Capítulo 358 – A Ilha do Teste, e o Bloodliger
Como Sua Majestade e o pessoal também foram embora, nós sete, restantes, começamos a discutir o que fazer daqui pra frente.
— Então, cada um se prepara, e nos reunimos na frente do portão de teletransporte daqui a uma hora, tá bom?
— Espera aí, por que você tá organizando isso?
O homem chamado Garon, tipo guerreiro de cabelo vermelho, arruma implicância com o Aberuto, cabelo castanho longo. Ah, eu não curto muito esse tipo de gente. Deve dar trabalho.
— Não é minha intenção nada disso. Então, você tem alguma diretriz pro grupo?
— Diretriz nenhuma. Basta atravessar até a ilha e pegar logo essa tal erva carro de fogo, né? Vou sozinho, vocês esperam aqui. Não precisa de peso morto.
Que negócio estranho esse homem tá falando.
— Você não é meio idiota? Se você falhar, nós também falhamos junto. Não tem como confiar 2 moedas de platina a um pau-mandado.
Com tom completamente debochado, a irmã de tatuagem e seios grandes — Rōzu — dispara isso pro Garon. A fala é dura, mas eu também penso a mesma coisa. Por que confiar oportunidade de conseguir um dinheirão a um estranho.
Ignorando o encaramento mútuo entre Garon e Rōzu, o mago Sāgesu-san, com o bastão, começa a caminhar pra algum lugar. Éé?
— Então, nos vemos em frente ao portão de teletransporte daqui a uma hora. Com licença.
Só deixando essa fala, vai embora andando rápido, "sutasuta". Uhmm, ele também é egoísta, de um jeito diferente do Garon.
Em seguida, o anão Domu-san também vai embora com passos pesados, "dosudosu", ainda de rosto sério. Depois disso, a Miu-san, fera-humana de orelha de gato, também começa a caminhar.
— Então, daqui a uma hora.
— Ke.
— Fun.
Julgando que ficar ali não adiantava mais nada, o trio Aberuto, Garon, Rōzu também sai da academia.
Vendo isso, coloco a mão na cintura e solto um suspiro.
— De algum jeito, parece que todo mundo dá trabalho, hein.
— Aventureiro é gente cheia de manias e problemas. Sinto que isso é ainda mais forte em rank alto.
— Ah, entendi, faz sentido. É por isso que Sua Majestade é rank ouro, então.
— Não precisa concordar assim. A irmã Karina também para de falar de qualquer jeito.
— Uwaa, Vossa Majestade!? E, e a Karina-sama!?
Ao me virar, sem perceber, Sua Majestade e a prima dele, a Karina-sama, já estavam atrás de mim. Sua Majestade tinha desfeito a ilusão, na aparência normal.
Recuo, "zuzazaza", e ajoelho, curvando a cabeça.
— O, o, o que desejam de mim?
— Não, vim só torcer, "força!". Aviso desde já: sua missão principal, Honō, é vigiar o comportamento deles. Não ajude mais do que necessário só porque quer que a missão dê certo. Mesmo que fique amiga deles.
— É…
Coisa difícil de pedir…
— Aliás, quanto seria "mais do que necessário"…
— Tipo o ponto em que a Honō vira o principal do grupo, digamos. Não seja destaque demais. Enfim, não chame atenção. Se disfarça. Se disfarça, viu.
Se disfarçar, é. Difícil mesmo… isso é justamente o que eu tenho mais dificuldade.
— Ah, e isso aqui. Dentro dessa mochila, tem comida de 3 dias, remédio básico, e vários outros itens. Como tá aplicado [Storage], dá pra colocar bastante quantidade.
Sua Majestade gera um círculo mágico num espaço vazio, e tira dali uma mochila pequena, cor verde clara.
Dentro, um espaço de armazenamento mágico está expandido, parece que cabe dezenas de vezes o tamanho da mochila. Ainda por cima, não sente peso nenhum. Isso é bom, hein. O design também é fofo.
— Isso posso ganhar de presente?
— Ah, é necessário pra cumprir a missão, então… hã? A mochila? Hn… bom, tanto faz, tudo bem…
— Consegui!
Hehehe. Vou me gabar depois pra Shizuku e Nagi.
— Faz relatório periódico direitinho, tá? Por precaução, esconde o smartphone, viu. Se descobrirem, pode dar problema.
Isso eu entendo. Nesse país, quem tem smartphone é só gente de cargo importante, gente em missão especial, e a família próxima de Sua Majestade.
Nesse caso, "família próxima" não é só parentesco de sangue, é no sentido de pessoas próximas mesmo. A dona da pousada "Lua de Prata" também tem, a criada Rene-chan também tem.
