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Isekai wa Smartphone to Tomo ni – Capítulo 339

O Plano de Reforço e o Deus da Guerra

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Capítulo 339 – O Plano de Reforço e o Deus da Guerra

"Kuronosu Nowāru".

Coroa do preto. A habilidade dele é controle do tempo e interferência em mundos paralelos.

Em curto período (um minuto), consegue trazer diversas coisas de qualquer tempo, de vários mundos.

Não é só objeto físico, também consegue trazer e amplificar "peso", "resistência", "impacto", "eu mesmo de outro mundo" e afins. É poder tremendo, mas só funciona à noite, e o contratante precisa como preço ter o tempo do corpo revertido.

Ver o futuro alguns segundos à frente, acelerar o próprio movimento, desacelerar o adversário — esse tipo de controle de tempo é possível, mas parar o tempo, ou reverter, "ainda" parece não conseguir.

— Ou seja,

A Doutora Babylon se move da posição onde estava pra direita, fica parada em outro local, e aponta pro local onde está e pro local onde estava antes.

— Agora, estou nesta posição A. Mas, um segundo atrás, estava no ponto B, anterior a esse.

— Hmm, hmm.

— E, mais um segundo antes, existia na posição C, e, mais um segundo antes disso, na posição D. Ou seja, existe a mim de um segundo atrás, de dois segundos atrás, de três segundos atrás. A habilidade do "Coroa" do preto é justamente essa habilidade de puxar diversas coisas desses mundos de tempo diferente pro seu próprio tempo. Ou seja, puxar o eu de um segundo, dois segundos, três segundos atrás pro mundo atual, e fixar essa existência temporariamente. Com isso, mesmo que seja pseudo, consegue fazer existir quatro versões de mim neste mundo.

Quatro Doutoras, francamente. Que mundo desagradável.

Hmm… entendo o que ela quer dizer, mas, se puxar o eu de um segundo atrás, um segundo depois, ou seja, o eu atual, não deveria estar lá?

— O fluxo do tempo tem a mesma direção, mas a possibilidade dele, tipo afluente, é infinita. Por exemplo, eu estou aqui agora, mas, daqui um segundo, tem várias futuras possíveis, tipo eu na frente, eu atrás, eu na direita, eu na esquerda, né? Nesse caso, se eu me mover pra frente, mesmo puxando o eu que deveria ir pra direita, esquerda, ou atrás, minha existência não se abala.

Ah, então é aquilo, mundo paralelo. Aquele tipo comum em filme e mangá de máquina do tempo.

"Paradoxo temporal", será? Se não me engano, tem aquele "paradoxo de matar o próprio pai", né. Se voltar no passado e matar os próprios pais antes de nascer, o que acontece?

Nesse caso, já que matou os pais, você não teria nascido, e, portanto, os pais não seriam mortos… esse tipo de contradição surge.

Mas, considerando que, no momento de matar os pais, já se ramificou num mundo diferente daquele de onde partiu, não surge contradição. Considera-se que se dividiu em "mundo onde os pais são mortos, e eu não existo" e "mundo onde os pais não são mortos, e eu existo".

Mundo de "e se", carregando várias possibilidades. Interferir nesse mundo e trazer diversas coisas seria a habilidade do Noir, então.

Isso é bem incrível… se tivesse lutado à noite, teria sido perigoso… não, do outro lado precisa de preço, então não deve ser tão simples assim.

— É diferente de outro mundo, então.

— Não existe no mesmo eixo temporal, mas o mundo é o mesmo. Bom, entre os inúmeros mundos gerenciados pelo que você chama de "Deus", talvez existam vários mundos parecidos, e, se ficarem distantes demais, talvez isso vire justamente "outro mundo" mesmo.

Entendi. Incluindo a possibilidade, é um mundo só. Não é mundo diferente. Consideramos como o mesmo mundo, num eixo temporal diferente.

— 5 mil anos atrás, foi essa habilidade que repeliu os Phrase?

— Quem sabe. Já que ele conseguiu remover, mesmo que temporariamente, aquela horda de centenas de milhares de Phrase deste mundo, talvez tenha outra habilidade também. Nesse ponto, nem a engenheira Elka conseguiu decifrar, e o próprio Noir parece ter tido a memória resetada. Bom, sendo o preço que é, não dá pra testar levianamente também.

Preço do portador do Coroa, hein. A limitação de só poder usar à noite talvez seja justamente um freio de proteção.

