Capítulo 289 – O Segundo Dia e a Tarde
Corre. Pisa na segunda base, pisa na terceira, avançando pra casa com um ímpeto quase imprudente.
Do braço forte do centrofielder, um arremesso tipo feixe de laser se estende em direção ao catcher.
Jogada de cruzamento entre o corredor de Misumido que desliza pro chão, e o catcher de Belfast que recebe a bola.
Uma nuvem de poeira se levanta, e, por um instante, os dois caídos desaparecem de vista. A arquibancada, que observava conteve a respiração em silêncio absoluto, e a voz alta do árbitro rompe esse silêncio.
— SEEEEEEEEGURO!!
Imediatamente, um rugido tipo tsunami ecoa vindo da arquibancada. Os jogadores correm do banco de Misumido, erguendo nos ombros o corredor que deslizou até a casa.
A final, empatada em 1 a 1, chegou até a parte de baixo do nono turno, e esse último ponto virou o ponto decisivo, terminando 2 a 1, vitória de virada de Misumido.
O primeiro Campeonato Mundial de Beisebol teve Misumido como campeão. Vice-campeão foi o Reino de Belfast, e terceiro lugar o Império de Regulus.
Fitas prateadas são disparadas no estádio, e confete voa acima da cabeça dos jogadores.
Nossa, que jogo tenso e bom foi esse. Ambos os lados lutaram com todas as forças, de forma leal.
Uma salva de aplausos foi enviada aos jogadores dos dois países. E, em seguida, passamos direto pra cerimônia de premiação.
Como representante do país-sede, entreguei o troféu comemorativo e o escudo ao capitão de cada time, e medalhas conforme a classificação a todos os jogadores.
Assim como nas Olimpíadas, pensei em entregar medalha conforme a colocação: hihiirokane pro terceiro lugar, mithril pro segundo, e medalha de oricalco pro primeiro.
Numa Olimpíada de verdade, provavelmente teria premiação em dinheiro por país, mas isso deixo pra cada país decidir.
No troféu e nas medalhas, está gravado "Primeiro Campeonato Mundial". Tem país que não participou, mas, sendo a primeira edição, ainda é um campeonato mundial mesmo.
Espero que dê continuidade com segunda, terceira edição.
Da arquibancada, ainda excitada e sem se acalmar, uma chuva de aplausos continuava envolvendo os jogadores que lutaram até o fim.
Não que fosse propriamente um prêmio extra, mas autorizei o uso de um cômodo do castelo como local de comemoração da vitória, e presenteei do meu próprio bolso alguns barris de bebida e comida festiva. Como o quarto ia virar um caos, só peço pra evitarem jogar cerveja um no outro. Bom, acho que não existe essa cultura por aqui mesmo.
Com isso, o torneio de beisebol se encerrou tranquilamente.
Já são quase quatro da tarde. Será que a classificatória de shogi tá indo bem?
Levando a Yae, a Yumina, a Sue, vamos até o local da classificatória de shogi.
O local estava com menos gente que de manhã. Deve ser porque quem já garantiu vitória, ou já foi eliminado, saiu.
— Ah, é o papai!
Entre os espectadores do local, a Sue avista o Duque Ortlinde e corre até ele.
— Ei, ouvi que o beisebol terminou com Misumido campeão. A notícia já chegou até aqui.
— Que pena pro Belfast.
— Bom, em disputa, não existe "certeza absoluta". Mas mesmo em segundo lugar, acho que já é motivo de orgulho.
De fato, aquele jogo podia ter pendido pra qualquer lado. Acho que qualquer um que assistiu aquele jogo entendeu isso.
— E, como tá indo a classificatória por aqui?
— Bastante disputado. Teve uns adversários razoavelmente perigosos. Sinceramente, não quero encarar eles.
Os classificados de hoje e os convidados cabeça de chave já pré-selecionados, somando 32 pessoas, vão jogar a partir de amanhã de manhã.
Se der certo, o campeão deve sair por volta do fim da tarde, mas a pressão de partida atrás de partida deve afetar bastante o desempenho. Devia ter planejado com mais folga, mas nunca imaginei que tanta gente fosse participar assim.
Pra amanhã, pretendo projetar em tela grande, pra mais gente assistir. A instalação disso vou fazer depois, com a Monica e a Rosetta, mas, como vai dar trabalho, também vou ajudar.
Aí, o smartphone no bolso vibra avisando ligação. Tiro e confirmo.
— Opa, aqui também tá dando trabalho, hein.