No meu caso, entro na categoria de "pessoa em missão especial". Bom, ninja originalmente é assim mesmo.
Quem sabe da existência do smartphone, sabe. Ou melhor, isso significa que todo mundo que tem isso está sob proteção de Sua Majestade, então quem sabe disso não vai facilmente atacar.
Com todos os boatos de Sua Majestade — deixou o traidor do Império de Regulus incapacitado, apagou o imperador celestial do Império Celestial Eurono junto com luz, deu tormento eterno ao rei escravo do Reino de Sandra —, não existe idiota que enfrente ele de frente. Se existisse, seria idiota mesmo.
— Então, Saruhi Honō, da divisão de espionagem da Ordem de Cavaleiros de Brunhild, volta à missão!
— Sim, conto com você. Toma bastante cuidado.
Sua Majestade sorri e assente levemente. Certo, bora com tudo!
Uma hora depois, nós sete nos reunimos de novo em frente ao portão de teletransporte. Cada um com equipamento e bagagem à própria escolha. A bagagem maior é a do anão Domu-san. Em contraste, a mais leve sou eu. Só uma mochila fininha, faz sentido mesmo.
— Depois não vem pedir pra eu dividir comida, viu. Isso é responsabilidade de cada um.
— Sem preocupação. Pelo menos, não vou depender de você.
— Ke, garota atrevida.
Haa, homem que fala demais. Mostro a língua pro Garon, que entra no portão de teletransporte me dando as costas. Carregando escudo enorme feito importante.
— Então, vamos nós também.
Seguindo o Garon à frente, o Aberuto começa a andar. Rōzu, Domu-san, Sāgesu-san seguem, e eu e a Miu-san também começamos a caminhar até o portão de teletransporte.
Existem três portões pra ir até as Ilhas Masmorra. Cada um conecta à ilha onde tem uma masmorra, mas, dessa vez, usamos o portão da ilha onde fica a masmorra chamada "Amaterasu".
— …Você não precisa mesmo comprar comida?
— Hã? Ah, tô bem, tô bem. Sem problema.
— Tá.
A Miu-san, andando ao lado, puxa conversa. A voz é seca, mas parece ter se preocupado, mesmo assim.
Parece que a guilda avisou direitinho, e os guardas do portão de teletransporte, confirmando nossos nomes e cartões de guilda, nos deixam passar sem problema.
Os guardas, sendo cavaleiros de Brunhild também, me conhecem. Nos encontramos com frequência no refeitório e tal.
Eles fingem desconhecer, mas, quando todo mundo além de mim já tinha atravessado o portão, todos erguem o polegar, dando sinal silencioso de "força!".
Eu também respondo com polegar, "vou dar meu melhor!", e atravesso o portão em forma de arco.
Do outro lado do portão, tinha algo tipo templo perto da costa, com vento marinho passando. Prédio, mas era só um conjunto de pilares em círculo, aberto pros lados.
Vergonhoso admitir, mas essa é minha primeira vez vindo às Ilhas Masmorra. Até agora, tava ocupada com missão e treino, e, além disso… eu não sei nadar, então… não tinha muita vontade de vir ao mar mesmo.
Mas que calor… segundo o que ouvi, à noite esfria bastante. Será verdade? Parece que a diferença de temperatura é grande mesmo.
— Primeiro, vamos atravessar até a ilha onde diz que tem a Erva Carro de Fogo. Deve dar pra ir por ponte.
— Nem precisava falar, eu já sei.
O Garon murmura, estalando levemente a língua diante da fala do Aberuto. Com certeza ele ouviu, mas o Aberuto só dá de ombros levemente.
O Sāgesu-san tira um mapa do bolso e confirma.
— …Daqui, cerca de 1 km pro norte. Ali tem uma ponte que leva até a ilha alvo.
As Ilhas Masmorra são compostas por sete ilhas, grandes e pequenas combinadas.
Três delas têm masmorra de verdade, como o nome sugere, com os nomes "Amaterasu", "Tsukuyomi", "Susanoo" respectivamente.
Mas isso é o nome da masmorra, o nome da ilha é diferente.
As sete ilhas foram nomeadas Ilha Sandy, Ilha Mandy, Ilha Tuesday, Ilha Wednesday, Ilha Thursday, Ilha Friday, Ilha Saturday. Nome estranho, mas quem nomeou foi Sua Majestade.
Entre elas, a "Amaterasu" fica na Ilha Sandy, e "Tsukuyomi" e "Susanoo" ficam na Ilha Mandy e Ilha Wednesday.
Onde estamos agora é a Ilha Sandy. A ilha alvo é a Ilha Tuesday.
A segunda maior das sete ilhas, atravessamos até lá por ponte.