Aliás, a arma que ele usou no nosso combate parece que era arma criada pela engenheira Elka, sem relação direta com o Noir.

No caso do Noir, toda vez que usa a habilidade noturna, a idade física da mestra, a Norun, parece regredir. Se for isso, dá pra entender aquela aparência apesar dos 15 anos.

À primeira vista, parece maravilhoso manter a juventude, mas, quanto mais usar, mais rejuvenesce, e, no fim, se virar até feto, isso já não difere de morte.

Se uma garota de 15 anos parece só ter 6, 7 anos, isso significa que já consumiu uns 8, 9 anos de tempo.

Pensando bem, é um preço bem terrível. Ainda seria melhor se, com o tempo, ela pudesse crescer de volta.

Por causa disso, parece que assunto de idade e altura são tabu pra ela. Depois daquilo, chegou a se desculpar, mas parece que a mão sai reflexivamente. (segundo o Noir)

Aliás, lembrei de um filme antigo que assisti, onde o protagonista fica furioso ao ser chamado de "covarde". Aquele filme também era de máquina do tempo, história relacionada a tempo. Será parente ou algo assim… não, duvido.

A engenheira Elka levou sermão… ou melhor, repreensão, da Norun, sem parar por um bom tempo. Mas, entre as palavras, dava pra perceber preocupação com a irmã, e ficou claro pra mim que ela não a odeia. É aquilo, tsundere? …Nesse caso, talvez não seja bem isso.

— E, o que decidiu a senhorita Norun?

— Já que a engenheira Elka não pretende sair da Babylon, ela vai ficar um tempo no mundo real. Perguntei se ela queria morar no castelo, mas recusou. Parece que se hospedou na "Lua Prateada".

— Hmm. Ajuda ter o "Coroa" por perto. Vai ser útil ter cooperação dela nos vários planos daqui pra frente. Bom, isso à parte.

A Doutora pega o maço de papel colocado na mesa do "Laboratório" e folheia rapidamente. Aquilo é a tradução do diário em placa de pedra deixado por Reriosu Pareliusu, fundador de Primula.

— O "Coroa" do branco ficou no lado do mundo real, hein… claro, já testou busca, né?

— Ah. Mas não teve reação nenhuma. Já vi golem Coroa, do vermelho, azul, preto, e roxo. Todos tinham características parecidas. Não acho que só o branco seria diferente.

Se não conseguiu detectar com magia de busca nessas condições, é porque já não é algo identificável pela aparência, ou está bloqueado por barreira.

Talvez o mestre anterior misterioso do preto e do branco, que veio pra este mundo 5 mil anos atrás, tenha selado em algum lugar.

— Sobre esse mestre anterior misterioso, tem uma coisa que fico curioso. O preço do "Coroa" do preto, o Noir, é reversão do tempo corporal. Poder que repeliu tantos Phrase, 5 mil anos atrás. Naturalmente, o preço deve ter sido enorme. Mesmo que o mestre anterior fosse um velhinho decrépito, existe alta probabilidade dele ter voltado até virar feto.

— Então quer dizer o quê? Que nesse momento, o mestre anterior rejuvenesceu demais e morreu ali mesmo?

— Não, claro, existe possibilidade do mestre anterior ser espécie de vida longa, então não dá pra afirmar. Mas acho que existe outra possibilidade também. Ou seja, será que o preço do "Coroa" do branco não seria exatamente o oposto do preço do "Coroa" do preto?

Hã? Reversão do tempo corporal, o oposto seria… ou seja, "envelhecimento"?

— Também se chama "envelhecimento". Ou seja, reunindo esses dois Coroas, preto e branco, será que não sofriam a restrição do preço? …Bom, isso é só especulação minha.

"Rejuvenescimento" e "envelhecimento". Preços opostos. Positivo e negativo, ou melhor, multiplicando negativo por negativo, vira positivo?

Bom, no fim das contas, é só imaginação, e talvez seja desperdício pensar nisso agora.

— Aliás, o plano de reforço de golem, tá progredindo?

— Bom, razoavelmente. Por ora, esse aqui é o modelo de amostra.

A Doutora traz um robô, com um cristal grande transparente tipo bolinha de gude no centro, com braço, perna e cabeça acoplados.

No geral, com design diferente do Frame Gear, tem também certo ar rústico. Sendo amostra, não tem cor nenhuma. Aqui e ali, tem peça transparente embutida, será que pretendem usar material cristal ali?

