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Isekai wa Smartphone to Tomo ni – Capítulo 275

A Ativação e a Terra Desconhecida

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Capítulo 275 – A Ativação e a Terra Desconhecida

O último andar do templo era todo aberto num vão só, do primeiro andar até o topo, e, por cima da parede externa alta, dava pra ver o céu. Tinha bem o formato de um Coliseu sem as arquibancadas.

No chão inteiro, estava desenhado um círculo mágico nunca visto, reunindo vários padrões geométricos diferentes, e, bem no centro, estava "aquilo".

De fato, só dá pra chamar de "Portão" mesmo. Não tem porta nenhuma, só dá pra ver uma entrada em formato de arco. Parece o Arco do Triunfo francês em miniatura, brilhando prateado, mas, na parte de cima, tem algo tipo o disco de um medidor de eletricidade, e, no topo central do arco, algo tipo um tacômetro em formato de meia-lua.

O material seria metal? Com esse brilho, não parece nada ter passado 5000 anos.

— Posso tocar?

— À vontade, por favor.

Com a permissão da Guia Central, toco a mão nele. Pela sensação fria, confirmo que é metal mesmo. E dá pra sentir que tem energia mágica embutida, formando um fluxo complexo.

— Parece bem duro, hein.

— Nem oricalco, nem mithril… é um metal que nunca vi.

Balançando a cabeça diante do comentário da Yae, que também tocava o portão do mesmo jeito, bato de leve com as costas da mão. Metal, com certeza é.

— Hmm. "Cronotium", hein. Nunca vi um com pureza tão alta assim.

A Doutora, descendo do Kohaku, tateia o portão. Ouvindo isso, a Guia Central arregala os olhos.

— Reconhecer só de olhar assim… Vossa Majestade, quem é essa criança?

Bom, faz sentido se assustar, sendo uma menina com aparência de menos de 10 anos.

— Essa é a Doutora Regina Babylon. É nossa técnica de magi-engenharia. Posso deixar ela analisar esse portão com a magia nula dela? Acho que devemos descobrir alguma coisa.

— Hã!? Ah, ah, sim, tudo bem, mas…

Deve estar mais surpresa com o fato da menininha na frente dela ser magi-engenheira do que com a magia nula em si. Os outros quatro representantes atrás também, com olhar entre espantado e desconfiado, concentrado na Doutora.

Sem se importar nem um pouco com isso, a Doutora toca o "Portão" com as duas mãos, concentra energia mágica, e ativa a magia de análise.

— [Analyze].

Deve estar organizando as informações que fluíram pra cabeça dela. De vez em quando, a Doutora resmunga "hmm" ou "hã?", franzindo a testa.

Discretamente, também tentei [Analyze], mas desisti de entender em uns dois segundos. Dá pra entender o material e a estrutura, mas não faço a menor ideia de por que cada parte funciona daquele jeito. Falta conhecimento demais. E capacidade de entendimento também.

— Uma fórmula estrutural nunca vista. De fato, isso é coisa séria mesmo. Magia de teletransporte e magia espaço-tempo… sem dúvida é um artefato mágico com efeito parecido com o [Gate], mas… por que não especifica o eixo de coordenadas? Não, mais que não especificado, é como se, desde o início, isso nem tivesse sido considerado… o consumo de energia mágica pra ativar é absurdamente alto. Assim…

Deixando a Doutora resmungando, absorta no próprio mundo, decido puxar assunto com a Guia Central.

— Esse artefato mágico foi deixado por Arrelias Parelius, é isso?

— Sim. Nosso ancestral, Arrelias Parelius, transformou esta Ilha Parelius em seu campo de experimento de magi-ciência. Parece que este próprio templo serve de base pra este "Portão". Antes de completar, o Parelius faleceu, e os quatro grandes discípulos herdaram o projeto, mas, segundo a tradição, nunca conseguiram completá-lo, …

— Não, num certo sentido, isso tá completo. Isso aqui.

Cortando a fala da Guia Central, a Doutora, tirando a mão do "Portão", enxuga o suor da testa com a manga do jaleco enorme demais.

