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Isekai wa Smartphone to Tomo ni – Capítulo 285

O Torneio de Shogi e o Primeiro Festival

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Capítulo 285 – O Torneio de Shogi e o Primeiro Festival

Bebendo o chá servido na varanda do castelo de Paruhu, finalmente recuperei um clima de calma.

Até há pouco, tava meio afundado em autodesprezo, viu. Refleti que realmente exagerei. Com certeza fui odiado. Bom, mesmo sendo odiado, não é que fizesse tanta diferença, mas.

— Nesta ocasião, a Rachel, minha prima, foi bem grosseira… peço desculpa.

— Não, imagina. Foi coisa de criança.

Acho que fiz algo bem grosseiro também, mas, se ela dissesse "que desrespeito! decapitem essa criança!", que tipo de pessoa de coração estreito seria isso. Isso sim seria tirano. Não quero virar gente tão desprezível assim.

— Aquele combate era sem distinção de status nenhuma. Se fosse reclamar disso, já teria recusado desde o início. Sem problema.

Bom, do meu lado, dá pra deixar isso passar limpinho, mas duvido que ela consiga fazer o mesmo… afinal, é criança.

— Fico aliviado por ouvir isso. O Ernest também pareceu feliz. Muito obrigado por hoje.

— O que Vossa Majestade achou do Rei de Paruhu?

Diante da fala do Rei de Riinie, os olhares dos dois sentados na mesa redonda da varanda se voltam pra mim.

— Bom… achei que ele é uma pessoa honesta. Só me preocupou um pouco a falta de confiança dele, com um jeito de pensar meio pessimista.

Resumindo, é negativo. Bom, também não é tão grave assim, e certamente é bem melhor que aquela filha do duque.

Só de imaginar se a personalidade dos dois fosse invertida, já dá até medo. Faria o que quisesse sem se importar nem com a posição de rei… ah, quem sou eu pra falar. Já tô fazendo o que quero mesmo.

— O Rei de Paruhu não tem nada em que se destaque?

— Algo que se destaque? Bom… nada específico assim. Ele não é muito bom nem em espada nem em magia. Sabe tocar um pouco de flauta, mas nem isso chega a nível de destaque.

Hmm. O menino comum por excelência, hein. Não, sendo rei, já não é tão comum assim.

Aliás, uma vez, já critiquei um romance que começava com "Eu sou Senkō-guuu Shin'i. Sou um estudante colegial comum!" e pensei "que parte disso é comum, além do nome"… é meio parecido com aquilo. …Bom, um pouco diferente.

— Ah, mas…

— Tem alguma coisa?

Como se tivesse se lembrado de algo, a Princesa Lucienne volta da varanda pro interior, e traz de volta uma caixinha e uma prancha dobrada. Ué, será que isso é…

— Shogi, é?

— Sim. Vossa Majestade também conhece?

Não, "também conhece" nada, fui eu que trouxe isso pra este mundo, viu.

Abrindo o tabuleiro na mesa, e destampando a caixinha pra tirar as peças. De fato, é shogi mesmo.

— O Rei de Paruhu jogava isso?

— Sim. Por um tempo, jogava do amanhecer até a noite. Só que parecia ter dificuldade de encontrar adversário.

Bom, faz sentido, rei chamando alguma criada por aí pra jogar shogi não deve rolar tão fácil. E mais, com a personalidade dele, deve ser difícil até propor isso. Ele é tímido, afinal.

— Geralmente jogava contra mim, ou contra meu tio. Só que parece que eu era fraca demais e não servia de oponente.

— A senhorita Rachel não jogava com ele?

— Jogou, mas a Rachel perdeu de forma tão avassaladora, virou o tabuleiro, e disse que nunca mais jogaria…

Criança, né? Ah, é, ela é criança mesmo. Consigo imaginar a cena claramente.

Mas shogi, hein. Fico curioso o quanto de talento ele tem.

Saber ou não do que eu tava pensando, o rei-menino chega na varanda.

— Desculpe fazer esperar!

— Não, imagina, sem problema. A Rachel já se acalmou?

— Sim. Bom, mais ou menos. Ficou trancada no quarto, mas, quando fica de mau humor, sempre é assim…

Hmm. Será que tá tudo bem mesmo? Se ela virar reclusa por causa disso, seria problema.

— Ué? Isso é…

O rei-menino repara no próprio jogo de shogi que tá na minha mão.

— Ah, a Princesa Lucienne me contou que o Rei de Paruhu ficava absorto jogando isso. Na verdade, fui eu quem criou isso. Fico surpreso que já tenha se espalhado até Paruhu.

— É sério isso!?

— Que tal? Não quer fazer uma partida?

Meio por curiosidade de ver o nível dele, proponho a partida, e o rei-menino balança a cabeça verticalmente, olhos brilhando.

