Capítulo 389 – O Futuro das Fadas, e a Visita do Príncipe
A conversa entre o Império de Lifris e o Reino de Panachès avançou sem problema. A linha de fronteira também foi decidida tranquilamente, ficando definido que os dois manteriam relação amistosa.
No país que era mundo real, não existe coisa chamada golem, e no país que era mundo sombrio, magia não é algo comum.
Pra ajustar essa diferença de percepção em nível de país, é necessário que o próprio Estado tome a iniciativa.
Como prova de amizade entre os dois países, o Reino de Panachès presenteou alguns golens, e o Império de Lifris presenteou alguns grimórios, decidindo enviar engenheiros de golem e magos como instrutores técnicos.
Espero que, incorporando a cultura um do outro, consigam entendimento mútuo ainda mais profundo.
E então, sobre a informação do Anúbis e da Bastet, infiltrados em Eisengard.
Como esperado, parece que humano comum não sofre efeito do "Veneno Divino-Demoníaco", conseguindo viver normalmente.
Segundo eles, na cidade onde estão agora… parece ser cidade portuária no leste de Eisengard, e lá circula boato de que um monstro dourado destruiu outra cidade, e que a ordem de cavaleiros de golem do país mágico-industrial foi subjugar.
A Bastet e o pessoal pretendem deixar a cidade portuária amanhã, indo pra uma cidade ainda maior.
Aproveitando o relatório da Bastet e do pessoal, perguntei à engenheira Elka sobre o "Coroa" branco que ouvi do Brau, o "Coroa" azul.
— Encontrar a Nowāru foi coincidência, sabe. Normalmente, classe "Coroa" costuma ser encontrada em lugar tipo ruína ou local de instituição de pesquisa, mas ela foi encontrada numa mina.
— Mina?
— Local pra extrair Pedra da Luz Mágica. Além disso, era mina abandonada há décadas, sem uso, e eu encontrei por acaso. Achei que fosse golem de mineração descartado no passado, mas, como tinha o brasão da série "Coroa" no pescoço, soube na hora que era um "Coroa".
Imediatamente, a engenheira Elka recuperou a Nowāru e começou a restauração, mas, com a habilidade da época, levou bastante tempo. Levou um ano pra completar a restauração, mas a Nowāru não aceitou a engenheira Elka como mestre.
— "Coroa" escolhe quem vira mestre. Suponho que eu não tinha aptidão pra isso. Nunca imaginei que minha irmã caçula, que se infiltrou no laboratório enquanto eu estava viajando, viraria mestre daquele "Coroa".
A engenheira Elka bebe o café da mesa com sorriso amargo.
Com base em quê o "Coroa" escolhe mestre, hein. Preto, vermelho, azul, roxo…
Mumu. Só sei que todos têm certo problema de personalidade…
O "Coroa" azul parece ter sido passado de geração em geração pela família real de Panachès, e o mestre anterior do "Coroa" vermelho é o pai da Nia. Hereditariedade ou linhagem também pode ser possibilidade, hein.
— Aliás, quando encontrei a Nowāru, foi meio estranho, sabe.
— Estranho?
— Uhum. Normalmente, quando encontra golem de máquina antiga, é escavado da terra, ou está em hibernação dentro de ruína, tipo isso. Mas, no caso da Nowāru, estava abandonada dentro do túnel da mina. Mesmo sendo mina abandonada, antigamente tinha gente trabalhando lá, né? Então isso significa que…
— Alguém abandonou lá depois de virar mina abandonada, ou ela mesma foi até lá e parou de funcionar…
— Também não é zero a possibilidade de alguém tê-la forçado a parar de funcionar ali…
Nowāru estar junto com o "Coroa" branco… foi o que o Brau disse. Não deve ser, mas será que quem forçou a Nowāru a parar de funcionar foi o "Coroa" branco, Albus?
Mesmo pesquisando com magia de busca, não tem reação, hein. A forma deve ser mais ou menos parecida com a Nowāru e a Rūju, e a cor deve ser branca. Acho que reconheceria numa olhada.
Será que tem algum tipo de fator de interferência, ou será que já nem existe mais.
