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Isekai wa Smartphone to Tomo ni – Capítulo 273

As Três Feras Gigantes e Parelius

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Capítulo 273 – As Três Feras Gigantes e Parelius

Peguei emprestada, por um instante, a visão da fera invocada que atravessou até aquela ilha, memorizando a paisagem, e abri [Gate].

Pelo efeito da barreira de "dispersão de energia mágica", a energia mágica gasta pra usar [Gate] custou mais de cinco vezes o normal. Dá a sensação de que, se eu parar de fornecer energia mágica continuamente, o efeito se desfaz. De fato, com isso, uma aeronave voadora a energia mágica ficaria sem combustível rapidinho e cairia.

— Ooh, tão dando duro, hein.

A cidade ao sul da ilha aparece à distância. Parece bem uma cidade-fortaleza mesmo, com muralha alta cercando tudo ao redor, e balistas de grande porte instaladas em cima e nas laterais do muro.

E, cercando essa cidade, tinham três feras gigantes.

O macaco-gigante de pelagem cor de cobre, atacando sem parar a barreira de energia mágica, Heavy Kong. O javali-gigante que mantém distância e repete investidas em disparada, Ground Boar. O boi-gigante que golpeia com o chifre enorme feito uma broca, Power Bison.

No Ground Boar, especificamente, choviam flechas de balista vindas da muralha.

— Hee, então é uma barreira de energia mágica que só impede invasão. Bom, faz sentido mesmo.

Se impedisse até por dentro, não daria pra atacar de dentro pra fora. Aliás, a barreira instalada nos castelos reais de cada país também costuma ser desse tipo.

Mas parece que a balista de grande porte não tá tendo muito efeito. Algumas flechas até cravaram, mas a maioria foi repelida pela pelagem grossa. Aquela pelagem tem o mesmo tipo de encantamento de endurecimento mágico. Provavelmente.

Só de olhar assim, de relance, a durabilidade da barreira já parece suspeita. Pelo meu cálculo, se a barreira aguenta força 10, o Heavy Kong tem poder 3, o Ground Boar tem poder 5, e o Power Bison tem poder 4.

Se for até dois atacando ao mesmo tempo, talvez aguente, mas se os três sobrepuserem simultaneamente, aquilo racha.

— Não parece que vai dar tempo de conversar antes. Vou fazer do meu jeito mesmo.

Tirando o smartphone do bolso, confirmei por telefone os preparativos de todo mundo em Brunhild, e abri [Gate] no céu à minha frente.

Do portão de teletransporte aberto, Frame Gears desceram um atrás do outro. Com um zunido, zunido, zunido, sacudindo o solo, o número que pousou no chão: cem unidades.

— Certo, então a Elsie fica com o Heavy Kong, a Yae com o Ground Boar, a Hilda com o Power Bison. Os outros ficam em espera. Pode ter mais fera gigante por aí, então não relaxem.

— Entendido.

As três máquinas da Elsie e das outras correm cada uma em direção à sua fera gigante.

As feras gigantes também perceberam a nossa presença, e começaram a tomar postura de ataque contra os Frame Gears que se aproximavam de cada uma.

Primeiro, o Heavy Kong avança contra a Gerhilde da Elsie. Mas o Frame Gear vermelho-carmesim desvia com leveza do soco direto violento do Kong, e, quase feito contra-ataque em cruz, desfere um golpe no peito do adversário.

— [Explosão].

Com um "don!", o Pile Bunker disparado atravessa o peito do Heavy Kong. Jorrando quantidade absurda de sangue, o Kong tomba esplendorosamente no chão.

Enquanto isso, o Ground Boar e a Yae se enfrentavam. Avançando feito bala em direção à Schwertleite pilotada pela Yae, o Ground Boar é cortado ao meio, de frente pra frente, num único golpe. Surpreendentemente simples assim. Exibindo o corte limpo, o javali partido ao meio tomba.

A Sieglinde montada pela Hilda faz o mesmo — recebe o Power Bison que avança com o escudo, e corta o pescoço com a espada, feito guilhotina.

