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Isekai wa Smartphone to Tomo ni – Capítulo 312

O Naufrágio e a Hipnose

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Capítulo 312 – O Naufrágio e a Hipnose

— Bem-vindos de volta, Touya-sama, e senhoras esposas.

— «Pi.»

— «Po.»

— «Pa.»

Acompanhando o Byakugin, dragão prateado agora em forma humana, as três golems "Étoile" fazem uma pequena reverência. Aos poucos, essas três também vão ganhando jeitão de gente.

Dessa vez, viemos ao mundo sombrio pra confirmar se a grande invasão de Phrase que aconteceu outro dia em Sandra também teve efeito neste mundo.

Aqui não aparece Phrase que busca o núcleo do "Rei". Mas mutante é diferente. Igual no mundo real, fiquei com receio de que mutantes tivessem aparecido em massa no mundo sombrio também.

Bom, assim que cheguei, já fiz busca de "mutante", mas não teve nenhum resultado. Parece que foi preocupação desnecessária.

— Touya-kun, Touya-kun. Aquele "senhoras esposas" de agora há pouco, eu também tô incluída aí? Hein? Hein?

— Não tá incluída, não. É "esposas e outra pessoa".

— Talvez seja "esposas e a amante", né?

Com o mesmo jaleco branco enorme demais de sempre, a Doutora fala isso com um sorriso maroto.

Dessa vez, vieram junto a Yumina, a Lu, a Lindsey, a Leen, e a Doutora, cinco pessoas.

A Sue, a Elsie, a Yae, a Hilda e a Sakura não conseguiram vir por compromisso. A Sue, com a família dela; a Elsie, a Yae, a Hilda, com a Ordem de Cavaleiros; a Sakura, ajudando na escola da mãe, a Fiana-san.

Dessa vez, viemos só pra confirmar o assunto do mutante, então o compromisso já tinha terminado, mas a Lindsey e a Leen disseram que queriam ler livro na biblioteca da mansão, e a Doutora disse que queria passear pela cidade, já que não conseguiu da última vez.

Como seria desperdício voltar assim direto, decido acompanhar. A Yumina e a Lu também estavam animadas.

— Então, por ora, vamos até a capital sagrada de novo.

— Aproveitando, vamos comer também.

— Boa ideia.

Abro [Gate] e teletransportamos, eu, a Yumina, a Lu e a Doutora, quatro pessoas, pro mesmo beco deserto de sempre.

Saindo pra rua principal, ouço de novo o mesmo alvoroço animado de golems circulando de um lado pro outro, como sempre.

Comprando jornal de um vendedor da cidade, depois de passear por vários lugares, vamos até o café onde já entramos antes com todo mundo.

Como já passou do horário de almoço, conseguimos sentar rapidinho. Peço uma refeição leve, e testo aquela bebida chamada "kofi", que a pessoa da mesa vizinha estava bebendo. Esse aroma, deve ser café mesmo.

Comendo o sanduíche e a salada que chegam, passo os olhos no jornal que comprei. Se a Leen estivesse aqui, ia me repreender de novo por comportamento indevido.

— Esse tipo de jornal é conveniente, hein. Será que não dá pra fazer em Brunhild também.

— Por ora, os métodos de comunicação a longa distância não são muito desenvolvidos ali. Poderia produzir em massa na Babylon, mas esse tipo de coisa sempre acaba gerando boato falso e teoria da conspiração. Fico em dúvida se vale a pena agitar a sociedade desnecessariamente assim, mas é conveniente sim, isso é certo.

Entrego o jornal à Doutora, e bebo o "kofi" que chega depois da refeição. Sim, de fato é café mesmo. Um pouco ácido demais, e não é meu gosto preferido, mas dá pra beber. …Vou colocar açúcar.

— Ora?

A Doutora, que lia o jornal, solta uma pequena exclamação. Semicerrando os olhos, olhando fixamente algo, tira do bolso alguma coisa e começa a examinar o jornal de perto. Aquilo é lupa?

— O que foi?

— Não, é essa matéria aqui.

No local que a Doutora aponta, tinha escrito "Navio Pirata Encalha no Porto de Barcul".

— "Navio de origem desconhecida, provavelmente pirata, encalha no porto de Barcul. Capturados 34 tripulantes… isso é?"

