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Isekai wa Smartphone to Tomo ni – Capítulo 322

O Senado e o Cavaleiro Guarda-Costas

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Capítulo 322 – O Senado e o Cavaleiro Guarda-Costas

— …Como você percebeu?

— Não, essa Doutora aqui…

— Pelo formato da mão, estrutura óssea, e jeito de andar, dá pra ver na hora que é mulher. Tocando um pouco, a carne também é macia. E sinto até o feromônio característico feminino.

Com cara de quem se orgulha, a Doutora explica, mas normalmente ninguém percebe isso, francamente. Isso é pervertido. Era pervertido mesmo.

— Quer dizer que é dublê do segundo príncipe?

— Não. Sem dúvida, sou eu mesma, Ristin ra Toriharan, o segundo príncipe. Só que meu nome verdadeiro é Ristis re Toriharan.

Ou seja, tá disfarçando de homem até externamente pro país. Por que raios faria algo desse tipo, hein.

As duas criadas parecem já saber disso desde o início. Faz sentido mesmo. Pra não vazar externamente, precisa ter alguém cuidando dos afazeres pessoais. Ah, então foi por isso que a Doutora disse pra trazer elas também.

— Que eu sou mulher, só o Imperador, a mãe, e o irmão mais velho sabem, além do meu preceptor, o Cavalheiro Zerorikku, a médica da corte, esposa dele, a Doutora Mar, e essas criadas, a Lala e a Riri.

Preceptor? Não me diga, será que aquele cavaleiro idoso que me encarava era esse tal Cavalheiro Zerorikku?

Confirmando, era exatamente isso mesmo. Por precaução, mesmo o segundo príncipe sendo comandante-geral, o comando efetivo estava a cargo do Cavalheiro Zerorikku. Parece que essa era a primeira batalha de verdade dela.

— …Isso vai virar o quê?

Viro o olhar pra Doutora.

— Não deve ter problema nenhum, né? Seja príncipe ou princesa, continua sendo filho do imperador.

— Será mesmo?

Diante da fala da Doutora, a própria Ristin, não, a Princesa Ristis, interrompe. "Será mesmo?" Como assim?

— O Imperador tudo bem, mas o Senado, não sei não. Aquele pessoal considera até a família imperial só como peça descartável.

Que negócio é esse. Já ouvi dizer que era país fantoche, mas será tão ruim assim?

— Quer dizer que…

— No pior caso, vão me declarar morta, e a invasão do Sacro Império continua.

Fico com a cabeça nas mãos. Isso, sinceramente, é fora do que eu esperava.

"Vingança pelo segundo príncipe!" "não perdoem Primula, que matou o segundo príncipe!" — podem até falar isso, francamente…

— Então quer dizer que sequestrar você não adiantou de nada, hein…

— Infelizmente, é bem provável que sim. Não, na verdade, talvez tenha até piorado. Provavelmente, a guerra não vai parar.

Aah, francamente, que negócio é esse. Isso pode até fazer falarem qualquer coisa sobre o Reino de Primula também. Vão colar o rótulo de "não confiável".

Vendo-me apertado, achando graça, a Doutora ao lado sorria maliciosa.

— O que vai fazer, Touya-kun? Vai mesmo aniquilar o exército do Sacro Império?

— Já disse que não vou fazer isso. Francamente, usei esse método justamente pra não sair morto de nenhum dos dois lados…

— …Foi só por isso que me sequestrou? Você realmente pretendia parar essa guerra?

Enquanto eu segurava a cabeça, o segundo príncipe… não, primeira princesa? me pergunta.

— Não é "pretendia parar", é "vou parar". De fato, foi violento, e deve ter sido extremamente incômodo pra você, mas achei que isso seria o mais simples. Não acha guerra uma coisa idiota?

— Meu pai também dizia isso… Mas, pressionado pelos idiotas do Senado, acabou virando guerra com Primula. Mesmo sendo imperador, não dá pra ignorar o Senado. No Sacro Império, "imperador" é só um tigre de papel.

Falando meio de forma autodepreciativa, como se falasse de si mesma, a Ristis conta isso. Hmm, então o imperador em si é razoavelmente decente.

Mas será que o Senado do Sacro Império tem tanto poder assim? Parece bem diferente do Senado da Roma antiga que eu conhecia. Não sei se é problema de tradução de outro mundo, ou se aqui é assim mesmo que funciona, mas entendi que é um bando de gente sem-vergonha.

O Senado do Sacro Império, com o presidente do Senado no topo, tem no total uns 50 membros. Formado por senadores escolhidos entre a nobreza, com mandato vitalício, e ainda por cima, permitindo hereditariedade.