Deixando esse lugar com a Yumina e as outras, me teletransporto pra igreja construída na colina nos limites da cidade.
— Ah, amanhã!? Q-que horas!?
— Parece que vai ser por volta do meio-dia. Talvez com alguma variação.
Quando conto à Sua Santidade a Papisa, que ensinava a doutrina divina na igreja, sobre a visita marcada da chamada de agora há pouco, a respiração dela fica descompassada, talvez de excitação. Será que tá tudo bem? Sendo a idade que é, fico meio preocupado. Já passou dos 60, se não me engano. Mas não posso perguntar a idade pra uma mulher, né.
— O-o que fazemos, Vossa Santidade?
— Se acalme, Phillis. Já é tarde demais pra ficar apressada agora.
Os cavaleiros sagrados de Ramish, sem entender do que se trata a conversa, ficam todos boquiabertos, mas só a cardeal Phillis-san, a única que entende, junto comigo, ficava igualmente agitada. Bom, faz sentido, se acostumar seria pedir demais.
Observando essa cena, a irmã Karen murmura sozinha.
— Mesmo assim, é raro mesmo, viu. O Deus do Mundo descer ao mundo terreno é coisa que acontece talvez uma vez a cada centenas de milhões de anos.
Não, já desceu duas vezes, viu. Bom, segundo o que ouvi depois, aquelas duas vezes foram tipo avatar, ou clone, digamos assim. Mesmo assim, dizem que já é uma existência absurda.
Não sei se, dessa vez, ele vem também com avatar, ou se, igual as irmãs, vem materializado como pessoa.
— S-se cometermos alguma falta de educação, será que o mundo acaba ali mesmo…
— Não tem como isso acontecer. Ele mesmo prega o princípio de não interferência. Não precisa ficar tão tensa assim.
A Phillis-san começa a falar coisa estranha, então tento acalmá-la. Será que tá tudo bem essa pessoa? Sinceramente, não parece nem candidata a próxima Papisa…
— Por ora, eu também vou estar presente nessa hora. A irmã também vai estar, então tá tudo bem.
— Hmm, por causa do assunto do deus subordinado, fica meio difícil pra mim encarar ele de frente, viu…
A irmã cruza os braços, com cara complicada.
Faz sentido mesmo. Originalmente, capturar ou eliminar aquele deus NEET seria papel da irmã. Só que esse deus subordinado foi absorvido pelo deus maligno, e agora, como deus, ela não consegue mais interferir.
Se não me engano, faltou pouquíssimo pra impedir isso a tempo. Por causa da irmã Karen ter tirado soneca.
Desde então, não mostrou movimento nenhum, mas isso, ao contrário, dá uma sensação sinistra. Como sempre, Phrase de escalão inferior continua aparecendo esporadicamente por vários lugares, mas, por ora, vem sendo derrotado pelos aventureiros de rank superior.
Preciso mesmo encontrar um jeito de restaurar a barreira do mundo.
Não é que não exista possibilidade nenhuma. Eu considero que o visitante do mundo sombrio, que o velho Parelius encontrou há 5000 anos, seja a chave disso.
Provavelmente… bom, é só suposição, mas talvez tenha sido um golem com habilidade especial do mundo sombrio, ou o próprio usuário desse golem, invocado pra cá por algum experimento do velho Parelius.
E, com esse poder, talvez ele tenha restaurado a barreira do mundo real.
De fato, talvez a chave esteja mesmo do lado do mundo sombrio.
Enquanto ficava absorto pensando nisso, do outro lado da igreja veio um som barulhento, ou melhor, som de miado. Miado de gato?
Olhando de relance, dezenas de gatos vinham subindo correndo pelo caminho da colina que leva até a igreja. Ueh!?
Assim, os gatos pulam em cima de mim, soltando miados. Mais do que atacar, parece que estão tentando comunicar algo. Que isso, afinal!?
Por ora, chamo o Kohaku, que estava no castelo, via [Gate]. Sendo o Kohaku, deve entender a língua dos gatos.
Diante da chegada do tigre-branco, fera-divina, os gatos ficam completamente quietos, e o Kohaku vai perguntando alguma coisa pra eles.
— E, o que eles disseram?
— «Haa, parece que… o Nyantarou tá num duelo. Vieram até o senhor pra pedir pra impedir.»
— Duelo!? Com quem!?
— «Com o Rei Demônio, parece.»