— Olha a foto do navio pirata naufragado, publicada aqui. Aqui. O brasão desenhado na vela toda esfarrapada. Não reconhece?

Hmm? Brasão? Peço emprestada a lupa da Doutora, e examino de perto a foto em preto e branco do jornal, ampliada. Tá rasgada quase pela metade, hein.

O que dá pra ver através da lupa é um unicórnio branco e preto, sustentando um escudo com estrela brilhante… isso é…!

— Por que o brasão de Lifris, hein…!?

Olho fixamente, atônito, aquilo ampliado pela lupa. Não me diga… isso é o navio que sumiu durante a caçada aos piratas!? Se não me engano, era o "McClane"…!

Apressado, continuo lendo a matéria: o navio jogado no porto é de origem desconhecida, os tripulantes não falam nenhum idioma compreensível, e atualmente estão detidos sob custódia do senhor feudal do porto de Barcul.

— Como assim? Por que um navio de Lifris veio parar neste mundo?

— Não sei… antes já ouvi que existe é comum deus se perder e aparecer em outro mundo, mas…

Enquanto respondo à pergunta da Lu, tento organizar meus pensamentos. Será que é coincidência? Ou…

— De qualquer forma, não posso deixar isso passar. Preciso ajudar.

— Espera aí. Ajudar tudo bem, mas o que fazer depois disso? Vai mandar de volta pra Lifris?

— Claro que sim… ah, é verdade…

— Isso. Se ajudar normalmente, vai ter que explicar sobre este mundo. Não só pros tripulantes, mas pra Lifris, e, por extensão, pra todos os representantes do mundo real. Acho que ainda é prematuro demais.

De fato. Outro mundo não é algo que todo mundo aceita facilmente, tipo a Yumina e o pessoal. Como já existe a presença dos Phrase, deve dar pra entender até certo ponto, mas…

— …Se não me engano, tem aquela magia antiga de atributo trevas que deixa em estado hipnótico, né?

— Tá falando do [Hypnosis]? Bom, com aquilo, dá pra deixar a memória confusa mesmo.

Magia antiga de atributo trevas inclui várias magias de interferência mental. Manipulação de memória, coma, confusão, insanidade, sedução, perda de consciência, colapso mental, etc. — várias magias que, num erro só, podem virar algo terrível.

Normalmente, hesitaria em usar isso em qualquer um que não fosse bandido ou criminoso, mas, neste caso, não tem jeito mesmo. E também, se ficarem presos numa masmorra sem entender nada, sem língua comum, talvez seja mais feliz nem lembrar disso.

Com [Hypnosis], já li o livro de magia na "Biblioteca" da Babylon, então acho que consigo usar.

— De qualquer forma, vamos resgatar. Local é… Reino de Panachès, porto de Barcul… é aqui.

Confirmo o local do porto escrito no jornal na tela do mapa do smartphone (não projeto no ar, já que estamos no café).

— Paruhu e Riinie… país que fica na Ilha Parunie, no nosso mundo, né.

Exatamente como a Yumina, olhando o mapa, comenta, o porto de Barcul existe na Ilha Parunie do nosso mundo.

Fica um pouco distante de Arento, hein.

— Por ora, vou voar até lá sozinho. Fiquem esperando aqui, por favor.

— Entendido. Vá com cuidado.

Se usasse [Teleporte], talvez desse pra teletransportar num instante, mas já sofri um perrengue com isso antes, hein. Sem preguiça, vou voando mesmo. Se voar em velocidade máxima, não deve levar nem trinta minutos.

Saindo correndo do café, entro no beco logo ao lado e desapareço com [Invisible]. Voo de uma vez até uns milhares de metros de altitude com [Fly], e voo em alta velocidade acima das nuvens com super-aceleração de [Accel].

Eventualmente, chego ao mar, e, à frente, vejo uma ilha grande. Aquela deve ser o Reino de Panachès, sem ser a Ilha Parunie.

Pousando no porto de Barcul, localizado ao sudeste dessa ilha, abro [Gate] imediatamente e volto pro beco da capital sagrada, levando a Yumina e o pessoal que esperavam no café, e voltamos de novo, via [Gate], num pulo, pro porto de Barcul.

