Capítulo 302 – A Aliança Mundial e o Plano Ferroviário
— Oooh! Então esse é o famoso golem! Ah, entendo, entendo, que esplêndido!
Levando as três Étoile pro "Laboratório", a Doutora Babylon vem correndo até mim, com sorriso radiante.
— Hoo, hoo, máquina do mesmo tipo, é? Formato feminino? Uehehe, isso vale a pena investigar mesmo. Meninas, não vai doer, viu, só vou abrir um pouquinho o corpo de vocês e dar uma espiadinha por dentro, ai!
— Para com isso, esse comentário de assédio.
Desço uma "deconpin" bem certeira na cabeça da doutora-menininha pervertida. Impressão minha, ou as três parecem meio assustadas com o comportamento dela?
— Ai, dói. É só um pouco de curiosidade descontrolada, né? Ser atraída pelo desconhecido é natural pra técnica de magi-engenharia, não é?
— Até entendo, mas golem tem vontade própria, sabia. Essas três são tipo aprendizado, então não ensina nada estranho.
Aviso, enquanto ela esfrega a cabeça. Se até a Ruby e o pessoal ficarem com personalidade pervertida, vai dar problema. Preciso mesmo de um educador decente, hein.
— Hã, hã… nesse tamanho, deve combinar roupa fofa. Roupa de baixo também vai precisar. Doutora! Que tal deixar o corpo ainda mais fofinho e macio!?
Ofegante, a gerente do "Laboratório", a Tica, observava fixamente a Ruby e o pessoal. Essa aí também tava aqui, hein… lolicon, será que essas crianças também entram na categoria dela?
Bom, em termos gerais, tanto as Babylon Numbers quanto os golems talvez entrem na mesma categoria de "seres vivos artificiais".
Por ora, não adianta ficar assim. Desativo temporariamente as três Étoile, deixando em estado de hibernação.
Depois disso, transmito o conhecimento básico de golem que aprendi com a Nia, e peço pra não mexerem no G-Cube, o coração, nem no Q-Crystal, o cérebro.
— [Analyze].
A Doutora examina as três com magia de análise. Função e material que eu não conseguia entender, ela deve conseguir compreender.
— Hmm… tem alguns materiais desconhecidos usados aqui. Talvez sejam coisas que não existem neste mundo. Acho que dá pra substituir com outra coisa, mas. Se essas três têm "habilidade", como você disse, ainda não dá pra saber por ora.
— Do outro lado, também tem golem chamado "Coroa", com habilidade absurda. Talvez, há 5000 anos, o golem que veio pra cá e teve contato com o velho Parelius fosse justamente um "Coroa".
— Teoria interessante, mas ainda não passa de especulação. Se esse golem restaurou a "barreira do mundo", o que aconteceu com ele depois? Não me diga que ainda existe neste mundo até hoje?
Não é impossível… mas, mesmo fazendo busca de mapa por aqui, não achei nada. Será que voltou pro mundo original?
Talvez seja um golem com "habilidade" de atravessar mundos, igual o Ende.
— Bom, por ora, vamos analisar essas três detalhadamente. Talvez descubra alguma coisa.
— Entendido. Aviso de novo: nada de ensinar coisa estranha, tá? E também, nada de modificação esquisita.
Reforçando isso pras duas, saio do "Laboratório".
Ah, é verdade, dessa vez esqueci de comprar souvenir de novo. Com tanta coisa complicada acontecendo junto, acabei esquecendo…
Pensando nisso, abro [Gate] pro meu quarto em Brunhild.
Alguns dias depois, decidimos realizar, depois de tempos, a Conferência Mundial, reunindo os reis de cada país.
Digo Conferência Mundial, mas, no fim, é basicamente reunir todo mundo pra comer coisa gostosa, se divertir, e conversar bem. Na prática, já não dá mais pra negar que virou algo tipo festa em casa.
