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Isekai wa Smartphone to Tomo ni – Capítulo 271

A Libertação e a Segunda Morte

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Capítulo 271 – A Libertação e a Segunda Morte

Alguns dias depois da pequena guerra contra o Reino de Sandra, fiquei ocupado correndo atrás do processamento pós-conflito.

Primeiro, reunimos os escravos da capital (excluindo os registrados como escravos por crime), e, pra quem tinha lugar pra voltar, entreguei uma quantia razoável de dinheiro, tirada da indenização absurda que confisquei de Sandra, e mandei de volta por [Gate]. Pros lugares onde nunca fui, peguei emprestado a memória deles e mandei assim mesmo.

Já avisei os países da Aliança Leste-Oeste, então devem conseguir voltar pra terra natal com relativa tranquilidade.

Claro, também resgatei a tribo da floresta que a Pam e os outros pediram. Sem faltar ninguém, já mandei todos de volta pra Grande Selva antes de tudo.

— Certo, façam fila, por favor. Sem pressa, em fileira única.

Antes dos escravos atravessarem [Gate], neutralizei a "Coleira de Escravização" com a "arma secreta" que a Tica e a Doutora fizeram no "Laboratório", libertando-os da escravidão.

A Tica pressionava algo tipo seringa sem agulha na coleira dos escravos enfileirados. Aquele é o artefato "Inicialização" que as duas criaram.

Explicando de forma simples, é um artefato mágico que apaga completamente qualquer magia aplicada.

Em certo sentido, é um artefato absurdo. Com isso, até artefato mágico valioso de reino antigo vira ferramenta comum.

Parece que fizeram isso pensando em ser um meio de anular a barreira daquela ilha de fera gigante, caso ela não seja de livre vontade dos moradores da ilha.

Precisamente falando, é uma "sobrescrita" que aplica um poderoso encantamento de "nulidade". Claro, essa quantidade absurda de energia mágica fui eu quem forneci. Por isso, se outra pessoa além de mim tentasse carregar, levaria um tempo absurdo. Um mago comum, pra carregar o suficiente pra um uso só, levaria uns… um ano?

Todo o pessoal dos Números de Babylon neutralizava a coleira dos escravos, e as pessoas sem a coleira atravessavam [Gate], um atrás do outro, voltando pra terra natal.

Naturalmente, também apareceram interferentes que não queriam abrir mão dos escravos. Mas nossa Ordem de Cavaleiros os conteve, amarrou, e jogou de volta na própria jaula onde os escravos eram mantidos.

Como exceção rara, também tinha alguns que recusavam a própria libertação. Não estavam sendo forçados a dizer isso — pareciam realmente satisfeitos com aquela posição, então deixei do jeito que queriam.

Por precaução, já neutralizei a função da coleira. O resto depende da vontade da própria pessoa. …Bom, existe gente com esse tipo de temperamento mesmo, né, sim.

Depois de alguns dias libertando os escravos da capital, era hora de libertar os escravos das outras cidades também.

Pra não dar trabalho com os senhores feudais dessas cidades se opondo, cerquei a cidade com dezenas de Frame Gears sem dar brecha pra discussão, tirando a vontade de resistir.

De antemão, espalhei o boato de que o Rei de Sandra declarou guerra a Brunhild e perdeu facilmente, tendo a cabeça cortada. Ameacei dizendo que Sandra é país derrotado, e que quem resistisse teria o mesmo destino do rei.

Sinceramente, não queria usar esse tipo de ameaça, mas escolhi esse caminho mesmo assim, pra libertar os escravos com mais fluidez.

Aliás, aquela escrava mulher que decapitou o Rei de Sandra, como não tinha lugar pra ir, veio morar em Brunhild. Parece que era aventureira originalmente, então acho que não vai ter problema pra viver.

Do mesmo jeito, quem não tinha lugar pra voltar nem gente esperando, foi cada um pro país que desejava. Teve quem foi pra país nunca visitado antes, e teve quem preferiu ficar em Sandra mesmo.

Naturalmente, também teve quem quis ir pra Brunhild, e aceitei isso. Ainda tem terra e trabalho disponível, então acho que não teria problema pra viver, mesmo que modestamente.

Fui bastante repreendido pelo Kōsaka-san por causa de tudo isso, mas, sobre essa imigração, ele não disse nada, já que significou ganho de força de trabalho. Só lamentou dizendo que, se eu tivesse agido com mais esperteza, poderia ter conseguido ainda mais indenização.