— Tem bastante navio atracado, hein. Que formato estranho de navio.

Observando os navios flutuando no porto, a Lu olha ao redor curiosa.

Entre os navios alinhados no porto, tinha até navio sem vela nenhuma. Navio a vapor… não, navio mágico? No cais, misturados com os tripulantes, alguns golems também ajudam a descarregar carga.

Nas barraquinhas do porto, muito peixe à venda. O cheiro peculiar de peixe cru bate no nariz, mas não é tanto quanto eu imaginava. Será que congelam com gelo criado por magia?

Fico quase tentado pelo cheiro bom do peixe grelhado vendido na barraquinha, mas me contenho. Não é hora pra isso. Mas aquilo que tão grelhando ali, será turbante?

— Touya-san, olha aquilo!

Na direção que a Yumina aponta, num litoral de difícil acesso, um navio todo esfarrapado flutuava em silêncio. E, no mastro quase quebrado, pendurada sem força, uma vela com o brasão de unicórnio. É o brasão de Lifris mesmo. Sem dúvida.

Aproximando e confirmando o casco, a placa gravada com o nome "McClane" tava quase caindo, mas ainda pendurada de algum jeito.

— De fato, esse navio é o McClane mesmo.

Igual o nome do detetive azarado, sobreviveu teimosamente mesmo.

Pra ouvir os detalhes da situação, falo com um marinheiro próximo.

Segundo ele, esse navio encalhou aqui há quatro dias, na manhã depois da tempestade passar. Os tripulantes encontrados no navio eram 34 pessoas. Parece que tinha mais gente, mas já estavam mortos.

Tentei perguntar mais detalhes, mas não conseguia comunicar de jeito nenhum, só falavam palavras sem sentido, impossível de conversar.

Mostrando mapa e pedindo pra indicar de onde vieram, viraram o mapa ao contrário, gesticulando algo sem sentido, e pareciam apavorados ao ver os golems. Talvez por causa do estado extremo, alguns começaram a se descontrolar, e, sem alternativa, foram contidos e jogados na masmorra.

Dentro do navio, encontraram arma e canhão, então concluíram que era bando de piratas rondando pelo mar próximo.

Faz sentido mesmo, sendo navio militar, ter arma equipada.

— Originalmente, zarparam pra combater pirata mesmo, hein…

Que ironia serem tratados como pirata. Ainda não decidiram o destino deles, mas, se forem julgados definitivamente como piratas, é forca. Preciso resgatar logo.

Os tripulantes do McClane parecem estar presos na masmorra anexa ao alojamento dos guardas do porto.

Mesmo em plena luz do dia, como vamos ficar invisíveis pra infiltrar, tanto faz. Chegamos até o alojamento de soldados de três andares, num canto do porto. O prédio ao lado deve ser a masmorra. Prédio rústico, feito de algo tipo concreto.

Talvez justamente por ser de dia, só tem um guarda vigiando na entrada. Tem gente andando normalmente na rua também, e, se acontecer algo, o guarda vem correndo do prédio ao lado. Talvez por isso a segurança seja tão relaxada. Bom, isso é bom pra nós.

— [Invisible].

Desaparecendo todos na sombra, atravessamos com naturalidade ao lado do guarda. Num canto recuado do prédio, tem uma escada que desce pro subsolo, e, lá, várias masmorras.

Parece que umas dez pessoas estão divididas em três celas. Todos abatidos, alguns sentados sem força, outros deitados, e alguns soltando um choro baixo.

Ativo [Silence] pra evitar que o som vaze pra fora. Com isso, mesmo se fizerem barulho, não devem ser percebidos pelos soldados de cima.

Desativo [Invisible]. Diante do invasor que surge de repente na frente deles, os tripulantes se assustam, recuando.

— Tem capitão, ou alguém tipo líder, entre vocês?

— Você fala nossa língua!?

— Sim. Sei também que vocês zarparam de Lifris pra combater piratas.

Do meio dos tripulantes surpresos, um homem de roupa suja e barba ruiva vem até a frente da grade de ferro, falando comigo.

— Meu nome é Simmons. Sou o vice-capitão desta unidade. O capitão foi jogado ao mar no caminho até chegar aqui.

