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Isekai wa Smartphone to Tomo ni – Capítulo 284

A Aula de Combate e a Queda Livre

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Capítulo 284 – A Aula de Combate e a Queda Livre

— Isso tá virando uma história estranha, hein. Tá tudo bem mesmo?

A caminho do campo de treino da Ordem de Cavaleiros de Paruhu, sussurro isso pro Duque Rembrandt, que caminhava à frente.

Treino de combate com uma garota de 10 anos, pergunto assim pro próprio pai biológico da Rachel, afinal.

— Sem problema. Mesmo tirando a parcialidade de pai, aquela criança realmente é forte. Só que, por isso, ela também ficou um pouco arrogante. Ficaria grato se Vossa Majestade conseguisse quebrar um pouco esse orgulho dela. Deve ser bom pra ela mesma também.

Achei que fosse por causa da posição dela como noiva do rei que os outros cavaleiros hesitavam ou pegavam leve, mas parece que não é isso.

Em qualquer mundo existe criança prodígio mesmo, hein. Mas, de fato, ficar convencido demais desde criança não parece bom pra educação.

Excesso de confiança em força pode levar a desprezar os outros, tender pra arrogância. Bom, ficar sem confiança nenhuma, tipo o rei-menino daqui, também é problema.

Não tenho reclamação nenhuma em fazer combate de treino em si… mas isso, será que não vai gerar rancor contra mim, ao contrário? Já é imagem ruim vencer criança, mesmo sem querer. Mas também não posso perder de propósito.

Ao chegar no campo de treino, a Rachel, já trocada em roupa de treino tipo agasalho esportivo e armadura de couro, balançava a espada de madeira com destreza, se aquecendo. Tá cheia de disposição, hein.

Não tem jeito. Vou enfrentar com um pouco de rigor, aceitando ser malvisto. Com aprovação do pai, afinal.

Mesmo assim, sendo garota, pretendo evitar deixar marca que fique.

O campo de treino parece coberto por uma barreira, então até magia de nível superior não deve causar dano pro lado de fora.

Confirmando isso, antes de ir até a Rachel esperando no campo de treino, pego um graveto fino caído no chão.

— Vossa Majestade… isso é…?

— Arma. Contra você, isso já deve ser suficiente.

— …! Depois não vai reclamar, viu!

Opa, será que ela ficou brava. Bom, tanto faz. Se num combate real ela já ficasse brava nesse ponto, já seria ponto negativo. Parece fraca contra provocação, essa mocinha.

Entre nós dois em confronto, um cavaleiro jovem se posiciona como juiz.

— Os dois lados estão prontos? Então, começar!

Com o sinal de início dado pelo cavaleiro, a Rachel avança pra cima de mim. Bem rápida, hein. Desviando levemente do golpe horizontal da espada de madeira, dou um tapinha leve no topo da cabeça dela com o graveto.

— Ai!?

— Não avança sem pensar quando não sabe a jogada do adversário. Se mesmo assim for avançar, prepare outra jogada antes.

Baa! Recuando um passo pra trás, a Rachel dessa vez ergue a mão esquerda, começando a conjurar magia.

— Fogo, venha, lança de chama carmesim, [Fire Spear]!

Da mão esquerda, uma lança de fogo é disparada em minha direção. Impressionante conseguir usar essa magia com 10 anos, mas… hmm, isso também, hein.

Dando um passo pra direita, desvio facilmente da lança de fogo que se aproximava. A lança, atingindo a barreira, explode esplendorosamente.

— Magia tipo lança tem trajetória fácil de ler. Acho melhor usar como golpe de acompanhamento, ou combinar com magia de contenção antes, pra dificultar o movimento do adversário.

— Kuh…!

Franzindo o rosto, a Rachel se prepara com a espada de madeira, tentando avançar de novo. Na hora que ela ia sair correndo, também disparo magia.

— [Slip].

— Uikya!?

Tombando com força, aproximo da Rachel caída e, de novo, dou um tapinha na cabeça dela com o graveto.

— A-agora foi só tropeço! Não vale!

— Que pena. Fui eu que fiz você tropeçar. Com minha magia. "Fazer tropeçar". Só isso já pode virar a magia mais forte que existe. Tudo depende de como usa a magia.

Magia com poder destrutivo não é necessariamente magia incrível. Queria que ela pensasse nisso.

— Oraaah!

Levantando, ela golpeia com a espada de madeira pra direita e esquerda. Golpe bem afiado, hein. Mesmo no meio de um padrão monótono, ela mistura finta. De fato, talvez seja uma jovem talentosa impressionante mesmo, com 10 anos.

