Capítulo 337 – A Placa de Pedra e o Diário
— Muito prazer, sou Central Pareliusu, descendente de Areriasu Pareliusu, Rainha do Reino de Pareliusu.
— Bem-vinda ao Reino de Primula, Central-dono. Sou Rudiosu Primula Pareliusu, descendente de Reriosu Pareliusu, Rei do Reino de Primula.
As duas pessoas, ambas com sobrenome Pareliusu, apertam a mão com firmeza.
Reriosu Pareliusu era o segundo filho de Areriasu Pareliusu, ou seja, no fim das contas, os dois são descendentes de Areriasu Pareliusu.
Descendentes se reencontrando agora, depois de atravessar 5 mil anos.
No Reino de Primula, trouxemos, como escolta da Rainha Central, alguns cavaleiros, e uma das descendentes dos quatro discípulos principais do sábio Pareliusu, representante do bairro oeste de cabelo vermelho, a Mirii Uesuto-san.
Bom, mais que "trazer", ela pediu pra ser trazida. Deve estar só preocupada em deixar a própria representante ir sozinha pra um lugar desconhecido, ainda mais outro mundo.
O lado da língua não tem problema, já que apliquei magia de tradução.
Aliás, minha escolta e vigilância desta vez são a dupla de espadachins, Yae & Hilda.
— Foi graças ao Touya-dono que nós, que carregamos o mesmo ancestral atravessando tempo e mundo, conseguimos nos encontrar. Agradeço por isso.
— Que isso, foi quase coincidência. Já vinha contando pro pessoal do Reino de Pareliusu sobre este mundo, afinal.
Respondo balançando levemente a mão diante da fala do Rei de Primula. Faz sentido mesmo, hein, já tá na hora de contar pros outros reis também sobre o mundo sombrio. Não é problema só nosso, afinal.
— Aqui está o registro escrito e o livro de magia deixados pelo senhor Areriasu. Isso é uma cópia, então, por favor, aceite.
— Que gentileza. Teoria básica de magia espaço-tempo, hein. Isso vale a pena pesquisar.
Magia espaço-tempo é magia que rompe com os chamados seis atributos e o sem-atributo. Foi concebida de forma a ser ativada como artefato mágico, permitindo que até pessoas sem aptidão consigam usar. O ápice disso deve ser aquele portão dimensional.
Neste mundo também existe item com magia de armazenamento aplicada, tipo meu [Storage].
O "cartão de armazenamento" que o comerciante Sancho-san tinha, se não me engano. Isso também deve ter sido transmitido, em parte, pelo Reriosu, segundo filho do sábio Pareliusu, sobre magia espaço-tempo.
De fato, comparado a outros países, o Rei de Primula tinha país dedicado à pesquisa mágica. Mesmo assim, ainda estava longe do nível da civilização mágica do mundo real.
Já entreguei ao Reino de Primula o mesmo livro de magia de nível básico que dei à Nia e ao pessoal do "Gato Vermelho". Espero que aproveitem bem.
— Aliás, tem algo que gostaria que você e a Central-dono vissem…
O Rei de Primula faz sinal com o olhar. Aí, o mordomo idoso que ficava atrás, coloca em silêncio uma caixa de madeira na mesa na nossa frente.
O tamanho é uns tamanho A4 (210×297)… talvez do tamanho de livro de arte. Quando o rei abre isso, tipo caixa de madeira de paulownia, dentro, sobre um pano estendido, surge uma placa de pedra completamente preta.
— Isso é…
— É algo transmitido por gerações na nossa família real. Parece ter sido deixado por Reriosu Pareliusu.
Formato retangular. A superfície da placa de pedra brilha como se estivesse polida lisinha, e, olhando de cima direto, meu rosto se reflete como espelho. Que negócio será isso, afinal?
— Não é… espelho, né?
A Hilda, espiando ao meu lado, inclina a cabeça. Parece que dá pra usar como espelho, mas provavelmente é diferente.
Ouvindo isso, o Rei de Primula ri levemente, tira a placa de pedra, e entrega à Central-san.
