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Isekai wa Smartphone to Tomo ni – Capítulo 306

A Trama Oculta e o Motor Mágico

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Capítulo 306 – A Trama Oculta e o Motor Mágico

Segundo o jornal que o Senhor Sancho me mostrou, o incidente da vila de Jeaure tinha o seguinte conteúdo.

Na vila de Jeaure, num lugar não muito longe da capital sagrada, aquele monstro dourado surgiu de repente. O monstro atacou os moradores um atrás do outro, massacrando sem piedade nenhuma.

Alguns que conseguiram fugir da vila com vida pediram socorro à Ordem de Cavaleiros da capital sagrada, e a unidade de cavaleiros-golem que respondeu foi até a vila.

O que essa unidade de cavaleiros-golem, ao chegar na vila, encontrou foi um esqueleto de cristal rondando pela vila, e o monstro dourado. Imediatamente, a Ordem de Cavaleiros tentou derrotar esse monstro, mas, diante da dureza fora do comum e do fato de os ataques de golem "com habilidade" simplesmente não fazerem efeito, ficaram só na defensiva.

Aí, um príncipe do Reino de Panachès, que por acaso estava visitando o castelo real, correu em ajuda, e o príncipe conseguiu, de algum jeito, derrotar o monstro dourado usando o próprio golem, um "Coroa".

Mas o cadáver do monstro derreteu completamente, dissolvendo-se, deixando em aberto o mistério de que tipo de monstro era aquele. O Reino Sagrado está correndo pra tomar medidas, temendo que um incidente assim se repita em algum outro lugar…

"Além disso, especialistas suspeitam que esse monstro seja um tipo de demônio…"

Depois de vender o lingote de ouro ao Senhor Sancho, e enquanto comia com todo mundo num café próximo, eu continuava relendo o jornal que recebi, várias e várias vezes.

— Entendo o sentimento, mas para de ler enquanto come. É falta de educação, sabia?

— Hã? Ah, ah, foi mal…

Repreendido pela Leen, eu, com o jornal na mão direita e o sanduíche na esquerda, largo o jornal por ora. Parece que fiquei paralisado nesse estado, porque todo mundo já quase tinha terminado de comer.

O jornal que larguei, dessa vez a Yumina, que já tinha terminado de comer, pega e passa os olhos.

— Isso é mesmo espécie mutante de Phrase… né?

— Com quase certeza absoluta, sim. E ainda por cima, pelo conteúdo do jornal, também tá fazendo "devoração de alma".

— Por que motivo apareceu, neste mundo, a espécie mutante em vez de Phrase comum?

A Lu inclina levemente a cabeça. Sobre isso, tenho uma ideia mais ou menos.

— O objetivo dos Phrase é encontrar o próprio "Rei". E esse "Rei" está hospedado no corpo de alguém do nosso mundo. Por isso, os Phrase aparecem no nosso mundo, matando pessoas indiscriminadamente. Mas o mutante é diferente.

Já vi aquele mutante atacando a espécie dominante, que reina no topo dos Phrase. Aquilo é uma existência diferente, que escapou do jugo chamado Phrase.

— Ou seja, neste mundo, Phrase não deveria aparecer. Não tem motivo pra aparecer. Mas o mutante não tem esse objetivo. Não, talvez tenha algum objetivo…

Se por acaso tiver algum objetivo. Provavelmente, quem está fazendo isso agir é aquele que reina acima dele… o deus (mesmo sendo NEET) que absorveu até o deus subordinado, virando deus maligno.

O mutante pode ter aparecido neste mundo por vontade desse deus maligno, mas tem uma dúvida.

O nosso mundo — o mundo real — tem a grande barreira que separa mundo de mundo toda desgastada, e é por essa fenda que os Phrase invadem. Comparado a isso, achei que este mundo sombrio tivesse a grande barreira funcionando corretamente, mas será que não é bem assim?

De fato, o mutante apareceu aqui assim. Apareceu no nosso mundo, e apareceu neste mundo também. O que estará acontecendo entre os mundos… na fenda dimensional? Sinto que o deus maligno, ou aquela espécie dominante chamada Yura, está tramando algo absurdo, e isso me deixa com uma sensação incômoda difusa.

Agindo em segredo nos dois mundos, o que será, afinal…

— …Touya-san, Touya-san.

— Hã? Ah, o que foi?

Ah não, ah não, acabei ficando absorto em pensamento. Pedindo desculpa à Yumina preocupada, digo a mim mesmo que, por ora, não tem o que fazer.

Jogo na boca o sanduíche que restava no prato da mesa, e engulo com o chá preto já completamente frio.

Aliás, quem derrotou o mutante parece ter sido um "Coroa", mas não é o "vermelho" da Nia nem o "roxo" da Luna. Tá escrito "príncipe".

Será que esse príncipe também paga algum preço pro "Coroa" dele… Já que conseguiu derrotar um Phrase, será uma habilidade poderosa demais, ou será que não é habilidade direta, e sim uma habilidade especial de outro tipo?

