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Isekai wa Smartphone to Tomo ni – Capítulo 304

A Convicção da Criada e os Anões

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Capítulo 304 – A Convicção da Criada e os Anões

— …O que tá fazendo, Rene?

Ao encontrar por acaso no corredor a nossa pequena criada, falo com ela sem querer.

Afinal, ela caminhava com um livro na cabeça. Claro que ia falar algo.

— Ah, Touya-onicha… quer dizer, bom dia, Vossa Majestade, ah!

Dosa dosa, alguns livros caem no tapete vermelho do corredor. Óbvio que ia cair, se ela se curvasse pra cumprimentar naquele estado.

— Aah, falhei de novo…

A Rene recolhe os livros com cara de decepção.

— Por que tava fazendo isso, hein? Livro na cabeça e tal.

— Tava treinando pro exame… exame da Guilda de Criadas.

— Aqui só tem eu e você, então pode falar do jeito normal de sempre. …Mas, exame?

A Rene era uma garota que fazia furto em Belfast, e eu contratei como aprendiz de criada da nossa casa. Depois, ficou sabendo que carregava sangue de nobreza de Regulus, mas, sem voltar pra família materna, continua trabalhando como criada em Brunhild.

Mesmo sendo país pequeno, servindo ao castelo, normalmente é exigido de uma criada certo nível de técnica, etiqueta, capacidade de julgamento de situação, e resposta adequada. Mas a Rene, ainda aprendiz, basicamente cuida do nosso dia a dia e ajuda as outras criadas.

Mesmo assim, parece que ela pensa em algo mais, e, com meros 9 anos, já se registrou na Guilda de Criadas, se esforçando dia após dia pra virar criada de primeira linha.

— Aprendi com a Cecile-san. Se conseguir andar assim normalmente, dizem que treina senso de equilíbrio e melhora a postura. No exame da Guilda, elegância também é ponto avaliado, então mandou fazer isso.

— Hee. Que trabalho, hein… mas não precisa forçar demais, viu? Mesmo sem qualificação da Guilda de Criadas, não vou te mandar embora nem nada disso.

— Não, vou conseguir a qualificação direitinho. Quero virar criada de primeira linha e trabalhar por Brunhild. Minha meta é virar criada-chefe.

Ooh, a garotinha carrega grande ambição. Criada-chefe é a Lapis-san, a chefe das nossas criadas. Superar ela é difícil, viu. A capacidade de combate dela também é alta demais.

— Também tô aprendendo direitinho técnica de proteção. Com a irmã Moroha.

— Não, isso, hein…

Primeira vez que ouço isso. Ei, ei, não tá aprendendo alguma técnica de espada estranha, né? Se não me engano, também aprendeu técnica de arremesso com a Cecile-san? Ah, é, a Leen também tava ensinando magia, né… talvez, sem eu perceber, esteja criando a criada mais forte do mundo.

— E os estudos, também tô indo direitinho na escola, viu? Criada de primeira linha precisa ser inteligente também.

A Rene também frequenta a escola onde a Fiana-san, mãe da Sakura, é diretora. Das nove da manhã até as duas da tarde, e, ao voltar de lá, é ajudar como criada de novo.

Sinceramente, achando que era demais fazer criança trabalhar assim, sugeri aumentar o tempo livre e folga, mas a Rene se recusou firmemente.

Talvez ela não veja isso como "ser forçada a trabalhar", e sim como "aprender por uma meta"…

— Não seria bom descansar de vez em quando?

— Não, durmo direitinho todo dia, então tá tudo bem. O Touya-onichan é que devia descansar direitinho. Todo mundo tá preocupado, sabia.

Fui repreendido de volta. Muu. Será que pareço tão workaholic assim? Acho que jogo bastante trabalho pro Kōsaka-san e fico enrolando, viu.

— Então, deixa eu dar um presente pra Rene, que tá se esforçando tanto. Tem algo que você quer?

— Hã? Er… pode mesmo?

— Claro. Isso é bônus pra criada esforçada. Não precisa se acanhar, fala mesmo.

— Bônus?

Droga, não entendeu. Às vezes tem palavra que não traduz bem pro idioma deste mundo, né.

— Então… quero aquele artefato que a Sue-nechan tem…

A Sue? Ah, o smartphone de produção em massa. Já entreguei pra Lapis-san e a Cecile-san, mas não tinha dado pra Rene ainda.

