Capítulo 384 – A Fusão dos Mundos, e a Espinha Dourada
Comuniquei a transformação do mundo que viria daqui três dias a todos que consegui alcançar. Pedi ajuda à Relisha-san, mestra de guilda, e à Shiruetto-san, do "Gato Preto", pra alertar os representantes de cada país dos dois mundos que, daqui três dias, evitassem lugares perigosos.
Segundo a fala do deus, não deveria haver grande mudança, mas melhor redobrar cuidado, sempre. Até em Brunhild, proibi entrada na Ilha Masmorra naquele dia.
Vai exigir bastante carga dos grandes espíritos e dos espíritos subordinados. Conter terremoto, apagar tsunami, acalmar vulcão, evitando qualquer desastre natural. Isso só é possível porque sabemos com antecedência que vai acontecer.
Normalmente, espíritos não interferem se terremoto ou vulcão acontece. Isso é natural, óbvio pra eles. Mas, dessa vez só, os espíritos vão emprestar poder. O mundo desmoronar assim também não deve ser o desejo dos próprios espíritos.
Já fiz tudo que podia, agora só resta rezar aos deuses.
━━E, na manhã três dias depois.
Acordei antes mesmo do alarme do smartphone tocar.
Sinceramente falando, quase não dormi. Mesmo passando meia-noite, "daqui três dias" continua sendo o prazo. Sem saber o horário exato, nem o deus sabe, então não tem jeito, mas isso deixa aflito mesmo.
— Bom dia, pessoal.
— Bom dia. …Tá bem, Touya-san?
A Yumina observa meu rosto com preocupação. Tá tranquilo, é só falta de sono mesmo.
Já combinei com todo mundo, sem fazer nada especial em particular, hoje seguimos normal como sempre.
Mesmo assim, sentindo certa ansiedade, depois do café da manhã, todos se reúnem na sala de estar. Cada um lê livro, joga baralho, passando o tempo.
Eu também sento no sofá, lendo site de notícias no smartphone, e penso que seria conveniente ter um app que transmita alerta de emergência em situações de desastre assim.
Ligo pra Doutora na Babylon pra consultar, e ela diz que, contratando com espíritos e emprestando poder deles, seria totalmente possível.
Dessa vez, não tem jeito, mas depois vou pedir pra ela criar e distribuir isso. Alerta de tsunami, alerta de erupção, ajudaria bastante.
Desligando o telefone, ao abrir de novo a tela pra ver site de notícias, "aquilo" chega.
Don! Um instante de balanço vertical grande. Depois disso, tremor leve continua, tipo intensidade 1 ou 2.
— Chegou, hein…
— T, Touya…
A Sue se abraça em mim, insegura. Tá tranquilo. Os espíritos devem estar contendo.
— Touya-san, o céu…!
A Lindsey, na varanda, levanta a voz. Deixando a Sue abraçada, saímos também pra varanda, e, mesmo sendo manhã, o céu está escuro. Coberto por nuvens densas, escuridão feito noite.
— Q, que negócio é esse!? Aquilo brilhando…!?
— Bonito, hein… mas também parece meio misterioso…
No céu que a Lu aponta, cortina de luz se estende. A Yae, ao lado, também arregala os olhos diante desse fenômeno.
— O céu está se rachando…?
— Não, aquilo é aurora. Não sei se acontece nesse mundo, mas é fenômeno natural.
— Luzes polares, né. Já ouvi que às vezes se veem na grande floresta selvagem. Mesmo vivendo tanto tempo, essa é minha primeira vez vendo.
Respondo à Hilda, que murmura insegura, e a Rin complementa. Na Terra, é fenômeno visto em lugar frio, mas parece diferente aqui.
Enquanto observamos o céu, o chão continua tremendo. Mesmo assim, bem fraco, nada dentro de casa cai.
O céu muda de cor livremente, ora vermelho, ora verde, ora roxo, mas, eventualmente, a luz desaparece. Ao mesmo tempo, começa a cair chuva fina, "potsupotsu", e nos retiramos da varanda.
Sem força. Chuvinha caindo, "parapara". Mas não era chuva comum.
— Chuva… que brilha…?
Como a Sakura diz, chuva brilhante tipo arco-íris cai do céu. Brilhando, "kirakira", estoura no chão e desaparece.
Curiosamente, essa chuva não forma poça d'água. Tudo desaparece feito sendo absorvido pela terra. Mesmo estendendo a mão pra tocar, só sinto a sensação de tocar, mas a mão não fica molhada.
Como teste, coloco copo na varanda, e nada se acumula dentro. O que é isso?
— Será substância que contém energia mágica? Tipo líquido de éter… talvez seja energia mágica contida no ar caindo toda de uma vez.