De qualquer forma, deve estar pagando algum preço correspondente. Se acreditar na palavra da Nia, exceto o "roxo", tomando cuidado, não corre risco de vida. Mas, mesmo não correndo risco de vida, se for tipo "cada vez que usa a habilidade, o pé fica mais fedorento", eu ia chorar, viu.

Aliás, fazendo busca no mapa, o Reino de Panachès existe na Ilha Parunie, onde ficam Paruhu e Riinie. Aqui, virou completamente um país-ilha único.

Aproveitando, tentei fazer busca de Phrase incluindo o mutante, mas não teve reação nenhuma.

Fica incômodo, mas, por ora, não tem o que fazer.

— Por ora, já que viemos até aqui, vamos dar uma volta em várias lojas! Talvez tenha algo raro à venda. Já temos fundo também, e deixem o transporte de compras comigo!

Pra afastar as várias inseguranças, falo com voz especialmente animada pra todo mundo. Bom, "transporte de compras" é só jogar tudo no [Storage] mesmo!

— Isso mesmo! Eu também quero comprar souvenir pro papai, pra mamãe, e pro vovô!

A Sue diz isso sorrindo, mas, por precaução, preciso avisar depois pra ela não contar onde comprou.

— É mesmo. Então vamos passar em várias lojas juntos.

— Eu quero uma xícara de chá nova, digo.

— Eu, quero ir numa livraria.

— Fico curiosa com a armadura daqui, viu.

Todo mundo começa a falar animado cada lugar diferente que quer ir, e, depois de eu localizar algumas lojas no mapa do smartphone, saímos todos juntos do café.

Subestimei… subestimei as compras das garotas.

Carregar as compras em si não é problema nenhum, graças ao [Storage], mas fico esperando sem parar enquanto elas escolhem os produtos. E sou consultado pra opinião. Não posso responder qualquer coisa, então, toda vez, penso bastante e digo algo neutro que a pessoa provavelmente vai gostar. Isso multiplicado por nove, francamente.

E ainda por cima, toda vez que entra numa loja diferente, reinicia. Não é que peçam minha opinião em toda loja, mas com certeza fico esperando. Principalmente coisa pra usar no corpo demora muito.

Certo, se não me engano, fomos em loja de sapato, chapelaria, acessórios, arma, livraria, móveis, armarinho, instrumento musical, frutaria, joalheria, roupa, cosmético, doceria… onde mais fomos… nem lembro mais…

E, agora, estamos numa loja especializada em roupa íntima feminina, e, claro, não posso escolher junto nem dar opinião, então fico esperando quieto lá fora.

Ou melhor, ficar esperando na frente da loja faz os transeuntes me olharem tipo pervertido, então tô esperando no beiral de uma ferraria na esquina da rua.

Essa ferraria parece que também faz reparo simples de golem, e agora mesmo estão retirando e reconsertando a placa de armadura amassada de um golem trazido há pouco.

O golem trazido tinha parte de cima do corpo tipo minotauro, e a parte de baixo tipo tanque. Será que dá pra chamar de mino-tanque? A parte de baixo com esteira e a parte de cima robusta, dá impressão de tipo força. Também tinha um machado de dois gumes gigante como equipamento.

Recebendo permissão do mestre ferreiro pra observar, fico vendo aquele golem sendo consertado.

— Até que ponto dá pra consertar aqui?

— Nós não somos técnico de golem, sabe. No máximo até a primeira camada da armadura. Mesmo assim, produto de fábrica… golem barato, dá pra consertar braço e perna de algum jeito. Claro, também fazemos decoração de arma e armadura pra golem.

Hee, então a ferraria daqui faz até isso. Deve dar trabalho, hein.

Pensando nisso, tiro o olhar do golem, e algo chama minha atenção — um objeto colocado no canto da oficina.

Aparência de massa mecânica. Largura e altura de uns 40 centímetros, isso me faz lembrar de uma coisa. Isso não é um reator de brilho mágico?

— Isso…

— Hm? Ah, motor mágico, é? Foi usado como auxiliar de carruagem-golem desmontada. Aqui não precisamos, e é velho, então tava pensando em vender por preço baixo.

Confirmo com [Analyze]. Sim, parece com o que tava carregado no Dwerg. Mais compacto que aquele, e feito com construção simples, sem usar pedra mágica, então não deve ter tanta força, mas… isso, mesmo não sendo anão, talvez dê pra construir também? Hmm…

Testando, com uma quantidade bem pequena de energia mágica (preocupado se ia quebrar igual o caso do Dwerg), funciona corretamente.

— Mestre, esse motor mágico, será que dá pra vender pra mim?

— Isso? Bom, tudo bem, mas…

Parece que originalmente pretendia vender barato mesmo, então conseguiram me vender bem barato… acho. Não sei o preço de mercado, então não posso afirmar, mas acho que não é caro.

Com esse motor mágico, mesmo não dando pra fazer um Dwerg, talvez dê pra fazer um carro de umas poucas pessoas.

Sinceramente falando, no "Hangar" tem carro blindado que consegue correr em velocidade absurda, mas produzir em massa e vender aquilo, sinceramente, seria muito ousado. Só dá pra fazer na "Oficina", mesmo.