Dessa vez, além do pessoal da Aliança Leste-Oeste, o Reino Demoníaco de Zenoas, o Reino de Paruhu e o Reino de Felsen vão aderir de novo. Com isso, o nome da aliança também mudou pra "Aliança Mundial".
De Zenoas, o Rei Demônio, Zelgadi von Zenoas.
De Paruhu, o rei-menino, Ernest Din Paruhu.
De Felsen, o Rei Mágico, Blanger Frost Felsen.
Esses três reis passam a participar da reunião a partir de agora.
Na próxima reunião, o Reino de Elfrau, o Reino de Hanok, e o Reino de Lyle também devem entrar. Até lá, quero de algum jeito trazer Ishen e Parelius também.
— Uwaa, o balanço tá tremendo demais!
— O que tá fazendo, hein, El! Se levanta logo!
— Hahaha! Consegui! Não leva a mal, Rei de Paruhu!
Na tela da sala de recreação, três Frame Gears estavam projetados.
O Rei de Felsen e o Rei de Paruhu, recém-membros da aliança, e a noiva do Rei de Paruhu, a Rachel, estavam brincando no "Frame Unit". Já virou sensação de jogo mesmo.
Em vários cantos da sala, formaram-se vários grupos pequenos, todo mundo parecendo se divertir. Já não é mais reunião nem nada disso.
A noiva do Rei de Felsen, a Erisia-san, conversa sobre novidades com o pai, o Imperador de Regulus, e com a irmã, a Lu; o Rei Demônio de Zenoas implora à filha, a Sakura, pedindo o número de telefone do smartphone (já entreguei smartphone de produção em massa a todos os representantes de cada país). …Ou melhor, tá quase se ajoelhando.
Melhor tomar cuidado com o olhar ao redor, hein, Vossa Majestade Rei Demônio. Bom, mesmo sendo a Sakura, deve pelo menos dar o endereço de e-mail. …Provavelmente.
Naquela mesa ali, a governadora-geral de Lodmea e o Rei Cavaleiro de Lestia conversam com cara séria sobre algo, e, olhando pra sacada, o Rei Cloud de Riinie e a irmã do Rei de Paruhu, a Lucienne, estavam num clima bom.
Isso, com sorriso maroto, a deusa do amor e a deusa da caça, junto com a Papisa de Ramish, observavam.
— Pensando bem, virou algo absurdo mesmo, hein.
— Bom, reunir os reis do mundo inteiro, alguns anos atrás, nem imaginava, faz sentido… reach.
Respondendo à fala do Rei de Misumido, o Rei de Belfast declara reach e joga a fichinha de pontuação.
— Vários problemas entre países já se resolveram, e ainda por cima podemos aproveitar assim juntos. Ultimamente, todo mês, esse dia é o que mais espero com ansiedade.
O Imperador-Rei de Lifris descarta uma peça segura. Muu. É minha vez? Puxo do monte e adiciono à minha mão. Chegou! Yakuman de "todo verde"!
Falta só essa peça descartada passar… mas é arriscado, hein. Não, aqui é hora de arriscar!
Tan.
— Ron. Reach, ippatsu, tanyao, iipeikou, dora dora, haneman.
Uguuu! Diante da fala impiedosa do Rei de Belfast, desabo sem querer em cima da mesa de mahjong.
— Ooh, que medo. Ainda bem que o Touya-dono se meteu.
O Rei de Misumido dá um suspiro exagerado de alívio no peito. Droga. Perdi! Essas pessoas ficam mais fortes que eu em shogi e mahjong num piscar de olhos, que sem graça!
— Aliás, Touya-dono. Aquele assunto de outro dia…
— Ah, do plano ferroviário, né? Espera um pouco.
Guardando as peças de mahjong, abro um mapa simples em cima da mesa de jogo.
— Primeiro, que tal puxar trilho da capital imperial de Lifris até a capital real de Belfast? Se um trem circular entre esses dois, deve ficar bem conveniente.