Hmm, dar smartphone pra criança… penso, mas já dei até pra Sue, então já é meio tarde pra isso. Aplicativo de nota, dicionário adaptado pra este mundo, deve ajudar até no exame. Sendo presente de recompensa, tudo bem esse tipo de coisa.

Tiro do [Storage] um smartphone branco de produção em massa e entrego pra Rene. Junto, entrego o manual que fiz recentemente. Lendo isso, deve dar pra operar de forma geral.

— Ah, obrigada, Touya-onichan!

— Por precaução, proibido levar pra escola, viu. Se perder ou for roubado, me avisa na hora. Não vou brigar com você.

— Tá!

Recebendo o smartphone com sorriso, acaricio a cabeça da Rene, feliz.

Se levar pra escola, existe risco de ser roubado por curiosidade ou inveja. Não acho que a Rene sofra esse tipo de bullying, mas, se dá pra evitar transtorno desnecessário, é melhor evitar. Bom, se alguém fizer bullying com meus filhos, mesmo sendo criança, vou fazer refletir com certeza…

Por ora, registro contatos, exceto os números dos reis de outros países. Com isso, dá pra ligar pra mim e pra Sue e afins também.

— Certo, boa sorte no exame. Mas não força demais, viu.

— Tá! Obrigada por isso! Vou cuidar bem!

Tatata, a Rene sai correndo pelo corredor, mas, no meio do caminho, coloca o livro na cabeça de novo e volta a andar devagar.

Opa, é verdade, hoje eu tenho um encontro marcado. Melhor terminar logo a refeição. Também começo a caminhar pelo corredor, na direção oposta da Rene.

— Ei, ei, desculpa fazer esperar.

— Não, agradeço por reservar tempo mesmo estando ocupado.

Dizendo isso, quem parecia ser o líder do grupo que veio até o campo de treino do castelo curva a cabeça.

O jeito de falar é rude, e o rosto coberto de barba é severo. O corpo musculoso dele é exatamente feito rocha, exalando as características raciais.

Todos com estatura geral de 1,20 a 1,50m. Todos homens… acho, mas dizem que até as mulheres têm barba, então deve ser difícil distinguir.

Anão. Raça robusta que vive em região montanhosa. Guerreiro e mineiro, artesão e ferreiro.

Esse grupo de anões veio até este castelo, carregando carta de apresentação do Rei do Reino de Lyle.

O Rei do Reino de Lyle, Balstra Durga Lyle IV, parece carregar sangue de anão, e o Reino de Lyle tem várias vilas de anões. Esse pessoal deve ser dessas vilas mesmo.

— E, então, o que quer me mostrar é isso?

— Sim. Primeiro, é mais rápido mostrar. Ei.

Deve ser "isso" que quer mostrar — o objeto de uns 4 metros de altura, pousado em cima de um grande carrinho atrás dos anões. Sob ordem do líder anão, os outros anões começam a tirar o pano sujo que cobria tudo, expondo "aquilo" à luz do sol.

— Isso é…!

O que apareceu de baixo do pano. Formato atarracado, braços grandes, pernas curtas. Sem nada do pescoço pra cima, e, na parte que seria as costas, um assento de piloto exposto.

Soldado de Ferro. Máquina soldado mecânica que a organização secreta "Sociedade Dourada" criou, na tentativa de dominar Eurono e invadir Felsen. Por um instante, achei que fosse aquilo, mas é bem diferente. Como direi, tem construção ainda mais rústica que o Soldado de Ferro.

Explicando o formato de forma simples: seria tipo cortar um carro pequeno bem no meio, usar a parte da frente com assento de motorista como tronco, e adicionar braços e pernas enormes… digamos, uma máquina rústica mesmo.

Mas isso é, sem dúvida, um "robô". E ainda por cima, do tipo pilotado por pessoa.

— Batizei de "Dwerg". Usamos experimentalmente pra obra civil e transporte de minério. Ainda não pretendo distribuir pra ninguém.

"Dwerg", hein. Se não me engano, é a raça que deu origem ao nome dos anões. De fato, tem jeitão atarracado e rústico parecido com anão. Mas fizeram uma coisa dessas, hein. Tecnologia dos anões é assustadora mesmo.