A Rin observa a chuva com interesse. Não deve virar dano de água, mas será que tá tudo bem mesmo? Pra terra onde energia mágica se esgotou, abandonada pelos espíritos, talvez seja chuva de bênção…
— Ah, o céu tá clareando!
— É verdade… ou melhor, hã?
Diante da voz da Elsie, erguemos os olhos pro céu. De fato, a chuva começa a parar, e a luz do sol começa a entrar.
Mas, ali onde as nuvens se abrem, tinha dois sóis. Ainda por cima, parcialmente se sobrepondo.
Diante desse espetáculo chocante, todo mundo fica sem palavras. Eventualmente, os sóis viram um só, soltando um brilho especialmente forte.
Um clarão ofuscante, feito explodindo, nos atinge. Abrindo os olhos com cautela, ali só tinha o sol de sempre.
Sem perceber, o terremoto também já parou. Terminou, será?
— Exibir mapa mundial. Expandir no ar.
— «Entendido. Expandindo, sabe.»
Com "von", surge diante de mim o mapa mundial. Não era o mapa de sempre, era um novo mapa mundial.

Grosseiramente falando, à direita ficava o continente do mundo real, à esquerda o continente do mundo sombrio. Mas um pouco diferente da forma anterior.
— Ishen, Iguretto… país-ilha ficou bem distorcido e deslocado, hein. Do lado do mundo sombrio também.
— O Reino de Panachès e o Império de Lifris viraram território contínuo. Será que fica tudo bem?
Direciono o olhar diante da voz da Yumina, e, de fato, a ponta do Reino de Panachès está encostando no Império de Lifris.
Como território sobreposto não é tão amplo assim, não acho que vá gerar conflito, mas será que as pessoas que viviam ali estão bem?
Imediatamente, mando esses dados de mapa pra Babylon, e peço pra Doutora pelo telefone pra atualizar o dispositivo de todo mundo. Provavelmente, os smartphones de produção em massa de todo mundo não devem exibir o mapa do novo mundo.
A Doutora, que atende o telefone, também parece já ter previsto isso.
— E a observação, como está?
— «Por ora, sem problema. Sem tsunami, rachadura no chão, sinal de erupção vulcânica. Se tiver que dizer algo, atmosfera instável, mas em nível totalmente aceitável.»
Parece que os espíritos se esforçaram bastante. Preciso agradecer com algo depois.
Por ora, pelo menos o mapa novo, mando por e-mail com foto anexada, envio em massa.
Por precaução, ligo também pro Rei-Imperador de Lifris.
— «De fato, ficou conectado, mas o outro lado é só um país-ilha, então deve dar tudo certo. Segundo a fala da Rainha de Strain, o rei de Panachès é pessoa de temperamento calmo. Tá tranquilo, vamos resolver bem.»
Em termos de compreensão da situação, Lifris está em vantagem no momento atual. Não deve virar negociação desvantajosa.
Mais que isso, fico curioso com o Reino de Kyuriera, que agora faz fronteira marítima com Lifris e Belfast.
Não tenho informação nenhuma desse país. Não, se perguntar a Strain ou Gardio, provavelmente saberia, mas.
Por ora, aliviado, feito mirando exatamente esse timing, de repente, no céu, ecoa um som grande, "gakyaan!", tipo vidro se estilhaçando.
— ! O que é isso!?
— Touya-san! Olha aquilo!
A Yumina aponta o dedo pro céu.
No céu leste, algo tipo estrela cadente cai. Ativando na hora [Long Sense] com "Olho Divino", a forma "daquilo" caindo entra claramente na minha visão.
Espinho venenoso. Assim eu vi. Espinho dourado escuro, com incontáveis espinhos deformados brotando, desaparece no céu leste.
Aquele espinho sinistro claramente estava envolto em energia divina maligna turva.
— Busca! Onde esse objeto vai cair!?
— «Analisando… análise terminada. Exibindo, sabe.»
Um alfinete cai no mapa expandido. Regulus, francamente!? Droga!
Nordeste da capital Gararia, região onde se estende planície. Sortudo ou não sei, mas não tem cidade nem vilarejo grande ali.
Mas não posso ficar tranquilo. Sem dúvida, aquilo é algo do lado do deus maligno. Atravessou a barreira do mundo e caiu neste mundo. Não posso deixar sem cuidar.
— Vou lá!
Sendo perto, dá pra teletransportar na hora com [Teleporte]. Como não sei o que vou encontrar, decido ir sozinho. Se não tiver problema, depois conecto com [Gate].
Usando [Teleporte], teletransporto até o destino em Regulus, e ali o solo estava escavado num formato de grande cratera.
No centro da cratera, dá pra ver o espinho deformado cravado na terra.
Tamanho de uns 30 metros, talvez. Excluindo a parte enterrada no chão.
— O que é isso, afinal…
Quando tento me aproximar do espinho, o chão onde o espinho está cravado começa a mudar de cor devagar, feito água se infiltrando.