Mumu. Não adianta ficar remoendo o que não sei. Vou mudar de humor.
Voltando de "Babylon" pro castelo real de Brunhild, encontro a Rin, no sofá da sala, cruzando os braços, pensativa em algo. Ao lado dela, a Pōra também cruza os braços, mas você não deve estar pensando em nada, provavelmente.
— O que foi?
— Um pouco. Tava pensando sobre a quantidade de mana e aptidão das pessoas do nosso mundo e do outro mundo.
Ah, minha noiva de novo pensando em algo complicado… Sento ao lado dela pra ouvir a fala da Rin.
— Provavelmente é diferença de evolução acumulada ao longo do tempo, mas as pessoas de lá não parecem ter quantidade de mana tão alta. Acho que também tem poucos aptos. A sensação de manipulação de mana parece aguçada, mas isso provavelmente é porque usam magitecnologia no dia a dia.
Ah, é verdade, aqui vela é o normal, mas lá tem até neon usando Pedra da Luz Mágica, né. E parece que aquele ajuste de intensidade de luz é feito manipulando mana.
— Então quer dizer que as pessoas de lá não são adequadas pra usar magia?
— Hum, acho que não é totalmente inviável. De fato, o pessoal do "Gato Vermelho", e a gerente do "Gato Preto", conseguiam usar, né?
A Nia e o pessoal, tudo bem, mas, no caso da Shiruetto-san, fui eu que ajudei a invocar a criatura invocada, hein.
— Bom, isso também deve trazer mudança diferente conforme as pessoas daqui e de lá se misturarem e as gerações passarem. Pode ser que seja só na geração do bisneto do bisneto do bisneto, mas.
— Isso é história de prazo bem longo.
— Ah, será? Pelo menos pra deus, e pra nós, servos de deus, talvez seja num piscar de olhos.
A Rin segura minha mão. Ela é da raça fada, espécie de vida longa. Pra quem originalmente vive tempo longo, talvez essa seja a sensação normal mesmo.
— Bisneto do bisneto do bisneto, hein. Não consigo imaginar nada.
— Bom, o filho seu e meu vai nascer como raça fada, então acho que também vai ter vida longa igual.
Igual no caso da Sakura, que é raça demoníaca, o filho entre raça fada e humano não herda características dos dois pais, tipo meio-elfo. Sempre nasce como raça fada.
Além disso, parece que raça fada tem taxa de nascimento masculino baixa, nascendo menina com 80% a 90% de probabilidade.
Antes, perguntei pro Deus, e nosso filho nasce como filho de deus. Naturalmente, vida também longa. Mas, no máximo, o dobro de humano comum, e, na geração seguinte, o neto, parece que a vida já cai pro mesmo nível de outro humano qualquer.
Por isso, o filho da Rin e da Sakura, sendo espécie de vida longa, provavelmente vai viver mais tempo que os outros.
— Parece que vai ser relação longa.
— Só um ponto que me preocupa, sabe… quando nossa filha crescer mais que eu, e esse crescimento se fixar, quando ficarmos pai, mãe e filha lado a lado, existe possibilidade de eu parecer a filha, e a filha parecer sua esposa…
A Rin murmura resmungando. Bom, essa possibilidade existe mesmo… né?
A aparência da Rin é de uns 11, 12 anos, e agora ainda parece mais velha que a Sū, de algum jeito. Mas, diferente da Rin, cujo crescimento já parou, a Sū logo deve ultrapassar a Rin também.
Incluindo eu, o crescimento de todo mundo parece parar em ponto adequado depois de virar adulto e o envelhecimento estagnar, mas a Rin já é adulta por natureza da espécie. Não vai crescer mais que isso. Ela se preocupa com isso.
— Não precisa se preocupar com isso, não. A Rin é a Rin, então pode ficar ao meu lado com confiança.
— Não é esse tipo de problema, mas… ah, tudo bem. Também é bobagem ficar com ciúme de filha que ainda nem existe.
Rindo baixinho, a Rin se espicha, passa o braço no meu pescoço e me beija. Abraço ela, pequena e delicada.
— No fim das contas, basta você me amar o suficiente pra eu nem sentir ciúme da filha, né.