— O efeito ou a finalidade, não dá pra saber sem ativar, mas a fórmula de ativação de energia mágica tá completa sim.

— Então por que não ativa mesmo passando energia mágica?

— Simples. Falta energia mágica suficiente pra ativação.

Faltar energia mágica… Achei que, pelo tamanho deste portão, não precisaria de tanto assim. Não me diga que tem embutida uma fórmula mágica de teletransportar a ilha inteira. Será que o formato de portão é só disfarce?

— Faltar energia mágica de ativação…? Minha própria quantidade de energia mágica é razoavelmente alta, e mesmo assim está dizendo que não é suficiente?

A Guia Central pergunta à Doutora, desconfiada.

— Deduzindo, mesmo que sua energia mágica seja alta, no máximo equivale a umas duas, três pessoas, né? A diferença é de outra ordem de grandeza. Pra ativar essa fórmula mágica, precisaria, no mínimo, de energia mágica em escala de 100 mil pessoas.

— Ce… cem mil!?

— E ainda por cima, isso pra uma ativação que dura menos de um segundo. Não tem como ativar isso normalmente. Mesmo uma pessoa só carregando energia mágica todo santo dia, levaria uns 300 anos.

Trezentos anos carregando energia mágica todo dia pra ativar em menos de um segundo… que ineficiência absurda é essa.

A Guia Central, é claro, mas os quatro representantes atrás também ficam atônitos.

Só a Yae, que não usa magia, fica com a cabeça inclinada. Deve não estar entendendo direito.

— Parece que, pra conseguir essa quantidade de energia mágica, eles tentaram embutir uma fórmula mágica de amplificação, mas não tá funcionando direito. Provavelmente, se conseguissem completar só essa parte, bastaria uma centésima parte disso.

— Então, se completar, seria possível ativar em três anos?

— Bom, teoricamente, sim.

Três anos, hein. Isso até parece mais realista. Se fizer com três pessoas, dá em um ano; com 36 pessoas, dá num mês.

Quando eu disse isso, ela explicou que misturar energia mágica de várias pessoas não deixa a ativação fluir bem, então não recomenda.

Energia mágica tem, digamos, um comprimento de onda ou uma cor individual de cada pessoa. É diferente pintar uma tela por 36 dias usando uma cor só, tirada de uma caixa de 36 tintas, e pintar rabiscando com uma cor diferente por dia, durante 36 dias. Se quiser energia mágica pura e uniforme, é melhor fazer sozinho.

— Então, isso é inacabado, e…

— Tá completo, mas inacabado. Bom, se o Touya-kun estivesse aqui, provavelmente conseguiria ativar.

— Ah… imaginei que ia dar nisso mesmo.

Diante do olhar travesso da Doutora, coço a cabeça.

— O… o senhor já demonstrou que a quantidade de energia mágica de Vossa Majestade é alta, com aquele feito de teletransportar aqueles soldados-gigantes todos… mas exatamente quanto de energia mágica…

— Sei lá? Como quase nunca diminui muito, não sei dizer direito. No estado atual, já estou usando centenas de espíritos invocados, e mal diminui.

Somando o Kohaku e os outros quatro deuses-guardiões, mais os subordinados deles, nem sinto diminuir nada. Ainda mais depois de despertar o poder divino. Sinceramente, já fugi do comum há tempos. Bom, isso já é meio óbvio a essa altura.

— Bom, acho que dá pra ativar sim. Er… vou perguntar por via das dúvidas, mas, posso ativar?

— S-sim. Se pudermos descobrir o que o Senhor Arrelias Parelius pretendia fazer, então…

Já que recebi permissão, ainda que provisória, da Guia Central, decidi fazer os preparativos.

Pelo formato e pela fórmula de teletransporte, deve abrir um portão de teletransporte, tipo [Gate]. Mas não sei pra onde neste mundo isso se conecta.

Igual quando encontrei o "Jardim Suspenso" da Shesca, se abrir dentro do mar, vai ser um problema grave. O relevo mudou bastante desde 5000 anos atrás, também.

— Como escolta, não posso permitir que Touya-dono se exponha a perigo…

— Bom, aonde quer que eu vá parar, sempre consigo voltar. E, se acontecer algo, dou conta.

