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Isekai wa Smartphone to Tomo ni – Capítulo 345

A Confusão e o País Técnico-Mágico

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Capítulo 345 – A Confusão e o País Técnico-Mágico

— Não pode ser… o Príncipe Rufuredin virou filho do imperador de Gardio…? Que tipo de piada é essa!

A Tenente à minha frente bate na mesa com o punho, levantando-se. A bela mulher de cabelo preto e pele bronzeada tremia de raiva, o rosto corado de tanta excitação.

Bom, entendo o sentimento. Até o príncipe foi roubado pelo país que destruiu a própria terra natal.

— Não é piada nem nada disso, isso é a verdade. O príncipe do Reino de Reeve vive hoje como filho do imperador de Gardio. Isso é tudo.

Diante da minha fala, o Sargento, que normalmente mantém sorriso frouxo, vira o rosto, distorcendo com pesar.

— Que absurdo, francamente…! Então quer dizer o quê!? Que o Príncipe Rufuredin é substituto do filho morto do imperador!? Ficam falando o que bem entendem…!

Dentro da tenda, base do "Gato Vermelho", um turbilhão de sentimentos indescritíveis preenchia o ambiente. Sentados numa cadeira mais afastada, a Nia e o Esto-san também observam o desenrolar com expressão séria.

— …O Imperador de Gardio disse que quer conversar com vocês. O que fazem?

— Conversa, francamente!? O que tem pra conversar! Diz logo pra ele devolver o Príncipe Rufuredin! Ladrão descarado!

A Tenente levanta a voz cheia de raiva. Ao contrário disso, o Coronel, sentado ao lado, fecha os olhos, sem se mover nem um pouco.

— Não quero que entenda errado. O Touya-sama não é mensageiro de vocês. Se quiser, podem encontrar o imperador vocês mesmos e falar isso pessoalmente.

Diante da Tenente exaltada, a Lu, sentada ao meu lado, fala com tom levemente afiado. Hn? Será que tá um pouco brava?

Eventualmente, a Tenente estala a língua e senta de volta na cadeira.

O Reino de Reeve, quase sem diplomacia externa, praticamente num estado de país fechado, e o país técnico-mágico de Eisengard envolveu o Império de Gardio pra iniciar guerra.

Fico pensando se não teria como resolver conversando antes de chegar a esse ponto, mas, chegando nesse ponto, não tem mais jeito. Só espero que a conversa desta vez não seja abandonada…

— Ou melhor, do que raios vamos conversar. Não será que a intenção é nos atrair pra matar todos nós?

O Sargento cospe isso, virando o rosto pro lado, e o Coronel abre devagar os olhos.

— Não é esse tipo de homem, acho eu. …O Imperador de Gardio, na época ainda príncipe herdeiro… nós dois lutamos um contra um durante o colapso do Reino de Reeve. Foi ali que perdi este olho.

Dizendo isso, o Coronel aponta com o dedo o próprio olho perdido. Parece ser a primeira vez ouvindo isso, a Tenente e o Sargento também se surpreendem.

— Quem detinha a liderança naquela batalha era o mago-rei de Eisengard. Enquanto as unidades militares comandadas por ele cercavam o castelo, eu lutava com espada, num local afastado do castelo, contra o então príncipe herdeiro de Gardio, que ficava de retaguarda. Recusei ouvir as várias tentativas dele de me convencer a me render, e continuei lutando. Como resultado, o rei que eu deveria proteger foi morto pelo mago-rei de Eisengard, e perdi este olho. Que ironia, aquele homem ter recolhido e criado o príncipe…

O Coronel ri levemente, meio autodepreciativo. De fato, se o Coronel tivesse derrotado o príncipe herdeiro ali, o príncipe talvez tivesse morrido. Bom, isso é só hipótese sem sentido.

