Capítulo 342 – O Príncipe e o Filho do Imperador
Reino de Reeve.
Dizem que, 10 anos atrás, era um pequeno país localizado entre o país técnico-mágico de Eisengard e o Império de Gardio, no mundo sombrio.
Espremido entre duas grandes potências, mas protegido por montanhas de acesso difícil e soldados-golem poderosos, este país manteve independência por longo tempo.
Servindo a série de máquina antiga incomparavelmente poderosa, "Golems Imperiais das Feras", doze unidades no total, e os doze generais que os pilotavam sustentavam o país.
Este país tinha ruínas de um reino antigo que floresceu no passado, e dessas ruínas, com frequência considerável, golem de máquina antiga era escavado. A série "Golem Imperial das Feras" também foi escavada de lá.
Uma montanha de tesouros assim, naturalmente, era alvo de cobiça de outros países. Recebeu várias invasões no passado, mas, toda vez, os doze generais das gerações repeliam.
O solo do Reino de Reeve contém bastante prata divina. Prata divina é algo que atrapalha bastante a habilidade de golem, e, nesta terra, quase todo golem não consegue nem metade do próprio poder. Mas a série "Golem Imperial das Feras" era máquina que não sofria influência dessa prata divina.
Fora da terra de Reeve, naturalmente, essa vantagem não existia. Mas, no quesito de proteger o país, não havia vantagem maior que essa.
O país que mexesse com o Reino de Reeve, sempre recebia um golpe amargo de volta. Do lado deles, a habilidade caía pra menos da metade, enquanto o lado deles não sofria influência nenhuma. Era praticamente injusto.
Mas esse reino, 10 anos atrás, entrou em colapso repentinamente. Era o reinado do 13º Rei do Reino de Reeve, Makushimirian Guran Reeve.
O gatilho foi a traição de um dos doze generais. Ele fugiu pro país técnico-mágico de Eisengard, e o "Golem Imperial das Feras" que ele trouxe consigo foi completamente analisado. E, com desenvolvimento conjunto com o Império de Gardio, os dois países finalmente desenvolveram um dispositivo que permitia golem funcionar sem perder poder mesmo em terra impregnada de prata sagrada.
Com isso, a vantagem geográfica de Reeve desapareceu, e, com o batalhão de golem dos dois países invadindo, o pequeno Reino de Reeve desapareceu do mapa…
— Nós somos sobreviventes soldados que serviram esse Reino de Reeve.
Dizendo isso, o Coronel tira do bolso interno um cartão. Balançando levemente, um golem surge no local. "Cartão de armazenamento", hein.
O golem que surge tem corpo grande, mais de 2,5 metros, vestindo armadura amarelo levemente alaranjada. E, mais que isso, o que chama atenção é a cabeça. A cabeça desse golem tem formato tipo leopardo.
Enquanto observo esse golem lá em cima, os olhos do golem de cabeça de leopardo se voltam pra cá. Opa, encontrei olhar.
— Esse é um dos "Golem Imperial das Feras", "Raio-Leopardo, Leoparudo". Faz tempo que não tiro ele pra fora… por medo de que Eisengard ou Gardio descubram nossa identidade.
— Espera aí. Se esse é um dos "Golem Imperial das Feras", quer dizer que você…
A Yumina interrompe. Faz sentido. Quer dizer que… como se respondesse à nossa dúvida, ao lado dele, a bela mulher bronzeada… a Tenente, dá um passo à frente e abre a boca.
— Sim. O Coronel é um dos doze generais de Reeve, que lutou junto com esse Leoparudo.
— Exatamente isso. Era o mais novato entre todos, mas.
Sendo 10 anos atrás, não seria estranho, mas não consigo imaginar de jeito nenhum esse homem rústico jovem. Rosto que passaria por quarentão, mas será que é mais novo mesmo? Se o Coronel tem uns trinta e poucos, 10 anos atrás teria uns vinte e poucos… novato mesmo, digamos.
