Switch Mode

Isekai wa Smartphone to Tomo ni – Capítulo 277

O Deus Maligno e o Casulo

💗 Apoie o Nihon Project

Vire um apoiador mensal e ajude a manter as traduções saindo, com prioridade de capítulo e outras recompensas.

Apoiar no Apoia.se

Capítulo 277 – O Deus Maligno e o Casulo

No dia seguinte, fui logo visitar o Deus. Claro, levando comida caseira feita pela Lu, e um bolo feito pela chefe Clara-san.

— Nesta ocasião, causei um transtorno enorme mesmo…

— Não precisa se preocupar com isso, viu. Só pesquisei um pouco e liguei. Bom, vou aceitar isso com gratidão.

O Deus guarda o presente que ofereci na geladeira pequena, cheia daquele visual retrô de época Showa. Só agora vou perceber que aquela geladeira também deve ser artefato divino, né.

— Transferência interdimensional em si não é algo tão raro assim, viu. Tem gente de outros mundos que é invocada, tem quem se perde e cai por uma fenda espaço-temporal. E também tem quem nasce já com esse tipo de habilidade.

Deve ser tipo aquele negócio de invocação de herói que sempre tem em romance. Aliás, tipo a habilidade de "atravessar mundos" do Ende também existe, né.

— Aquele mundo aonde fui outro dia. Que tipo de mundo é aquele?

— Aquele ali? Bom, resumindo, é um dos mundos vizinhos do mundo onde você tá agora. Por isso, deve ter bastante coisa parecida mesmo. Bom, não é tipo "um mundo onde existe outro você mesmo", nada disso.

De fato, tava invertido, mas tinha pontos em comum, tipo mapa-múndi idêntico, magia existindo (aparentemente), fera mágica. Um mundo paralelo tipo "existe uma versão feminina de mim mesmo" eu dispenso, viu.

— E também, aquele mundo também foi destruído uma vez, numa grande guerra.

— Hã? Isso foi contra Phrase?

— Não. Guerra mundial normal mesmo. A tecnologia escalou demais e eles mesmos destruíram a própria civilização. Bom, isso é algo comum em qualquer mundo.

De fato, no nosso mundo também tem mito tipo a Arca de Noé ou o Crepúsculo dos Deuses. Será que o mundo evolui repetindo destruição e renascimento?

— Ir até aquele mundo é infração de regra?

— Não? Não tem problema nenhum. Se tivesse problema, já teria apagado há muito tempo esse tipo de espécie cristalina que tenta invadir seu mundo. No fim, é só mais um entre incontáveis mundos.

Parece que ir até aquele mundo sombrio? em si não é problema nenhum. Então tá tudo bem mesmo se o povo da ilha desejar partir pra outro mundo.

— …Aliás, a Karen-nee falou uma coisa — usando "[Transferência Interdimensional]", dá pra teletransportar pra outros mundos também?

— "[Transferência Interdimensional]", hein… A magia de teletransporte que você usa normalmente não consegue ultrapassar a fronteira entre mundos. Isso porque cada mundo tem sua própria barreira. Mas "[Transferência Interdimensional]" é a técnica de locomoção dos deuses. Consegue ultrapassar até isso, e atravessar entre mundos.

— Então, será que eu conseguiria voltar pro mundo onde eu nasci…

— Consegue. Mas seria melhor evitar isso. Você já é um ser morto lá naquele mundo. Naquele mundo, é impossível uma pessoa morta voltar à vida. Por isso, não consegui te ressuscitar lá…

De fato, se aparecesse alguém que devia estar morto, seria um pânico. Voltar pro mundo original talvez só cause problema. Talvez desse pra aparecer em sonho, quem sabe.

— E também, se você conseguisse "[Transferência Interdimensional]", já seria basicamente um dos deuses mesmo. Já falei antes, mas não precisa se apressar tanto assim pra entrar no time dos deuses. Mesmo deixando quieto, eventualmente vai virar isso mesmo. Por ora, é mais conveniente ficar num meio-termo mesmo.

Ter poder divino, mas não ter as restrições de um deus. Sendo esse meio-termo assim, tem coisa que só eu consigo fazer. De fato, como o Deus disse, por enquanto talvez seja mais conveniente mesmo ficar nessa zona cinzenta.

Pra ir e vir daquele mundo, a Doutora deve dar um jeito. Já que fez até [Analyze], deve dar pra construir a mesma coisa em Brunhild, na "Oficina".