— Primeiro, envolve contratante e golem numa gel especial de alta condutividade mágica, e amplifica cada parte a partir daí… bom, detalhe deixa pra lá. De qualquer forma, consigo dar poder e mobilidade equivalente ao Frame Gear, e ainda por cima reforçar a própria habilidade.

— Hee.

— Só que, no caso do "Coroa", precisa repetir experimento com cuidado. Não tem graça se o poder for cem vezes maior, mas o preço também for cem vezes maior.

De fato. Especialmente nesse ponto, quero que tomem bastante cuidado. Se errar, o preço do Noir da Norun, ou do Rouge da Nia, é grande demais.

— Isso dá pra usar em golem comum também, né?

— Sem problema. Trocando a peça em torno dessa parte central, dá pra reconstruir em outra forma. Por exemplo, se construir baseado no Fenrir da Elka-kun, dá pra fazer nessa forma animal também.

Dizendo isso, a Doutora tira braço, perna e cabeça do modelo de amostra, tira outras peças, e vai encaixando, "pachiri pachiri".

Num instante, o robô que era humanoide vira robô tipo lobo de quatro patas. Trocando as peças, dá pra customizar em vários formatos diferentes.

Com isso, será que dá pra atender vários tipos de golem? Não, talvez seja impossível pra algo tipo o Canivas da loja do Sancho-san.

Mesmo assim, vira vantagem bem significativa como meio de contramedida contra mutante. Mesmo sem ser nível "Coroa", deve conseguir abater. Como o mundo sombrio não tem tanta fenda na barreira quanto o mundo real, não acho que vai aparecer coisa tão grande assim frequentemente. Mesmo assim, ter meio de interceptar ou não faz diferença como céu e terra.

— Isso, quanto está pronto?

— Uns 60%… por aí. Bom, como já falei, no caso de "Coroa", tem ajuste e experimento, então ainda falta bastante.

Faz sentido mesmo. Não pretendo apressar, mas também não quero ficar sempre um passo atrás. Só posso pedir pra ela se apressar o máximo possível.

Depois disso, saio do "Laboratório" e vou até o castelo da "Muralha". Preciso que esse grupo também chegue a uma conclusão logo.

— Ah, Touya. Quanto tempo.

— Acho que o jantar de hoje devia ser katsudon.

— Isso comemos há só dois dias, Mel-sama. Eu, pessoalmente, gostaria de lámen.

— Peixe. Sashimi é bom. Junto com arroz bem quente.

Vendo os quatro completamente relaxados, solto um pequeno suspiro. Adaptação alta demais, francamente… vendo se ambientarem tão bem assim, nem dá vontade de comentar.

— …No fim, chegaram a uma conclusão?

Mordiscando biscoito na mesa e bebendo chá preto, o "Rei" dos Phrase, Mel, e, sentadas de frente pra ela, também enfiando torta de maçã ou algo assim na boca, as irmãs espécie dominante, Nei e Rise, olhando pra elas, falo com o Ende.

— Chegar a conclusão, nada. Nem o cardápio de hoje à noite tá decidido ainda.

— Não é isso que eu falo, viu.

Feito exagero, o Ende ergue as duas mãos, tipo "me rendo". Ficar preocupado com o cardápio do jantar enquanto come lanche, como fica isso, hein.

— Eu, se puder ficar junto com o Endimyon, já tá bom.

— Eu ainda quero que a Mel-sama volte pro mundo cristalino. Muitos companheiros também devem desejar isso.

— Já disse que não sou mais o "Rei"…

Continua em paralelo mesmo, hein. Nada avança. Ei, vocês só vieram pra comer, é?

As três espécies dominantes, exceto o Ende, tiveram a experiência inédita da comida, e parecem tão fascinadas por isso que passam a vida esperando ansiosamente pelas três refeições diárias e o horário do lanche.

Mesmo chamando de "comida", não convertem em energia, só apreciam o sabor mesmo, mas, no início, exigiam quantidade absurda. Comiam mais que a Yae, sinceramente é demais. Todo dia, uma pessoa devorando dez bois, francamente, foi complicado mesmo.

Mas parece que, com o tempo, se acostumaram a apreciar, e conseguem se satisfazer com pouco, mas, mesmo assim, três pessoas comem tipo dez pessoas.

"Comer à toa" seria justamente pra descrever esse pessoal. Queria liberar logo, mas, se forem absorvidas por mutante ou deus maligno sem eu saber, também vira problema.

Mesmo assim, não dar comida também… parece que tô perseguindo, dá um clima ruim.

— Lá fora, teve alguma mudança?

