Capítulo 281 – A Máquina Exclusiva e a Gravidez
Já se passaram três dias desde que voltei do mundo sombrio.
Depois de entregar vários tipos de souvenir pra todo mundo, a Doutora e a Leen não saem mais do "Laboratório", e a Lindsey vive grudada com a Fam na Biblioteca.
Sendo assim, atualmente, na garagem, só tem a Rosetta e a Monica. Bom, os mini-robôs também tão lá.
Levanto um mini-robô de duas cabeças-de-altura e observo de frente.
— Será que esses aqui também são iguais a golem, hein.
O mini-robô inclina a cabeça, tipo "que foi?". Ao colocar no chão, ele corre miudinho, "tote-chite-ta~", em direção à máquina em montagem.
— Já tá bem formado, hein.
Do meu lado, a Yumina, olhando pra cima em direção à própria máquina, murmura.
A máquina em pé na minha frente já tem uns 60% da armadura de brilho prateado instalada, tomando forma de Frame Gear.
— Essa máquina já tem nome?
— Tem. Brunnhilde.
Frame Gear especializado em combate de tiro certeiro à distância, Brunnhilde. Máquina especializada em ataque de longo alcance. A armadura prateada tem a função de camuflagem, se misturando com a paisagem ao redor. Máquina de alta capacidade furtiva.
— Brunnhilde… eu posso usar uma máquina que carrega o nome do país assim?
— Ah, desde o início, os nomes das máquinas de todo mundo já vinham das nove donzelas guerreiras, né. É meio que ordem de sequência mesmo. Brunnhilde e Brunhild, mas não precisa se preocupar tanto assim.
Originalmente, os nomes vêm das nove donzelas guerreiras que aparecem na obra de Richard Wagner, "O Anel do Nibelungo".
■ Brunnhilde (Brunnhilde) Máquina exclusiva da Yumina — Especializada em combate de tiro certeiro Cor principal: Prata
■ Gerhilde (Gerhilde) Máquina exclusiva da Elsie — Assalto de combate corpo a corpo Cor principal: Vermelho
■ Ortlinde (Ortlinde) Máquina exclusiva da Sue — Armamento de combate defensivo Cor principal: Dourado
■ Waltraute (Waltraute) Máquina exclusiva da Lu — Troca de equipamento pra guerrilha Cor principal: Verde
■ Schwertleite (Schwertleite) Máquina exclusiva da Yae — Combate corpo a corpo leve Cor principal: Roxo
■ Helmwige (Helmwige) Máquina exclusiva da Lindsey — Transformação de combate aéreo Cor principal: Azul
■ Sieglinde (Sieglinde) Máquina exclusiva da Hilda — Combate corpo a corpo pesado Cor principal: Laranja
■ Grimgerde (Grimgerde) Máquina exclusiva da Leen — Bombardeio de aniquilação Cor principal: Preto
■ Rossweisse (Rossweisse) Máquina exclusiva da Sakura — Suporte de combate em grupo Cor principal: Branco
O know-how obtido construindo todas essas máquinas, vou jogar na próxima máquina que vou construir, a minha.
Sinceramente, mesmo com o corpo desarmado eu consigo lutar, mas, contra espécie superior, é bem puxado mesmo. E, mesmo agora ainda estando tudo bem, se, eventualmente, a barreira do mundo enfraquecer a ponto de ser rompida facilmente, existe a possibilidade — nem que seja pequena — de várias espécies superiores aparecerem ao mesmo tempo.
Pra esse tipo de momento, construir uma máquina exclusiva minha não vai ser desperdício nenhum. E também, sinceramente, eu também quero ter minha própria máquina.
— A Brunnhilde tá equipada com um rifle sniper de longo alcance, e quatro espadas voadoras de interceptação de médio alcance. Além disso, com a armadura de função furtiva, também consegue ação furtiva. Só que a cor da máquina em estado normal, que muda de camuflagem, é meio chamativa, e isso é meio ruim.
— Chama atenção mesmo, né…
— Bom, se mudasse a cor base da máquina, perderia a habilidade especial da armadura, então não tem jeito. Logo, logo se acostuma.
Chama atenção só até o combate começar; assim que o combate se inicia, com o modo furtivo, deve deixar de chamar atenção.
— Aliás, no outro mundo também tem algo parecido com Frame Gear, né?
— Mais do que Frame Gear, seria parecido com aquele mini-robô. Digamos, tipo espírito invocado, que obedece ordem de humano e se move. Parece que tem máquina lá com poder especial tipo magia também.
— Também queria ver isso.
— Eventualmente, vou fazer com que todo mundo consiga ir e vir daquele mundo também. Nesse dia, vou te levar pra passear na cidade de lá.
— É promessa, viu?
A Yumina sorri e enrola o braço no meu.