E assim, levou mais de um mês pra libertar todos os escravos de Sandra. Como teve bastante gente tentando esconder escravo, às vezes precisei invadir depois de fazer busca. A maioria era comerciante de escravos.

Praticamente todos os comerciantes de escravos perderam o emprego e, ao contrário, viraram escravos por crime. Faz sentido, já que sequestravam, prendiam e comercializavam cidadãos de outros países. Eles vão trabalhar a vida inteira na mina de escravos. Como a autoridade de mestre é minha, nem o dono da mina consegue libertá-los.

Entre eles, teve também comerciante de escravos íntegro (?) que nunca tinha se envolvido em sequestro em outros países, então deixei passar. Só que acho que teria sido mais seguro ele ter ido pra mina como escravo por crime mesmo.

Sinceramente falando, é bem possível que os escravos libertados voltem a Sandra por rancor acumulado e se vinguem dos comerciantes de escravos ou dos antigos donos.

Mas não tenho direito de impedir isso. Vingança é assunto pessoal. Se estiverem preparados pra serem presos ou mortos depois, virando escravo por crime de novo, façam como quiserem. Só espero que não façam besteira, já que finalmente conquistaram liberdade.

Quanto aos escravos por crime, como existe possibilidade de alguns terem sido presos injustamente, decidi julgar usando o detector de mentira especial da Doutora. Bastava dizer "quem for inocente, levante a mão". Bom, a maioria levantava a mão descaradamente mesmo.

Existe variação conforme o nível do crime, mas eu não sou juiz de Sandra. Não tenho como entender casos com histórico complexo tipo "foi enganado, forçado a cometer crime e virou escravo".

Mesmo assim, pedi pra Yumina checar o máximo possível com o olho mágico dela.

Sinceramente, me disseram que eu não precisava ir tão a fundo assim, mas, já que cheguei até aqui, achei melhor reduzir ao máximo a existência de escravidão. Daqui pra frente, gostaria que escravidão virasse apenas um tipo de punição pra quem cometeu crime, sem permitir posse individual.

De qualquer forma, eu, que fiquei preso nisso o tempo todo, finalmente fui libertado também. Ocupado demais, até sentia que era escravo do trabalho até agora.

Aah, liberdade é maravilhosa!

— …Era isso que eu tava pensando, mas por que virou assim, hein…

Achei que tinha sido libertado dos problemas.

Voltei de novo até o salão de audiências do castelo real de Sandra.

Sentado no trono à minha frente está o Rei de Sandra, Abdul Jabbar Sandra III. Não, ex-rei, né.

— «Gufu-gufu-gufu. Apareceu, seu príncipe detestável, vou saciar meu rancor!»

— Uwaaa…

A cabeça decepada, começando a apodrecer, abriu a boca. O rei-porco, segurando a própria cabeça debaixo do braço, estava sentado no trono. O corpo inteiro estava com cor de terra, e a roupa que antes era dourada agora tava suja e esfarrapada.

Como se vê, era um zumbi. Surpreendentemente, aquele cadáver do Rei de Sandra ressuscitou do cemitério onde foi jogado. Achei que fosse obra do deus maligno, mas não tinha relação nenhuma — virou zumbi por conta própria mesmo. Deve ter apego demais a este mundo.

O rei-zumbi primeiro atacou o primeiro-ministro, trazendo-o pro seu lado. Parece que, ao ter o coração devorado por zumbi, a vítima ressuscita como zumbi também.

Depois disso, os zumbis foram se multiplicando na capital feito reação em cadeia. Como eu tava concentrado em libertar escravos das outras cidades, sem perceber nada, a capital já tinha virado cidade de zumbis.

No salão de audiências, também estavam reunidos generais-zumbi e ministros-zumbi. Todos, sem exceção, com rosto cor de terra, boca aberta desleixadamente. Alguma coisa saindo da boca, alguma coisa saindo.

— «Gufu-gufu-gufu. Eu obtive novo poder e novos escravos. Você também vai virar meu escravo. Buhihihihi.»

Ei, esse "buhihihi" aí. Depois de morto, esse cara evoluiu ainda mais pro lado de orc, não foi?

Diante do rosto de tédio que fiz, de trás do trono surgiram três homens e uma mulher — mulher, né? — de rosto parecido, tipo orc.

— «Buhi, o rancor do pai é o nosso rancor. Prepare-se.»