— É bom segurar na mão e fazer energia mágica fluir.
— Energia mágica? …Ah!
Quando a Central-san segura a placa de pedra de uns 1 centímetro de espessura e faz energia mágica fluir, surge na placa algo tipo escrita cuneiforme brilhando em vermelho.
Eventualmente, isso desaparece, e surge de novo. O texto que surge é escrita cuneiforme, mas diferente do de antes. Desaparece de novo, surge de novo. Parece que exibe vários textos em sequência.
Isso seria tipo aquele artefato mágico usado pra comunicação na Guilda de Aventureiros, o "livro de mensagem transmitida"?
— Esse quadro de pedra é transmitido, geração após geração, ao herdeiro do trono. Diz-se que só o rei fundador Reriosu conseguia ler os caracteres que surgem nessa placa, e o conteúdo permanece completamente desconhecido. Há quem diga que seria a escrita de outro mundo, de onde Reriosu veio…
Entendi. Então, por isso mostraram pra gente. Mas, essa escrita, é a primeira vez que vejo. E não é a língua comum do mundo que a gente usa normalmente também.
— Touya-dono, tem alguma lembrança dessa escrita?
— Não… não é nem língua mágica antiga, nem língua dos espíritos antiga, nunca vi isso antes mesmo.
Pelo menos, acho que não é a linguagem registrada nos livros guardados na "Biblioteca" da Babylon. Porque nunca vi mesmo.
Se Reriosu Pareliusu usava, talvez seja a linguagem de 5 mil anos atrás. Não tem jeito, vou pedir pra Doutora vir de novo.
Enquanto penso nisso, a Central-san abre a boca calmamente.
— Isso é uma escrita antiga transmitida na Ilha Pareliusu. É a língua que o sábio dos tempos, Areriasu Pareliusu, usava numa parte dos documentos sigilosos, e dizem que originalmente era língua de uma pequena etnia sem nome.
— Como assim! En, então, a Central-dono consegue ler esse texto!?
— Sim. Não só eu, os descendentes da família dos quatro discípulos principais também devem conseguir ler. Mirii, e você?
A Central-san entrega a placa de pedra pra Mirii-san, sentada ao lado.
— …Sim. Tem parte da estrutura do texto, ou trecho difícil de traduzir, mas dá pra captar o significado geral. Provavelmente não estou errando muito.
O fundador do Reino de Primula, Reriosu, sendo filho do sábio Areriasu, faz sentido ele usar essa escrita. Mas que conteúdo seria esse, pra esconder assim com tanto cuidado?
— À primeira vista, parece algum tipo de registro… não, parece até diário. …? Demônio de cristal… isso não seria os Phrase…!
— Phrase!? Tá escrito sobre Phrase, é!?
— Provavelmente… a expressão em alguns pontos é difícil, se me der um pouco de tempo, devo conseguir decifrar…
Quando a Mirii-san fala isso, o Rei de Primula coloca um maço de várias folhas de papel na mesa.
— Isso é cópia dos caracteres registrados na placa de pedra. Use, por favor.
— Isso ajuda. Será que dá pra emprestar material de escrita?
A Mirii-san segue com os olhos o texto escrito no papel, escrevendo algo em certos pontos, e a expressão dela vai ficando cada vez mais séria.
Ao mesmo tempo, a Central-san também lê o texto da placa de pedra, ora assentindo sozinha, ora se surpreendendo. Nós, incapazes de ler, só podemos observar. Droga, se ao menos soubesse o nome da língua, talvez desse pra usar magia de decifração.
Alguns minutos depois, a Mirii-san levanta o rosto do texto, com expressão séria, e entrega o maço de papel ao Rei de Primula.
O rei lê isso com olhar sério, e, terminando de ler direitinho, me entrega o papel.
De fato, isso parece diário, e também parece registro. Deduzindo, essa placa de pedra deve ter sido tipo caderno de diário do rei fundador do Reino de Primula, Reriosu.
Vou lendo os passos estranhos que Reriosu Pareliusu percorreu.