— Mas por que me mostrar isso?

— Vocês têm soldado-gigante, né? Queríamos comparar com esse Dwerg que a gente fez.

Haa. Comparar… será que dá. Espero que não fiquem sem confiança depois.

Agora que penso nisso, com isso, o Doutor Bowman, que criou o Soldado de Ferro, talvez fosse mesmo um gênio nisso. Mesmo sendo idiota egocêntrico.

Abro [Gate] no céu e chamo do "Hangar" da Babylon um Cavaleiro Pesado.

Zushin! Com os dois pés no chão, o Cavaleiro Pesado pousa. Vendo isso, os anões ficam com a boca escancarada. Devem ter ficado surpresos demais.

— Frame Gear de produção em massa, Cavaleiro Pesado. É a máquina mais fácil de operar. Esse é do modelo mais novo.

Não sei se minhas palavras chegam ou não aos ouvidos deles, os anões continuam calados (ou melhor, de boca escancarada), olhando pra cima em direção ao Cavaleiro Pesado.

Bom, faz sentido mesmo. O Dwerg tem uns 4 metros, e o Frame Gear tem quase 15 metros. É diferença maior que adulto e criança.

— I-isso foi encontrado em ruína antiga?

— Os primeiros exemplares, sim. Depois disso, incluindo esse, são todos máquinas novas feitas por nós. E, a partir daí, ainda desenvolvemos vários modelos novos aprimorados.

Talvez influenciado pelo jeito de falar dos anões, esqueci de usar linguagem formal. Bom, deve ser mais fácil de comunicar assim mesmo, tanto faz.

— …Tenho um pedido. Deixa eu conhecer o mestre que fez esse novo modelo. Depois de ver uma coisa dessas, não posso voltar sem ao menos ver de relance o criador.

— Hã? Ah… bom, apresentar não é problema, mas…

Não é problema, mas, né.

— E-esse garoto que fez aquilo!?

— Ora, ora, que saudação e tanto, hein. Bom, anão costuma ser assim mesmo, então é errado ficar se importando.

Vendo a Doutora Babylon, vestindo o jaleco branco enorme demais, o anão mostra expressão de surpresa de novo.

Faz sentido mesmo. Afinal, quem apareceu como criador é uma garota de uns 10 anos.

Eventualmente, o líder anão percebe algo e abre a boca em direção à Doutora.

— Por acaso, é raça de vida longa?

— Bom, não muito longe disso. Mais que isso, deduzindo, aquele aí atrás é feito por vocês?

Com as mãos ainda enfiadas no bolso do jaleco enorme, a Doutora observa o Dwerg olhando pra cima.

— Hmm, hmm. Bem rústico, mas, comparado à cópia rebaixada que copiou meu Frame Gear diretamente, isso tem mais espírito artesanal, bem mais simpático. O núcleo é… hee, reator de brilho mágico, é? Não só energia mágica atmosférica, usando como catalisador pedra mágica bem comprimida… entendi.

— Só de olhar já entende, hein!?

Os anões ficam agitados, mas não se deixem enganar. Ela usou [Analyze] escondido agora.

— Mas o meio mágico extraído com tanto esforço não circula até os detalhes. Tá vazando pra atmosfera pelas articulações. O consumo deve ser ruim.

— Kuh… mas fazer energia mágica circular até a ponta dos dedos, precisa de potência considerável. Vazar um pouco não tem jeito. Ou existe outro método?

— Simples. Grava com magia de gravação um caminho de energia mágica na própria estrutura básica. E usa adamantita na estrutura.

— Ah, é isso! Essa saída eu não tinha pensado…!

Começando uma conversa técnica, fico de fora, deixado pra trás.

Tenho uma ideia, e tiro o smartphone do bolso, ligando pra alguém na Babylon.

— Ah, Rosetta? Agora tá rolando uma conversa interessante aqui no chão, vem se quiser. Sim, ah, a Doutora tá aqui também.

Preciso incluir nossa chefe de manutenção também nessa.

Pouco depois, chega mais uma pequena de macacão, e os anões começam a discutir animadamente as melhorias do Dwerg.

Por fim, acabam ocupando um canto do campo de treino e começam a mexer no Dwerg. Faz isso quando voltar pro Reino de Lyle, francamente.

