Capítulo 326 – A Preparação e os Três Mosqueteiros
O Grimgerde pilotado pela Leen dispara em sequência o canhão Gatling equipado no braço direito.
O Sieglinde da Hilda, com escudo erguido, tenta avançar aguentando o disparo, mas, com uma granada lançada aos pés dele, tropeça, "tatara".
— «Aguenta só um pouco, Hilda-san!»
Do alto da colina, o Waltraute da Lu direciona a mira do canhão do ombro direito pro Grimgerde da Leen.
O Waltraute, equipado com a "Unidade C" pra disparo à longa distância. A âncora do calcanhar dele crava no chão, e, com um estrondo, o projétil é disparado do canhão.
— Kuh!
A Leen para o disparo contínuo do Gatling e faz manobra evasiva. O projétil disparado pela Lu explode com força no chão onde o Grimgerde estava até agora.
Poeira sobe ao redor, cobrindo tudo. Aproveitando esse instante, o Sieglinde da Hilda dispara um ataque kamikaze contra o Grimgerde. A máquina da Leen, tipo canhão de aniquilação, não é feita pra combate corpo a corpo.
— «Consegui!»
— «Não vou deixar!»
O golpe de espada disparado lateralmente é bloqueado por uma katana. Do meio da poeira, surge o Schwertleite pilotado pela Yae.
O Sieglinde, tipo pesado de combate corpo a corpo, pilotado pela Hilda, e o Schwertleite, tipo leve de combate corpo a corpo, pilotado pela Yae, são máquinas bem parecidas. A diferença é só ênfase em ataque, ou ênfase em defesa.
O cavaleiro laranja e o guerreiro de armadura roxa continuam se atacando repetidamente.
Enquanto isso, criando distância desses dois, o Grimgerde da Leen e o Waltraute da Lu desenvolvem combate à longa distância.
O canhão Gatling da Leen para de girar. Não é falta de munição, é superaquecimento pelo uso contínuo. A Leen ejeta do braço direito o Gatling que soltava fumaça. Em vez de esperar o tempo de resfriamento, escolheu descartar o Gatling que já atrapalhava.
Nesse momento, a Lu troca a "Unidade C" de disparo à longa distância pela "Unidade B" de movimento em alta velocidade, e parte pro ataque.
A Leen também abre apressada o pod de seis mísseis do ombro, mas já é tarde, a espada desembainhada do Waltraute crava no peito do Grimgerde.
— «Fez isso mesmo… mas não vou perder de graça…!»
O Grimgerde prende o Waltraute firme, tipo enforcamento, e abre a armadura do peito onde a espada estava cravada. Ali, um canhão Gatling duplo dispara todo de uma vez.
— «Aah, isso, que covardia…!»
Com o disparo contínuo em curta distância, o Waltraute vai virando ninho de abelha. O Grimgerde, com a espada ainda cravada, também desaba, e as duas máquinas explodem em pedaços.
— Técnica secreta da Escola Kunoe Manari, Hien Reppa!
— Técnica de espada estilo Lestia, quinto modo, Espiral!
A katana do Schwertleite e a espada do Sieglinde atravessam simultaneamente o peito, cockpit um do outro.
— «Empate mútuo… hein…»
— «Que pena…»
As duas máquinas explodem por dentro no local, se despedaçando em pedacinhos. Ao redor, fumaça densa de explosão paira, e ninguém mais resta no campo de batalha…
— «Combate simulado encerrado. Nenhum lado venceu. Empate. Abrindo escotilha.»
Com um som de ar escapando, "pushu", a escotilha das unidades de simulação se abre.
Virando o olhar do monitor gigante da Babylon pra lá, as quatro pilotos que combatiam até agora saem das quatro unidades.
— Isso é o combate no Frame Gear. Bom, é simulação, mas.
— Fuoooooh…
— «Muoooooh…»
A engenheira Elka e o Fenrir soltam a voz excitados, boca em formato de "O".
— Bom trabalho.
Falo com as quatro que saem das unidades de simulação.
— Não, não, empate de novo.
— Né mesmo.
— Achei que tinha vencido… não esperava ser levada junto…
— Descuido é o pior inimigo. O momento em que acha que venceu é o mais perigoso. Falta de cautela.