— O que aconteceu, afinal? Conta em detalhe, por favor.

Quando falo, o vice-capitão Simmons, com expressão de agonia, cabeça baixa, começa a falar aos poucos, como se procurasse na memória.

— Não sei… naquele dia, junto com outros navios, estávamos indo em direção à base dos piratas. Só que, num instante, percebemos que estávamos completamente cercados por névoa. Nesse momento já devíamos ter percebido que algo tava errado. Até então, o tempo estava lindo. A névoa foi ficando cada vez mais densa, e, eventualmente, percebemos que essa névoa emitia um brilho dourado. Envoltos na névoa dourada, não sabíamos pra onde estávamos indo, se avançávamos, se girávamos, nada. A bússola não funcionava, e nem sol nem estrela apareciam. Eventualmente, achando que a névoa clareava, dessa vez veio uma tempestade enorme. Todo mundo só conseguia se agarrar ao navio, rezando pra não afundar. A tempestade passou, e, quando demos conta, estávamos jogados nesta praia. Achando que estávamos salvos, dessa vez não conseguíamos nos comunicar. Enumeramos todos os nomes de país que conhecíamos, e ninguém reconhecia nenhum. E aquele navio nunca visto, e aquela criatura de ferro nunca vista… ei, você, onde é isso aqui, afinal? O que é aquela criatura de ferro? O mapa invertido…

— [Trevas, seduzam, memória falsa plantada, [Hypnosis]].

Sem deixar o vice-capitão Simmons terminar, sem discussão, ativo a magia de [Hipnose].

Uma névoa roxa se espalha ao redor, e os tripulantes vão ficando com o olhar cada vez mais turvo.

— Escutem bem. Vocês se separaram da frota de Lifris, e foram atacados por um monstro do mar. De algum jeito, sobreviveram, mas ficaram à deriva, envolvidos numa tempestade, à beira da vida e da morte. Vocês viram sonho estranho, foram enganados por alucinação causada por fome e situação extrema. O navio esquisito e a criatura de ferro são por causa disso. É sonho. É alucinação.

— Aluci… nação…

Os tripulantes, com olhar vago, murmuram isso repetidamente. Será que gravou bem.

A Lu pergunta se tá tudo bem fazer algo tão genérico assim, mas esse tipo de coisa, a própria pessoa acaba reescrevendo a memória conforme a própria conveniência, então deve ficar tudo bem. Parece que a tempestade foi real mesmo.

Basicamente, só preciso fazer eles pensarem que o que aconteceu nessa cidade portuária foi sonho.

Depois de quebrar a chave da masmorra, conecto [Gate] até o jardim da mansão na Ilha Draclif, e peço pra Yumina e o pessoal guiarem primeiro.

Feito sonâmbulo, cambaleando, os tripulantes seguem, guiados pela Yumina e o pessoal, atravessando [Gate].

Depois de teletransportar todo mundo pro outro lado, incluindo a Yumina e o pessoal, saio da masmorra subterrânea. Recolho no [Storage] o McClane, abandonado no litoral. E, antes de virar alvoroço, também vou pra Ilha Draclif.

No jardim onde teletransportamos, como sempre, os tripulantes com olhar sem foco continuam sentados.

Deixar muito tempo assim também não deve ser bom pra saúde mental do nosso lado. Melhor levar de volta pro mundo original o quanto antes.

Aí, de repente, o smartphone avisa uma ligação. Hã? Receber ligação neste mundo, quer dizer… confirmando, de fato aparece escrito "Chamada de Deus".

— Alô, sim?

— Ooh, é o Touya-kun. Parece que aí tá dando trabalho, hein.

— Ué, será que você tava assistindo?

— Sim. Tenho um assunto pra conversar. Tem relação com o problema que você tá lidando agora também. Depois, quando tiver tempo, será que dá pra vir até aqui?

Até o Mundo dos Deuses? Que assunto será? Por ora, aceito e desligo o telefone.

Meu problema atual… quer dizer, esse incidente do naufrágio em outro mundo, é? Será que aconteceu algum problema do lado dos deuses…

…Ah não, calma. Primeiro, preciso resolver essa gente aqui.

Abro o "portão dimensional" que fica no centro do jardim, conectando os dois mundos.


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