Pra isso, preciso garantir terreno naquele mundo pra instalar o portão dimensional. Acho que ainda vou precisar ir umas poucas vezes mais.
— Então, o lado da Ilha Parelius tá indo bem, é isso? Assim que resolver, o comércio do nosso país também… ah, rebateu!
O Rei de Riinie se levanta, colocando a mão na testa.
No estádio, o jogador de Regulus, que acabou de bater um duplo, respondia aos gritos da torcida. É o jogo amistoso depois da reunião Leste-Oeste. Dessa vez, é jogo entre o Reino de Cavaleiros de Lestia e o Império de Regulus.
Parece que o Rei de Riinie tá torcendo pro time do Rei Cavaleiro de Lestia, seu grande amigo.
O Rei Cavaleiro de Lestia, o cunhado Reinhardt, está como técnico, no banco de reservas de Lestia. A Papisa de Ramish e a governadora-geral de Lodmea não estão presentes, já que estão sendo recebidas no castelo pelo pessoal das nossas noivas.
— Que ingênuo, hein. Regulus não vai cair num blefe tão óbvio assim. Será que consegue segurar essa entrada?
— Não, não, agora é que vem. A velocidade da bola ainda não caiu, sabe.
Como pares de mesma geração, o Rei de Belfast e o Rei de Lifris, cruzando os braços, riem "fufufu" com aparência maliciosa. Vocês dois, aí, tão parecendo os vilões da história.
Contra isso, o Rei de Riinie, sem querer ficar atrás, defende o lado de Lestia.
Ficaram bem amigos, hein.
— Esse tipo de jogo alivia a tensão da gente também, e vira diversão pro povo. Esse "intercâmbio esportivo" que o Touya-dono fala é uma ideia bem boa.
No camarote VIP do estádio de Brunhild, sentado ao meu lado, o Rei das Feras de Misumido murmura sem tirar os olhos do jogo. As orelhas de leopardo-das-neves no topo da cabeça se mexem levemente.
— Não é só beisebol, tem vários outros esportes também. Ah é, se tivesse algo tipo Olimpíadas, seria interessante mesmo.
— Olim… o quê é isso?
— Ah, tipo, uma vez a cada tantos anos, reunir atletas do mundo todo e fazer vários esportes diferentes, divididos por vários dias. E aí, decide quem é o campeão mundial. Tipo campeão mundial de beisebol, esse tipo de coisa.
— Hoo! Campeão mundial, é? Que som bom isso. Parece interessante.
Bom, pra isso se tornar realidade, o mundo ainda está bem caótico.
Em cada país, ainda tem bastante gente sofrendo com pobreza, e ainda tem dano de fera mágica. Tem região dominada por bandido, e ainda tem seita sombria suspeita.
Com a queda de Eurono e Sandra, guerra em grande escala acabou, mas, num certo sentido, os pequenos vilões que aqueles países controlavam agora também ficaram soltos.
Os assassinos contratados de Eurono viraram bandido ou assaltante, e, entre os comerciantes de escravos de Sandra, tem quem virou comerciante clandestino ou golpista.
Coibir isso é papel de cada país mesmo.
Num certo sentido, dá até pra dizer que eu espalhei transtorno pro mundo inteiro. Bom, por causa disso também, se tiver algo que eu possa ajudar, pretendo não medir esforços na cooperação.
— Aliás, ano outro dia, o "karae" que o Touya-dono me ensinou… ah, curry de arroz, é? Aquilo é uma delícia. Quero espalhar isso no nosso país também, mas o arroz, por ora, só se consegue em Ishen, é isso mesmo?
Em Misumido, já existia originalmente uma comida chamada karae. Como não tinha arroz, comiam molhando em pão, ou como se fosse sopa, mas, ao se encontrar com o arroz de Ishen, nasceu uma colaboração milagrosa. Levando isso ao terreno natal do karae, Misumido, virou sucesso absoluto.
— Tenho um conhecido feudal em Ishen, vou perguntar se dá pra exportar regularmente pra Misumido. Além disso, convidar alguns agricultores de Ishen pra ensinar como cultivar em Misumido também, talvez.
Basicamente, Misumido é um pouco mais quente que Brunhild, mas não é que seja impróprio pra cultivo de arroz. Em relação à água, tem o Grande Rio Gau. Se tiver algum problema, seria dano de inseto tipo gafanhoto, por ficar perto da Grande Selva, ou dano de fera.
Bom, isso pode acontecer em qualquer terra, e, nesse assunto, os agricultores profissionais devem entender bem mais do que eu. No pior caso, acho que dá pra perguntar pro tio Kōsuke, que é deus da agricultura, afinal.
Ishen também, depois daquele incidente do macaco… quer dizer, do incidente Hideyoshi, parece estar se organizando em torno do Senhor Ietasu, então acho que a exportação em certa escala deve dar certo.