Com essa divisão de equipe, achei que era bem provável dar empate, mas dar tão certinho assim, hein.
Se for apontar ponto de melhoria, seria a arma corpo a corpo do Grimgerde. Se não tiver recurso pra quando o inimigo se aproximar, fica em beco sem saída. Depois vou consultar a Rosetta.
— Aliás, o que pretende pedir ajuda daquela pessoa?
Olhando pra engenheira Elka, pergunto à Doutora ao lado.
— Bom, depois de ela conhecer a engenharia mágica daqui, mas, primeiro, o mais urgente é criar equipamento de comunicação.
— Equipamento de comunicação?
— Não é equipamento de comunicação comum. É pra fazer comunicação funcionar entre o mundo real e o mundo sombrio. Acho que dá pra usar a magia espaço-tempo usada no portão dimensional pra viabilizar isso.
De fato, isso seria conveniente. Mesmo se aparecer mutante lá, consigo receber informação na hora.
— Isso quer dizer que dá pra fazer o smartphone também conseguir se comunicar?
— Por ora, tô pretendendo caminhar nessa direção. Se instalar estação retransmissora, não é impossível. Talvez ocorra alguma defasagem de tempo.
Se é assim, será melhor dar smartphone pra Nia, da "Gato Vermelho"… não, ela deve quebrar, então talvez seja melhor pro Esto-san, o vice-líder.
— Se os mundos virarem um só, deve conectar sem precisar de retransmissor mesmo…
Mas isso não significa que posso deixar esse problema de lado. Prevenção antes do desastre. Lema dos escoteiros que um amigo meu participava, "Sempre Alerta".
Se não me engano, era algo tipo "esteja sempre preparado pra agir bem, aconteça o que acontecer, em qualquer lugar, a qualquer momento".
— Deixo isso a seu cargo. Quando terminar, me avisa.
— Entendido. Ah, falando em terminar, como tá o trem mágico que estão fazendo em Felsen?
— Vamos ver, se não me engano, entreguei a bateria de energia mágica outro dia, então deve estar quase pronto. O trem 1 e o trem 2 vão ser entregues a Belfast e Lifris, então devem me avisar quando isso acontecer.
Vou precisar teletransportar o trem do leste de Felsen até os dois países do oeste.
Se o transporte entre Belfast e Lifris der certo, Felsen pretende puxar trilho até Lestia, ao sul. Depois disso, seria de Belfast até Misumido.
Bom, por um tempo, deve funcionar mais como trem de carga do que trem de passageiros. Mas, se isso agilizar o transporte entre países, deve trazer bastante conveniência.
Descendo da Babylon pro solo, dirijo-me à Companhia Strain do Olba-san. A Companhia Strain, com loja na cidade abaixo do castelo, virou uma grande companhia que lida desde Dwerg até brinquedo de cápsula.
No espaço de brincadeira montado na frente da loja, hoje também, crianças se reúnem trazendo bey blade, kendama, e vários outros brinquedos, brincando todos juntos.
— Ah, Sua Majestadeee! Boa tardee!
— «««««Boa tarde!»»»»»
Uma criança percebe que eu ia entrar na loja e cumprimenta, e todo mundo cumprimenta junto de uma vez.
— Sim, boa tarde. Todo mundo tá cheio de energia mesmo.
Tiro balas do [Storage] e dou pras crianças, converso um pouco de pé, e entro na loja.
Informação de criança não é pra menosprezar. Pequenas mudanças na cidade, insatisfação dos pais, vários boatos de adulto — tem coisa útil como referência também. Bom, na maioria das vezes, é conversa bem inocente mesmo.
Entrando na loja, o Olba-san logo vem me receber, e me leva pra sala interna.
— Como tá o carro mágico?
— Sim. Alguns veículos comprados pelas famílias reais de cada país. Logo deve se espalhar entre os nobres também.
O carro mágico tem preço razoavelmente alto. Não sendo algo fácil de comprar assim, deve vender bem entre os nobres como tipo de status.
— E a maquete do trem mágico?
— Acho que consigo reunir uma quantidade razoável. Vou deixar pronto a tempo da cerimônia de início de operação.
A maquete do trem mágico não é só brinquedo, também tem o objetivo de aumentar o reconhecimento do trem mágico de verdade.
