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Isekai wa Smartphone to Tomo ni – Capítulo 347

O Diálogo e o Olho Mágico da Lembrança

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Capítulo 347 – O Diálogo e o Olho Mágico da Lembrança

Um ar tenso preenchia a sala.

Aqui é um cômodo do palácio imperial do Império de Gardio. Este cômodo já está à prova de som, com meu [Silence], e o som nunca vaza pra fora.

Estou sentado na cadeira num canto do cômodo, mas, num dos lados do sofá central, sentam o Coronel, a Tenente e o Sargento, remanescentes do Reino de Reeve, e, do outro lado, sentam o Imperador de Gardio, Farushion Rigu Gardio, a Imperatriz Asutiria, e o primeiro-ministro, mão direita do imperador, Ransurō Orukotto.

Esse primeiro-ministro Ransurō é justamente o assessor que primeiro encontrou o Príncipe Rufuredin, do Reino de Reeve, no meio dos escombros do campo de batalha.

Isso foi o gatilho pra o Príncipe Rufuredin do reino virar o Filho do Imperador Rukureshion, do império. Isso complicou a situação, mas não acho que teria sido melhor se o príncipe tivesse morrido ali.

— Não imaginei que encontraria de novo aquele cavaleiro… esse olho é daquela vez…?

— Foi em campo de batalha. Não guardo rancor sobre isso. Ter sobrevivido já é bom o suficiente.

Inimigos que outrora lutaram apostando a própria vida, agora frente a frente. Que sentimento circula dentro do peito de cada um, eu, ainda imaturo, não sei dizer. Só os dois conversam com calma aparente.

— Entendo… mas eu preciso pedir desculpa a vocês.

O imperador curva profundamente a cabeça, mostrando intenção de pedido de desculpa aos três. Do mesmo jeito, a imperatriz também curva a cabeça.

— Sinto muito. Por ter destruído a pátria de vocês, por não ter conseguido parar meu pai, e por ter roubado aquela criança, o príncipe de Reeve… tudo isso foi provocado pela minha própria fraqueza. Por favor, me perdoem…

— Perdoar, francamente…!

O Sargento se levanta, com o punho cerrado, e encara o imperador e a imperatriz, ainda de cabeça baixa.

— Como poderíamos perdoar!? Vocês roubaram nossa terra natal! Mataram gente que amávamos! Roubaram nosso orgulho, esperança, felicidade, tudo!

— Sinto muito… sei que não há como perdoar. Mesmo assim, quero pedir desculpa. Sinto muito mesmo. Se eu tivesse um pouco mais de coragem… coragem de parar meu pai à força, mesmo que fosse…

O pedido de desculpa não chega. Não importa quantas palavras sejam ditas, o fato de que a pátria deixou de existir por motivo egoísta não desaparece. Se é assim, o que se deve fazer?

Nesse momento, o primeiro-ministro Ransurō, sentado ao lado, abre a boca.

— O Império está disposto a libertar a antiga terra do Reino de Reeve, e concedê-la independência.

— O quê…?

— Como… assim…

O Sargento e a Tenente arregalam os olhos. O Coronel só ergue levemente uma sobrancelha.

Independência quer dizer que, tipo Brunhild, o Império serviria de apoio pra ressurgir o Reino de Reeve?

O Coronel dirige o olhar ao primeiro-ministro Ransurō.

— Os altos funcionários do Império vão aceitar isso calados? Talvez seja estranho nós dizermos isso, mas aquela terra é um tesouro de recursos subterrâneos, né?

— Desde que o antigo imperador faleceu, aquela terra é território direto de Sua Majestade o Imperador. Os recursos subterrâneos extraídos também sempre foram usados exclusivamente pela terra de Reeve, por vontade de Sua Majestade. Chegando nesse ponto, não há quem se oponha à vontade dele. Infelizmente, não posso ceder o território próximo às "Ruínas Azuis", dominado por Eisengard, mas…

O território que Eisengard tomou é só próximo às "Ruínas Azuis", mas isso não chega nem a 10% do total. Parece que, nesses 10 anos, os habitantes de lá, incapazes de aguentar a tirania de Eisengard, fugiram em massa pro lado do Império.

— Reeve… podemos recuperar…?

Enquanto a Tenente murmura atônita, o Coronel vai direto ao ponto central desta conversa com o Imperador de Gardio.