Fico pensando nisso, tomando o chá servido pelo Deus.

— Tanque de energia mágica exclusivo, hein… Bom, não é impossível fazer. Certo, então já que vou construir o portão de transferência dimensional, aproveito e faço isso também de uma vez. É basicamente a mesma coisa, lidar com quantidade grande de energia mágica.

— Ou melhor, então você vai construir mesmo, o portão de transferência dimensional?

— Claro que sim, né? Copiar invenção de outra pessoa até me incomoda um pouco, mas talvez dê pra fazer várias aplicações diferentes.

Com a capacidade técnica da "Oficina", parece que dá pra fazer em uns três dias. Rápido demais, isso… Bom, como não é criar teoria e estrutura do zero, e sim, digamos, só fazer uma cópia, talvez realmente não dê tanto trabalho assim.

Bom, isso deixo com a Doutora, e franzo a testa olhando o relatório que subiu até a mesa da sala de trabalho.

É o relatório de que aquela "devoração de alma" apareceu de novo. Precisamente, "esqueleto de cristal com a alma devorada" apareceu, é o relatório. Dessa vez, na cidade portuária de Lifris.

Parece que essa cidade era o que chamam de cidade comercial, por onde circulavam vários tipos de comerciantes. Tinha comerciante honesto, tinha comerciante nada honesto, e, no caso dessa cidade, parece que os desonestos eram maioria. Pro bem ou pro mal, era uma cidade dominada por comerciantes, sem dúvida uma cidade fervilhando de ambição.

Não dá pra dizer categoricamente que a política de Lifris seja ruim. A ambição do povo, virando energia, às vezes até enriquece o país.

Mas, dessa vez, foi exatamente essa ganância que virou alvo.

Tenho a impressão de que não é tanto "atacar lugares onde se acumula sentimento negativo", mas sim ser atraído pelo sentimento negativo mais próximo de onde aparece.

Se for isso mesmo, é completamente aleatório. Só resta torcer pra que a notícia chegue até mim antes que a cidade atacada seja destruída.

Ultimamente também não teve surgimento em grande escala de Phrase, e isso me dá uma sensação ruim…

Enquanto pensava nisso, chegou uma ligação no smartphone do bolso. A Relisha-san? Será que aconteceu algo do lado da Guilda?

— Alô, sim?

— Vossa Majestade! Aquela "devoração de alma", parece que apareceu agora mesmo, na cidade de Changyun, no sul de Eurono!

— O QUÊ!?

Parece que alguém do escritório de Lodmea, que tinha ido negociar a abertura de uma filial da Guilda de Aventureiros em Changyun, deu de cara com isso. Será que essa coincidência de timing foi boa ou ruim.

De qualquer forma, não posso deixar isso escapar. Rapidinho, abro o mapa, confirmo a posição de Changyun, peço pra Doutora avisar a todo mundo a situação, e me teletransporto até o sítio da antiga capital de Eurono, a Cidade Celestial.

Da cidade em ruínas, ainda coberta pela mesma montanha de escombros de sempre, decolo logo com [Fly] em direção a Changyun.

Voando em velocidade máxima sem parar, chego ao céu acima de Changyun em uns cinco minutos.

Mais do que o telhado vermelho e os vários pavilhões altos que se destacam na paisagem da cidade, meus olhos vão direto pras pessoas caídas por toda parte.

Do corpo ressecado, brotando pequenos cristais parecidos com vidro em vários pontos, morrendo com expressão de agonia.

Confirmando os cadáveres com o [Olho Divino], de fato, a alma tinha sido devorada. Sem dúvida. Obra da "devoração de alma".

— GYAAAAAAAAAAAAAH!?

Da rua próxima, veio um grito arrepiante de dar calafrio. Um grito de agonia mesmo.

Quando corri até o local, vi a figura de uma fera mágica gigante mordendo o pescoço de um homem. Com pelagem dourada opaca, uma fera que parecia lobo ou leão, vazava dela algo sinistro, diferente de poder divino.

— Esse é o deus maligno?

O corpo tinha uns 4 metros. Os dois olhos, vermelhos feito sangue, brilhavam fixos em minha direção. A pelagem dourado-escuro exalava dureza e uma sensação sinistra, transmitindo uma aura de maldade.