Como a mesa redonda dificultaria, sentamos frente a frente numa mesinha dentro do cômodo, e vamos alinhando as peças cada um.

Certo, vamos ver como vai ser. Faz tempo que não jogo, mas deve dar conta.

— …Fui derrotado.

— Muito obrigado.

Seguindo minha curva de cabeça primeiro, o Rei de Paruhu também curva a dele. Hmm. Com isso, são três derrotas seguidas minhas.

Não que eu me gabe, mas nunca fui do tipo forte em shogi. Mas dá pra sentir mais ou menos a força do adversário. Esse menino é bem forte, hein?

— É bem forte, hein. Entre os adversários que já enfrentei, ele briga pra ficar entre os um ou dois melhores.

— S-sério mesmo? Só joguei contra meu tio, praticamente.

Quer dizer que o Duque Rembrandt também é razoavelmente forte, então?

Hmm. Isso pode ser interessante. Talvez dê pra dar confiança a esse menino. Num instante, já falei em voz alta a ideia que me veio à cabeça.

— Na verdade, daqui a dez dias vai ter um torneio de shogi em Brunhild. Vossa Majestade não gostaria de participar discretamente também?

— Ehh!? M-mas será que tá tudo bem eu participar!?

— Sem problema. Outros nobres e membros de família real de outros países também vão participar discretamente. Garanto total segurança, viu.

O torneio em si acabei de inventar agora, mas provavelmente o Rei de Belfast e o Duque Ortlinde vão participar mesmo. Ou melhor, se eu abrir um torneio e ficar quieto sobre isso, com certeza vou ser reclamado depois.

Se eu colocar como cabeça de chave as pessoas que considero fortes, e o resto for por inscrição livre, acho que já ganha forma decente.

— O-o que eu faço, hein…

Enquanto o Rei de Paruhu fica indeciso, remoendo pensamentos, a irmã Lucienne fala com ele.

— Não precisa pensar tão a fundo, né? É só pensar como um passeio até Brunhild. Claro que eu também vou junto, então tá tudo bem, viu?

— …E-então, vou tentar participar…

— Decidido, então.

Bato as palmas, dizendo "certo, decidido".

Vai ficar movimentado. Bom, incluindo isso, parece interessante, então tá tudo bem.

— …Bom, é meio de repente, mas decidi abrir um torneio de shogi.

— Realmente de repente mesmo.

Na cidade de Refret, na matriz da estalagem "Lua de Prata". Diante de mim, o homem barbudo ruivo. Pai da Mika-san, o Dolan-san.

— E, esse torneio, quer que a gente participe como convidado especial?

— Bom, mesmo sendo cota de convidado, é só isenção de fase classificatória mesmo, não é tão vantajoso assim.

Incluindo o Dolan-san da estalagem "Lua de Prata", também deixei registrados como cabeças de chave o Baral-san da loja de armas "Kumahachi", e o Simon-san da loja de ferramentas. Eles são jogadores dos primórdios do shogi neste mundo, com nível de força bem acima do meu, no mínimo.

— Então, vão participar?

— Óbvio que sim. Em nome de Refret, terra natal do shogi, com certeza vou levar o título de campeão.

Desde quando surgiu esse título, hein. De fato, se for dizer terra natal, é terra natal mesmo, mas.

— E, quem mais vai participar?

— Ainda só decidi uns poucos convidados, mas todos com bom nível. Primeiro dia é classificatória, segundo dia é a fase final. O Dolan-san e o pessoal só entram a partir do segundo dia, então podem vir com um dia de atraso, mas, como fica?

— Nem pensar. Não vou perder a chance de ver o jogo de um possível adversário. Vou desde o primeiro dia. Tem a estalagem da Mika mesmo.

Certo, então o Dolan-san vai desde o primeiro dia. Aviso que vou buscar ele no dia da classificatória, e deixo Refret.

Depois de voltar, ligo pro Rei de Belfast, o Duque Ortlinde, e outros reis, buscando candidatos interessados.

E, ao mesmo tempo, já que também vou realizar torneio de artes marciais e de beisebol, peço aos cavaleiros de cada país que participem se quiserem.

Levei em consideração a opinião de que só shogi seria discreto demais e não animaria tanto assim.

Como resultado, virou uma lista de participantes absurda…

— O que é essa lista de participantes, hein…

— É, bom, entendo o sentimento.

Vendo a lista que escrevi, a Yumina solta um riso meio tenso.