Se outros países também tentarem fazer trem circular, o Dwerg, desenvolvido pra obra civil, também deve vender razoavelmente. Bom, em Felsen, com bastante mago, talvez não venda tanto assim.
Depois disso, converso com o Olba-san sobre novidades de brinquedo de cápsula e maquete de carro mágico, e saio da loja.
Faz tempo que não ando pela cidade abaixo do castelo. Ficou ainda mais animada que antes, e o tamanho da cidade também se expandiu. Junto com isso, os problemas também aumentaram, e o cavaleiro de patrulha tem tido mais trabalho. Por ora, não parece ter acontecido nenhum incidente grande.
Em seguida, passo na única escola deste país, um pouco afastada do centro da cidade, e a Fiana-san, mãe da Sakura e diretora daqui, me recebe.
A escola também parece estar funcionando bem. Pergunto se falta algum equipamento, e dizem que falta instrumento pra aula de música, então dou um piano de presente.
Até agora, parece que a Sakura cantava ou o irmão Sōsuke tocava instrumento, mas melhor os professores também conseguirem tocar. E o irmão Sōsuke até pode ensinar. Sendo deus da música, afinal.
Aproveitando, também dou de presente castanhola e flauta doce pra quantidade de alunos. Isso deve ser o padrão clássico.
Depois de conversar um tempo com a Fiana-san, quando saio pra fora pra me despedir, o Nyantarō estava esperando. Que isso?
— Vossa Majestade! Preciso pedir um favor, nya!
— Impedir o Rei Demônio de Zenoas de entrar, isso é impossível.
— Tch. N-não é isso! Eu, quero companheiro, nya!
— ? Não tem? Cheio deles pela cidade.
Os gatos subordinados do Nyantarō estão espalhados por toda a cidade. Brunhild é uma cidade abaixo do castelo cheia de gatos, mas, graças ao Nyantarō, a disciplina é bem mantida, sem causar transtorno a humano.
Ao contrário, os humanos é que costumam causar mais transtorno aos gatos.
— Aquele é companheiro gato, nya. Não é isso, quero companheiro igual eu, um Cait Sith! Um só pra gerenciar todo mundo já não dá mais, nya!
O Nyantarō se agarra na minha perna. Ai, ai, para de cravar a unha!
— Ou melhor, seu dono é a Sakura, né? Não é meio errado pedir a mim?
— A Sakura-sama não consegue invocar Cait Sith de propósito, nya! Uns três amigos meus! Por favor, por favor, assim, nya!
— Aah, já chega, entendi, entendi!
Primeira vez que vejo gato fazendo reverência no chão. De fato, um só, o Nyantarō, gerenciar todos os gatos da cidade deve ser difícil mesmo. Originalmente, o Nyantarō também tem o papel de guarda-costas da Fiana-san.
— Vou pegar sua memória um pouco. Imagina na cabeça os Cait Sith que quer invocar.
— Entendido, nya.
Seguro a pata dianteira do Nyantarō, encostando a testa. …Vendo de fora, deve ser uma cena de "o que ele tá fazendo com o gato".
Na minha cabeça, surgem três Cait Sith. Entendi, são esses.
Desenho um círculo mágico no pátio da escola, e faço fluir a energia mágica necessária pra invocação. Eventualmente, uma névoa preta sobe, gira em espiral, e, no instante seguinte, se dispersa de uma vez.
Igual quando invoquei o Nyantarō, as três pequenas sombras que surgem ali sacam a espada fina da cintura, erguem pro céu, e gritam juntas, em alto e bom som.
— «««Um por todos, todos por um!»»»
Um é Cait Sith de aparência determinada, tipo American Shorthair. Outro é Cait Sith com elegância tipo siamês. E o último é Cait Sith de porte um pouco maior, tipo persa.
Cada um deles, igual ao Nyantarō, veste botas, chapéu com pluma, luvas, capa, e florete, trajado como cavaleiro. Os três também são gatos-cavaleiros.
— Nosso senhor. Por favor, nos dê um nome.
O Cait Sith tipo American Shorthair dá um passo à frente e ajoelha. Ué, esse aqui não tem "nya" no final da fala?
Graças à bênção da Kohaku, ou melhor, invocação de espécie animal, dá pra fazer contrato sem condição, então só falta dar nome…bom, só tem um nome possível mesmo.
