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Isekai wa Smartphone to Tomo ni – Capítulo 344

A Invasão do Quarto e Dez Anos Atrás

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Capítulo 344 – A Invasão do Quarto e Dez Anos Atrás

A cortina da noite desce.

Noite silenciosa. Sem luar, mas, na capital, luzes de pedra de mágica-luz flutuam suaves.

Mundo sombrio, capital imperial Gararesuta do Império de Gardio.

Teletransportamos pro jardim do palácio imperial, localizado quase no centro dela. Já vim uma vez, então dá pra vir com facilidade usando [Gate].

— Então aqui é o palácio imperial?

— Que jeito fácil de invadir, hein.

— No mundo sombrio, meio de defesa contra magia não se desenvolveu tanto assim. Mas, daqui pra frente, como fazer, hein…

Dessa vez, minhas acompanhantes vigilantes são a Yae e a Lu. Originalmente, pensava em usar [Invisible] daqui, ficar invisível e ir até o quarto do imperador… mas, comparado ao dia, tem mais golem de guarda do que eu esperava.

Invisibilidade engana humano, mas, e golem? Se tiver algo tipo dispositivo de detecção de calor, pode ser que descubra. E [Paralyze] também não funciona em golem, né… destruir também dá dó. Hmm, bom, por ora, vamos ver.

— Busca. Imperador de Gardio.

— «Buscando. Busca terminada.»

Escondidos na sombra das árvores do jardim central, observamos a planta do castelo projetada. Não, na verdade estamos mesmo escondidos.

— Como vai fazer?

— Achei que poderia teletransportar de uma vez com [Teleporte].

— Espera aí… mas, isso é…

Hã? A Lu hesita, murmurando desconfortável. Será que tem algum problema?

— Invadir de repente o quarto de um casal, de vários jeitos, seria ruim… e, se, por acaso, estiverem no meio do "ato"…

Completamente vermelha, a Lu responde de cabeça baixa. Ouvindo isso, a Yae também fica vermelha e desvia o olhar. Droga, aquela dupla tarada e a lição pervertida de sexualidade já estão causando dano! Estão ficando mais experientes de ouvido!

…Bom, essa possibilidade também não é impossível, mas. Não acho que precise se preocupar tanto assim… não, será melhor se preocupar mesmo…?

Confirmando na busca, de fato, a imperatriz também está junto. O filho do imperador parece estar em outro quarto.

— Então… primeiro, espia dentro do quarto com [Long Sense], e…

— E, espiar, é!?

— Ei, escuta…

Que isso, feito eu voyeur.

— …Então, será que peço pra fera invocada confirmar?

— I, isso é boa ideia.

Desenho no chão, com giz de pedra mágica, um pequeno círculo mágico, e invoco um rato pequeno. O rato desaparece rapidamente na escuridão da noite.

Não conectei visão, então isso não deve contar como espiar. Ou espiando pela janela do quarto do imperador, ou do sótão, se não tiver problema, salto com [Teleporte].

Por ora, ativo [Invisible] em mim mesmo, e nas duas também. Assim, mesmo teletransportando pro quarto, não deve causar alvoroço.

— …Ora? Parece que os dois estão dormindo mesmo.

Recebendo comunicação mental do rato, ergo o polegar pras duas. Imperador e imperatriz, parece que ambos estão dormindo. Então vamos saltar de uma vez.

Puxando a Yae e o pessoal, seguro a mão de cada uma.

— [Teleporte]!

Teletransportados, aparecemos no canto de um quarto amplo. Iluminação suave de pedra de mágica-luz clareia dentro do cômodo. Cama grande (mas não chega perto da minha cama gigante), e mesa de trabalho de construção pesada. Lareira luxuosa, mesa e cadeira reluzentes. Isso aqui é diferente da nossa casa, hein. Bom, deve ser questão de dinheiro, ou gosto.

Aproximo da cama. Antes, melhor evitar que o som vaze com [Silence]. Do outro lado da porta, deve ter cavaleiro guarda ou soldado de segurança, afinal.

Nos aproximamos da cama caminhando na ponta dos pés. Mesmo ativando [Silence], por que raios? Vou explicar.

[Silence] não é magia que apaga som, precisamente falando, é magia que bloqueia som de dentro pra fora do alcance. Nós, e o imperador e a imperatriz, estando dentro do mesmo alcance, não temos efeito nenhum. A forma desaparece, mas o som continua audível. Se desse pra bloquear isso também com [Silence], seria bom, mas não dá pra aplicar duas vezes.