No início, funcionava como órgão consultivo do imperador, mas, em algum momento, ganhou poder até superior ao imperador, e, agora, controla o poder real do Sacro Império.

Parece que tratam o povo do império com desprezo, fazendo bastante o que querem. Se aparece alguém tentando corrigir isso, usam todo tipo de método pra esmagar.

— O chefe desse pessoal é o presidente do Senado, Mōrokku Rapitosu. Velho de quase 70 anos, mas todo mundo tem medo dele e não se rebela contra o Senado.

— Nem o imperador consegue nada?

— Formalmente, o Senado é órgão consultivo do imperador. Não dá pra o imperador seguir em frente com algo ignorando isso. Acha que o próprio Senado aceitaria punição ou reforma contra o presidente do Senado?

Bom, faz sentido não aceitar. Órgão com esse tipo de poder sendo benevolente com os próprios é história comum. Essa guerra também deve ter começado assim, ignorando a vontade do imperador.

— Aliás… por que raios disfarçou de príncipe, afinal?

— Se eu tivesse sido criada como princesa, provavelmente já estaria casada agora com algum neto do pessoal do Senado. Só de pensar já me dá arrepio.

Fortalecer poder incorporando sangue de família real ou imperial parece ser algo comum, em qualquer época, em qualquer mundo.

Parece que o irmão dela, o príncipe herdeiro, já está "preparado" nesse sentido. A noiva do príncipe herdeiro seria filha do presidente do Senado.

Parece que o príncipe herdeiro odeia mesmo esse casamento. Dizem que ela é bem mais velha, e ainda por cima tem personalidade bem distorcida. Que noiva péssima, francamente…

Ainda bem que minhas noivas são todas gentis. Bom, às vezes dão medo também, mas…

Faz sentido o imperador e a imperatriz terem transformado ela em segundo príncipe. Deve ter sido um recurso desesperado pra proteger a filha querida. O príncipe herdeiro precisa de sucessor, então recusar casamento é difícil, mas, sendo segundo príncipe, não deve dar tanto trabalho. Claro, não é que o príncipe herdeiro não importe, acho.

De qualquer forma, esse tal Senado não presta mesmo. Ouvi dizer que até essa guerra foi tramada à força por eles. E, mesmo assim, nem eles nem a família deles participam da guerra, francamente.

— Se der um jeito nesse velho presidente do Senado, será que o imperador recupera o poder e a guerra para…

— É, é isso mesmo! Se o presidente do Senado, Mōrokku, cair, o resto dos senadores é só multidão desorganizada! Sua Majestade o Imperador vai retirar o exército imediatamente! A guerra com Primula pode ser evitada!

Reagindo à minha fala murmurada, "gugu!", a Ristis argumenta com força. Não, entendo o sentimento, mas que reação óbvia, hein. Já achava que ela não era do tipo que sabe esconder emoção, mas é bem clara mesmo.

Mas talvez seja melhor entrar nessa onda mesmo. Consigo fazer contato não só com o Reino de Primula, mas também com o Sacro Império de Toriharan.

Penso isso de forma calculista.

— Vamos fazer um trato. Eu resolvo esse presidente do Senado, e você recomenda ao imperador que pare essa guerra. Consegue?

Olhando direto nos olhos da Ristis, coloco em palavras a proposta que me ocorreu.

Ouvindo isso, mesmo engolindo saliva, "goku", ela me declara com clareza.

— …Se você realmente conseguir resolver isso, vou parar essa guerra apostando a própria vida. Peço a você, mago. Salve o Sacro Império, não, salve o Sacro Império e Primula.

Certo. Se é assim, preciso de colaborador. Considerando o lado de Primula, não posso simplesmente levar a Ristis daqui. Melhor pedir ajuda daquele cavaleiro idoso, preceptor dela. Se não me engano, era o Cavalheiro Zerorikku?

Confirmando no mapa, parece que ainda está naquele acampamento. Vou lá rapidinho e trago ele de volta.

…Sequestro já tá até virando rotina pra mim, hein. Pensamento já ficando parecido com criminoso. Não é algo pra se orgulhar, mas.

— [Gate]!

Teletransportando pro acampamento do Sacro Império, estavam lá, do mesmo jeito que antes, alguns cavaleiros e o alvo, o Cavalheiro Zerorikku.

Parece que estavam reunidos ao redor da mesa, fazendo algum tipo de reunião. Discussão sobre o príncipe sequestrado, será?

— O QUÊ!?

— V-você é o de antes!