Observando os anões e a Rosetta discutindo enquanto tiram peças, a Doutora vem até mim.

— Não, foi bem interessante ver isso. Amostra viva de que, mesmo com conceito igual, criadores diferentes geram coisas completamente diferentes.

— Aquilo é mesmo diferente do Soldado de Ferro?

— Diferente, se disser diferente, e igual, se disser igual, digamos. Sem dúvida usa tecnologia relacionada a Frame Gear também, mas usa muito mais tecnologia própria dos anões. Bom, não é cópia direta, então acho melhor ver como algo separado mesmo.

Entendi. Então, só com informação de Soldado de Ferro e Frame Gear, criaram algo próprio. Não sabia que anão também é bom em magi-engenharia, mas, pensando bem, anão também é raça de vida longa, mesmo que não tanto quanto elfo. Faz sentido eles carregarem, até certo ponto, o know-how da civilização antiga.

Aliás, se não me engano, tinha uns anões entre os técnicos que desenvolviam o trem mágico em Felsen também.

— …Não tem perigo nenhum?

— Sei mais ou menos o que você quer dizer com "perigo", mas, se começar a se preocupar com isso, não existiria desenvolvimento de civilização, progresso de magi-ciência nenhum. Ou prefere confiscar aquilo que eles criaram e exterminar os anões?

Com sorriso maldoso, a Doutora me espia. Claro que não consigo fazer isso, e nem tenho intenção.

— E também, eventualmente seria criado de qualquer jeito. Ou melhor, já foi criada coisa parecida há 5000 anos, então é meio tarde demais. Tem até o precedente do Soldado de Ferro.

— Isso também é verdade, né…

— Bom, digamos que é ressurreição de tecnologia. Por ora, ainda não passa de veículo, e é uma máquina que quebraria com um golpe de magia só.

De fato. Como força de trabalho, parece suficiente, mas, como arma, é meio frágil.

Bom, talvez isso também vá evoluindo, tipo Frame Gear, eventualmente.

Comparado com golem do mundo sombrio, ainda é bem inferior em nível. Se for isso, o caranguibus da loja do Senhor Sancho tem tecnologia bem mais avançada.

Isso, hein. Se os técnicos do mundo real e do mundo sombrio se unissem, provavelmente criariam algo bem conveniente. Mas não deve ser tão simples assim.

Afastando da cabeça o pensamento bobo de "se os dois mundos virassem um só"…, vou até os anões.

— Já que chegou até aqui, queria ver isso funcionando. Será que eu também consigo operar?

— Pra fazer andar, até amador consegue fácil. Quer tentar?

Sentando no assento de piloto que se projetava nas costas, aprendo o jeito simples de fazer andar. Diferente do Frame Gear, não lê a vontade do piloto, então depende inteiramente de mim mesmo.

— Certo. Então, passa energia mágica na pedra mágica ao lado do manche, ativando o reator de brilho mágico do Dwerg. Depois disso, faz andar devagar.

— Entendido. Primeiro, passar energia mágica—

— Ah, espera aí, seremos! A quantidade de energia mágica do Mestre é…!

A Rosetta dizia algo, mas, sem perceber, já tinha passado energia mágica "normalmente".

No instante seguinte, o Dwerg começa a emitir um som de rotação estranho, e a armadura do abdômen explode e voa longe.

— ("« UOOOAAAAAAAAAAH!? »")

— Hã?

Gararan! A armadura arremessada cai no chão, e do abdômen sobe fumaça preta em quantidade absurda.

Descendo apressado do Dwerg, os anões estavam com expressão indescritível, abrindo e fechando a boca.

Ué, isso foi culpa minha?

— Aa… com a saída de energia mágica do Mestre, se não reduzir bastante, esse reator de brilho mágico não aguenta, sabe. É tipo tentar acender vela com [Fireball].

— Ultrapassou o limite fácil, ficou em estado de saturação de energia mágica, e, sem lugar pra ir, explodiu.

— Devia ter falado antes…

Diante dos anões, completamente pálidos e atônitos, fico sem saber o que falar. Não tive má intenção, isso ao menos quero que acreditem.

Vendo as costas dos anões, ainda sem tirar o olhar do Dwerg soltando fumaça preta, sinto uma culpa indescritível.

Será que com quantos barris de bebida eles perdoam, hein…


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