Caminhando um tempo, aparece uma ponte grande. Ponte de pedra se estende sobre o mar até a outra ilha.
— Uau, que impressionante, isso.
— Dizem que quem construiu foi o duque de Brunhild. Aplicaram magia de reforço, ponte que não quebra com qualquer coisa, dizem.
— Parece que tem barreira de proteção especial também. Fera mágica não consegue atravessar essa ponte, dizem. Sinceramente, é absurdo demais…
Rōzu, Aberuto, Sāgesu-san, cada um comenta a impressão vendo a ponte. As sete ilhas parecem estar todas conectadas por ponte. Ou seja, mesmo demorando, dá pra chegar a qualquer ilha andando.
Só que o portão de teletransporte só existe na Ilha Sandy, Mandy, Wednesday, então, pra voltar, precisa ir até uma dessas três.
— Não fica parado à toa, atravessa logo.
— Que chato, já sei!
Diante da fala do Garon, a Rōzu grita de volta com raiva. Não dá pra escolher palavra melhor, essa pessoa?
Nós, todos juntos, começamos a atravessar a ponte. A vista era bonita demais, e acabo ficando de olho fixo na paisagem, ficando pra trás do grupo.
Mas quanto calor. A ponte parece tremer com o calor à distância. Tiro a garrafa de água da mochila, e bebo a água que tinha dentro. Kuaah, gelada. Tá bem gelada e gostosa.
Parece que, dentro da mochila, o tempo para, então dá pra tirar quente quente, e frio frio. Comida também não estraga. Não dá pra colocar ser vivo, mas, se já morto, parece que cabe.
Enquanto guardo a garrafa na mochila, algo entra no meu campo de visão. Algo no céu, acima da Ilha Tuesday, pra onde vamos. Pássaro… será? Mas aquilo é…
Sem que ninguém percebesse, ativo o olho mágico.
O olho mágico que eu tenho é o "Visão Distante". Clarividência. Dá pra ver coisa distante, ultrapassando pequenos obstáculos.
Chega ao meu olho direito um campo de visão ampliado… uê!?
O que vejo ali é um dragão. Com escama de brilho fosco, cauda longa e asas grandes. Como as patas dianteiras se fundem com as asas, deve ser tipo dragão voador.
Tem até dragão nessa ilha!? O, o que faço!? Mesmo dizendo "inferior", dragão é dragão. Não acho que nosso grupo consiga lidar com isso. Talvez desse com equipamento da ordem de cavaleiros e com Shizuku e Nagi, mas.
Antes de eu entrar na ordem, ouvi que os veteranos da ordem enfrentaram mais de cem dragões. Parece que foi com equipamento e apoio de Sua Majestade e o pessoal, mas será que eu conseguiria também.
Por ora, vou avisar a líder, responsável pela vigilância, sobre o dragão voador.
Fingindo enxugar suor com a toalha, opero o smartphone escondido na toalha, e mando mensagem à líder.
Bipe.
▶ Confirmado dragão voador. Solicito instrução.
Imediatamente, chega resposta da líder.
Bipe.
▷ Sem problema. Continue a missão.
Grrr. Isso quer dizer pra resolver sozinha!?
Não, talvez seja justamente esse tipo de problema repentino que testa a capacidade como aventureiro, mas…
— Ei, tá se sentindo mal?
— Hã? Ah, tô bem, uhum.
— Se tá tudo bem, tá. Se for pesado, fala. Vai dar trabalho se desmaiar.
O anão Domu-san fala comigo, com o rosto contorcido. Jeito de falar duro, mas será que se preocupou?
Igual à Miu-san, fera-humana, devo ser claramente a mais jovem do grupo, então talvez estejam tendo cuidado comigo.
Quando ergo o rosto, já não tinha mais o dragão voador. Uhum, talvez fosse só um dragão passando por acaso mesmo…
Terminando de atravessar a ponte longa, chegamos da Ilha Sandy até a Ilha Tuesday.
Passando da barreira da ponte, daqui em diante não dá pra relaxar. Não sei de onde fera mágica pode atacar.
O Sāgesu-san para e confirma a direção com a bússola.
— É por aqui. Provavelmente, a Erva Carro de Fogo deve estar perto daquela montanha.
Na direção que o bastão aponta, vejo uma montanha de rocha vermelha. Uau, que longe. Isso, hoje não dá, né. …Hn?
— …Algo vem vindo.
Quase ao mesmo tempo que eu percebo a presença, a Miu-san também levanta a voz.
Diante dessa voz, todo mundo fica em posição de alerta, observando os arredores. Do bosque à frente, algo tipo som de folha se mexendo, "gasagasa", chega até nós.
Pulando, "pyon", à nossa frente, aparece um pequeno filhote de cervo. Todo mundo relaxa e solta um suspiro grande.