Fim do combate. Os três juntos não levaram nem um minuto.

As três máquinas que derrotaram as feras gigantes se afastam um pouco da cidade-fortaleza, e ficam em fila diante do portão principal. De trás delas, alinhadas em fileira, saem do meio dos Frame Gears, avançando pra frente, a máquina branca imaculada do comandante, o Cavaleiro Branco.

Pulo no ombro dessa máquina, e projeto no ar da cidade vários alto-falantes planos construídos com magia, pra que se ouça na cidade inteira. Ligo o microfone do smartphone e falo em direção à cidade-fortaleza.

— Somos gente vinda do continente ao sul, do Principado de Brunhild. Não temos intenção hostil. Desejamos diálogo com o representante da cidade. Peço resposta dentro de uma hora.

O motivo de eu ter dito "dentro de uma hora" foi só pra arrastar alguém pra fora sem dar chance de recusa.

Também juntei essa quantidade toda de Frame Gears pra não deixar surgir a ideia de "tá tudo bem, já que temos a barreira, não importa o que eles façam". Preciso mesmo que saiam. Digo que não sou hostil, mas, se não saírem, quem sabe o que pode acontecer — se conseguir passar essa impressão, já é sucesso.

O ideal seria que saísse o prefeito ou senhor feudal, alguém assim, mas talvez estejam pensando "pode ser que sejamos mortos". Tanto faz se for mensageiro. Por ora, só quero um gancho pra começar a conversa.

Chamei o Kōgyoku, pra reportar a situação dentro da cidade.

— «Parece que a cidade inteira tá em alvoroço. Estão nos vigiando com luneta enquanto preparam balista de grande porte e catapulta também.»

— Faz sentido mesmo.

Não sei que conclusão vão tirar lá em cima, mas pelo menos preparar pra combate é natural.

Pelo que ouvi, ainda não chegaram a uma conclusão.

Como algum movimento estranho pode fazer voar flecha de balista de grande porte, ficamos parados em espera o tempo todo. Que tédio. Deitado de lado no ombro do Cavaleiro Branco, fico olhando pro céu vagamente.

— Majestade. O portão vai abrir.

— Ooh, será que vão sair?

Diante da fala da Rain-san, que monitorava do cockpit do Cavaleiro Branco, pulei de pé e saltei direto pro chão.

Do portão da cidade, vinham em nossa direção, em fila, cavaleiros montados a cavalo. Todos completamente equipados com armadura corporal inteira, um visual bem imponente.

O design da armadura é bem diferente. Talvez pareça meio antigo porque não desenvolveram muito desde a época da civilização de Parteno. Se quase não tiveram guerra entre humanos, faz sentido que fosse assim mesmo.

A uns 10 metros de mim, na frente dos Frame Gears, os cavaleiros pararam, e, do meio deles, avançou um cavaleiro de armadura ainda mais robusta, com uma capa por cima.

Esse cavaleiro de armadura, ao chegar na minha frente, desceu do cavalo e caminhou devagar até mim. O capacete era do tipo que lembra o corinto da Grécia antiga, com protetor de nariz em formato de T na frente do rosto, e um enfeite tipo crista de galo no topo.

Como não é o tipo de elmo fechado, tipo bacinete ou armet, que a gente vê em filme ou anime, cobrindo quase todo o rosto, dava pra ver claramente o rosto desse cavaleiro.

Um homem grande de expressão severa. O olhar dele fica direto em mim. Por ora, não vejo sentimento de raiva ou ódio nele…

— Sou o representante da cidade sul, Meridies, um dos Quatro Grandes Discípulos, descendente de Freiant South, Diente South. Agradeço a ajuda de hoje. E, quem é o senhor?

— Sou Mochizuki Touya, Príncipe do Principado de Brunhild. Prazer, representante Diente.

Quando me apresentei, ele pareceu surpreso — não devia esperar que eu fosse rei — mas apertou a mão que estendi, mostrando ao menos postura amigável. Um passo à frente, digamos.

— Vossa Majestade disse que veio do continente ao sul… o mundo não foi destruído, então?