— O ressurgimento do Reino de Reeve é bem-vindo. Mas nós servimos ao Reino de Reeve, não somos gente pra ficar no topo. Servimos só a uma pessoa, o Príncipe Rufuredin.

— Isso é…

A imperatriz engasga a voz. Isso quer dizer, indiretamente, "devolvam o príncipe"? Nem pro Império isso deve ser algo fácil de aceitar assim…

— Ou melhor, sem o consentimento do próprio, não dá pra decidir isso à força, né? Isso é algo que o próprio príncipe deveria decidir…

— Existe motivo pra recusar o ressurgimento da própria pátria? O rei de Reeve só pode ser o Príncipe Rufuredin. É estranho justamente o filho, sem sangue imperial, herdar o Império.

Quando interrompo sem querer, a Tenente corta minha fala, e o Imperador de Gardio dirige o olhar ao primeiro-ministro Ransurō.

— Traz aquela criança até aqui. Tudo isso… deixaremos aquela criança decidir.

— Mas, Vossa Majestade…!

— Tá bem assim. É a vida dela. Originalmente, não devíamos ter decidido isso por conta própria.

Ainda com algo pra dizer, o primeiro-ministro desvia o olhar do imperador e se levanta.

Depois de um tempo, o filho do imperador aparece, guiado pelo primeiro-ministro, pela porta do fundo. Parece um pouco surpreso vendo nós, mas caminha reto até aqui.

O Coronel e o pessoal, vendo isso, também observam o filho do imperador com sentimento profundo. Talvez estejam vendo, na figura dele, o falecido a quem serviram.

— Pai. Mãe. Disseram que tinham algo importante pra conversar…

— …Uhm. Isso mesmo. Assunto importante.

O imperador se levanta, ajoelha na frente do filho do imperador, e alinha o olhar. Colocando a mão no ombro dele, abre a boca devagar.

— O que vou contar agora vai influenciar muito a sua vida, e é tudo verdade. Escuta com atenção, por favor.

— …Sim.

Dali, o imperador começa a contar tudo sem esconder nada ao filho. O acontecimento de 10 anos atrás, sobre o Reino de Reeve, sobre Eisengard, sobre o antigo imperador, e sobre os pais biológicos verdadeiros do filho do imperador…

Ele escuta tudo isso em silêncio. Diante disso, o que me deixa surpreso é que ele parece calmo demais.

Em termos de conteúdo, deve ser uma história bem chocante, mas ele escuta tudo com serenidade. Apesar de ouvir que não é filho biológico dos pais. Isso, não me diga…

Depois de ouvir tudo, o filho do imperador se volta devagar pro imperador, curvado.

— …Já sabia de tudo. Que não sou filho de vocês, pai e mãe. E, mesmo assim, que vocês dois me consideram como filho biológico.

— O quê…

— Não pode ser… Rukureshion, você…

O imperador e a imperatriz ficam atônitos com esse fato. Não, o primeiro-ministro Ransurō, e o Coronel e o pessoal, também se surpreendem.

Como eu imaginava. Achei que ele estava calmo demais… será que já sabia do segredo da própria origem? Mas onde ele descobriu isso, afinal?

— Pai, olha isso, por favor.

Sutilmente, o filho do imperador mostra a pulseira dourada brilhante no próprio pulso. Aquilo é a "pulseira de selamento", né. Aquela com efeito de conter o olho mágico.

Nessa pulseira que ele mostra, tinha uma pequena rachadura. Hn? Estará quebrada?

— Isso é…

— Num treino de espada, há um ano, recebi um golpe no pulso e quebrou. Como ouvi que era objeto importante, não conseguia contar pra vocês, pai e mãe, que ela tinha quebrado, mas, desde então, comecei a ver coisas estranhas.

Segundo o Príncipe Rukureshion, desde que a pulseira quebrou, de vez em quando, ao tocar objetos, via visões do passado. Tocando de novo um objeto já visto, às vezes não via de novo, ou, objeto que não tinha reação nenhuma, de repente via — o efeito era variado.

Eventualmente, ele percebeu que isso era o poder do olho mágico. Olho mágico que enxerga o passado. Parece que não conseguia controlar livremente, mas não tinha jeito. Originalmente, o olho mágico do filho do imperador não era tão forte assim. Mesmo assim, era forte o suficiente pra chegar a ver o acontecimento de 10 anos atrás.