Dor de cabeça…
Sabre e florete faíscam. A estocada rápida em sequência do Nyantarou é disparada em direção ao Rei Demônio. A ponta do florete é desviada pelo sabre do Rei Demônio, que responde com um corte horizontal, mas, com a agilidade de gato, o Nyantarou desvia disso rapidamente, recompondo a postura.
— Se sai bem, gato-cavaleiro!
— Não conseguir lidar nem com isso, não seria digno de proteger a mãe da princesa, nya!
Diante do sorriso maldoso do Rei Demônio, o Nyantarou estreita os olhos e retruca.
Cada um avançando devagar, arrastando o pé, os dois se encaram tendo como fundo o pôr do sol que paira sobre o pátio da escola.
Os dois pisam o chão ao mesmo tempo, encurtando a distância um pro outro, prestes a trocar o golpe fatal decisivo…
— [Slip].
— Gafu!?
— Bunyan!?
Assim que trocariam o golpe, minha magia faz os pés escorregarem, e os dois caem com força. Idiotas, esses dois.
Solto um suspiro em direção aos dois (um e um gato?), caídos no chão.
— O que vocês estão fazendo, hein, Vossa Majestade Rei Demônio?
— P-Príncipe de Brunhild!? I-isso é… eu só queria ver a força real desse gato, que dizem ser escolta da Fiana, sem outra intenção nenhuma!
A Fiana-san, mãe da Sakura, é diretora dessa escola. A escolta dela é o Nyantarou, espírito invocado da Sakura.
Dizia estar testando a força real, mas parece meio suspeito. Talvez tenha algo de despeito por ter sido tratado com frieza pela filha e a ex-esposa (mesmo que nunca tenham se casado de fato) juntas.
Bom, deve ainda ter restado alguma razão nele. Não usou magia, afinal.
Igual todo mundo, talvez pela influência de virar servo divino, a energia mágica da Sakura também tá ficando mais forte. Minha impressão pessoal é que já talvez esteja acima do próprio Rei Demônio. Se for isso, o Nyantarou, espírito invocado dela, também deve estar razoavelmente mais forte.
Mesmo assim. Ainda que seja, duelo com um rei de outro país, francamente, que idiotice. Ou melhor, o Rei Demônio também, vindo sozinho até aqui, deixando os guarda-costas pra trás, francamente.
— Você também, o que tá fazendo?
— Nya!? A princesa me disse que, se o Rei Demônio vier, não precisa segurar a mão, nya! Que, se possível, era pra deixar ele impossibilitado de andar durante o festival, nya!
— GUFUUH!?
O Rei Demônio desaba, segurando o peito. Ei… essa aí, sem dúvida, doeu mais que qualquer outro golpe…
O Rei Demônio, arrasado com o tratamento impiedoso da própria filha.
Como direi… vendo essa pessoa, fico com bastante medo de ter filha.
Aliás, se no futuro eu e a Sakura tivermos filho, essa criança vira neto dessa pessoa. Se até o neto disser "chato", será que ele morre de repente…
— …Nyantarou, já terminou?
Abrindo a janela da sala de aula, a Sakura espia. O fato de ela mandar espancar o próprio pai biológico, e depois ficar impassível assim, dá pra sentir mesmo a linhagem do Rei Demônio nela.
Imediatamente, o Rei Demônio se levanta de um pulo e corre em disparada até a Sakura.
— Farnese! Já que vim até aqui, deixa eu ao menos ver a Fiana por um instante!
— Mãe tá ocupada. Rei Demônio atrapalha.
Pan! A janela é fechada com força. Francamente, tinha jeito melhor de falar isso… olha só, o Rei Demônio ficou completamente branco.
— Príncipe de Brunhild… será que eu sou odiado pela minha filha?
— Não… não acho que seja bem assim. Se ela odiasse mesmo, acho que seria bem mais duro que isso.
— Isso aí não é duro!? Meu peito tá quase se despedaçando de tanta dor!?
No caso da Sakura, é diferente de odiar ou guardar rancor mesmo.
Sinceramente falando, é mais tipo "que chato" ou "tanto faz", digamos. De qualquer forma, não tem interesse nenhum. Faz sentido também, já que praticamente nunca tiveram contato de pai e filha. Sem esse tipo de laço afetivo entre pais e filhos, ele vira só um tio chato mesmo.
Parece que não conseguiram acertar a distância certa entre eles… acho que precisa começar preenchendo isso primeiro, mesmo.