— O Príncipe Rufuredin nasceu só três dias antes do Reino de Reeve cair. Filho de uma nova consorte, e poucos sabiam da existência dele. Momentos antes do reino cair, é certo que a ama levou o príncipe pra fora do país, mas, depois disso, perdemos completamente o rastro.
— Nós vagávamos sem destino, até sermos acolhidos pelo antigo líder do "Gato Vermelho". Nesses 10 anos, coletamos várias informações procurando o príncipe, mas nem uma pista sequer encontramos.
Continuando a fala do Coronel, o Sargento de olhos estreitos fala isso com um suspiro. Bom, deve ser tipo procurar agulha no deserto mesmo.
— A maioria dos doze generais morreu em combate, e as "Feras Sagradas" foram roubadas ou destruídas. Mas o povo de Reeve sobrevive em vários lugares. O príncipe é justamente a luz de esperança deles. Só de pensar que o príncipe talvez esteja vivendo infelizmente, sem saber da própria origem, não consigo ficar parado. Por favor. Será que dá pra encontrar ele de algum jeito?
— Bom, mas isso…
Olhando de relance pro Coronel curvando a cabeça, volto o olhar pra foto. Só com esse tipo de pista…
— Esse menino tinha alguma característica? Pinta rara, ou marca em formato de estrela?
— Pinta ou marca, não sei, mas existe uma herança genética de que todo homem da família real de Reeve tem olho mágico. E, pra conter esse olho mágico, existe um costume de dar pulseira de selamento na infância. Porque existe olho mágico que é perigoso se não souber controlar.
Ouvindo "olho mágico", olho pra Yumina sem querer. Voltando o olhar pra foto, de fato, tem algo tipo pulseira no braço do bebê.
Já encontrei várias pessoas com olho mágico até agora. O "Olho Mágico da Percepção" da Yumina, que enxerga a essência das pessoas, o "Olho Mágico da Verdade" de Sua Santidade a Papisa de Ramish, que enxerga mentira, e o "Olho Mágico da Ilusão" que a aventureira dragão-humana, a Sonia-san, tem, capaz de enxergar através de ilusão.
O menino da foto está de olho fechado, difícil de saber, mas será que tem olho mágico mesmo.
— O rei também não era tão poderoso, mas tinha "Olho Mágico do Fogo Acendido". O príncipe também deve ter algum tipo de olho mágico.
— Se isso for certo, dá pra restringir bastante a busca. Nem no nosso mundo tem tanta gente com olho mágico, e neste mundo deve ser ainda mais raro.
Existe teoria de que olho mágico seria magia sem atributo alojada no órgão do olho. Neste mundo, com poucos magos, quem tem olho mágico deve ser existência bem rara mesmo. (No mundo real também é bem raro, mas)
Ou melhor, tendo pista tão grande assim, ainda não conseguiram encontrar até agora?
— Não sei como é no seu mundo, mas, aqui, basicamente, quem tem olho mágico é temido. A maioria de quem tem olho mágico esconde a própria origem. Não é fácil de encontrar. E, ainda mais, diferente da menina aí, o rei tinha os dois olhos da mesma cor. Provavelmente, o príncipe também não deve dar pra distinguir pela aparência.
Diz-se que, quanto mais forte o olho mágico, mais fácil de virar heterocromia. Considerando isso, o olho mágico da família real de Reeve não deve ser tão forte assim. Mas, sendo olho mágico, dá pra captar o fluxo de energia mágica. Se eu conseguir distinguir, busca é possível.
— Busca. Menino de uns dez anos com olho mágico.
— «Buscando. Busca terminada. Exibindo.»
Algumas marcações caem no mapa projetado no ar. Três, hein. Mas só isso não dá pra saber se é o príncipe. Talvez sejam só pessoas com olho mágico comum.
— Essa pulseira de selamento, dá pra continuar usando mesmo crescendo?
— Ah. Se não me engano, o tamanho ajustava livremente. Pela aparência, parece pulseira comum, então acho alta a chance de ainda estar usando.
Deve sentir alguma energia mágica, então até eu deveria conseguir perceber que essa pulseira é especial. Se for isso, dá pra buscar.