— Entendo. Então esta ilha realmente cortou o contato com o mundo externo antes de Parteno cair. O mundo não foi destruído. Existem vários países.

Projeto no ar, a partir do smartphone, o mapa do mundo. Uma versão completa, já processada incluindo essa ilha também.

— Este é o mundo de hoje.

— Ooh…

O representante Diente olha pro mapa projetado no ar.

— Aqui é essa ilha. O Principado de Brunhild fica aqui. É um país bem pequeno, mas essa arma-gigante… chamamos de Frame Gear, o legado de Parteno, digamos assim — só o nosso país possui essa força. Por isso, nosso país nunca sofreu invasão de nenhum outro país.

— Mas que…!

Não queria que subestimassem Brunhild pelo tamanho pequeno, então exagerei um pouco na fala. Mas o fato de nunca termos sido invadidos é verdade mesmo. Recém-fundado no ano passado, aliás.

— Nós achávamos, sem sombra de dúvida, que o mundo externo tinha sido destruído e dominado pelos demônios de cristal…

— De fato, como civilização, deve ter sido destruído uma vez. Mas está se reconstruindo assim, como veem. Por ora, que tal conversarmos sobre as dúvidas que cada lado tem? Depois disso, tenho um assunto que gostaria que ouvissem.

— …Hmm. De fato.

Tiro do [Storage] uma mesa grande e cadeiras, montando ali mesmo. O representante Diente ficou de olhos arregalados com a mesa surgindo do nada, mas se sentou timidamente na cadeira.

Primeiro, ficou claro o nome desta ilha. Chama-se Ilha Parelius. Vem do nome do mago de Parteno chamado "Sábio do Tempo", Arrelias Parelius.

Há 5000 anos, Parelius entrou sozinho nesta ilha então chamada "Ilha Maligna", descobriu uma estrutura que podia ser chamada de barreira natural, e decidiu fazer daqui o campo de experimentos da própria magia.

Eventualmente, Parelius morreu em Parteno, e, quando a invasão dos Phrase começou, os discípulos de Parelius, pressentindo o perigo, evacuaram rapidamente a família e os companheiros da terra natal pra esta ilha.

Pra impedir a entrada dos Phrase, usaram até o tesouro secreto deixado por Parelius pra reforçar a barreira. Como resultado, esta ilha ficou isolada do mundo externo, e também impossibilitada de sair.

Diante da terrível invasão dos Phrase, os quatro discípulos e seus companheiros, convencidos de que o mundo humano tinha sido destruído e virado mundo dominado pelos Phrase, decidiram viver nesta ilha — e assim chegaram até hoje.

— Então realmente estavam presos aqui mesmo.

— Não, nós achávamos que o mundo externo tinha sido dominado pelos demônios de cristal… os Phrase, é? Por isso… Não pensávamos que estávamos presos. No passado, alguns chegaram a zarpar rumo ao mundo externo, mas todos acabaram voltando pro mesmo lugar.

Deve ser por causa da barreira de "desvio de rota". Uma barreira que usa a névoa de energia mágica que paira no mar próximo desta ilha.

Já entendendo mais ou menos sobre esta ilha, decido trazer o assunto principal.

Pergunto se não teriam interesse em remover essa barreira e ter intercâmbio com outros países, e explico que, removendo a barreira, diminui a chance de nascer fera gigante.

— O problema é que, removendo a barreira, também surge a possibilidade de os Phrase aparecerem, mas…

— Não… isso provavelmente não tem relação. Porque os tais Phrase já apareceram nesta ilha.

— Quê!?

Ouvindo o relato, parece que apareceram umas duas vezes nos últimos dois anos. Ambas as vezes eram espécie inferior sozinha, e conseguiram derrotar de algum jeito, mas o surgimento do monstro descrito na lenda de 5000 anos atrás causou pavor no povo.

Mesmo a barreira impedindo a invasão dos Phrase, não conseguia impedir o surgimento deles.