— Assustou a gente, seu desgraçado…
— Ha, tava com medo, é? Que vergonhoso.
— O quê!?
Quando o Garon e a Rōzu começam a discutir de novo, o filhote de cervo, de olhos redondos fofos, é engolido de repente, "bakuri", por uma fera mágica grande que salta do lado.
Diante de nós, parados de choque com o repentino, chega aos ouvidos, de forma bem crua, o som de osso quebrando, "bakibokibakin", e o som de sangue jorrando, "byushu!". Plop, a cabeça do filhote de cervo cai, arrancada da boca dela.
Mastigando, "mogumogu", com a boca cheia de sangue, o olhar dela nos captura.
Cabeça de leão, presas longas, membros e juba listrados de tigre, vermelhos feito sangue, e olhos brilhando dourados.
— Bloodliger…!
O nome da fera mágica escapa da boca da Rōzu.
Bloodliger… se não me engano, fera mágica que habita região montanhosa. E, hmm, hmm… o que era mesmo? A líder falou sobre essa fera mágica antes! Não devia ter ouvido só de ouvido!
— Gogaaaaaaaaaaa!
O Bloodliger solta um rugido afiado na nossa direção. Que perigo!
Feito libertado de paralisia mágica, cada um empunha a própria arma.
— Mantenham distância! Aquele bicho é…!
— Uraaah!
A Rōzu ia dizer algo, mas, ignorando isso, o Garon avança sozinho.
Desce a espada contra o Bloodliger, mas é desviado facilmente, "hirari". Como contra-ataque, dessa vez, o golpe do Bloodliger ataca o Garon.
— Heh, isso é pouco…!
O Garon bloqueia a pata dianteira do Bloodliger com o escudo grande que carregava. Um golpe que provavelmente me jogaria longe, o Garon aguenta. Ooh.
— Se afasta, idiota!
— Ah!?
Junto com o grito da Rōzu, o Bloodliger cospe fogo da boca.
— Guaaaah!?
O Garon, exposto às chamas, tomba. Enquanto o Bloodliger tenta avançar de uma vez pra cima dele, o hachet arremessado pelo Domu-san voa na direção dele.
Percebendo o hachet, o Bloodliger salta pra trás com força, e o olhar dele se volta pra nós.
— Cuidado! Aquele bicho cospe fogo! Aproximar é perigoso!
Isso mesmo! Lembrei! Como a Rōzu disse, ele cospe fogo!
— [Rocha, venha, esmagamento de pedra gigante, Rock Crash]!
Quando o Sāgesu-san conjura a magia, uma rocha do tamanho de um barril grande aparece acima do Bloodliger. Mas o tempo atrasou, e o Bloodliger desvia facilmente, "hyoi". A rocha, caindo no chão, se estilhaça em pedaços.
— Lento! Não dá pra fazer algo melhor!
— Difícil concentrar energia mágica! Não me exige impossível nessa situação!
O Aberuto, empurrando a espada contra o Bloodliger, grita irritado, e o Sāgesu-san grita de volta.
A Rōzu balança o chicote, chamando a atenção do Bloodliger.
— Aqui tá tranquilo, então o senhor mago cuida logo desse aí caído no chão!
Como pedido, o Sāgesu-san começa a aplicar magia de recuperação no Garon, ajoelhado.
— Ei, garota! Não fica balançando esse chicote na minha direção! Vou cortar fora!
Quando o Domu-san tenta disparar um golpe de machadinha de guerra no Bloodliger, na hora errada, o chicote da Rōzu voa bem na frente dos olhos.
Isso não vai dar, todo mundo tá desconjuntado.
Tiro do bolso vários shuriken de bastão, e arremesso na direção do rosto do Bloodliger. Um deles crava perfeitamente no olho do Bloodliger. Parece que mirei, mas foi por acaso, viu!
— Gurugaaaaaa!
Com o olho ferido, o Bloodliger muda o alvo pra mim, e começa a me perseguir. Opa, não vou ser pega.
Agarro um galho de árvore, giro o corpo uma volta, e, com esse impulso, salto pro próximo galho. O Bloodliger persegue, mas eu vou pulando de galho em galho, fugindo. Essa é a técnica Saruhi.
Depois de ganhar distância suficiente de todo mundo, desço ao chão, e saco a espada ninja da cintura.
O movimento em si não é rápido. Comparado ao corte da Moroha-sama que vejo nos treinos da ordem, é diferença de tartaruga pra lebre. Se eu tomar cuidado só com o fogo cuspido, talvez consiga derrotar sozinha até.
Aah… mas se eu derrotar sozinha, dá problema, né? Falaram pra não chamar atenção…
Hmm… o que faço?