— Mesmo assim, eu, discretamente, sempre me esforcei pensando no bem-estar da Fiana e da Farnese… aquela criança nasceu sem chifre real. Carregando o sangue do Rei Demônio, mas sem chifre… a maioria dos nobres não iria aceitar isso. Achei que, em vez de ser desprezada e chamada às escondidas de "princesa amaldiçoada", seria melhor ela viver longe de mim, como plebeia comum… mas as coisas não saem como planejamos.
Bom, sendo a circunstância que é, acho que a Sakura também entende que não teve como evitar aquilo.
Só que acho que o motivo dela evitar o Rei Demônio não é por causa dessas circunstâncias ou acontecimentos passados, e sim, simplesmente, porque ele é chato mesmo.
Mesmo que seja verdade, não tenho coragem de dizer isso em voz alta. Seria cruel demais dar mais esse golpe.
Enquanto pensava no que fazer, a Fiana-san e a Sakura saem juntas da escola.
— O… ooh! Fiana! Quanto tempo!
— Quanto tempo mesmo, Vossa Majestade Rei Demônio. Bem-vindo a Brunhild.
Contrastando com a Fiana-san respondendo com sorriso gentil, a Sakura estava claramente emburrada. Ei, ei, tá com boca de "hé" mesmo.
— Parece que essa criança causou algum transtorno, desculpe. Por favor, perdoe ela.
— Ah, não, tá tudo bem. A culpa foi minha, de vir visitar assim de repente. Ontem também vim, mas fui expulso pela Farnese.
— Ora.
Diante do olhar de leve reprovação da Fiana-san, a Sakura desvia o olhar sem graça. Parece que a Fiana-san realmente não tinha sido avisada de nada.
— …Porque com certeza ia atrapalhar a mamãe. Já que ela tá ocupada com preparativo de encontro de crianças.
— Encontro de crianças?
O Rei Demônio reage à palavra que a Sakura falou. Ah, é verdade, isso mesmo.
— Amanhã e depois de amanhã, pretendo convidar as crianças da escola e da cidade pra um encontro de leitura de histórias. Acho que assim até as crianças que não sabem ler conseguem se divertir.
— Hoo.
Neste mundo, livro em si não é algo tão barato, e a taxa de alfabetização não é alta o suficiente pra ler livro com história estruturada. Por isso, esse tipo de história só dá pra ouvir de trovador ou contador de histórias. Também existe teatro, mas, mesmo com ingresso barato, não é valor que criança consiga pagar.
E ainda por cima, a maioria são histórias clássicas conhecidas de todo mundo.
Por isso, selecionei do e-book histórias que criança gostaria, e pedi pra Sakura e a Lindsey traduzirem, transformando em livro de história nova.
Precisei converter palavras que não existem aqui, tipo "carro" ou "arma de fogo". Bom, contos populares e fábulas não precisaram de tanta conversão assim.
Enquanto eu me lembrava disso,
— Certo, então esse tal encontro de crianças, eu também vou ajudar!
De repente, o Rei Demônio diz isso, batendo no próprio peito.
De novo esse cara falando algo problemático. Deve ser exatamente isso que faz ele ser chamado de chato, hein…
— Não, imagina, isso não seria possível…
Interrompendo a Fiana-san tentando recusar gentilmente, dizendo que não daria pra fazer o rei de um país ajudar, o Rei Demônio continua a fala.
— Não precisa se preocupar. Tá ocupada, né? Ao menos, sou mais útil que patas de gato, né?
— Opa, isso eu não posso deixar passar, nya… eu sou muito mais útil, nya.
Faíscas invisíveis crepitam entre um e uma (gato). Vai fazer besteira de novo? Faço eles escorregarem de novo?
Bom, tirando isso, é isso, né. Será chance de reconciliar pai e filha?
Não é algo que rei de país devesse fazer, mas quem ele vai ajudar é a própria filha biológica, e, com o distintivo, é como pessoa comum. Ao menos na aparência, não tem problema. Com isso, talvez a Sakura amoleça um pouco a atitude também.
Não tem jeito, vou assumir o risco. Falo com a Fiana-san.
— Se ele quer ajudar, tá tudo bem, né. Na verdade, tava faltando gente mesmo.
— Mas…
— E também, o jeito de funcionar dessa escola, a política de educação, deve ter muita coisa aproveitável pra Zenoas também. Vendo como um tipo de intercâmbio cultural, não acho que seja má ideia.
— Sim! De fato!
O Rei Demônio assente, satisfeito, como se dissesse "é exatamente isso". Não sei o quanto disso é sério, mas vou deixar passar sem cutucar demais.
Mas, ignorando essa consideração minha, a Sakura reage emburrada.