Será que dá pra chamar de fera do deus maligno, aquela coisa jogou o homem que segurava na boca na minha direção, e saltou pro telhado. O ferimento do pescoço do homem se fechava rapidamente, mas o corpo ia ressecando, e, dessa ferida, brotavam flores de cristal.

— Parece que não tem engano mesmo…

Do telhado, olhando fixo pra mim, a fera do deus maligno voou em minha direção. Tirando do [Storage] a Brunhild e mudando pra modo lâmina, corto o corpo da fera que avançava, no cruzamento.

Ganquiin! Ecoa um som de metal ao redor.

— Que dureza!?

Como se tivesse cortado metal com espada comum, um impacto vem até meu pulso. Olho na mão, e a lâmina da Brunhild, que devia ser feita de material cristal, tá lascada. Que absurdo!?

Tsc. Por ora, esse aqui também é, sem dúvida, algo gerado por um deus. Mesmo sendo um deus NEET daquele jeito.

— Então não preciso ter dó!

Elevo o poder divino e ativo, depois de um tempo, a "[Liberação da Majestade Divina]". Meu cabelo cresce de uma vez, e num instante fico envolto por poder divino que emite brilho platinado.

— Kukuku… esse poder divino… é o pirralho de daquela vez…!

Perto da fera do deus maligno, surge um redemoinho dourado opaco, e, de dentro dele, aparece um velho magro parecido com um louva-a-deus. Hunf, finalmente aparece, hein.

— Parece que tá com tempo livre, deus NEET.

— Não vá com essa boca… na verdade, ótimo. Vou aproveitar pra devorar sua alma também. Certamente vai acelerar bastante a evolução.

— Essa fera é o deus maligno que você criou, né? Parece que absorveu características de Phrase também…

Talvez a dureza de agora há pouco seja resultado disso. Provavelmente magia também não funciona nele. Se é chato, é chato mesmo esse aí.

— Tive um colaborador, sabe. Graças a isso, ficou pronto um deus maligno excelente. Com ele, destruir este mundo não é nada difícil.

— …Destruir o mundo?

— O mundo destruído por deus maligno se afasta da mão dos deuses. Deixa de ser alvo de gerenciamento do Deus do Mundo. E aí, eu desço lá como novo deus. Kukuku, engraçado, né?

Fazer o Deus abandonar este mundo, e depois fazer o que quiser? Como direi… é meio mesquinho, digo, meio patético.

Deus maligno é, no fim das contas, algo nascido no mundo terreno. Deuses não têm permissão de interferir diretamente nisso. Por isso, dão artefato divino a heróis ou santos, mandando-os derrotar o deus maligno, mas…

Mesmo assim, se os heróis perdessem, aquele mundo acaba. Abandonado pelos deuses, chega a uma extinção lenta. E, nesse mundo descartado, tentar virar novo deus… isso passa de patético, é simplesmente idiota esse cara.

— Deu pra entender bem que você sempre foi um deus subordinado mesmo, hein.

— Cala a boca! Deus de baixo escalão, ou melhor, nem sequer é deus subordinado, e ainda fala grosso assim! …Bom, tanto faz. Vou te absorver, e te usar como alimento pra evolução ainda maior dele!

Incitada pelo próprio pai criador, a fera do deus maligno abre a boca enorme e cospe, com força total, uma bola de fogo negro em minha direção.

— Tsc!

Repilo a bola de fogo negro com o punho envolto em poder divino, com toda força. Não é quente, mas um impacto considerável chega ao punho direito. Kuh, se não estivesse com poder divino envolvendo, será que não teria quebrado o osso?

A bola de fogo negro repelida cai bem longe da cidade, levantando uma explosão de fogo absurda no céu. Que negócio é esse que ele cospe.

— O deus maligno devora almas e passa por evolução própria. Bom, isso foi o Yura quem mexeu, mas foi um acerto e tanto. Chegar a esse nível de evolução num período tão curto assim.

Yura, é? Então esse cara tava mesmo em contato com aquela espécie dominante.

— Certo, não posso demorar muito tempo. Seria chato se viesse a Deusa da Espada ou a Deusa do Amor. Vamos resolver isso logo.

— Ha. Mesma opinião. [Power Rise], [Teleporte].

Usando a magia nula de teletransporte instantâneo, me infiltro logo na guarda da fera do deus maligno, e crava um soco poderoso no ventre dela, reforçado por [Power Rise]. O corpo da fera se dobra em formato de "へ", e sai voando girando.