Aproximando devagar da cama, vejo os dois profundamente adormecidos. Certo, vamos logo com magia de hipnose…

— …Quem está aí?

— «««!?»»»

O Imperador de Gardio abre as duas pálpebras. O olhar não está direcionado exatamente pra cá, mas claramente percebe nossa presença.

— Por que raios…

— Parece ter percebido pela presença mesmo, hein. Pessoa de intuição bem afiada mesmo.

Diante da minha dúvida, não o imperador, mas a Yae responde baixinho. Intuição afiada, francamente… será portador natural de [Search]? De fato, mesmo invisível, existe possibilidade de ser percebido por som ou presença…

[Invisible] tem pouco efeito contra usuário de arte marcial, tipo Yae, Hilda, Elsie. De alguma forma estranha, o instinto é afiado, ou melhor, sentem pela presença mesmo. Será que esse imperador também é tipo guerreiro?

E agora, o que fazer. Fugir, ou forçar a barra? Já que [Silence] está ativo, mesmo que gritem, guarda não deve chegar correndo, mas.

— É gente de Eisengard? Aquele velho ganancioso, admiro a persistência dele mesmo.

Hmm, isso é claramente já reconhecendo nossa presença. A imperatriz também parece ter acordado, e o imperador estende a mão embaixo do travesseiro. Provavelmente tem alguma arma escondida ali.

Mas parece estar confundindo com invasor de Eisengard mesmo.

— O que fazer, hein?

— Não tem jeito. Chato, mas vamos perguntar direto e honestamente.

— Isso talvez cause uma rachadura entre o casal, viu?

— Nessa hora, uso magia de hipnose e ajeito a memória rapidinho.

Diante da minha resposta, a Lu solta um pequeno suspiro. Deve estar desanimada com meu jeito improvisado de sempre. …Já era hora de se acostumar.

Estalo os dedos e desfaço [Invisible]. Vendo nós três aparecendo no canto do quarto, o Imperador e a Imperatriz de Gardio se levantam da cama.

— Quem é você. Não é gente de Eisengard?

— Não. Digamos, mensageiro do Reino de Reeve.

— !? De Reeve…! Não pode ser…!

— Querido…!

Diante da minha fala, os rostos do imperador e da imperatriz ficam pálidos. Hmm? Os dois parecem ter algo em mente ouvindo "Reino de Reeve". Parece que os dois sabem sobre a origem do filho do imperador mesmo.

— Alguém! Invasor!

O imperador saca a espada de debaixo do travesseiro, gritando alto, mas não vem reação nenhuma do corredor. Por causa de [Silence] bloqueando completamente o som.

— É inútil. A voz de vocês não chega até lá. Bloqueei completamente com minha magia.

— !? Mago, é…!

Ainda com espada apontada pra mim, o Imperador de Gardio se levanta da cama. Diante disso, a Yae abaixa levemente o corpo, estendendo a mão direita até o cabo da katana.

Será que estão entendendo errado alguma coisa? Faz sentido achar que é vingança, com gente de país destruído aparecendo.

— Chegando nesse ponto, ser atacado por remanescentes de Reeve, hein…

— Não, não pretendemos atacar vocês, nem somos gente do Reino de Reeve, sabe? Só que fomos pedidos por aquelas pessoas pra buscar, com magia, o príncipe do Reino de Reeve. Fiquei surpreso que fosse justamente o filho do imperador daqui.

Diante dessa fala, a Imperatriz de Gardio desaba da cama. Sentando no tapete, direciona a nós o rosto distorcido de tristeza.

— …Espera, espera, por favor! Aquela criança, aquela criança é nosso filho! Mesmo sem laço de sangue, é nosso filho! Não tira ele de nós…!

A imperatriz grita com lágrimas nos olhos. Ao lado dela, de pé, o Imperador de Gardio observa a esposa desabando em choro, com olhar carregado de tristeza.

Então os dois sabiam mesmo que não era filho biológico. Não teve rachadura na relação do casal, mas, sinceramente, me sinto mal. Sinto que fiz algo terrível. A Lu e a Yae parecem sentir o mesmo, direcionando a mim olhar meio sem graça.

— …Vieram tirar nosso filho de nós?

Segurando firme a espada, com tom de voz carregado de raiva, o imperador me encara.

