Capítulo 272 – A Abertura da Temporada de Praia e a Invasão de Feras Gigantes
— Que calor, hein…
Assim que achei que o incidente de Sandra tinha se resolvido, já tinha virado verão completamente.
O verão de Brunhild não chega ao calor escaldante do Reino de Sandra, mas é bem quente do jeito dele.
— Vento, flua, brisa suave, [Breeze Wind].
Levantando uma brisa com magia, enquanto me refrescava com o Kohaku no terraço do castelo, a Leen apareceu. Aos pés dela, claro, a Poala vinha atrás como sempre. Ao entrar no terraço, os cabelos prateados dela em duas tranças balançaram com o vento.
— Ficando de bobeira, hein. Precisa se portar melhor, senão não dá exemplo.
— Não adianta tentar disfarçar a essa altura. Calor é calor.
Vestindo, como sempre, aquela roupa gótica-lolita preta, fico pensando se ela não é quem devia estar com calor. Mas, pensando bem, o ar ao redor dela tá bem fresquinho. Parece que ela envolveu o corpo com ar frio via magia. A Leen também tá com calor, né.
— Bom, esse calor até que aperta um pouco. Parece que tá tendo gente desmaiando na cidade também.
— Tanto assim? Precisa hidratar direitinho.
— Por outro lado, parece que a Ilha da Masmorra tá mais fresca, então tem bastante gente indo se refrescar lá. Claro que, como aparece fera mágica, só quem não é aventureiro não pode ir.
Bom, lá bate vento do mar, deve ser mais fresco que aqui mesmo. Como a diferença de temperatura é grande, acho que a noite deve ser bem fria.
— Então, é sobre uma consulta. Que tal transformar uma daquelas ilhas em balneário?
— Hã?
— Tem bastante gente que quer se refrescar no mar, né? Taxa do portão de teletransporte, venda de roupa de banho, bebida e comida — acho que dá uma chance boa de lucrar.
— Hoo, isso é uma boa ideia.
Veio uma voz de cima da nossa cabeça, enquanto estávamos sentados na mesa do terraço. Sem perceber quando, o Kōsaka-san já tinha chegado.
— Com a imigração de Sandra, a população aumentou bastante, então quanto mais dinheiro, melhor. E então, Leen-sama. Como a senhora está pensando?
Ainda sentada à mesa, a Leen abriu o mapa que carregava, mostrando pra gente.
— Sim. Primeiro, olhem isso. É o mapa daquelas ilhas. Essa ilha aqui, sem masmorra, essa linha da costa, vou transformar tudo em praia de areia rasa com magia de terra. E depois, selar completamente a entrada de fera mágica com uma barreira forte. E aí, criar um portão de teletransporte exclusivo pra cá.
— Entendo, entendo. Separado do portão de teletransporte da Ilha da Masmorra, onde a Guilda cobra taxa, é isso?
— Isso. Claro, não vai dar pra atravessar vindo de outra ilha. Vai ficar independente só nessa ilha. Depois, é só montar umas lanchonetes simples aqui, alugar equipamento pra se divertir no mar…
— Hmm, hmm. Parece que dá pra esperar um lucro considerável.
Uoooi. Não fiquem decidindo tudo assim entre vocês dois, me deixando de fora. Quem vai ser o encarregado de transformar essa linha de costa em praia, ou levantar aquela barreira forte, hein? Com certeza sou eu, né?
— …Kohaku. Eu sou trabalhador demais, né?
— «Independente da vontade do senhor, parece que sim. Aceite que confiam no senhor.»
Pode até ser isso mesmo, mas. Hoje era modo de folga tranquila, hein. Que curto que foi… Quero férias de verão.
— E, aí, tá pronto assim?
Pisando descalço na areia que virou praia, falei sozinho.
O barulho gostoso de "kyu-kyu" da areia branca cantante. Entrando no mar assim, a areia sob os pés sendo levada pela onda dá aquela sensação de cócegas engraçada.
Como quero evitar nadar longe demais e ser abocanhado por fera mágica do mar, deixei boias flutuando como marcador.
Com a barreira também impecável, não tem fera mágica perigosa. Até criança pode nadar tranquila. Mesmo assim, acidente no mar sempre acontece, então acho melhor ter equipe médica de plantão na praia também.
Por precaução, montei uma praia parecida numa outra ilha pequena, separada dessa. Aquela ali é nossa praia particular.
Nós também queremos aproveitar o mar.
— Certo, com isso tá pronto por ora. Só falta fazer o portão de teletransporte e conectar.
— «Isso pode ficar pra um pouco depois, néee~. Quero aproveitar o mar depois de tanto tempo.»
— «Hmm. Concordo com o Kokuyou. Afinal, somos as feras-guardiãs da água.»
O Kokuyou e o Sango nadavam suavemente dentro do mar. Deve estar uma delícia mesmo.