— GOGAAAAAAAAAH!?

A fera do deus maligno, arremessada pro ar, colide direto num pavilhão, destruindo-o, e fica presa sob os escombros que desabam.

— O QUÊ!?

O deus subordinado se assusta e volta a atenção pra fera do deus maligno arremessada. Sem perder essa brecha, disparo com a Brunhild envolta em poder divino, atirando nas duas pernas do deus subordinado.

— GUAH!? I-impossível!? Por que você, que nem é deus de baixo escalão, consegue perfurar meu poder divino!?

— Não seria a diferença de nível divino? Ao que parece, sou subordinado do Deus do Mundo mesmo.

— Ugh!?

O deus subordinado, ajoelhado no chão, expele das duas pernas algo tipo vapor dourado, com um som de "shuu-shuu".

— Absurdo! Por que, tendo esse nível divino, não tem posto nenhum!? Podia já estar no posto de deus superior mesmo!

— Diferente de você, eu sei o que é vergonha, sabe.

Conseguir esse tipo de cargo pela glória alheia dos pais não dá em nada de bom. Deve dar trabalho aos deuses ao redor também.

Certo, o que fazer com esse deus subordinado, hein. Se eu mesmo o eliminar, será que estou roubando o trabalho da irmã Karen ou da irmã Moroha? Elas devem sentir o poder divino dele e o meu, e devem estar chegando logo, acho.

Como se tivesse esperado essa hesitação, o pavilhão desmoronado explode, e a fera do deus maligno salta de dentro dele.

Fica direto entre mim e o deus subordinado, disparando três bolas de fogo negro seguidas. De novo!?

Poderia desviar, mas ainda deve ter gente viva nesta cidade, e, mesmo desviando, certamente seriam pegos na explosão.

No fim, de novo, igual há pouco, repilo todas as bolas de fogo negro com o punho, arremessando bem longe pra fora da cidade. Dessa vez, reforcei o poder divino no punho, mais grosso, pra não doer.

Mancando, o deus subordinado se aproxima da fera do deus maligno.

— Kukuk, por hoje vou deixar por aqui mesmo. Da próxima vez que a gente se encontrar…

Vai fugir antes que as irmãs cheguem? Não vou deixar isso acontecer. Antes que eu desse um passo pra perseguir, a fera do deus maligno vira a cabeça em direção ao deus subordinado.

No instante seguinte, a fera dourada, abrindo a boca vermelha escancarada, crava, sem hesitação nenhuma, as presas na garganta do velho na sua frente.

— GAH!? G-gufu…! O QUÊ!? P-por… quê…?

Mordido, o deus subordinado olha com olhos incrédulos pra fera dourada devorando a própria alma. Diante do absurdo da cena, nem eu consegui me mexer.

— A-Assim… é… aque, le… Yu, ra… ma, ldi, to… maldi, tooooooooooo!!!

O deus subordinado começa a virar areia negra a partir dos pés. Está sendo devorado, junto com toda a força divina. Eventualmente, solta um clarão feito explosão, e, quando dá pra ver de novo, o deus subordinado já não estava mais lá — só restou a figura da fera do deus maligno, envolta numa névoa dourada escura.

— Absorção… não, será que devorou? O deus subordinado?

De repente, do corpo inteiro da fera do deus maligno, se solta um poder divino sinistro. Esse poder divino se transforma em algo tipo algodão-doce, e, flutuando ao redor da fera, o corpo principal vai sendo envolto por esse algodão. Como uma larva de bicho-da-seda formando o casulo.

Eventualmente, virando um casulo dourado inteiro, a fera flutua uns 1 metro no ar, e começa a piscar de forma surda, como se transmitisse a própria pulsação.

— Ei, ei, que negócio é esse, afinal…

Realmente é um casulo mesmo. Um casulo gigante cor dourada-escura. Pulsando com brilho sinistro, flutuando no ar.

Não sei o que é, mas com certeza é algo perigoso. Coisa assim é melhor eliminar logo, sem demora.

Colocando a Brunhild em modo lâmina, envolvo com poder divino e tento cortar o casulo de cima a baixo, num golpe só.

Mas, como se cortasse "cortina no vento", o casulo boia flutuando no ar levemente, e não consigo cortar. Sensação de nenhuma resistência, tipo tentando cortar marshmallow flutuando na água com uma faca.