— Ajuda eu deixo o Nyantarou fazer. O Nyantarou até consegue ler livro.
— Mas o Nyantarou não consegue pronunciar direito, né?
— Isso não é verdade, nya! Sou fluente em qualquer língua, nya!
O Nyantarou levanta a voz, como se fosse insulto. Será mesmo?
— Então tenta falar "seven feijões-espada, sete grãos de arroz cru, sete grãos, sete feijões-espada, sete grãos de arroz cru"?
— Nyatamame nyanya tsubu, nyamagome, nyanya tsubu, nyanyanya tsubu nyatamame nyanyanyagome… NYAAAAAAA!!!
Vê só.
O Nyantarou desaba de joelhos. A Sakura resmunga "gumumu".
— Bom, tirando isso, acho que não precisa recusar tão direto assim uma ajuda oferecida, né. A Sakura também quer que esse encontro de crianças dê certo, né?
— …Tá bom. Pode ajudar.
Concordando meio a contragosto, a Sakura ouve isso e o Rei Demônio abre um sorriso feliz.
— Mas não atrapalha a mamãe. E também não pode incutir nada estranho nas crianças.
— Certo, prometo.
Ouvindo essa conversa dos dois, a Fiana-san observava com um sorriso gentil. Meio complicado, mas será que essa também é uma forma de laço entre pai e filha. Ah, é verdade.
— Ei, Fiana-san, será que dá pra ficar em pé aí?
— Hã? Aqui?
— Rei Demônio, fica desse lado. A Sakura fica no meio. Isso, isso mesmo, fica assim.
— O que é isso?
Colocando os três em pé, com a Sakura no centro, recuo um pouco e preparo a câmera do smartphone.
— Certo, sorriam~
Clique! Com o som do obturador, a foto é tirada.
Depois, tiro do [Storage] papel de impressão, e transcrevo com [Drawing], pronto.
Mesmo sem tirar foto antes, dá pra transcrever com [Drawing], mas ver a imagem parada ajuda a reproduzir com mais precisão. A Doutora disse que, eventualmente, ia fazer um artefato mágico que qualquer um consegue usar pra imprimir, mas agora ela tá totalmente ocupada com o portão dimensional.
Entrego pra cada um dos três o papel pronto.
— Ora.
— Ooh, isso é…!
— Muu…
Com expressões bem diferentes entre si, os três, pai, mãe e filha, encaram fixamente a foto (precisamente, não é foto de verdade) entregue.
— I-isso eu posso ficar!? Príncipe de Brunhild!
— Sim, claro. Presente de hoje.
— Agradeço muito mesmo!
Gritando de alegria, o Rei Demônio contrasta com a Sakura, que olha a foto com expressão séria. Não me diga que ela vai dobrar ou cortar bem a parte onde o Rei Demônio aparece? Por favor, pelo menos agora não faz isso.
De fato, a Sakura não chegou a tanto, mas fazia cara de incômodo vendo o próprio pai animado segurando a foto, apesar da idade. Bom, isso eu entendo. Esse tio, com certeza já passou dos cem anos, né.
Do lado da Fiana-san, ela observava a foto com expressão de admiração.
Ah é, é verdade.
Tiro do [Storage] um smartphone branco de produção em massa e entrego pra Fiana-san. Sendo a responsável máxima da instituição educacional deste país, a escola, faz sentido entregar. Sobre como usar, é só perguntar pra Sakura.
O Rei Demônio, vendo isso, também pediu um pra ele, mas, quando expliquei que, em outros países, só entrego pros chefes de estado membros da Aliança Leste-Oeste, ele disse "então Zenoas também entra na Aliança". Ei, ei, isso tá tudo bem mesmo, hein…
Zenoas, que sempre ficou em isolamento, se abrir seria super bem-vindo, mas será que tá tudo bem um motivo assim tão de repente?
Segundo o Rei Demônio, desde a queda de Eurono, Zenoas já vinha considerando essa direção também, e isso só serviu de gatilho… mas será mesmo verdade, hein, meio suspeito.
Bom, isso não é decisão que eu possa tomar sozinho, então ficou combinado de conversar depois que o festival terminar.
Se for assim, também preciso considerar os outros países convidados — Hanok, Felsen, Lyle, Elfrau, Ishen. Ah, também a Ilha Parelius.
Já não é mais Aliança Leste-Oeste, e sim quase uma Federação Mundial. Ainda não sei se os outros países vão querer entrar, mas.
De qualquer forma, parece que vai ficar movimentado de novo, e solto um suspiro sem querer.