— Você é Atos. Esse aí é Aramis. E você é Portos.
— «««Como desejar.»»»
American Shorthair é Atos, siamês é Aramis, persa é Portos.
— Todo mundooo~! Quanto tempo, nya~!
— Ooh, é você. Tava bem?
— Você não parece ter mudado nada.
— Gahaha, continua magrelo como sempre. Tá comendo direito?
Sendo conhecidos, logo ficam à vontade e animados entre si.
— Por ora, ajudem o Nyantarō. Fora isso, fiquem à vontade.
— «««Nyantarō?»»»
— N-não é isso, nya! Meu nome verdadeiro é D'Artagnan, nya! Nyantarō é apelido, nya!
O Nyantarō explica desesperado pros três. Ah, é verdade mesmo, isso.
Já que se reencontraram com velhos amigos depois de tanto tempo, deve ter bastante papo pra colocar em dia, então dou uma moeda de prata na mão de cada um. Na taverna desta cidade, dá pra vender bebida até pro Nyantarō e o pessoal. Claro, licor de erva-de-gato.
Como o Nyantarō tem a guarda da Fiana-san, decido levar os três primeiro sozinho até a taverna. Pra eles aprenderem o caminho, decido ir sem usar magia de teletransporte. Já tá chegando o entardecer, então a bebida já deve estar servindo.
O pessoal da cidade, já acostumado com o Nyantarō, não se assusta tanto vendo Cait Sith junto. Quem se assusta mesmo é normalmente viajante vindo de fora.
— Cidade bem animada, hein.
— Que bom que gostaram.
O Atos fala isso, observando ao redor com cuidado, "kyoro kyoro". O Aramis acena animado pra uma gata (provavelmente fêmea) andando no muro, e o Portos fica olhando fixamente, babando, pro frango grelhado da barraquinha.
Sinto que já entendi mais ou menos a personalidade desses três.
— Bom, igual o Nyantarō, contem com vocês pra proteger discretamente essa cidade abaixo do castelo, tá?
— «««Sim!»»»
Chegando na taverna e entrando, tinha um homem desconhecido bêbado caído na frente, e a Yoika bebendo. Essa deusa do saquê lolicon, tá frequentando de novo, hein… Confisquei o dinheiro dela, então não devia conseguir beber. Aposto que ganhou dinheiro alegando ser "competição de bebida".
— Aaah, irmão Touyaaa. Tudo bemm~?
— Tô bem. Ou melhor, você, quantos copos bebeu, hein…
Que isso, tá bêbada demais. Olhando as garrafas vazias na mesa, viro o olhar pro dono do bar no balcão, e ele desvia o olhar descaradamente. Que jeito de conseguir cliente bom, francamente. Enquanto tiver a Yoika como cliente, esse dono nunca vai ficar sem dinheiro.
— Já chega, para por aí. Vamos voltar antes que a irmã Karen te encontre.
— Aiai. Não consigo andar, carrega nas costas.
Ela deveria conseguir controlar livremente se fica bêbada ou não, mas geralmente tá bêbada mesmo. Se ficar séria, deve conseguir ficar sóbria na hora, né. Bom, parece que ela também aprecia ficar bêbada de saquê.
Já que não adianta reclamar disso agora, carrego a Yoika nas costas, como ela pediu. Sinto exatamente como se tivesse uma irmã mais nova sem jeito nenhum.
— Dono, licor de erva-de-gato pra esses aqui. O Nyantarō também vem depois, então conto com você.
— Entendido.
O dono da taverna, sendo morador de Brunhild também, não fala nada sobre os três. Costume é impressionante mesmo, hein.
Deixando os três na taverna, carrego a Yoika nas costas e me dirijo ao castelo. Poderia voltar com [Gate], mas, hoje, sinto vontade de voltar andando mesmo, de algum jeito.
O vento do entardecer é agradável. Às vezes, um dia assim também não é ruim.
— Irmão Touyaaa…
— Hn?
— ………………vou vomitaar…
— [Gate]!
Sem hesitar, salto pro portão de luz que surge na minha frente. Brincadeira, francamente, ei!
— …Guê@*〆#ere$+☆€%oueu
— Gyaaaaaaaaaaaaaah!? No pescoçoooooo!?
…Jurei no coração nunca mais carregar um bêbado nas costas de novo.