O chão vai sendo corroído por trevas venenosas cor dourado-escuro.
— «A terra está apodrecendo…»
De repente, terra se ergue do chão, formando a figura de uma mulher. Espírito da terra. Não invoquei, então esse corpo feito de terra e pedra não é o corpo verdadeiro, provavelmente é avatar. O corpo verdadeiro deve estar no reino dos espíritos.
— «Daquele objeto, um veneno que apodrece a terra está sendo liberado. Do jeito que tá, toda esta área vai apodrecer completamente, e a terra vai desaparecer.»
— Desaparecer? Quer dizer que vai sumir?
— «Sim. Não é derreter. Vai desaparecer. Pro vazio…»
Não derrete virando magma. Vai desaparecer de vez. Que coisa incômoda mandaram, hein…
— «Rei. Olha aquilo.»
Onde o espírito da terra aponta, do espinho venenoso dourado gigante, com som "pakirapakira", mutante começa a nascer.
Sem dúvida, todos são rank inferior. Esses inferiores, parecidos com formiga, estendem o braço-lâmina em nossa direção feito lança.
Tiro do [Storage] um martelo maior que o próprio corpo, feito de material cristal, dobro o peso com [Gravity], e bato contra o mutante.
O mutante, esmagado junto com o núcleo pelo peso do martelo, sobe fumaça negra, virando líquido derretido, desaparecendo.
Enquanto isso, mais mutantes vão nascendo igualmente do espinho venenoso. Vou esmagando um atrás do outro com o martelo, mas isso não tem fim.
Preciso resolver aquele espinho primeiro, senão não adianta.
Enquanto esmago os mutantes nascendo, disparo o martelo de material cristal, com peso aumentado, com força total, contra o espinho dourado.
Chega às minhas mãos impacto tipo tocar sino pesado.
Pikiii!, uma rachadura entra no espinho, começando a desmoronar. Estilhaços quebrados se espalham por toda parte, "garagara".
A expansão que corroía o solo também parece ter parado.
— Francamente, mudando de forma e método… isso é assédio, ou o quê.
O estilhaço do espinho quebrado derrete, "juwaa". Até aí, igual ao mutante anterior, achei que também ia desaparecer soltando fumaça negra igual sempre.
Mas o líquido derretido daquele estilhaço vira pó fino, dançando com o vento, começando a flutuar no ar. Feito areia amarela, o pó dourado tinge os arredores.
— O que é isso?
— «Gu, u, u, ah!?»
De repente, o espírito da terra começa a sofrer, cai de joelhos no chão. O que é isso!?
Correndo até o espírito da terra caído, agacho e puxo conversa.
— Ei! Tá bem!?
— «Sinto muito… Rei, por favor, fuja. Isso é…!»
Deixando só essa fala, a terra e pedra que formavam o espírito da terra desmoronam, "garagara", voltando à forma original.
— O que exatamente…
No instante em que tento me levantar, sou atacado por tontura violenta, e caio de joelhos igual ao espírito da terra.
O quê? O que é isso, afinal!?
Sem força. Mesmo tentando levantar, não consigo ficar de pé nem um segundo, e caio de novo no lugar. Difícil respirar. Suor frio escorre, a visão fica embaçada.
— Kuh… não pode ser, esse pó…
Encarando aquilo, que continua flutuando ao redor tipo neblina, tento de algum jeito erguer o corpo caído.
Do jeito que tá, é ruim. Preciso fugir daqui.
— [Tele, porte]…
A magia de teletransporte não ativa. Bobagem. Tento de novo, mas mesmo assim não ativa.
Não consigo refinar energia mágica dentro do corpo. Será que isso também é por causa dessa neblina?
Como último recurso, tento elevar energia divina pra semi-divinizar, mas, nesse momento, dor e tontura incomparáveis ao que sentia até agora me atacam, e vomito ali mesmo.
— Ugueeh!
Rolo pelo chão pra evitar o próprio vômito. Caindo de costas, erguendo o olhar pro céu, "aquilo" entra na minha visão embaçada.
— Mentira, né…
Direção do pôr do sol, ou seja, oeste. Incontáveis estrelas cadentes descem envoltas em luz dourada brilhante, "kirakira". Não pode ser, será que todas aquelas são a mesma coisa desse espinho!?
Diante da chuva de meteoros sinistra, sinto de novo vontade de vomitar subindo.
Na consciência turva, tento de algum jeito me mover pra escapar dessa neblina, mas em vão.
Sinceramente, isso é ruim. Até manter os olhos abertos já fica difícil…
— Kuh…!
— Rei!
Numa visão já enevoada, aparece uma garota de cabelo rosa claro. Sakura…? Ah, é, com [Teleporte]…
Capturando de canto de olho a figura da Sakura correndo em minha direção, perco a consciência.