Neste outono, deve ter colheita de arroz aqui também, tô ansioso.
Oh, três outs, mudança de turno.
O time de Lestia é, digamos, um time mais focado em ataque.
Talvez por ser um país com muitos cavaleiros excelentes originalmente, tem boa visão dinâmica e alta taxa de embasamento. Só que não tem batedor de força tão grande a ponto de ser chamado de "power hitter", então o estilo deles não é de fazer pontuação em massa de uma vez, e sim de acumular ponto com certeza.
Já Regulus é um time equilibrado tanto no ataque quanto na defesa, com plantel profundo. Consegue montar formação adequada pra qualquer time adversário.
Desculpa ao Rei de Riinie, mas Regulus deve ter uma vantagem, hein.
A torcida também tá empolgadíssima. Claro, a maioria da plateia é de Brunhild, mas cada um torce pelo time que mais gostou.
Neste mundo com poucas formas de entretenimento, o objetivo principal não é tanto "meu time preferido ganhar", e sim aproveitar o jogo em si.
Por isso, mesmo que o time preferido perca, a torcida também bate palma pro time adversário, agradecendo por terem visto um bom jogo.
Não xingam nem jogam coisa nos próprios jogadores que perderam. Isso não é nada agradável de ver mesmo.
Bom, os jogadores também, na profissão principal, são cavaleiros ou algo assim, não são profissionais que vivem só de beisebol, então também não chegam a passar por isso. Pensando assim, talvez não seja muito diferente de beisebol de quintal.
De qualquer forma, o que importa é que todo mundo se divirta.
Enquanto pensava nisso, avisto a Sue correndo em direção ao camarote VIP cercado por vidro reforçado.
Que isso? Parece estar bem apressada.
Empurrando os cavaleiros de guarda, abre a porta do camarote e grita bem alto em minha direção.
— Touya! Teve criança!
Gatatan! Os reis dentro do camarote se levantam, virando o olhar em minha direção.
Ué? Espera, espera aí!? Achei que a Yumina tinha dito que a Sue ainda não tinha nem começado a menstruar, e, antes disso, nem cheguei a tocar nela, ainda!
— Espe, calma, Sue. Criança de… de quem?
…Não é minha, né? Não faz sentido, mas.
— Óbvio que é do papai e da mamãe! Ganhei um irmãozinho ou irmãzinha!
Ah, esse lado… Fuuu, fiquei aliviado, me apavorei sem motivo nenhum…
Enquanto solto um suspiro de alívio, o Rei de Belfast se aproxima da Sue.
— Sue, isso é verdade? A Al tá grávida?
— É verdade! O Doutor Raul disse isso!
O médico da corte, Doutor Raul, é. Então não tem erro. Parece que, escutando escondido essa conversa, a Sue atravessou o portão de teletransporte-espelho de casa em Belfast até aqui.
Pro Rei de Belfast também, vai nascer um novo sobrinho ou sobrinha, e, se for menino, vai ser importante ministro do reino, apoiando o Príncipe Yamato, o futuro rei da próxima geração.
Mesmo assim, o Duque Ortlinde ter criança, hein… será mesmo graças àquilo?
Antigamente, como agradecimento por derrotar a fera gigante Snow Raul que apareceu no Reino de Elfrau, recebi o artefato mágico da família real de Elfrau, "Bênção da Vida".
Como se dizia ser algo que facilita a gravidez em quem usa, coisa meio duvidosa, emprestei pro Duque Ortlinde só pra testar… será que era autêntico mesmo?
De qualquer forma, como preciso ficar até o fim pra recolhimento pós-jogo, não posso sair daqui, mas, por ora, mando o Rei de Belfast, a Sue, e os cavaleiros de escolta de Belfast pra mansão do Duque Ortlinde via [Gate].
Sobre a "Bênção da Vida", deixo recado pra devolverem entregando na mão da Sue.
Hmm. Com isso, a visão do futuro da Doutora vai ganhando cada vez mais credibilidade, hein. Nove filhos… não, existe possibilidade de ser ainda mais…
Bom, já que tenho nove noivas, até certo ponto já tava preparado mentalmente pra isso. Claro que, se possível, penso em ter filho com cada uma delas.
Casando aos 18, e antes dos 19 já ter nove filhos, é possibilidade real, hein… não, pelo menos com a Sue ainda falta alguns anos, então talvez seja oito? Mas não parece mudar muita coisa mesmo.
Uuuuuh. Sinto que precisa de uma determinação ainda maior do que enfrentar Phrase. Pensando bem de novo, isso é uma coisa e tanto, hein. Não, bom, não deve ser que as outras oito engravidem tudo ao mesmo tempo, mas.
…Não vai ser assim, né?