Mas eu vou desviando enquanto vou dando tapinhas de graveto nos pontos ruins dela. Não é à toa que sou treinado quase todo dia pela deusa da espada, hein. Sei exatamente onde tá errado.

Ou melhor, será que a irmã Moroha se sente assim também.

— Terra, se entrelace, grilhão do solo, [Earth Bind]!

— Opa?

Areia se levanta do chão e prende meu tornozelo. Estava concentrando energia mágica enquanto balançava a espada, hein.

— Raio, venha, lança de trovão branco-lótus, [Thunder Spear]!

Ooh? Atacou exatamente como eu ensinei agora há pouco. Menina obediente em detalhe estranho. Mas isso também não é infalível, sabe.

— Água, venha, muralha em espiral, [Aqua Shell].

A lança de trovão é absorvida e desaparece na muralha de água que criei. Bom, resumindo, usei como pára-raios.

— Ei!

Aproveitando o momento em que o [Aqua Shell] desaparece, a Rachel dispara uma estocada afiada. Perigoso, opa.

Desviando, dou um tapa firme na mão dela que segurava a espada de madeira.

— Ugh!

— Já falei, viu, não avança descuidada. Ou melhor, ainda vai continuar?

— Cala a boca! Para de bater de leve o tempo todo, ataca direito também! Para de fugir!

Mudou o jeito de falar. Ou melhor, isso deve ser o jeito verdadeiro dela mesmo. Não pode se esquecer de si mesma durante o combate, viu.

Bom, se é o que ela quer, então vou atacar mesmo.

— Venha, trovão e gelo, névoa de mil trovões, [Voltic Mist].

— Ugya!?

A Rachel avança direto pra névoa que criei, e fica se contorcendo no chão, paralisada. Deixei o poder no mínimo, então não deve ter dano tão grande assim.

— O que é essa magia, hein!?

— Magia composta. Combinei atributo de água e vento pra criar uma névoa que aplica choque elétrico.

— Magia composta!? Nunca ouvi falar disso! Injusto!!

Reclamar de injusto, francamente. Não tem jeito. Então, com magia comum.

— Terra, venha, pedregulho da terra, [Stone Bullet].

— Kuh!

Magia de atributo terra bem básica, básica mesmo, e a Rachel torce o corpo desviando dos pedregulhos disparados. Sem dar tempo, disparo um segundo pedregulho na garota que tentava avançar.

— Toma.

— Wah!

— Mais um.

— Opa!

— Mais uma.

— Daaa!? Por que você consegue disparar em sequência assim!? Nem tá cantando o encantamento! Isso é estranho!

O encantamento é só uma diretriz de qual magia disparar; na verdade, se mantiver a energia mágica interna conectada à fórmula, dá pra pular o encantamento seguinte. Claro, se usar outra magia, cancela, e não dá pra disparar duas ao mesmo tempo.

Movendo-se com expressão desesperada, a Rachel se esforça pra desviar da chuva de pedregulhos disparados um atrás do outro. Fuhaha, ainda tá longe.

— [Slip].

— Aitt!? Ai!?

Caindo sentada, um pedregulho voando atinge a testa dela. Não tem força suficiente pra machucar, mas dói mesmo assim. Já tá com os olhos meio marejados.

— Bom, acho que já chega por aqui. Seria ótimo se você parasse por ora, sabe…

— Ainda não perdi!

— Có… mas, é…

Ainda não perdi, francamente. Quantas vezes já bati nela, hein. Se fosse combate real, já teria morrido há muito tempo. Mesmo a magia, eu tava controlando, senão não teria acabado só com isso.

— Iaaaah!!

Segurando a espada de madeira com força, a Rachel ataca de novo. Enquanto aparo pra direita e esquerda, penso no que fazer. Essa mocinha não vai se render com um jeito qualquer, né. Tá ficando meio chato isso…

— Se você insiste tanto assim, não tem jeito. Aguenta firme. O próximo é o último.

— Que ótimo! Não sei o que você vai fazer, mas com certeza não vou per…

— [Gate].

— Hã?

Sob os pés da Rachel, que golpeava, abre-se um portão de teletransporte, e ela cai, "ston", pra dentro. E, ao mesmo tempo, um grito absurdo ecoa vindo de bem em cima.

— Kyaaaaaaaaaaaaaaaaaaah!!!???!?

A Rachel surge a 500 metros de altura acima, caindo direto pra baixo. Como corrijo com magia de atributo vento pra não desviar, ela deve cair certeira aqui mesmo.