Passando entre os cavaleiros surpresos, arregalando os olhos, num instante contorno atrás do Cavalheiro Zerorikku. Apontando o cano da Brunnhild nas costas dele, o Cavalheiro Zerorikku solta a mão do cabo do sabre que estava esticando, e ergue as duas mãos devagar.

— A situação mudou um pouco, então também vou levar esse aqui. Prometo devolver ele junto com o segundo príncipe depois direitinho, não precisam se preocupar. Com licença.

Falando só isso, teletransporto de volta com o Cavalheiro Zerorikku pro quarto do castelo de Primula, onde estavam a Ristis e o pessoal. Tempo total até aqui, menos de um minuto.

— Jii!

— Ooh, Vossa Alteza!

Sem dar muito tempo pra emoção do reencontro entre senhor e súdito, peço pra Ristis explicar a situação ao Cavalheiro Zerorikku. Melhor desfazer o mal-entendido logo, senão posso acabar sendo esfaqueado com o sabre que ele segura.

Com expressão séria, o Cavalheiro Zerorikku escuta a explicação da Ristis, mas, depois de ouvir tudo, cruza os braços, ficando pensativo.

Eventualmente, abrindo os olhos, lança em minha direção aquele olhar afiado.

— Você se chama Touya, foi? Entendi que o senhor é mago. Já que fez tudo isso, não tem como não acreditar. Mas como pretende remover o presidente do Senado do Sacro Império? Vai matar?

— Imagina. Mesmo que ele seja um sem-vergonha, não pretendo matar. Se for pra julgar, acho que isso não é papel meu.

— Então, como pretende fazer?

— Vamos ver… que tal levar toda a família dele à força pra uma ilha deserta bem distante, sem passagem de navio, tipo férias forçadas? Ou fazer ele pegar alguma doença rara que só consegue falar enfiando o dedo no nariz?

Ah, todo mundo, exceto a Doutora, se afasta um pouco. Por precaução, sendo ele idoso, isso já foi versão mais suave até.

"Absorção de vida", "surgimento de doença", "concessão de medo", "colapso mental" — nesse tipo de linha, magia antiga de atributo trevas consegue fazer. Acho que isso é suficiente pra neutralizar o adversário sem tirar a vida. Também dá pra alterar memória com a magia de hipnose [Hypnosis].

Bom, talvez seja melhor perguntar ao Imperador de Toriharan o que fazer.

Esse tipo de sem-vergonha, se vasculhar a casa dele, deve sair prova de crime aos montes mesmo.

— Mas cuidado, não subestime. Sendo presidente do Senado, tem segurança rigorosa. Sempre tem vários golems guarda-costas grudados nele. E, ainda por cima, ouvi dizer que recentemente conseguiu um guarda-costas hábil que usa técnica misteriosa.

Guarda hábil que usa técnica misteriosa? Será mago igual eu? Ou será usuário de ninjutsu, tipo a Tsubaki-san e o pessoal?

De qualquer forma, deve estar querendo dizer que não vai ser fácil. Mas, se prender com [Prison], nem mão nem pé conseguem se mexer.

— Bom, esses guardas eu cuido, e queria pedir ao Cavalheiro Zerorikku pra explicar ao imperador e afins.

— …Está me pedindo pra trair o país?

— Se de jeito nenhum não puder, não vou forçar. Mas, nesse caso, tudo vai ser decisão minha, então depois não adianta reclamar, tá?

Depois, dizer "devia ter feito assim, devia ter feito assado", eu não vou aceitar, viu. No pior caso, existe possibilidade de eu, mandando voar quem atrapalhar, descobrir depois que era filho do Cavalheiro Zerorikku, e não posso dizer que isso não vai acontecer.

— Jii, por favor, empresta força a ele. De qualquer forma, já não dá pra deixar aquele pessoal do Senado fazendo o que quiser, né? Com a magia dele, talvez…

— …Se Vossa Alteza diz isso, então. Pra parar a guerra com Primula também, apostarei a vida deste velho corpo e farei o que puder.

O Cavalheiro Zerorikku se ajoelha diante da Ristis, curvando a cabeça.

Não, não, não precisa apostar a vida, viu.

Por ora, com [Recall], peço pro Cavalheiro Zerorikku me mostrar a memória de como é esse presidente do Senado, e faço busca no mapa.

Achei, achei. Parece estar no salão do Senado, na capital do Sacro Império de Toriharan.

Nessa distância, dá pra ir com [Teleporte]. Em termos de distância, é tipo de Brunhild até a capital de Belfast, então não deve desviar.