■ Interessados no torneio de shogi

Rei de Belfast (Belfast) Duque Ortlinde (Belfast) Imperador de Regulus (Regulus) Rei de Lifris (Lifris) Rei de Paruhu (Paruhu) Duque Rembrandt (Paruhu) Governadora-Geral de Lodmea (Lodmea)

■ Interessados no torneio de artes marciais

Rei das Feras de Misumido (Misumido) Rei Cavaleiro de Lestia (Lestia) Capitão Gaspar da Ordem de Cavaleiros (Regulus) General Leon (Belfast) Cavaleiro Rion (Belfast) Capitão da Guarda Garun (Misumido) Baba Nobuharu (Brunhild) Yamagata Masakage (Brunhild) Kunoe Jūtarō (Ishen)

■ Times participantes do torneio de beisebol

Brunhild Belfast Misumido Regulus Lestia Lifris Riinie Lodmea

Só de gente relacionada a cada país, já é essa quantidade toda. Isso foi um pouco inesperado.

— A segurança vai ficar bem, isso?

— Nisso não vai faltar nada. Os reis vão usar artefato mágico que faz parecer outra pessoa, exceto pra gente específica, e cada país vai mandar escolta também, do mesmo jeito discreta. Claro, nós também vamos vigiar discretamente. O batalhão de gatos do Nyantarou também vai ajudar.

Os subordinados do Kohaku e os outros também vão ajudar. Nisso não vai faltar nada, mas o que mais me preocupa é se a Doutora vai insistir em participar do torneio de shogi, ou a irmã Moroha e a irmã Karina no torneio de artes marciais.

Vou tentar convencer elas a desistir, mas fico com medo de que, em troca, peçam algo absurdo demais.

— Assim, tá virando festival, hein.

— Bom, não tá errado não. Vai ter barraquinha também, e vários eventos pequenos diferentes. O único lamento é que o período de preparação é curto.

Foi de repente que resolvi começar, afinal. Foi ruim envolver todo mundo assim, mas parece que estão animados de qualquer forma, e isso ajudou. Se rolar uma segunda edição, vou dar mais tempo de preparação.

O Kōsaka-san reclamou que, se ao menos tivesse um mês, daria pra fazer mais publicidade fora do país, gerando lucro ainda maior. Ah, sim, eu entendo, mas.

— A Yae, a Hilda e a Elsie também disseram que queriam participar do torneio de artes marciais.

— Dessa vez, vou pedir pra elas ficarem na segurança. Vão ter que aguentar.

Acho que elas já ficaram bem fortes. Sendo treinadas quase todo dia pela deusa da espada, a irmã Moroha, e, além disso, deve ter influência da "proteção divina" também. Provavelmente, existe possibilidade de elas receberem proteção de nós três, eu, a irmã Karen e a irmã Moroha.

Isso significa, digamos, estar sob a proteção desse deus. Recebendo vários tipos de benefício, obtendo capacidade fora do comum. Só que, não é que a proteção da deusa da espada necessariamente aumente diretamente a habilidade de espada — o efeito parece variar bastante de pessoa pra pessoa. De fato, a Yumina na minha frente já desenvolveu capacidade de prever o futuro em poucos segundos. Provavelmente essa é minha proteção, mas não entendo bem por que esse tipo de poder se manifestou assim.

Elas participarem do torneio de artes marciais parece meio injusto. Dessa vez, quero que todo mundo, incluindo os participantes, se divirta, então, desculpa, mas vão ter que se conter. Senão, perde o sentido de ter impedido a irmã Moroha e as outras de participar.

O velho Baba e o velho Yamagata foram convencidos com o pretexto de segurança do local. Bom, de fato, não é garantido que não apareça alguém com má intenção entre os participantes, então é necessário mesmo. Isso também vou cuidar direitinho com artefato mágico e barreira, mas não existe garantia absoluta.

— Ah, e também, a Papisa Ramish e a irmã Karen falaram que queriam pedir emprestada a igreja da cidade.

— A igreja? Vão fazer culto ou algo assim?

— Parece que vão fazer um consultório de aconselhamento de problemas. E também, contar história sobre os deuses.

Consultório de problemas, hein. Bom, não é que eu me importe. Elas parecem ser boas em dar conselho sobre amor e vida também. Mas isso quer dizer que a Papisa também vai participar disfarçando a própria identidade?

Enquanto cruzava os braços, pensativo, o smartphone no bolso começa a vibrar. Hm? Ligação?

Tirando e olhando a tela, aparece a letra "Chamada de Deus". Ueeh!?

— A-alô?

— Ooh, Touya-kun. Será que eu também posso participar um pouquinho desse festival? Que nada, só quero ver de perto, e conversar um pouco na igreja, não vou incomodar em nada.

— Sério mesmo…

— Também quero encontrar os deuses que desceram. Conto com você, viu.

Ouvindo a risada "hohoho" do outro lado do smartphone, sinto meu rosto ficar tenso. …Que perigo. Virou algo absurdo demais.

Num certo sentido, o guardião mais forte vai descer, mas será que fica tudo bem, esse festival. Claro, não é como se ele fosse vir como deus, mas.

Ah não, com isso, os reis de cada país se reunindo disfarçados já parece coisa banal…

Que coisa complicada, hein.


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