— A terra de Reeve virou praticamente território do império, mas, sem saque nem imposto excessivo, o povo não passa fome, com bom governo estabelecido. Como território direto do imperador, centrado na antiga capital Reevatin. Diferença abissal comparado ao território de Eisengard, que domina a área próxima das "Ruínas Azuis". Um imperador assim, não deve fazer trapaça desse tipo… quero acreditar nisso.

— …Mesmo assim, o fato de terem tomado nosso país não muda. Não consigo perdoá-los.

Diante da fala do Coronel, o Sargento murmura de cabeça baixa.

Não precisa perdoar, penso também. Isso é sentimento pessoal, afinal. Só que, pessoalmente, queria que não arrastassem rancor e raiva pra próxima geração.

Corrente de rancor precisa ser cortada em algum ponto, senão continua até gerações futuras. Ensinar ódio e raiva ao próprio filho, incutindo "gente daquele país é inimiga", "nunca perdoe nem depois de cem anos", e colocar espada na mão dele, não acho que seja algo bom.

Será que penso assim justamente porque não sou parte envolvida…

— Se for encontrar o imperador, garanto a segurança de vocês naquele local. Não deixarei que causem dano nenhum a vocês. Claro, também não vou permitir que vocês causem dano ao lado deles…

— …Nós três sozinhos não podemos decidir. Quero consultar os companheiros também. Dá um tempo.

— Entendido. Então, voltem daqui uma semana pela manhã.

— Conto com isso.

Deixando essa fala, o Coronel e os outros dois saem da tenda.

Solto um suspiro grande e encosto na cadeira. Reeve e Gardio, no fim das contas, não têm relação nenhuma comigo, mas.

— Será que aquele pessoal pretende recuperar o príncipe do império?

— Vamos ver. Ensinar a uma criança que não sabe de nada "seus pais não são pais biológicos. São cúmplices do país que matou seus pais verdadeiros" — se isso é bom pra essa criança, não sei.

Diante do comentário da Nia, o Esto-san responde.

— Pra criança também deve ser um choque, né…

— Mas conhecer a verdade não é coisa ruim, né?

A Lu e a Yae também abrem a boca cada uma. Assunto difícil mesmo.

— Hmm… também dá pra mexer na memória dos três, com magia de hipnose, fazendo eles acharem que "não encontramos o príncipe"…

— Isso ignoraria completamente o sentimento desses três, né.

— É mesmo… foi mal…

Como o Esto-san diz, faz sentido. Eles gastaram 10 anos inteiros procurando o príncipe. Anular isso assim seria cruel demais.

— Aliás, o Imperador de Gardio parecia preocupado com assassino de Eisengard, mas, como estão as coisas entre esses dois países atualmente?

— Não tão bem assim. Originalmente, Eisengard invadiu o Reino de Reeve com o objetivo das "Ruínas Azuis", ruína do reino antigo. Mas, depois, na terra de Reeve cedida a Gardio, uma nova ruína também foi encontrada. Essa recebeu o nome "Ruínas Verdes", e Eisengard parece exigir que esse território também seja entregue, causando disputa atualmente. Se azarar, existe possibilidade de Eisengard invadir de novo a antiga terra de Reeve.

Que negócio é esse. Que amor exagerado por ruína, hein.

— Parece que estão procurando algo, mas não sei o que é. Já que é Eisengard mirando, provavelmente deve ser legado do reino antigo.

Legado da era em que golem foi criado, hein. Tipo o "Depósito" da Babylon. Faz sentido tanta obsessão em conseguir.

— O país chamado Eisengard cresceu ressuscitando várias tecnologias de golem e do reino antigo. Entre elas, unidade militar e "unidade blindada" são famosas.

— Unidade militar é aquele golem controlado por uma pessoa só, várias unidades, né? Unidade blindada é o quê?

— Digamos, golem tipo equipamento. É um golem que vira armadura ou arma equipada no contratante, e o próprio contratante luta. Esse tipo de golem tem vontade própria direitinho, e apoia por conta própria o combate do contratante.

Ei, ei, isso é armadura reforçada pensante, francamente. Segundo o Esto-san, esse golem também, igual à unidade militar, não é máquina antiga, então não deve ter habilidade especial.