Convencendo a Yae relutante a esperar aqui, montamos uma barreira de proteção em 360 graus ao redor do "Portão". Mesmo que abra dentro do mar, essa barreira em meia-esfera consegue proteger. Nesse caso, basta fechar o "Portão" na hora.

— Certo, vamos tentar então.

Afastando todo mundo, toco no "Portão". Assim, começando a passar energia mágica, o disco na parte de cima do "Portão" começa a girar, e o ponteiro do tacômetro instalado no centro começa a se mover. Haha, então é esse o indicador de carga de energia mágica.

Ao injetar energia mágica de uma vez, o disco começa a girar em velocidade absurda, e o tacômetro sobe de repente até a metade. Junto com isso, o círculo mágico gravado no chão sob o portão começa a brilhar e se expandir.

— Ooh…!!

— Isso é…!

As pessoas ao redor estavam surpresas, mas eu também estava surpreso, de um jeito diferente. Mesmo tendo injetado bastante, ainda não enche? O "Portão" continua absorvendo energia mágica sem parar, e, eventualmente, não só o círculo mágico, mas o próprio templo começa a brilhar. O tacômetro já entrou em 80%.

Surge uma distorção no espaço dentro do "Portão". Falta pouco pra abrir o portão de teletransporte. Confirmando isso, injeto mais energia mágica.

Quando, finalmente, o tacômetro marca 100% completo, dentro do "Portão" surge uma paisagem diferente. Dá pra ver árvores e céu. Não parece ser um lugar perigoso.

— Conectou, é?

Como parar de passar energia mágica pode fazer fechar, me movo pra frente mantendo a mão tocando.

— Certo, vou dar uma olhada rápida ali.

Avisando levemente pra todo mundo, dou um passo dentro do "Portão".

Sensação estranha.

Tipo atravessar uma membrana de borracha fina com resistência leve.

Como se quisesse afastar de vez esse leve desconforto, atravesso o corpo pra fora do "Portão" de uma vez.

Logo recupero a sensação de pisar em terra firme, e me vejo de pé no meio de uma floresta desconhecida.

Me viro pra trás, mas não tem nada lá. Deve ser um portão de teletransporte de mão única mesmo.

Sinto bastante cansaço. Sensação de ter perdido quase metade da energia mágica. Mas já tá se recuperando rapidinho.

Certo, onde será que é isso aqui. Grande Selva… não é. Parece floresta comum mesmo.

Tiro o smartphone, tentando abrir o mapa.

— Ué?

Por algum motivo, não abre. O quê? Será que esta floresta em si tem uma barreira aplicada? Isso também seria obra do "Sábio do Tempo" Arrelias Parelius? Não, o Arrelias Parelius não conseguiu completar o "Portão". Não faz sentido isso.

Por ora, tento ligar pra Yae, mas também não conecta. A comunicação mental com o Kohaku, do mesmo jeito. Será uma barreira de bloqueio bem poderosa mesmo?

Tentando usar magia de vento por experiência, funcionou normal, então não parece que a magia em si está selada.

Pensando nisso, do fundo da floresta à frente, veio um grito de alguém e um som tipo árvore caindo.

Corro imediatamente naquela direção, atravessando a floresta densa, e acabo saindo num lugar tipo estrada. As árvores ao redor estavam derrubadas pela raiz. Que isso.

E o que vi ali foi um dinossauro de duas cabeças, tipo um Tiranossauro pequeno, atacando uma carruagem de metal.

— Que bicho é esse, afinal…!?

O motivo de eu franzir a testa sem querer foi porque aquele dino-de-duas-cabeças tipo Tiranossauro era uma fera mágica nunca vista.

Mas, mais do que isso, o que prendia meu olhar era algo ainda mais nunca visto.

Uma carruagem de metal… normalmente, carruagem é puxada por cavalo. Deve estar pensando "que óbvio isso", mas aquilo ali na minha frente não era puxado por cavalo nenhum.

Comparando… caranguejo? Tinha várias pernas dos dois lados, sem pinça, mas o formato lembrava bastante.