— Vou me esforçar… será que essa resposta ficou estranha?
— Você é nove vezes mais trabalhoso que pessoa comum, então acho que posso te dar um desconto.
Isso é gentileza. Não é questão de gostar mais da esposa ou da filha, acho que amor de pai/mãe e amor conjugal são coisas diferentes mesmo. Hn?
— …Aliás, é meio tarde pra perguntar isso agora, mas, a Rin tem pais, irmãos?
— É bem tarde mesmo, viu.
A garota fada ri baixinho.
Não, como dizem que ela é líder da raça fada, meio que imaginei imagem tipo "ancião", e achei que os pais já tinham falecido.
— Não tenho irmão nem irmã. De início, espécie de vida longa já tem dificuldade de ter filho, e raça fada tem espírito investigativo forte. Mesmo casal fica cada um fazendo o que quer, em unidade de séculos, então quase sempre é filho único.
Fico pensando como não é extinta, mas, já que os mais velhos não morrem tão facilmente, talvez até fique equilibrado assim…?
— E os pais?
— Depois de acumular certa idade, mesmo não sendo todos, alguns da raça fada partem pro "Mundo das Fadas". Lá, fazem preparação pra terminar a vida.
O "Mundo das Fadas" é um país de outra dimensão com entrada na Grande Floresta, parece ser lugar parecido com o mundo espiritual. Raça fada envelhecida passa lá os últimos séculos tranquilamente, terminando a vida por lá.
— Meus pais já partiram pro "Mundo das Fadas". Acho que ainda estão vivos, mas acho que não devem mais vir a este mundo.
— Isso quer dizer…
— Não precisa se preocupar com isso. Já fiz despedida decente com meus pais faz várias centenas de anos. Além disso, já tenho nova família agora, não é?
A Rin sorri sem demonstrar nem um pingo de tristeza. Pra raça fada, isso deve ser coisa bem normal.
— …Queria ter conhecido, os pais da Rin.
— Ah, se for falar assim, eu também queria ter cumprimentado seus pais.
Se conseguisse dominar melhor o "teletransporte interdimensional", talvez conseguisse teletransportar pro mundo original. Mas, naquele mundo, eu já sou existência morta. Mesmo apresentando a Rin, seria só como fantasma parado à beira da cama? Não, não, se fizer errado, pode até parar o coração dos dois, e o outro lado também viraria fantasma. Melhor deixar só como aparição em sonho.
Bom, isso é coisa que não tem jeito mesmo.
Como se quebrasse o clima que ficou meio melancólico de repente, meu smartphone vibra avisando ligação. É do comandante da ordem de cavaleiros, Rein-san. O que aconteceu?
— Sim, alô?
— «Aqui é Rein. Majestade, tem alguém dizendo ser seu amigo diante do portão do castelo…»
— Amigo?
Quem é? Se fosse o comerciante de tecidos Zanakku-san ou a Mika-san do "Lua Prateada", a Rein-san também conheceria, então… Ende?
— «Isso… como dizer, com todo respeito, a aparência é suspeita demais… está usando algo tipo coroa pequena, e se autodenomina príncipe…»
— Ah… já vou aí. Peça pra esperar aí, por favor.
Príncipe de aparência suspeita, só pode ser aquele. Esse desgraçado, teletransportou e apareceu de invasão. Justamente numa hora dessas devia usar telefone pra avisar, pensei, mas, com fidelidade, mandou e-mail. Nem percebi.
Parece que lembrou que falei "e-mail se não for coisa importante". Mas, francamente, o nervo de mandar e-mail de uma linha dizendo "vou aí!" e chegar em três minutos, é inacreditável.
— O tal príncipe?
— Ah. Descobri hoje pela primeira vez que quem tem habilidade de teletransporte pode ser tão incômodo assim. Estou refletindo.
No meu caso, confirmo direitinho a conveniência do outro lado, viu. Na medida do possível. O máximo que consigo. Em emergência, isso não se aplica, mas.
— A Rin também vai? Posso apresentar.
— Claro. Tenho um pouco de curiosidade. Vamos, Pōra.