— …Eu consigo usar magia de teletransporte. Se eu quisesse sequestrar o filho do imperador, já teria feito faz tempo. Vim aqui hoje pra conhecer a verdade. Por que o príncipe do Reino de Reeve virou filho do imperador de Gardio… Tudo começa daí. Queremos ouvir isso, e, com base nisso, decidir o que fazer daqui pra frente. …Será que dá pra contar?

Escutando minhas palavras em silêncio, o Imperador de Gardio, eventualmente, abaixa a espada erguida e joga na cama. Depois, segura o ombro da esposa e a faz levantar, e os dois sentam juntos na cama.

— Sempre tive medo que um dia assim viesse… que alguém descobrisse o segredo dele, e que viesse o dia de expô-lo à luz do dia…

Com a cabeça baixa, o Imperador de Gardio começa a contar o acontecimento de 10 anos atrás.

Dez anos atrás.

Naquela época, meu pai, o então Imperador de Gardio, ainda estava vivo, e eu era o príncipe herdeiro.

Recebendo ordem do imperador, liderei um exército rumo à terra de Reeve, quando o inverno já estava se aproximando do fim.

Naquela terra, com solo cheio de prata divina, golem não conseguia funcionar bem, exercendo menos da metade do próprio poder. Só a série "Golem Imperial das Feras", pilotada pelos doze generais do país inimigo Reeve, não sofria essa influência, e, até então, o Reino de Reeve repelia qualquer invasão.

Mas, quando um dos doze generais traiu Reeve, vendendo o "Golem Imperial das Feras" pra Eisengard, tudo mudou completamente.

Eisengard analisou o "Golem Imperial das Feras", conseguindo desenvolver um dispositivo capaz de bloquear a influência da prata divina. Mas, como o material catalisador desse dispositivo não era abundante em Eisengard, propuseram cooperação a Gardio, com recursos abundantes.

Que os dois países combatessem juntos e conquistassem a terra de Reeve.

Eu me opus, mas, diante da proposta de Eisengard de ceder a maior parte do território do Reino de Reeve, meu pai aceitou.

A terra de Reeve era um lugar onde Gardio já falhara em invadir por várias gerações. Talvez meu pai achasse que, ao conseguir isso, obteria fama superior a todos os imperadores anteriores.

O objetivo de Eisengard era só as "Ruínas Azuis" existentes no Reino de Reeve. As "Ruínas Azuis" são ruínas de onde muitos golems de máquina antiga foram escavados. Parece que, desde o início, o objetivo de Eisengard era só essa ruína.

Assim, com dezenas de milhares de unidades militares equipados com o dispositivo de bloqueio de Eisengard, o mago-rei de Eisengard e eu, de Gardio, seguimos rumo a Reeve, e a guerra começou.

Os doze, não, onze generais restantes, tendo perdido a vantagem geográfica, foram derrotados um atrás do outro pelo exército conjunto de Eisengard e Gardio. Mesmo com o "Golem Imperial das Feras" superior em habilidade, mesmo sem vantagem geográfica, com apenas onze unidades, não deu pra virar o rumo da guerra.

Diante do avanço dos dois exércitos, finalmente o castelo caiu, e o Reino de Reeve foi destruído.

No dia seguinte ao fim da guerra, meu assessor encontrou uma mulher com aparência de ama, que parecia ter fugido do castelo. A ama estava morta, ainda segurando um bebê, mas logo descobrimos a origem dessa criança. Porque a roupa de bebê tinha bordado o brasão da família real do Reino de Reeve.

Esse bebê era justamente o príncipe do Reino de Reeve. O último sobrevivente da família real.

Deixar vivo o príncipe de uma nação destruída poderia se tornar semente de rebelião no futuro. Matar ali mesmo seria o mais sensato, e isso era o padrão comum de guerra.

Mas… hesitei em matar essa criança. Hesitei mesmo.

Porque, poucos dias antes, tinha recebido notícia do meu país de origem de que eu também tinha um filho recém-nascido.

Minha esposa demorou pra engravidar, e essa era a criança finalmente concebida. Ainda lembro da alegria daquele momento.

Talvez pensar em salvar aquele bebê tenha sido só um capricho de um jovem que acabara de virar pai, ou uma ação motivada pela culpa de ter matado os pais dessa criança. Talvez riam de mim, dizendo que fui ingênuo, mas o choro do bebê parecia gritar "ainda quero viver", e não consegui evitar isso.