— Dessas, busca quem estiver usando pulseira de selamento.
— «Busca terminada. Corresponde um caso. Exibindo.»
— «««!»»»
Achou! Um pino vermelho cai no mapa, um só.
— Império de Gardio… não me diga que está no coração do inimigo…
— Coronel… e, ainda mais, esse local…
— Capital imperial Gararesuta… bem no meio, uwaa…
Os três gemem olhando pra tela. Nunca imaginaram que estaria bem na capital de um dos países que destruiu a pátria deles. Rosto bem complicado.
Qual parte da capital imperial, hein. Amplio o mapa, restringindo o local. Espero que não seja área de favela… se cometeu crime e caiu na escravidão, seria péssimo.
— Hn? Ei, espera aí, isso é…
Conforme amplio o local onde o pino está, percebo uma coisa. O local é dentro de um grande edifício no centro da capital imperial. Isso é, sem dúvida, o palácio imperial, né?
— Por que o príncipe da família real de Reeve estaria no palácio imperial do Imperador de Gardio…!?
O Coronel solta a voz atônita. Ainda bem que o palácio imperial não estava coberto por barreira… ué? Será que errei a busca?
— O que será isso, hein?
— Não, mesmo perguntando a mim…
A Leen me lança o olhar, mas eu também não sei. Pelo menos, sim, existe um "menino de uns dez anos" "com olho mágico" usando "pulseira de selamento" nesse palácio imperial. Se é o príncipe do Reino de Reeve, isso não sei.
— Não tem algum cabelo deixado do falecido rei?
— Não, agora não tenho, mas… por quê?
— Melhor confirmar se essa criança é realmente filho do Rei de Reeve, né? Se tiver cabelo ou osso do rei, dá pra confirmar.
— …Mesmo destruído, tem o golem do rei guardado com um conhecido. Provavelmente, dentro do G-Cube dele, deve ter restado cabelo ou unha de Sua Majestade. Se for necessário, providencio.
Entendi. Informação genética do mestre do golem, hein. Se for isso, dá pra confirmar com certeza.
Só falta invadir discretamente esse palácio imperial e pegar um, dois fios de cabelo dessa criança emprestado. Depois, pedindo pra Flora, do "Prédio de Alquimia", fazer exame de DNA, deve resolver preto no branco.
— Vai até esse palácio imperial?
— Só uso [Invisible] e pego um, dois fios de cabelo dessa criança emprestado, só isso.
— Se é assim, eu também.
— Eu também vou.
Seguindo a Yumina, a Leen também levanta a mão. "Eu tambéééém", a Poala também levanta a mão. A Kurenai, parada no meu ombro, também assente.
— Então, vamos pegar o cabelo desse menino, e voltar por ora. Quanto tempo pra conseguir o cabelo do rei?
— Vamos ver… uns dois, três dias.
— Entendido. Aí, quando conseguir, avisa pra Nia mesmo.
Despedindo-me do pessoal do "Gato Vermelho", saio primeiro com [Gate] pra dentro de uma floresta deserta. Dali, aplico [Invisible] em todo mundo, tornando invisíveis, e decidimos saltar de uma vez com [Teleporte].
Estando invisível, mesmo desviando um pouco, deve dar pra resolver. Confirmo direção e distância olhando o mapa.
— Então, todo mundo, chega mais perto.
— Ah, então. Sim.
— Fufu. Que constrangedor, hein.
Não fala isso, francamente. Vou ficar consciente disso, viu.
Segurando as duas agarradas nos meus dois lados, com a Poala nas costas e a Kurenai no ombro, teletransportamos de uma vez com [Teleporte] pro pátio do palácio imperial do Império de Gardio.
— Kya!
— Opa!
— Mu! Quem tá aí!
Errei um pouco a altura, aparecendo cerca de 30 centímetros acima do chão do pátio. Segurando a Yumina, que quase tropeça, evito que ela caia, mas, ouvindo a voz, alguns guardas vêm em nossa direção.