— Por ora, nada ainda. No mundo sombrio, mutante também já começou a aparecer aqui e ali, mas.

Respondendo, sento na frente do sofá onde o Ende está sentado. Sinto tipo cupim comendo a casa por dentro. Digamos, estado que pode desmoronar a qualquer momento.

— Os outros Phrase já foram todos absorvidos pelo mutante?

— Os que a Nei e o pessoal traziam, sim. Uns várias centenas de milhares, aproximadamente. Foram "devorados" pelo mutante.

Várias centenas de milhares, hein… bastante mesmo. E, ainda por cima, pelo que ouvi, o inferior dos Phrase parece se multiplicar ao longo de bastante tempo. Espero que esse aspecto não tenha reforçado com a virada pra mutante.

De qualquer forma, quer dizer que não vai conseguir mais material cristal a partir disso. Tenho montanha disso, mas preciso usar com cuidado mesmo.

Mas esse pessoal, já se acostumaram completamente com a vida de confinamento, hein. Sendo Phrase, talvez seja espécie de vida longa, e por isso acostumados a tédio.

Ao contrário disso, a Mel pega emprestado livros da Famu, gerente da "Biblioteca", e parece estar lendo vários. Igual à Doutora Babylon e à engenheira Elka, ela também parece ser tipo de pessoa considerada "gênio", com capacidade de compreensão excepcional.

Foi ela mesma quem originalmente criou o método dos Phrase de atravessar mundos, afinal. Difícil imaginar isso, vendo ela devorando katsudon.

Genialidade e loucura são traços tão próximos assim, hein.

— Mais que isso, Touya. Será que dá pra me deixar sair "de fora" logo?

— Já disse. Se a Mel e o pessoal saírem de [Prison], o mutante vai perceber, né. Você quer expor este país ao perigo?

— Não, não, entendo isso muito bem. É só eu mesmo.

Hmm… bom, o Ende não deve tentar abandonar a Mel e fugir, provavelmente. Se mudar a configuração de [Prison], é fácil deixar só o Ende entrar e sair livremente, mas por que raios?

— Treino… digamos assim. Eu também tenho meu próprio orgulho. Se tiver chance de revanche contra aqueles gêmeos, quero ficar forte o suficiente pra não perder da próxima vez.

Os gêmeos, é aquilo, os núcleos duplos espécie dominante que espancaram o Ende. Que dizem estar do lado do Yura, virando mutantes.

Será que ficou tão frustrado assim, olha pra mim com olhar sério.

Bom, se for só treinar por conta própria, tudo bem…

— Esse espírito é bom!

— «Uwaaaah!?»

De repente, junto com luz, uma pessoa surge ao meu lado, e grita alto, então acabo gritando junto com o Ende sem querer.

Idade parece perto dos 30. Cabelo curto, vestindo algo tipo quimono branco de artes marciais, e, embaixo, músculo bem trabalhado. Na testa, faixa amarrada, sobrancelha grossa e olhar afiado, boca fechada num traço reto, e, de qualquer ângulo que olhasse, esse homem tipo lutador estava de pé ao meu lado.

Invadir dentro de [Prison], quem será, afinal!?

— A, ah!? V, você é…!

— Conhecido do Ende?

— Es, esse é o homem, viu! Foi quem me espancou quando consegui a espada divina!

— Quanto tempo, jovem!

Com sorriso meio sufocante de intensidade, o lutador ri, "nika!".

Espancou o Ende… espera aí, então quer dizer que…

— Não me diga… deus da guerra…?

— Exatamente! Materializei e desci pra realizar o desejo desse jovem aí!

Sim, chegou o sétimo deus.

Já passou da capacidade, francamente… o quê, será que tô mirando nos sete deuses da sorte de outro mundo? Posição de Bishamonten, é? A irmã Karen deve ser tipo Benzaiten.

— Já que eu vim, fica tranquilo. Vou gravar no seu corpo o que é força de verdade!

Apontado com força pelo deus da guerra, o Ende, com rosto contraído, aponta pra si mesmo, "eu?".

Ah, é verdade, o Deus do Mundo mencionou algo sobre querer fazer dele discípulo. Será que estava esperando o momento certo de descer no plano terreno até agora?

Sinto pena do Ende, mas quem mexe com deus se dá mal. Se o objetivo do deus da guerra é esse, deixa ele se divertir à vontade. Parece que ele quer ficar forte mesmo, e virar discípulo de deus não é algo que se consegue só porque quer, viu, sim.

…Um sacrifício já basta.


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