— Por ora, neutralizo golem guarda-costas e cavaleiros primeiro, e depois capturo esse tal presidente Mōrokku. Aí, levo ele até o imperador e peço o julgamento dele… isso tá bom?

— Sem problema. Se conseguir fazer exatamente assim.

Oro, tá desconfiado, hein? Bom, faz sentido, ainda não mostrei capacidade de combate.

Olhando a exibição do mapa, o presidente Mōrokku parece estar se movendo. Melhor esperar ele ir pra um lugar amplo do que combater dentro de uma sala.

Quando ele chegar no salão central desse prédio do Senado, teletransporto e ataco. …Fico meio deprimido, parece que virei igual bandido de estrada. Fuu…

Guarda são cinco golems e três cavaleiros, é. De fato, parece segurança rigorosa mesmo.

— Quando teletransportar, Cavalheiro Zerorikku, por favor, fica pra trás. Se meter a mão de forma errada, pode virar problema.

— …Contra minha vontade, mas vou obedecer.

Confirmando o Cavalheiro Zerorikku assentindo, e o presidente Mōrokku chegando no salão, ativo [Teleporte].

Num instante, teletransportamos bem na frente do presidente Mōrokku, e, conforme instruído, o Cavalheiro Zerorikku recua pra sombra de uma coluna no salão.

Um dos cavaleiros que nos avistou grita alto.

— Invasores! Protejam o presidente!

Imediatamente, dois dos cinco golems saltam à frente do presidente, ficando de pé na minha frente.

Golem de físico equilibrado e bem proporcionado, com algo tipo viseira baixada. No braço, tinha equipado algo tipo arma de fogo. Isso é aquele "unidade militar"?

Só um, atrás, tem chifre, parecendo diferente dos outros quatro. Aquele deve ser o "sargento militar", que funciona como comando das unidades militares.

— Fogo!

Com o comando do cavaleiro, mesmo não sendo tanto quanto metralhadora, projéteis com velocidade de disparo considerável saem do braço do golem. Perigoso, hein, e se acertar?

— [Shield]!

Estendo parede defensiva por magia, repelindo todos os projéteis.

— [Trovão, venha, lança de raio de lótus branco, Thunder Spear]!

Miro no sargento militar, o único com chifre entre os cinco golems, disparando magia de raio direto.

Com um golpe só, coloco fora de funcionamento, e, quando o golem sargento militar cai no chão, os outros quatro também param de se mexer do mesmo jeito. De fato, exatamente como a engenheira Elka disse. Isso deve ser a vantagem e a desvantagem da unidade militar.

— Droga! Vais, acaba com ele!

Diante da voz vinda do presidente, atrás, um cavaleiro se posiciona bem na minha frente. Elmo baixo cobrindo os olhos, sem ver a expressão, mas os movimentos não têm desperdício nenhum. Bem competente, esse aqui. Será esse o famoso guarda-costas habilidoso?

De repente, num instante, ele desaparece do meu campo de visão. O quê!?

Sentindo presença nas costas, abaixo o corpo instintivamente. Bem raspando acima da minha cabeça agachada, a espada do cavaleiro guarda-costas passa. Quando foi que foi pras minhas costas!?

Levantando, mudo a Brunnhild pro modo lâmina, defletindo os golpes de espada disparados pelo cavaleiro. Ei, ei, isso é habilidade no nível da Yae, francamente.

Sinceramente me surpreendi com essa habilidade tão alta assim… Mas não vou pegar leve.

— [Slip]!

— !

Contra o cavaleiro que escorregou o pé com magia de queda, aplico a Brunnhild no modo atordoamento. Foi mal, mas fica parado um tempo.

Mas, mesmo caindo, ele torce o corpo e desvia da espada por muito pouco. A ponta da lâmina da Brunnhild só pega o elmo, mandando ele voar.

Como retribuição, no ar, meio girado, o pé dele vem voando na direção da minha têmpora. Desvio disso também por muito pouco, e recuo com um passo pra trás, criando distância. Que capacidade física é essa. De fato, só resta usar [Prison] mesmo, não é…

— Ei, ei… por que raios você tá num lugar desses, hein…

Levantando, segurando a espada, encarando-me, esse homem. Sem o elmo, dá pra ver claramente pela primeira vez o rosto dele, e é um rosto que conheço bem.

Aquela expressão tranquila e evasiva de sempre desapareceu, o clima completamente diferente, mas não tem como eu confundir aquela pessoa.

— Ende…

Diante do meu chamado, aquele homem não reage nem um pouco. Que negócio é esse, francamente…


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