A Pōra, que ficava rolando no sofá pra não atrapalhar a nossa conversa, salta e se agarra na minha perna direita.
Abraçando a Rin, ativo [Teleporte], e num instante nos teletransportamos até onde a Rein-san está, diante do portão do castelo.
Como esperado, diante de mim estava o príncipe de capa curta, calção estufado, meia-calça branca, cabelo loiro cortado reto.
— Ei, Touya-kun! Vim aí!
— Não é "vim aí", francamente.
Originalmente, aqui era hora de dar um chinelo na cabeça dele, mas, como tinha acompanhantes, aguentei de algum jeito.
Um dos acompanhantes, o pequeno golem azul, óbvio, é o "Coroa" azul, Brau, parceiro do Robēru. Sem esse aí, não dá pra usar a habilidade de teletransporte por distorção espacial, então é natural que esteja ali.
E, ao lado do Robēru, uma garota vestindo vestido bonito. Cabelo comprido cor de linho, sorriso gentil, olhando pro Robēru com olhos brilhantes.
Ela é a noiva do Robēru, Seresutia Tuwente Erunandesu. Outro dia, conheci ela junto com o Robēru no Reino de Strain, quando fui entregar o smartphone. Sobrinha de Sua Majestade a Rainha do Reino de Strain, realeza legítima mesmo.
Ela… a Seresu, aceita tudo do Robēru, incluindo o senso de moda dele, em certo sentido, era noiva perfeita pra ele.
Sinceramente, pensei "por que uma garota dessas com esse aí?" (desculpa a franqueza), mas ela parece amar o Robēru de coração. Cada um com seu gosto, talvez seja isso.
— Boa tarde, Touya-sama. Muito obrigada pelo presente maravilhoso outro dia. Poder conversar com o Robēru-sama todo dia é como um sonho.
— Fico feliz que tenha gostado.
Segurando com força o smartphone de produção em massa que entreguei, a Seresu sorri gentilmente.
Atrás dos dois, estão dois cavaleiros de cada, total de quatro, provavelmente escolta de cada país, mas, além deles, tem mais um rapaz esperando.
Idade parece não ser muito diferente da minha e do Robēru.
Cabelo curto cinza, olhos dourados raros. Orelhas levemente pontudas, pele marrom-avermelhada com padrão de escama. Dois chifres saindo do cabelo, e cauda grossa…
— Você… raça dragonoide?
A Rin, vendo o rapaz, abre a boca. Sendo ex-maga da corte do reino de beastfolk Misumido, deve se interessar pela raça do rapaz.
— Raça dragonoide? Nós somos Dragonewt. Descendentes do orgulhoso rei-guerreiro, herdeiros do poder do dragão.
Dragonewt. Talvez seja assim que chamam raça dragonoide do outro lado. Parece igual à aventureira Sonia-san.
— Hoje trouxe ele pra apresentar ao Touya-kun! Ele é,
Falando até aí, de repente o Robēru cai de rosto no chão, "batān!", começando a roncar, "guoooo…", dormindo. Custo da habilidade do "Coroa".
A Rin, a Pōra e a Rein-san, vendo isso pela primeira vez, dão um pulo de susto, olhando na minha direção.
— Ah, tranquilo, tranquilo. É operação normal.
Imediatamente, o Brau ergue o Robēru com agilidade. A Seresu tira lenço do bolso, limpando a terra grudada no rosto do Robēru. Que cuidadosa, hein.
— Perdão. Poderia emprestar um quarto com cama? Ele deve acordar em umas quatro horas.
Dorme bastante, hein… bom, não me importo de emprestar quarto, então peço pra Rein-san guiar.
Quando o Robēru e o Brau, junto com os dois cavaleiros que os acompanham, se afastam, "kohon", pigarreando levemente, a Seresu apresenta o rapaz de raça dragonoide… não, Dragonewt, né.
— Vou apresentar no lugar do Robēru-sama. Ele é Zanberuto Garu Rāze. Segundo príncipe do Reino Guerreiro de Rāze.
Diante da apresentação da Seresu, o rapaz chamado Zanberuto abaixa levemente a cabeça.
Príncipe trouxe príncipe, francamente.