Calendário Parteno, ano 2015, mês da Água Celeste, dia 19.
— O exército dos demônios de cristal já destruiu a capital do leste, e diz-se que segue rumo à capital imperial. O irmão, seguindo a ordem que o pai deixou antes de morrer, foi atravessar primeiro pra "ilha", levando membros da família e conhecidos. Se ativarmos a barreira naquela "ilha", os demônios de cristal não devem conseguir tocar lá. Como preço disso, o povo da ilha ficará isolado do mundo exterior, mas já não é situação pra reclamar disso. Já que existe meio de sobreviver, não há razão pra não escolher isso. Mesmo assim, ainda sinto culpa por essa escolha, de só nós sobrevivermos.
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Calendário Parteno, ano 2015, mês da Terra Guia, dia 21.
— Eu também deveria ir logo pra "ilha" onde dorme o "portão" que o pai dedicou a vida. Mas, agora, não posso deixar o país. Surgiu algo que também preciso fazer eu mesmo. Com a cooperação de "ele", que diz ser visitante de outro mundo, e daqueles dois, deve haver possibilidade. Talvez consigamos afugentar aqueles demônios. É só um fio de esperança, mas decidi apostar nisso. Vou confiar no poder de "ele", dono do "branco" e do "preto".
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Calendário Parteno, ano 2015, mês da Terra Guia, dia 3.
— Pelo desespero de "ele", o poder do "preto" e do "branco" descontrolou, e, como resultado, a maioria dos demônios de cristal foi expulsa do nosso mundo. Mas fui envolvido pela distorção do poder ativado, e atravessei o mundo. Deixando a família no outro mundo. Por coincidência, acabei fazendo aquilo que o pai desejava, o teletransporte pra outro mundo. Será que nunca mais vou conseguir voltar pra lá?
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Calendário Parteno, ano 2015, mês da Terra Guia, dia 5.
— Que pena. Este mundo está atrasado em tecnologia mágica comparado ao mundo de onde vim. Fui jogado sozinho num mundo desconhecido. Sem conseguir me comunicar, fico perdido. Só consigo pensar no mundo de onde vim o tempo todo. Será que o irmão e todo mundo, que se mudaram pra ilha isolada, estão bem…
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Calendário Parteno, ano 2015, mês da Roda de Luz, dia 17.
— Fui acolhido como companheiro pela tribo chamada Primula. Por coincidência, ajudei uma garota sendo atacada por fera mágica, e ela era justamente filha do chefe da tribo. Neste mundo, magia não se desenvolveu tanto assim. Não chega nem perto do nível do pai, mas eu também consigo usar magia razoável. Isso, pra eles, parece técnica misteriosa. Que história estranha. Da minha perspectiva, são eles, que operam boneco mecânico, quem são o mistério em si. Eles são corajosos, não esquecem favor, e são gentis. Vou depender deles por um tempo. De fato, ficar sozinho é difícil.
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Calendário Parteno, ano 2019, mês do Crepúsculo Escuro, dia 6.
— A guerra entre a tribo Primula e a tribo Zaraza terminou com vitória da tribo Primula. Com isso, a tribo Primula se torna a líder desta terra. Sem perceber quando, fui designado tipo mediador entre as tribos, e, eventualmente, tomei como esposa a filha do chefe da tribo Primula. Virando novo chefe, uni as tribos vizinhas e fundei o Reino de Primula. Talvez eu quisesse criar um lugar pra acolher os companheiros que talvez venham da "ilha" algum dia. Quero encontrar de novo o irmão e os companheiros. Desejando isso, vivo mais um dia hoje.
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Calendário Parteno, ano 2051, mês da Asa de Fogo, dia 17.
— Será na geração do meu filho, ou do meu neto, ou ainda mais além… algum dia, talvez os companheiros presos naquela "ilha" atravessem o "portão" e venham a este mundo. Peço, por favor, que o povo de Primula os acolha. Basto eu sozinho como criança perdida deste mundo…
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Coloco o maço de papel na mesa e solto um suspiro. Se esse diário for verdadeiro, Reriosu, 5 mil anos atrás, foi jogado pra este mundo por causa de um acidente durante a expulsão dos Phrase.