— Entendo o sentimento, mas. A praia particular vocês podem ir todo dia, viu. Por ora, vou voltar.
— «Que pena.»
Do mar, o Kokuyou e o Sango vieram boiando pra fora.
Conectando o portão de teletransporte, o que mais falta? Roupa de banho já deixei a venda a cargo da "Rei da Moda Zanack" do Zanack-san; barraquinha, deixei com a Mika-san da "Lua de Prata" e o pessoal da rua comercial; boia, bola de praia, chinelo de praia até guarda-sol e esteira de lazer, tudo isso deixei a cargo da Companhia Strain do Olba-san.
O que falta é… salva-vidas, talvez.
Do lado da Ordem de Cavaleiros, decidi deixar alguns bons nadadores de plantão como salva-vidas durante o verão. Vida de guarda-vidas, digamos assim.
Claro, os outros cavaleiros da Ordem também podem ir à praia se estiverem de folga.
Por ora, com os preparativos prontos, foi feita a abertura oficial da temporada de praia de Brunhild.
O resultado foi um sucesso total. Exatamente como a Leen e o Kōsaka-san previram, a praia ficava lotada de banhistas todo santo dia. Deve ter se espalhado o boato, porque até gente vinda de vilas próximas de Belfast e Regulus chegava pro mar.
Bom, de fato, não tem mar nessa região, então talvez seja um bom ponto de lazer acessível mesmo.
Com gente se aglomerando, naturalmente aumentam os conflitos também. A Ordem de Cavaleiros era acionada todo dia pra resolver isso. Hmm, será que acabei aumentando o trabalho deles? Depois vou dar um bônus especial do meu bolso.
— Certo, hoje é o dia de finalmente relaxar de verdade.
— Você andou ocupado ultimamente mesmo, Fuyuya-san.
Debaixo do guarda-sol, deitado na cadeira de praia, a Yumina, de maiô branco com babados, veio falar comigo.
Aqui, na praia particular de Brunhild, só os íntimos brincavam no mar.
A Elsie, a Yae e a Hilda estavam com a irmã Moroha jogando quebra-melancia; a Lindsey e a Leen conversavam debaixo do toldo; a Lu preparava o almoço junto com a Clara-san; a Sue e a Sakura, com a irmã Karen, faziam bola de praia quicar no mar.
A irmã Karina segurava um arpão e caçava peixe mergulhando de fôlego; a Suika, como sempre, bebia até ficar bêbada. Aliás, o tio Kōsuke não veio. A música havaiana de ukulele que ecoava de algum lugar deve ser do tio Sōsuke.
— Um jovem homem, relaxando largado nesse estado de harém, hein… Que mestre patético.
— Deixa quieto.
A Shesca, trazendo drinque tropical, soltava umas coisas de dar má fama. Harém, ela fala assim, mas mesmo que não dê pra ver, o Sōsuke-nii tá em algum lugar também, né.
Também convidei o pessoal dos Números de Babylon, mas a Doutora, a Rosetta e a Monica estão ocupadas com desenvolvimento e manutenção, a Riola não pode deixar sozinha a Noel que continua dormindo como sempre, a Fam nem sai da "Biblioteca". A Flora eu queria que ficasse na enfermaria do castelo, pra caso aconteça algo, e a Paruche e a Tica… como são desastrada e lolicon, é perigoso.
— Por que o mestre é tão sem graça assim, hein? Devia dar uma olhada mais insistente nas mulheres de maiô, não? …Ah, será que como o mestre consegue enxergar através da roupa com o poder ocular dele, não tem necessidade?
— Não consigo fazer isso, não!
A Yumina fica com o rosto vermelho e tenta cobrir o corpo com as mãos. Não dá, viu, não! …Será que, se eu usasse o olho divino, talvez conseguisse ver, mas. Não pretendo usar. …Por ora.
Afastando a Shesca, consegui de algum jeito desfazer o mal-entendido da Yumina. Se as outras também acharem que tenho esse poder, vai dar problema.
Haa, que saco.
— Seria bom se pudesse chamar o papai também, como antes.
— Ah… se chamar, não só Belfast, os outros reis provavelmente também vão querer vir, né…
Nesse estado de caos, sinceramente não daria pra relaxar. Chamar depois até tudo bem, mas hoje quero pedir que me poupem.
— Até pouco tempo atrás, era impossível todos os reis dos países se reunirem assim, e agora parece meio estranho, sabe?
— Se dá pra se dar bem, é melhor assim mesmo. Bom, tem uns que simplesmente não dá pra se dar bem de jeito nenhum, mas.
Tipo o caso de Sandra dessa vez.
Diferente da vez de Eurono, dessa vez a queda de Sandra teve minha participação direta. Foi eles que puxaram o gatilho da luta, mas.