— «Gufu-gufu, vou arrancar as tripas e devorar.»

— «Nono-no, quequer dizer que quequero comer o cérebro?»

— «Buhihi, buhihihihi, homem vivo!»

Uwaa. Sem dúvida, são o príncipe e as princesas orcs. Até os próprios filhos ele transformou em zumbi. Mas o rosto é idêntico mesmo. Será realmente humano isso? Bom, agora são zumbis, mas.

— «Buhihihihi! Quem vai conseguir enfrentar nós, que ganhamos corpo imortal! Com esse poder, vou recuperar os escravos que fugiram, de novo pra mim!»

Ainda tá falando esse tipo de coisa, esse cara. Dizem que "idiota só se cura morrendo", mas isso é mentira mesmo. Nem morrendo se cura. Agora ficou bem claro isso.

— Já enche, viu. Podia ao menos morrer direito de vez.

— «Que barulheira! Vão lá, peguem ele!»

Corto com a Brunhild o braço do general-zumbi que atacou primeiro, mas ele avança de novo, imperturbável. Parece que não sentiu nada mesmo. Mesmo podre, ainda é zumbi… ou melhor, já tava podre desde o início.

— «Guhihihihi! Inútil, inútil! Este corpo imortal não sente dor nenhumaaaa! Seu ataque não vai…»

— [Healing].

— «UGYOWAAAAAA!! Ah, quente! QUENTE! D-DÓI!!»

— Mentiroso.

Vê que funciona? Recebendo magia de cura, o general-zumbi se contorce todo. Pra não-morto, magia de cura é o inimigo natural, afinal.

Como golpe final, joguei em cima dele o conteúdo de uma garrafa tirada do [Storage], espalhando com um "bashabasha".

— «Aaaquente!! De-derretendo!? O corpo tá derretendooo!! Que absurdo é essoooo!?»

— Que é, é água benta.

— «Água be…!? Uhiiiiiii!!»

Soltando fumaça, o general-zumbi vai desaparecendo, se evaporando de agonia. Namumandabu. Como esperado da água benta certificada pela Teocracia de Ramish. Efeito excelente.

— «Sseu maldito!! Por que você tem uma coisa dessas!?»

— Ué? Já que vou enfrentar zumbi, claro que trago isso. Aliás, também sei usar encantamento de purificação, viu.

— «O QUÊ, ISSO É…! Ku!»

Se virando de costas pro trono, o rei-porco tenta fugir correndo, cambaleando. Como se seguissem o exemplo, os outros zumbis também começam a fugir. Mesmo sendo zumbi, tão ágeis assim.

— [Slip].

— «Buguee!?»

O chão sob os pés escorrega, e todos os zumbis caem de uma vez. Com o impacto da queda, alguns quebram pescoço ou membro, e outros até têm as vísceras expostas pra fora. Zumbi não regenera. Continua vivendo, a menos que seja purificado ou o cérebro seja destruído.

— Que chato. Luz, venha, banimento resplandecente, [Banish].

Com a magia de purificação que ativei, os ministros-zumbi ao redor viram luz e desaparecem.

— «GYAAAAAAA!»

— «Não, não quero! Não quero morrer de novo!»

— «Desaparecendo, desaparecendooo!»

Deixando gritos de agonia, os ministros-zumbi desaparecem. O que sobrou foi a família real porcina inteira.

E, deixando pra trás o rei-porco ainda caído no chão, os príncipes-porco correm em minha direção e, com o impulso do salto, começam a se prostrar no chão. Primeira vez que vejo prostração saltada. Não que importe, mas o impacto do pouso quebrou a perna deles, viu?

— «Buhi, nós só obedecemos ordem.»

— «Não temos nada a ver com aquele porco.»

— «Nono-no, quequer dizer isso?»

— «Perdoa a gente, ufun.»

— «Kikiki, vocês! Vão trair o próprio pai!?»

Ainda caído, o rei-porco grita com a própria cabeça decepada. Ouvindo isso, os quatro se viram, e, em uníssono, inclinam a cabeça.

— «« «« Buhi? Quem era mesmo? »» »»

— «Kunuuuuuuu!!»

Cerrando os dentes ao ponto de estourar a veia, o rei-porco explode em raiva. Vendo isso, enquanto os quatro riem "buhihihihi", derramei em cima da cabeça deles um balde cheio até a borda de água benta.