— R-Rachel!?

Até o rei-menino ficou pálido, arregalando os olhos pra noiva caindo.

— Hiiiiiiiiiiiiiiiiiih!!!!

— Vento, sopre, redemoinho ascendente, [Whirlwind]. & [Levitation].

Desacelero a velocidade da queda, e, usando magia de flutuação, paro exatamente na posição de 1 metro do chão. Fim da queda livre atípica de outro mundo.

— …Ah…! Fu…! Ha…

— Você desiste?

Com a boca se abrindo e fechando, e o corpo tremendo todo, a Rachel assente repetidamente. Realmente funcionou, hein… ai, isso não foi bom. Exagerei…

— Água, venha, corrente pura, [Waterfall].

— Hya!?

Dozaa, uma grande quantidade de água despenca por cima da cabeça da Rachel. Num instante, ela fica ensopada feito rato molhado.

Diante da minha ação, a plateia ao redor fica confusa, inclinando a cabeça, mas só a Rachel, colocada de volta no chão, fica com o rosto completamente vermelho, olhando pra baixo.

Uaaaa. Será que ela é medrosa de altura, ou algo assim. Deve ter sido bem assustador mesmo… Fazendo ela tomar água imediatamente, acho que ninguém ao redor percebeu. Será que ela não foi no banheiro antes do combate?

— R-Rachel! Você tá bem!?

— Es-estou bem! Super bem!

Ainda encharcada, a Rachel se levanta com força, encarando na minha direção com olhos marejados e cheios de raiva, e corre pra fora do campo de treino.

Uwaa, isso ficou ruim demais… Sinto que fiz essa garotinha carregar uma cruz pesada demais. Droga, se tivesse buraco pra me enfiar, eu entraria.

— Aah… falhei feio, hein…

Devia ter existido um jeito bem melhor de fazer isso. Enquanto eu ficava deprimido, o Duque Rembrandt, o pai dela, se aproxima.

— Não se preocupe, por favor. Sendo tratada com tanto rigor assim, aquela criança deve ter percebido, sim, que ainda está longe de madura.

Não, não, quem tá longe de madura sou eu… tô arrependido pra caramba. De fora, deve ter parecido que eu tava maltratando uma garota de 10 anos, né…

Olhando de relance pra plateia, vejo rostos com sorriso amarelo. É-é isso mesmo, hein.

Fico imaginando se vai virar boato de que o Príncipe de Brunhild é um tirano cruel, sem piedade nem com criança.

— Desculpa, Vossa Majestade Rei de Paruhu. Será que dá pra pedir desculpa à Rachel depois, em meu nome? Provavelmente, agora ela não deve nem querer ver minha cara…

— Ah, sim, entendido. Mas acho que a Rachel não tá com raiva de Vossa Majestade, não. Ela deve estar com raiva de si mesma, por não ter tido força suficiente.

Será mesmo? Não parece que era bem assim. Mas, ser consolado por uma criança pequena… isso me deixa ainda mais deprimido…

— Er, bom, como direi… foi um bom trabalho…

Com sorriso amarelo, o Rei de Riinie fala comigo. Bom, faz sentido essa reação mesmo. Entendo o sentimento.

— Mas por que aquela magia de água no final?

— Ah… bom, é porque ela tava toda irritada, então pensei que seria pra esfriar a cabeça dela.

Disfarço com desculpa vaga. Pela honra dela, sinceramente não dá pra contar a verdade. Sinceramente, fiz uma coisa ruim mesmo.

— Vossa Majestade é gentil, hein.

— Hã?

A Princesa Lucienne, em pé ao lado do Rei de Riinie, sorri em minha direção. Ué? Será que ela percebeu?

— Ernest. Eu vou fazer companhia ao Príncipe por um tempo, então vai até a Rachel.

— É, mas…

Hesitando, olhando pro meu rosto, diante da sugestão da irmã, mas, quando faço um aceno com a cabeça, o rei-menino curva-se e corre em direção pra onde a Rachel tinha saído correndo.

Espero que consiga consolar ela de algum jeito.

— Então, Vossa Majestade, já tá preparado o chá, por aqui, por favor.

Guiado pela Princesa Lucienne do campo de treino pro interior do castelo, andando, sinto profundamente que lidar com criança é difícil mesmo. Com a Sue, com a Rene, a criada, e com as crianças da cidade de Brunhild, consegui me dar bem tranquilamente. Fico sem confiança nenhuma…


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