No fim, acabei fazendo do jeito que os outros reis falaram, o que é meio incômodo, mas não tem jeito. Um alívio é que a má fama não ficou tão alta quanto na vez de Eurono. Talvez seja graças aos ex-escravos que se espalharam pelo mundo todo.
《Senhor, posso falar agora?》
《Hm? Kōgyoku? O que foi?》
De repente, chegou comunicação mental da Kōgyoku, que estava no castelo. Será que aconteceu algo?
《Sim. É sobre aquela ilha. Parece que, das quatro cidades protegidas por barreira ao sul dela, uma delas está sendo atacada por feras gigantes agora mesmo.》
《Feras gigantes? Mas se não me engano, a cidade daquela ilha tinha catapulta e balista grande equipadas, né? Não é impossível repelir, né?》
《Normalmente sim. Mas, cercada por várias feras gigantes ao mesmo tempo, é outra história.》
Ara-ara. De fato, isso é osso duro pra barreira aguentar mesmo. Por mais que seja, deve ter um limite.
Barreira física de defesa que impede invasão é tipo um escudo feito de energia mágica.
Mas a diferença de um escudo comum é: por exemplo, escudo ou armadura normal, mesmo com força pequena, se receber golpe repetidas vezes no mesmo lugar, um dia acaba se rompendo. Igual gota d'água perfurando pedra, com tempo suficiente.
Só que, no caso de barreira mágica, se ela aguenta força de 10, não importa quantas vezes receba força de 9 no mesmo lugar, não acontece nada. Porque não existe desgaste parcial.
O problema é que, recebendo ataque que ultrapassa a força de 10, ela simplesmente desaparece, sem aviso.
Se a barreira da cidade aguenta até 10, e o ataque da fera gigante é 9, deveria aguentar tranquilamente. Mas, se são vários atacando ao mesmo tempo… se por acaso atacarem simultaneamente, recebendo força de 18, a barreira de 10 pode se romper.
Bom, isso é só minha suposição — pode ser que a barreira aguente até 100, ou que o ataque da fera gigante seja força 3, sei lá.
E também, será que as feras gigantes têm inteligência suficiente pra atacar em conjunto. Pode ser coincidência também.
《Mas… por que raios foram atacadas por várias feras gigantes de uma vez, afinal?》
《Parece que alguns caçadores de feras gigantes falharam na caçada e fugiram pra dentro da cidade. E, pra piorar, os que fugiram pra lá eram de três grupos diferentes.》
Parece que as feras gigantes que se encontraram por acaso na cidade do sul, por algum motivo, não brigaram entre si, e continuaram atacando a cidade juntas. Será que causaram raiva demais nelas. As feras atacando são três:
Fera gigante tipo macaco, Heavy Kong.
Fera gigante tipo javali, Ground Boar.
Fera gigante tipo boi, Power Bison.
É como se chamam, ao que parece.
Na cidade, parece que estão tentando focar em uma primeira, e, mesmo que não consigam derrotar, ao menos repelir.
Mas, pra isso, precisam sair da cidade e lutar, arriscando sacrifício.
Por outro lado, também tem gente achando que, se continuarem entrincheirados assim, as feras gigantes eventualmente vão recuar. Mas, se a barreira for rompida, só resta o extermínio total.
《"Atacar antes de ser atacado" ou "reforçar a defesa e deixar o destino nas mãos do céu"》
Certo, o que fazer. Se for pra intervir nessa ilha, talvez seja agora a hora. Não que eu queira criar dívida de gratidão, mas pode virar um gancho pra conversa.
Só de avisar que existe um continente fora da ilha, e que os países de lá desejam comércio, já basta. E também que, se a barreira da ilha for retirada, diminui a chance de nascer fera gigante nova.
Só de transmitir nosso pensamento, já valeria a pena intervir, será.
São três feras gigantes, então acho que basta levar o trio de linha de frente, Elsie, Yae e Hilda. A máquina da Lu ainda precisa de mais um pouco de ajuste.
A máquina da Lu é do tipo troca de equipamento pra combate de guerrilha, então tem muitas peças de equipamento. Por isso, precisa de ajuste pra cada combinação, e o lançamento demora mais tempo.
— Certo, então vou me preparar. Que férias curtas, hein.
— Sempre dá pra vir de novo quando quiser.
Recebendo o consolo da Yumina, fui em direção à Elsie e as outras, que comiam a melancia quebrada.
Ah, é verdade, preciso preparar o pessoal da Ordem de Cavaleiros também. Se eu for só com três Frame Gears, podem me subestimar.
Não gosto muito de exibir força assim, mas já confirmei que, no caso de Sandra, foi um método eficaz.
É só pra abrir caminho pra conversa mesmo. Bom, se atacarem sem mais nem menos, vou ter que neutralizar, né.
Espero que dessa vez o adversário não seja idiota.