invasor, existe o risco de ser guiado pra um lugar completamente diferente da ilha.
Achando que parecia possível ir, pensei em partir logo pra ilha, mas a Doutora me deteve.
Como não sabemos o que tem lá, melhor mandar reconhecimento primeiro, então decidi soltar as aves subordinadas da Kōgyoku em direção à ilha.
Já que tem barreira instalada, é bem provável que exista alguém morando lá. Mas é uma ilha que nem na era da civilização antiga deixava ninguém se aproximar. Igual às Ilhas Galápagos, completamente isolada do mundo externo, existe possibilidade de ter passado por evolução própria, além da nossa imaginação.
O que será que existe naquela ilha, afinal?