— «« «« GYOEEEEEEEEEEEE!! »» »»

Soltando fumaça esplendorosa, os corpos dos quatro — ou melhor, dos quatro leitõezinhos — derretem. E, dessa vez, observando isso com sorriso radiante de satisfação, o rei-porco grita.

— «Buhihihihi! Bem feito! É isso que dá trair os pais, seus idiotas!»

Como direi… realmente gente sem salvação nenhuma mesmo. Com esse tipo de gente fazendo o que quiser, os escravos que morreram nem devem descansar em paz.

— Luz, perfure, lança sagrada resplandecente, [Shining Javelin].

Cravo a lança de magia de luz no corpo do rei-porco. O corpo do não-morto, atingido pela lança sagrada, pega fogo com um "bo!" e vira cinza num instante.

— «M-meu corpo…!?»

Ainda caído ao lado do trono, o rei-porco fica encarando o próprio corpo pegando fogo bem na frente dele. Certo, então. Vamos ao acabamento.

Tiro do [Storage] um aquário grande. Dentro, tem bastante água, mas não é água benta. É água comum.

E, dentro dessa água, abro um pequeno [Gate] e chamo alguns exemplares de "certo ser vivo" do Grande Rio Gau. Aquele bicho comprido, de uns 10 centímetros de comprimento total, nada livremente dentro da água. E, nesse bicho, aplico encantamento de atributo luz.

— «I-isso é o quê!?»

— É um peixe chamado candiru, que vive numa área do Grande Rio Gau. Peixe carnívoro. Adora carne podre, dizem.

— «N-não me diga…?»

— [Teleporte].

Por magia de teletransporte, a cabeça do rei-porco cai dentro do aquário. Nesse instante, os candirus todos avançam de uma vez sobre a carne podre.

— «Iiiii! Kagobo, p-para, os olho, os olhos! Os olhos vão ser comidos!»

— Uau, apetite voraz mesmo, exatamente como ouvi falar.

Candiru. Peixe carnívoro parecido com o que existia no nosso mundo, o candiru.

O candiru é um peixe fino de uns 10 centímetros que vive no Rio Amazonas e afins, um peixe carnívoro voraz, capaz de rasgar a carne de peixes grandes, penetrar no corpo e devorar as vísceras por dentro.

Parece ser parente de bagre, mas é criatura muito mais perigosa que piranha, com hábito de atacar em grupo presas maiores que ele mesmo. E isso não exclui nem humano. Dizem até que é chamado de "peixe assassino".

E o candiru manteve, esplendorosamente, exatamente esse hábito.

— «S-socorro!»

— Não dá. Se eu te salvasse, os escravos que morreram não me perdoariam. Devia ter ficado quieto lá no fundo do cemitério, depois de ter a cabeça decepada.

Lembrei dos escravos que encontrei mortos, ainda presos na masmorra subterrânea, na hora de libertar os escravos deste castelo. Não só mulheres, tinha até cadáver de criança ainda em tenra idade.

Aquele porco não sentiu dor nenhuma ao ter a cabeça cortada, morrendo de forma branda demais — foi isso que me deu esse remorso. Em certo sentido, agradeço por ele ter ressuscitado. Será que a súplica de todo mundo, "morte mais cruel pro rei-porco!", foi atendida.

— «Ugue! Gabo, sendo comido, sendo comidooo! Dói! DÓÓÓI!! Não entra, não entraaaaaa!!»

Como o candiru tem encantamento de atributo luz, deve doer demais. Sendo zumbi, também não morre sufocado. Até esses candirus terminarem de devorar completamente a carne de uma cabeça inteira, deve levar um dia inteiro.

— Aproveite pra se arrepender bem do que fez até agora. Duvido que os escravos assassinados te perdoem.

— «Bu-BUHIIIIIIIIIIIIIIIIIIII!!»

Será que zumbi morre quando perde qual porcentagem do cérebro, hein. Bom, tanto faz.

Ativo [Banish] em todos os zumbis restantes da capital, exceto o rei-porco, varrendo o resto.

Com isso, seguindo Astal, agora até a capital real virou cidade da morte. Sandra não tem mais chance nenhuma de reconstrução. Já enfraqueci um pouco o solo desta cidade com magia de terra, então, com o tempo, isso também deve afundar sob a areia.

Será que, com isso, as almas dos escravos assassinados descansaram em paz, ao menos um pouco. Pensando nisso, deixei a cidade do deserto pra trás.


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