Provavelmente, o sistema de reforço de golem que a Doutora Babylon e a engenheira Elka estão tentando criar deve ter se baseado nisso.

Eisengard, com essa força tecnológica, cresceu invadindo países ao redor, dizem. Ao norte, tem o Reino Marcial de Rāze e o Reino de Strain, e ao leste, o Império de Gardio, grandes potências ficando de olho, mas parece que tem imagem de "país que não sabe o que vai aliciar".

— Segundo o boato, o mago-rei de Eisengard é um velho bem maluco. Dizem que colocou até um braço de golem em si mesmo.

Depois de armadura reforçada, é ciborgue, francamente…

Se fosse caso de ter perdido o braço num acidente ou algo assim, e colocado braço de golem como prótese, ainda entenderia, mas parece que não é esse motivo mesmo.

Parece que cortou o próprio braço de propósito e instalou, pra fazer trabalho de precisão. Fico meio incomodado… será que não é perigoso, esse velho.

— Ouço dizer que ele é do tipo que não escolhe meio pra conseguir tecnologia desconhecida que ele não domina. A invasão de Reeve também deve ter sido ação motivada por essa ambição.

Ouvindo a explicação do Esto-san, fico com algo em mente.

Outro dia, aquele lugar onde lutamos contra o mutante. Aquilo era Eisengard, né… e, ainda por cima, fomos vistos direitinho pelo pessoal da cidade.

Droga. Será que devia ter tomado alguma precaução? Espero que não venham nos incomodar…

— Existe faceta de tecnologia antiga que esse país ressuscitou sendo útil pra sociedade também. É difícil negar completamente tudo que fazem.

— Comparado com esse aí que o Touya nos deu, não chega nem perto, mas o equipamento de comunicação a longa distância também tem origem em tecnologia de Eisengard.

A Nia balança levemente o smartphone que dei. Item que também pode chamar atenção de Eisengard, então.

— Eisengard é o melhor em tecnologia de golem?

— Sim. Só que, talvez por focar em golem de fábrica, tipo unidade militar que controla vários de uma vez, e unidade blindada que apoia combate, a qualidade do usuário de golem não é tão alta assim.

— É país de quantidade, mais que qualidade, afinal. Arma poderosa que só poucos conseguem usar, versus arma genérica que todo mundo consegue usar, deve preferir a segunda mesmo.

Máquina de produção em massa mais que máquina exclusiva, é. Parece ser um país com bastante capacidade de produção. Sinto que o topo é meio problemático, mas.

Fico curioso sobre o que os altos funcionários ao redor pensam. Só ouvindo isso, parece rei bem descontrolado.

— E o Império de Gardio, como está?

— Nesses últimos anos, parecem estar focando esforço no desenvolvimento do próprio país. O ex-imperador tinha personalidade bem intensa, sempre em conflito com o vizinho país siderúrgico Gandirisu e com o Reino de Strain, mas, virando o imperador atual, essa tensão foi um pouco reduzida. Ao contrário, a relação com Eisengard piorou.

Faz sentido a política do país mudar quando o topo muda.

Aliás, já tá quase na hora da reunião mundial mensal. Já tá na hora de contar aos líderes do mundo real sobre o mundo sombrio. Ainda só o Reino de Pareliusu sabe sobre o mundo sombrio, afinal.

Eventualmente, quando os dois mundos se conectarem, vários efeitos vão surgir. Antes disso, é necessário explicar, e dar tempo de preparo mental. Será que devo convidar todo mundo pra este mundo uma vez?

Mas, mesmo trazendo pra Ilha Draclif, onde está o Byakugin, só vão ver ilha de dragão, hein…

Talvez seja melhor pedir cooperação do Sacro Império de Toriharan ou do Reino de Primula, no mundo sombrio. Deve ficar mais fácil de entender vendo cidade onde golems andam.

Tiro o smartphone do bolso e abro o app de contatos.


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