O irmão dele e os companheiros, sem sequer saber que o mundo foi salvo, estenderam a barreira da "ilha" e ficaram isolados do mundo. Por 5 mil anos longos, forçados a sobreviver lutando contra as feras gigantes…
A família Pareliusu percorreu um destino difícil mesmo, hein…
Eu achava que Reriosu tinha atravessado pra outro mundo antes da morte do sábio Pareliusu, mas era diferente.
Mas, mais que isso, pergunto ao Rei de Primula algo que me deixou curioso.
— O "branco" e o "preto" mencionados nesse texto, não seria…
— Uhm. Provavelmente, deve ser sobre golem. O "preto" deve ser o "Coroa" do preto, "Kuronosu Nowāru". Sobre o "branco", não sei, mas provavelmente deve ser, do mesmo jeito, o "Coroa" do branco.
Como eu imaginava, hein. O sábio Pareliusu encontrou esses dois golems que atravessaram mundos, e o mestre deles, "ele", e conseguiu a pista pro portão espaço-tempo. E o sábio Pareliusu morreu sem completar isso, o filho mais velho ficou isolado na ilha onde dorme o portão, e o segundo filho foi jogado pra outro mundo…
— Mas, Touya-dono. Segundo esse registro, tanto o "branco" quanto o "preto" deveriam ter ficado do outro lado do mundo… ou seja, no nosso mundo, não é mesmo…?
— Uhm… se não me engano, ouvi que o "Coroa" do preto e o mestre dele estão neste mundo…
A Yuri, do Gato Vermelho, se não me engano, mencionou algo assim. Rival da líder, a Nia.
Como esse "Coroa" do preto, deixado no nosso mundo, voltou pra este mundo? Ou será que o "Coroa" do preto tem essa habilidade mesmo? Senão, não conseguiria vir pro nosso mundo. E, o que aconteceu com o "Coroa" do branco, afinal?
Se o "Coroa" do branco consertou a barreira do mundo, não tem motivo pra não procurar.
E também, talvez seja necessário encontrar o "Coroa" do preto também.
— Onde está o "Coroa" do preto atualmente?
— Vamos ver. Outro dia, chegou justamente a este país, junto com o mestre. Quando falei sobre a engenheira Elka, saiu voando feito flecha.
— Sobre a engenheira Elka? Por que raios?
— Ora? Não ouviu da engenheira Elka? O mestre do "Coroa" do preto é a irmã mais nova dela, sabia.
Hã!? Ei, ei, não ouvi isso, não… Isso, devia ter falado antes, francamente!
— Como também falei do Touya-dono, talvez…
Interrompendo a fala do Rei de Primula, o smartphone no bolso avisa uma ligação. Peço licença ao Rei de Primula e atendo, era do Byakugin, da Ilha Draclif.
— Alô. Byakugin?
— «Perdão por incomodar num momento ocupado, Touya-sama. Surgiu uma situação um pouco complicada…»
— O que houve?
— «Sim. Apareceu um invasor na ilha, mas está se descontrolando, exigindo que apareça o Touya-sama. É uma criança acompanhada de um golem preto, gritando "devolve minha irmã, sequestrador!", parecendo prestes a romper a barreira e invadir a qualquer momento…»
Ué? Por que virei sequestrador, hein? Ah, não, bom, fiz sim algumas vezes. A invasora seria a irmã da engenheira Elka, mestre do "Coroa" do preto?
Não imaginei que ela viria por conta própria. Por ora, peço pro Byakugin fazer ela esperar, e desligo a chamada.
Isso, preciso trazer a engenheira Elka. Parece que ela tá brava. Mas, "sequestrador", que falta de educação. Foi ela mesma que quis me seguir, viu.
Hmm… vermelho, azul, e roxo, e, entre mestres de "Coroa", nunca encontrei ninguém decente até agora, hein. Será que tá tudo bem encontrar essa aí. Fico um pouco inseguro…