— Trilho é aquilo, né? Aquele que tem embaixo da vagoneta que você já mostrou antes…
— Sim. Er, isso aqui é a miniatura… maquete de teste que fiz.
Tiro do [Storage] um trilho reto de uns 80 centímetros, e um trem parecido com locomotiva a vapor. Claro, esse não anda a vapor.
Coloco o trem em cima do trilho, montando tudo.
— Passa um pouco de energia mágica nessa maquete, por favor.
— Assim? Opa!?
Quando o Rei de Belfast passa uma leve energia mágica, o modelo em formato de locomotiva a vapor começa a se mover devagar, seguindo o trilho.
— Isso é um trem mágico, que amplifica energia mágica, transformando em força motriz. Esse modelo se move com pouca energia mágica, mas, pra fazer de verdade, precisaria de energia mágica bem maior.
Depois de processar várias pedras mágicas com magia de gravação, encho com líquido de Éter, criando uma bateria de energia mágica. É a versão simplificada do tanque de energia mágica da Babylon. Guarda energia mágica nisso, usando como fonte de energia do trem mágico.
Claro, não é descartável, também dá pra recarregar… ou melhor, "reabastecer" energia mágica. Cabe energia mágica equivalente a uns 20 magos.
— A base do trem é baseada em pesquisa que já era feita em Felsen. Modifiquei e criei isso, mas provavelmente 90% dá pra construir nos países de vocês também.
— E os outros 10%?
— Isso é segredo comercial nosso.
— Que esperto, hein, o Touya-dono.
Bom, não preciso ensinar até o jeito de fazer líquido de Éter e a bateria de energia mágica. Nosso país também precisa de dinheiro, afinal.
— Primeiro, que tal conectar Lifris e Belfast, e depois estender o trilho até Misumido e Regulus? Claro, sempre com boa conversa entre os dois países envolvidos, viu. Isso fica com vocês.
De qualquer forma, eu só faço e vendo o trem mágico. Mesmo esse trem, eventualmente, exceto a bateria de energia mágica, cada país deve acabar construindo sozinho.
Depois disso, é só cada país planejar e puxar o trilho. Se tiver dezenas de magos de atributo terra, não deve dar tanto trabalho assim.
Na verdade, também já comecei a construir o carro mágico. Ou melhor, é uma versão rebaixada do que já existia no "Hangar". Esse aqui penso em vender pra nobreza e realeza.
— Hmm, sendo assim, gostaria de convidar alguns técnicos de Felsen pra ensinar essa tecnologia.
— Ou talvez mandar alguém promissor pra estudar lá…
O Rei de Belfast e o Imperador-Rei de Lifris começam a discutir os próximos passos.
O Rei das Feras de Misumido, olhando o mapa em cima da mesa de mahjong, apoia o queixo na mão.
— O que fazer em Misumido, hein. Tem o Grande Rio Gau entre nós e Belfast, né. Não dá pra construir ponte assim, fácil.
O Rei das Feras me lança olhares de relance, de vez em quando.
— …Eu poderia construir a ponte, se quiser.
— Desculpa, hein, parecendo que tô insistindo. Bom, claro que vou pagar a recompensa direitinho.
Não é "parecendo", você já insistiu mesmo…
— Isso à parte, Touya-dono. Essa maquete do trem mágico, será que dá pra dar de souvenir pro Yamato…
— Ah, claro, dou de presente. Espera um pouco. Vou tirar também trilho curvo e afins.
Assentindo diante do pedido do Rei de Belfast, tiro do [Storage] trilhos de curva, formato S, e desvio.
Faz sentido mesmo, isso é brinquedo, né. Espero que o Príncipe Yamato fique feliz.
Ainda não casei, mas é pro futuro cunhado. Isso é moleza.
Esse modelo de trem em si é feito com pedra mágica pequena e magia de gravação simples, então será que dá pra produzir em massa pelo contato do Olba-san? Não só trilho, se fizer algo tipo diorama, talvez venda bem. Vou consultar isso da próxima vez.