— Capacidade de sensibilidade material… olho mágico que enxerga pensamento residual de pessoa deixado em objeto, hein.

Será que se chama "Olho Mágico da Lembrança"? No caso do filho do imperador, parece que ativava por acaso involuntário. Mas, com isso, ele acabou descobrindo o próprio segredo. Quando, ainda criança, admirando o pai, pegou escondido a espada dele.

— Foi bem triste saber que não sou filho biológico de vocês dois. Não queria acreditar. Mas, ao mesmo tempo, também entendi que vocês me amavam profundamente. Isso, eu não conseguia negar. Talvez eu não seja filho de verdade. Mas fui feliz sendo filho de vocês.

— Rukureshion…!

Chorando copiosamente, o imperador abraça a criança à sua frente. A imperatriz também se agarra ao filho do imperador, derramando lágrimas.

— Pai. Eu não carrego o sangue da família imperial de Gardio. Uma pessoa assim virar imperador seria traição ao povo do Império. Por favor, ceda o trono de próximo imperador a outra pessoa.

— Assim, é…

Ainda com os olhos úmidos, o imperador assente calmamente. Felizmente? O imperador parece ter várias irmãs, então deve haver muitos com direito à sucessão. Se é assim…

— Então, o filho do imperador vai herdar o trono do renascido Reino de Reeve?

Diante da minha fala jogada, o filho do imperador balança levemente a cabeça em negativa. Ué?

Diante dessa reação, o Coronel e o pessoal também mostram expressão de apreensão.

— Não guardo memória nenhuma disso… mas agradeço aos pais que me deram à luz. Só que, foi mal pra vocês, mas quem me criou foi este Império de Gardio. Vivo como Rukureshion, um cidadão do Império. Independente do que digam, meu pai e minha mãe de agora são vocês dois.

— Não pode ser…! Então, o que faz com o povo de Reeve! Todos estão esperando pelo príncipe!

— Foi mal, mas não posso corresponder à expectativa. Quero que vocês escolham novo líder entre vocês mesmos. Alguém que se torne o novo alicerce de Reeve.

Diante da fala da Tenente, o Príncipe Rukureshion responde com olhar triste.

Essa criança já começou a caminhar no próprio caminho. Impedir isso, ninguém deve conseguir.

— Rukureshion… você… está bem assim mesmo?

— Sim. Mesmo sem virar imperador, posso apoiar o Império. Vou virar uma pessoa sem vergonha de ser filho de vocês dois.

— Que forte, você é mesmo…

Com rosto entre choro e sorriso, o imperador abaixa a cabeça. Em contraste, o filho do imperador mostra um sorriso cheio de confiança.

O Coronel se aproxima desse filho do imperador, ajoelha, e encara os olhos dele diretamente. Depois, sorri, "fu", com gentileza.

— Teimoso, obstinado, e, uma vez decidido, nunca dobra a própria convicção, só puramente dedicado e esforçado… é idêntico ao seu pai. Sangue não mente, será?

— …Meu pai e minha mãe de Reeve… eram pessoas esplêndidas?

— Sim. Muito. Preocupado com os súditos, alegre, nunca desconfiava das pessoas — eram esse tipo de gente. Por isso… por favor, pense também nos seus pais de Reeve.

— É… foi mal… me desculpem…

Diante da fala do Coronel, o filho do imperador abaixa a cabeça. Mesmo sem memória, é certo que os dois o amavam. Cortar dizendo que não tem relação seria solitário demais.

Bom, se é esse o sentimento do filho do imperador, o que o povo de Reeve vai fazer, hein…

Enquanto pensava nisso, num canto do cômodo, de repente, atravessando o vidro da janela, algo tipo penas de pássaro se crava várias vezes no chão, aos pés do filho do imperador, do imperador e do Coronel e o pessoal.

Percebendo na hora que aquilo era metal… não, algo tipo objeto de outro material feito de "pena", o Coronel arregala os olhos, empurra o filho do imperador que estava perto, e grita alto.

— Abaixem-se!

Logo depois dessa fala, por causa do efeito de [Silence], um som de explosão grande ecoa só dentro do cômodo.


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