Ou seja, Phrase surgidos em outro lugar não conseguem chegar até a ilha, mas o surgimento direto dentro da ilha a barreira não consegue impedir, ao que parece.

Então, pra que serve essa barreira, afinal? Não impede o surgimento de Phrase, não deixa sair pro mundo externo, e ainda gera fera gigante. Não tem nada de bom nisso.

— De fato, é exatamente isso. Só que, não leve a mal, mas ainda não podemos aceitar tudo o que Vossa Majestade diz como verdade absoluta. Não temos meio de confirmar até onde é verdade.

Bom, de fato. Faz sentido não conseguir engolir tudo que uma pessoa desconhecida, aparecida do nada, diz sem questionar.

— E também, não posso decidir isso sozinho. Preciso falar com os representantes do norte, leste e oeste, e também consultar a Senhora Central do templo central…

— Senhora Central?

— A Senhora Central Parelius. Descendente do Sábio do Tempo, Arrelias Parelius, é quem protege a barreira desta ilha e o "Portão", legado de Parelius.

— "Portão"?

— Um artefato mágico que o Senhor Parelius tentou construir a vida inteira. Dizem que, se completado, poderíamos partir pra uma nova terra. Os Quatro Grandes Discípulos herdaram o projeto, mas não conseguiram completá-lo.

Seria algum tipo de portão de teletransporte? Será que tentaram usar isso pra escapar desta ilha? Mas, se foi Parelius quem tentou construir, isso foi antes mesmo dos discípulos chegarem nesta ilha, né. Como assim?

Talvez os discípulos tenham transformado aquele "Portão" que Parelius tentava construir em portão de teletransporte, tentando voltar pro mundo fora da barreira. Sendo coisa de 5000 anos atrás, é bem possível que a transmissão oral tenha se distorcido.

— De qualquer forma, será que dá pra conversar com essa Senhora Central e os outros representantes. Se decidirem recusar essa proposta, tudo bem também. Nesse caso, ao menos nós não vamos mais pisar nesta terra. Se a barreira não for rompida, os outros países também não devem conseguir interferir.

— …Entendido. No sentimento pessoal, desejo a libertação dessa barreira. Já estou cansado de viver com medo de fera gigante.

— Claro, quando chegar essa hora, aceito de bom grado eliminar as feras gigantes. Como recompensa, basta me dar o material delas.

Com o representante da cidade sul, Meridies, o Diente, prometi retornar dentro de duas semanas, e deixamos a ilha.

Por ora, sensação nada ruim. Ainda bem que não deu confusão igual Sandra.

Mesmo assim, quem será que consertou, há 5000 anos, as rachaduras da "barreira do mundo" espalhadas pelo mundo inteiro. Achava que fosse o Parelius, mas parece que ele morreu antes da "barreira do mundo" ser consertada.

Então, pensando que talvez tenham sido os discípulos, parece que os quatro discípulos mal conseguiram dar conta de se trancar nesta ilha.

Será outra pessoa… ou algum outro fator? A barreira adicional que os discípulos aplicaram nesta ilha, usando o tesouro secreto do Parelius, teria afetado as rachaduras espalhadas pelo mundo… não, não, não. Que complicado demais isso. Além do mais, se foi resultado de coincidência, seria difícil repetir de novo.

No fim, será que não resta outra saída além de eu mesmo conseguir consertar a rachadura do mundo. Pra isso, parece que precisaria de um controle bem delicado de poder divino. Segundo os deuses, precisaria de uma precisão capaz de consertar teia de aranha com a mão nua…Haa…

Sinto que seria mais fácil esmagar todos os Phrase de uma vez. Mas parece que, se a "barreira do mundo" ficar cheia de buracos, outros efeitos ruins também aparecem. Não é só Phrase que consegue atravessar mundos. Só de pensar em surgir um segundo, terceiro Phrase, já não quero nem imaginar.

Quem sabe essa tal Senhora Central, que dizem ser descendente do Parelius, consiga me ensinar algo sobre a barreira.

Vou nutrir um pouco de esperança nisso. Também tenho certa curiosidade sobre o legado do Parelius.


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