Já que é assim, vou usar magia de contenção, tipo [Ice Bind], pra fixar aquilo, e depois cortar de vez — no instante em que ativo a magia, o casulo dourado começa a tremular feito miragem, e a forma dele fica embaçada. Aos poucos, a aparência fica cada vez mais tênue.

— Ei, ei, espera aí, será que é o "efeito de retorno"!?

Existência grande demais que rompeu a barreira de outro mundo e se moveu à força pra cá acaba sendo repelida algumas vezes deste mundo, até que sua existência se estabilize. É o sistema de repatriação forçada, tipo onda que bate e volta pro mar, retornando pro lugar original.

Normalmente, é o sistema bem-vindo que faz a espécie dominante ser forçada a recuar, mas dessa vez isso jogou contra a gente.

— Gelo, se entrelace, grilhão gélido, [Ice Bind]!

Conjuro às pressas a magia de contenção, mas os tentáculos de gelo não conseguem capturar o casulo.

O casulo dourado já tinha sido expulso deste mundo.

— Escapou… hein.

Apago o poder divino que emana do meu corpo, desativando o estado de divinização.

E, como se tivesse esperado o momento certo, do céu surgem a irmã Karen e a irmã Moroha.

— Atrasado.

— Foi mal, hein. A Karen-nee estava tirando soneca.

— Shh! Shh! Moroha-chan, isso é segredo, viu!

Ei? Esse é o motivo? Encaro com olhar de reprovação a irmã Karen, que ainda tem marca de toalha na bochecha.

Bom, no momento em que a fera do deus maligno devorou o deus subordinado, deve ter ficado fora do alcance de interferência das irmãs mesmo.

Por ora, decido explicar resumidamente o que aconteceu.

— O deus maligno, mesmo sendo de escalão inferior, absorveu um deus…? Que história absurda, hein…

— O caso do Touya-kun, de um ser vivo terreno obtendo poder divino, é parecido, mas isso é um pouco perigoso, viu.

Será que deus maligno também conta como "ser vivo terreno"? Bom, não deve ter nascido no Mundo dos Deuses nem nada disso.

Normalmente, nesse ponto, seria "xeque-mate", ao que parece. Não tem como um mero mortal enfrentar um deus maligno que ganhou ainda mais poder divino.

Se o mundo for destruído e não sobrar ninguém pra gerenciar, exatamente como o plano do deus subordinado, este mundo seria abandonado, saindo das mãos dos deuses. Que ironia.

E, um deus maligno que ganhou poder divino, dentro deste mundo, não sofreria mais nenhuma interferência, faça o que fizer. O mundo inteiro seria isolado, seguindo rumo a uma extinção lenta.

Mas, neste mundo, existe eu — um ser terreno que também tem poder divino.

— Ou seja, tô encarregado de exterminar o deus maligno, é isso?

— É isso mesmo. Meio incômodo empurrar nosso trabalho pra você, mas.

— Claro que, como suporte, continuamos ficando no mundo terreno normalmente, viu?

Droga, aquele deus NEET magricela desgraçado. Não vai aumentando meu trabalho à toa assim! Sem nem trabalhar direito… bom, agora nem que quisesse mais conseguiria, né.

— Provavelmente, aquele "casulo" deve estar tentando reconstruir o corpo do zero. No caso do Touya-kun, foi o Deus do Mundo quem consertou, mas criar um corpo capaz de aguentar poder divino não é coisa simples.

Então, como a aparência sugere, é um casulo mesmo. Queria bater antes da larva nascer como inseto adulto.

— Por ora, preciso cuidar de alguma forma das pessoas dessa cidade que tiveram a alma devorada.

— Vou ajudar, viu.

— É, vamos.

Ainda deve ter bastante sobrevivente. Se não me apressar, vão ser atacados pelos que renascem como esqueleto de cristal (zumbi de cristal?).

Com o deus maligno virando casulo, esse alvoroço deve ter um fim por ora, mas fico com uma sensação de incômodo, sem alívio nenhum.

Pensando no combate que ainda vou enfrentar, contra um deus maligno ainda desconhecido que vai aparecer eventualmente, solto um suspiro sem querer.


💚 Gostou do capítulo?

Um PIX rápido ajuda demais a manter o site no ar. Arrecadado esse mês: R$ ...

Fazer um PIX

Comentários

Opções

não funciona no modo escuro
Redefinir