Mas isso aqui dá pra fazer até em outro país. Bom, com esse motor mágico, talvez só dê pra fazer carro de um ou dois lugares no máximo.

De relance, olho pra rua, e vejo todo mundo vindo em minha direção do outro lado.

— Desculpa a demora.

— Não, também tive uma colheita boa por aqui, então tudo bem.

Respondo à Yae, guardando o motor mágico no [Storage]. Aproveitando, tento guardar as compras de todo mundo também, mas sou recusado. Será por ser roupa íntima…? Será que acham que eu vou olhar?

— Lá tinha um bom sortimento, viu, a Lindsey ficou em dúvida entre a ousada e a modesta, e no fim comprou as du… mgu!?

— Irmã!? O que você tá contando, hein!? Vai que!? Vaaai que!?

A Lindsey, completamente vermelha e apressada, tapa a boca da Elsie, que falava sem cerimônia.

— Falando isso, você também tava em dúvida, Elsie-dono, né? Aquela de bo… fugu!?

— UWAAAAH!?

Dessa vez, a Elsie tapa a boca da Yae, que ia falar algo.

De algum jeito, entendo mais ou menos o conteúdo, mas, seja lá o que eu diga, vai virar problema, então decido ignorar deliberadamente. Nessas horas, é virar pedra. Vira pedra.

— Quer ver, Rei…?

Enquanto eu queria virar pedra e ignorar, por favor não pergunta isso, Sakura-san. Se digo que não quero ver, é falta de respeito com todo mundo, e, se digo que quero ver, viro considerado tarado — isso é um beco sem saída, francamente!

— Que isso, Touya. Quer ver a gente de roupa íntima? Isso, posso mostrar qualquer hora, viu. Né, Lu?

— Não joga a bola pra mim, viu! Não, não é que eu diga que odeio mostrar pro Touya-sama, mas, aquilo, aquilo! Aaaah, a Hilda-san é melhor que uma pessoa qualquer como eu!

— Fue!? Por que vem pra cá, hein!? A-aquilo, eu comprei uma listrada simples, então… ah, ah!? Esquece o que acabei de falar!

Diante da bomba absurda que a Sue jogou, a Lu e a Hilda ficam desesperadas, o rosto completamente vermelho.

A Sue, num sentido bom, é inocente, mas, num sentido ruim, acho que ela tem falta de pudor. Fico pensando como será a educação da mãe dela, a Ellen-san, mas, sendo que ficou muito tempo cega, talvez essa parte tenha sido negligenciada mesmo.

— Certo, certo, chega. Não é assunto pra conversar assim em plena rua. Se contenham um pouco.

A Leen bate palma e para a confusão que estava saindo do controle. Como esperado da mais velha. Mesmo com aparência igual a Yumina e Lu.

Talvez se preocupando com o olhar ao redor, todo mundo, repreendido, começa a se afastar apressado do local, envergonhado. Eu também solto um suspiro de alívio, e agradeço rapidinho à Leen.

— Todo mundo tá só se empolgando um pouco. Marido, fica quieto e sereno. Roupa íntima, no futuro, dá pra ver quantas vezes quiser mesmo.

— Ei, você…

Sem saber o que responder, a Leen enrola o braço no meu e começa a caminhar.

— Aliás, eu tô usando renda preta, de luxo. Quer ver?

— Não, por isso…

Fico pensando se, com o corpo eternamente infantil, esse tipo de roupa íntima combina no geral, mas, se falo isso, apanho. Mesmo assim, seja qual for a roupa que ela use, pra mim já é recompensa. Talvez não seja sexy no padrão geral, mas isso não importa.

— Quer ver?

— …Se eu disser que não quero ver, seria mentira, então tenho interesse sim, meio que sim, mas afirmar isso envolve certa hesitação, e, se você mostrar mesmo assim, aceitar não seria de todo indesejável, e reconhecer esse estado de espírito também não me é totalmente inaceitável.

— …Realmente nosso marido é complicado, hein.

Cala a boca. Não sou santo nem nada disso. Não tenho confiança nenhuma de ficar normal vendo a garota que gosto naquele estado! Nem um pouquinho! Por favor não me tenta demais. Sendo a Leen, deve saber disso e tá só provocando mesmo.

— Fufu. Mas isso combina com você.

A Leen se agarra com força no meu braço. A Sakura, que caminhava na frente, percebe isso e vem correndo, tatata, agarrando o braço do outro lado também.

— Só a Leen aproveitando é injusto. Eu também.

Mu, muu. Feliz, mas dá vergonha, e é constrangedor… ei, Poala. Para de fazer essa pose de "que saco, hein…".

Sendo um ursinho de pelúcia, você é expressivo demais mesmo. Que tipo de [Program] tem aí dentro, queria ver uma vez.

Abrindo [Gate] no beco, teletransportamos pra sala de estar da mansão na Ilha Draclif.

— Bem-vindos de volta.

— Bem-vindos~

O Byakugin, respeitoso, e a Doutora, sentada no sofá, levantando o rosto do livro que lia, nos recebem.


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