Só que o fato de ser um caranguejo mecânico é que estava fritando meu raciocínio. E, além disso, a própria carruagem puxada também não era uma carruagem comum — era, isso mesmo, tipo um "ônibus". Será que dá pra chamar de "caranguibus"?

— Será algum tipo de artefato mágico…?

Enquanto murmurava isso sem querer, o dino-de-duas-cabeças acerta um golpe forte de corpo no caranguejo, atingindo a carruagem junto. Ao mesmo tempo, ecoaram vários gritos de dentro da carruagem. Ops, não é hora de ficar só olhando.

— Fogo, venha, coluna de fogo do inferno, [Inferno Fire].

Com minha magia, o dino-de-duas-cabeças fica envolto de repente numa coluna de fogo. Enquanto ele se debate de dor, mirando o momento em que se afasta da carruagem, saco do [Storage] a Brunhild em modo lâmina e corto as duas cabeças de uma vez.

Com um tremor de terra, o dinossauro sem cabeça tomba no chão.

O caranguejo mecânico recupera a postura, e, de dentro da carruagem, algumas pessoas espiam. Parece que estão bem.

Um dos homens vem caminhando até mim, falando comigo com um sorriso no rosto.

— Atihsamirakusat.uotagiraomuod.

— …Hã?

Ah não, não tô entendendo a língua. Ué? Aqui não é dentro da área de idioma comum?

— Consegue falar o idioma comum?

— Era? Akusedatakonukokiag? Anadabotokianonotokatiik…

Ah não. O senhor de barba parecido com comerciante, na minha frente, também parece confuso por não conseguir se comunicar.

Não tem jeito. Se não dá pra entender a língua, não tem o que fazer.

Sinalizo com gestos que não tenho intenção hostil, e estendo a mão. Aí ele também estende a mão de volta, apertando a minha. Que bom. Então existe cultura de aperto de mão aqui. Essa magia só funciona com contato físico, afinal.

— [Translation].

A energia mágica que fluiu de mim chega até ele, absorve a informação, e volta pra mim de novo.

— Consegue entender agora?

— A-ah, o senhor fala Arento! Que bom, eu não sabia o que fazer…

[Translation] é a magia de tradução. Absorve só a parte relacionada à língua da memória do outro, e converte pra minha própria fala.

Hmm, então esse idioma se chama Arento. Nunca ouvi falar.

— Sou um comerciante viajante, chamado Pedro Sancho. Muito obrigado por me salvar.

— Ah não, imagina, sem problema. Ah, eu sou Mochizuki Touya.

— Senhor Touya, é? Nome raro, hein. De onde o senhor é?

Já que não posso dizer sinceramente "sou da Terra", vou disfarçar como sempre.

— Sou nascido em Ishen. Atualmente moro em Brunhild.

— Ishen? Brunhild? Nunca ouvi falar. Deve ser uma vila lá nos confins, é?

Nem Brunhild eu esperava, mas nem Ishen ele conhece? Onde diabos é isso aqui, afinal? Aproveito e jogo a dúvida que já tinha há um tempo pro Senhor Sancho.

— Er, sei que essa pergunta é meio estranha, mas… onde exatamente é isso aqui? Tô meio perdido.

— Aqui é uma estrada a um dia de carruagem a leste da capital Aren.

— Capital Aren? …Capital de qual país?

— Como assim, qual país… capital Aren só pode ser do Reino Sagrado de Arento, óbvio. Ah, espera um pouquinho.

O Senhor Sancho volta até a carruagem e traz algo tipo um papel.

— É um mapa. Olha, aqui é o Reino Sagrado de Arento. E aqui é a capital Aren.

— …Mentira…

Olhando o mapa que me entregou, fico atônito. Sem dúvida, era um mapa-múndi. Idêntico ao que eu sempre invocava no mapa do smartphone. Exceto por uma coisa.

Ishen, que deveria estar no extremo leste, está no extremo oeste. E ainda por cima, invertido.

Isso mesmo. Aquele mapa-múndi era, como se refletido num espelho, um mapa com direita e esquerda completamente invertidas…


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