Felizmente, esse fato só era conhecido por mim e pelos dois assessores que encontraram a ama. Confiei o bebê a esse assessor, e o mandei pra capital imperial num navio aéreo, antes que qualquer olho pudesse ver. Queimei a roupa de bebê, e não restou nada que provasse ser o príncipe de Reeve.

Se fosse confiado a um orfanato da capital e crescesse como criança comum, não haveria problema nenhum. Se fosse excelente, cheguei até a pensar em acolher como servo do meu próprio filho.

Mas, no dia em que voltei pra capital imperial, aconteceu o pior acontecimento.

Meu filho parou de respirar. O motivo é desconhecido. Desconhecido, mas, pra mim, esse foi o pior desenrolar possível. Enquanto ficava atônito, de luto pela morte do próprio filho, percebi que estava sendo empurrado pra uma situação extremamente delicada.

Até então, não foi uma vez só que meu pai, o imperador, me disse pra separar dessa esposa que não conseguia gerar filho, e me casar com nova esposa principal.

Diferente do meu pai, que tinha muitas concubinas, minha esposa era só uma. Desde a infância, cresci com repulsa por meu pai, que nunca tratou minha mãe como esposa de verdade, considerando-a só um instrumento pra gerar filho.

Meu pai, que descartou várias mulheres, só conseguiu poucos filhos homens, e só eu cresci saudável até a idade adulta. Às vezes penso se isso não seria castigo divino.

Sendo esse tipo de pai. Se essa situação viesse à tona, era claro como dia que ele forçaria a separação, dizendo que esposa que só gera filho fraco é desnecessária. Isso, com certeza, eu queria evitar de qualquer jeito.

Meu pai estava completamente ocupado nas negociações com Eisengard, e nem tinha visto ainda o rosto do neto recém-nascido. Irritante, mas, justamente naquele momento, essa indiferença foi bem-vinda.

Ou seja, a morte do neto ainda não tinha chegado ao meu pai. Foi tão repentina assim. Poucos minutos antes de eu chegar ao quarto da minha esposa, ela parou de respirar.

Impedindo quem tentava reportar ao meu pai, pensei desesperadamente num jeito de contornar essa situação.

E então lembrei daquela criança.

Imediatamente enviei um mensageiro, chamando aquela criança pra perto de mim. E, silenciando estritamente todos que sabiam disso, o príncipe do Reino de Reeve virou o filho do Império de Gardio…

— …Um ano depois disso, meu pai desmaiou de repente e faleceu. Virei imperador, e não precisei mais temer meu pai, mas, naquele momento, essa criança já tinha se tornado uma existência insubstituível pra nós.

Segurando o ombro da imperatriz, que continuava a chorar, o Imperador de Gardio termina de contar a história.

Então era isso, hein… hmm, pessoalmente, quero deixar isso quieto assim… mas o problema é se o Coronel e o pessoal vão se convencer.

Não deve ser algo tão simples de aceitar assim.

— Nosso desejo é só um. Continuar vivendo junto com aquela criança… com o Rukureshion, daqui pra frente também. Pra isso, faço qualquer coisa.

— Por favor… não tira aquela criança de nós… por favor, imploro…!

Os dois me dirigem olhar de súplica. Espe, espera aí! Por que virou desse jeito, francamente!? Sinceramente, eu sou o mais desligado disso tudo, viu!?

— Que problema, hein…

— Por ora, que tal contar aos habitantes de Reeve? Do lado deles, também não desejam a infelicidade do príncipe, né?

— Bom, no início, era assunto tipo "seria terrível se ele estivesse vivendo infelizmente, escravizado". Talvez, se o príncipe estiver vivo, aquele pessoal só quisesse fazer ele feliz com as próprias mãos. Não acho que estejam pensando em vingança contra o império…

Bom, isso é só minha intuição. Não pareciam pessoas que desejam esse tipo de vingança. Se fosse esse tipo de gente, a Yumina deveria ter percebido com o olho mágico.

A imperatriz levanta o rosto, direcionando a nós um olhar decidido.

— …Será que dá pra deixar eu conversar com o pessoal do Reino de Reeve? Quero explicar direito sobre aquela criança, e quero que entendam…

— Asutiria… tá segura disso?

Diante do imperador, a imperatriz assente em silêncio.

…Não tem jeito. Já entrei nesse barco, então vou até o fim. Se essa família se despedaçar, também vou ficar com peso na consciência.

…Torço pra não virar aquela coisa de "não tem mais jeito, reescreve a memória com magia de hipnose"! …Mexer na memória de gente que não é má pessoa, sinto bastante culpa também…


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