Como já apliquei [Invisible] antecipadamente, a menos que façamos barulho, eles não conseguem nos ver.
Os soldados, olhando ao redor confusos, "kyoro kyoro", diante deles. Sem ninguém, todos inclinam a cabeça confusos.
— O que houve?
— Não, é que ouvi um som suspeito. …Parece que foi impressão minha. Deve ter sido pássaro ou algo assim.
Vindo de algum lugar, voz de criança, e um dos soldados responde.
Virando o olhar na direção da voz, no pátio, tinha um menino de uns dez anos de pé. Vestindo roupa de bom gosto e aparência cara. Será filho de algum nobre?
Esse menino tinha cabelo castanho claro longo, amarrado atrás, garoto de aparência dócil. A cor dos olhos era castanho escuro, mas só o olho direito tinha um tom levemente esverdeado, avelã. Tem olho mágico.
— Touya-san. Aquilo…
Na direção que a Yumina aponta, no braço dessa criança, brilhava uma pulseira dourada. Aquilo é a pulseira de selamento, hein. Sem dúvida, essa criança deve ser quem apareceu na busca.
Hmm. Dizem que o Rei de Reeve tinha os dois olhos da mesma cor. Comparado a isso, essa criança tem heterocromia completa. E, ainda mais, como assim, o príncipe fugitivo virar filho de nobre de país inimigo? Bom, talvez seja porque a característica do olho mágico se herdou fortemente…
— De fato, será que errei a busca mesmo, hein…
Bom, tanto faz. Por ora, deve resolver com exame de DNA.
— Kurenai, conto com você.
— «Como desejar.»
A Kurenai voa do meu ombro, plana suavemente, "sui", e, cruzando perto do menino, arranca um pouco de cabelo dele.
Talvez tenha sentido uma picada, o menino segura a cabeça e olha pro céu. Foi mal, viu.
Certo, com isso, missão cumprida por ora. Vamos recuar.
— Ooh, Rukureshion. Estava aqui.
— Pai! E a mãe também!
— Vossa Majestade o Imperador! Vossa Majestade a Imperatriz!
Nan!?
Diante dos dois que aparecem no pátio, todos ali, exceto o menino, se ajoelham de uma vez.
Um homem de meia-idade, uns quarenta anos, e uma mulher de aparência gentil, uns trinta e poucos anos.
Corpo fino, mas com olhos e sobrancelhas de vontade firme, o homem já dá pra saber, pela aparência, que é imperador, vestindo capa luxuosa e coroa.
A mulher também, sem dúvida, veste vestido de posição alta, e, na testa, usa diadema decorado com pedra preciosa. Esses dois devem ser o Imperador e a Imperatriz de Gardio.
Quer dizer que… aquela criança é filho do imperador, francamente!
— Vai sair, pai?
— Uhm. Pra fábrica. A volta talvez demore um pouco. Conto com você pra cuidar da mãe.
— Sim!
Acariciando gentilmente a cabeça do filho do imperador, que respondeu com vigor, o Imperador de Gardio se afasta do pátio junto com os cavaleiros. A Imperatriz e o filho do imperador restantes conversam animados, se afastando junto com os soldados de escolta, em direção diferente do imperador.
— Kurenai, foi mal, mas será que dá pra pegar o cabelo do imperador e da imperatriz também?
— «Como desejar.»
A Kurenai voa de novo. Não faço a mínima ideia do que está acontecendo, mas, por ora, só isso mesmo que consigo pensar em fazer.
— Isso quer dizer o quê, afinal? Por que o príncipe destruído de Reeve virou filho do imperador que destruiu ele mesmo?
— Ainda não sabemos se aquela criança é o príncipe do reino perdido, né? Talvez seja só que o filho do imperador daqui também tem a mesma idade, olho mágico, e pulseira de selamento por coincidência.
A Yumina e a Leen conversam assim. Não parece ser tipo do caso de Riinie, onde a esposa traiu e teve filho com outro homem…
Não sei, parece ter algum assunto complicado envolvido… isso também parece que vai virar dor de cabeça, hein…