Capítulo 390 – O Príncipe de Rāze, e o Desafio Imprudente
Reino Guerreiro de Rāze.
Reino localizado a oeste do Reino de Strain, ao norte de Eisengard. País multiétnico que valoriza fortemente etiqueta e reverencia o poder marcial, dizem.
O que aqui seria o Reino de Misumido chega perto disso em formato. Beastfolk e várias outras raças vivendo misturadas, mas, entre eles, o que é peculiar é o caráter nacional.
Como dá pra perceber pelo nome "Reino Guerreiro", o povo daqui busca força. Não força qualquer. Força de espírito também é exigida, dizem.
De forma simples: valentão forte de corpo e mente é respeitado.
Primeiro, precisa ser forte. Depois disso, precisa ter coração que considera o próximo. São pessoas que vivem literalmente o ditado "mente sã em corpo são".
Dizem até que, tirando o fator golem, é considerada a nação mais forte.
"Sem ser durão não dá pra sobreviver. Sem conseguir ser gentil não tem direito de viver", é? Que detetive é esse aí.
E o motivo desse segundo príncipe de país assim ter vindo à nossa casa é.
— Gostaria de lutar a sério com o mais forte deste país. Já tenho permissão do meu pai.
— Não, não, não, se lutar a sério, você morre, viu? Morte instantânea, viu?
Falando em mais forte da nossa casa, sem dúvida é ou a irmã Moroha ou o tio Buryu.
Lutar a sério com esses dois… por mais que seja, preciso impedir esse tipo de suicídio.
Mas o segundo príncipe do Reino Guerreiro de Rāze, Zanberuto Garu Rāze, parece ter ficado ofendido com minha fala, respondendo em tom levemente irritado.
— Com todo respeito, mas mesmo assim sou o segundo príncipe do Reino Guerreiro de Rāze. Sem dúvida, estou entre os cinco melhores do meu país. Não acredito que eu ficaria tão atrás assim. Se é falta de confiança e quer recusar, peço que diga isso claramente.
Hmm, não era esse o sentido, viu. Como resolver isso, hein.
— Já que ele tá dizendo que quer lutar, deixa lutar? Foi ele que propôs, então mesmo perdendo não tem do que reclamar, né?
Com a fala da Rin, parada ao lado, a têmpora do Zanberuto-kun se contrai de novo. Essa Rin, será que tá provocando de propósito sabendo?
— Príncipe Zanberuto, qual sua arte marcial principal?
— Quase tudo. Se tiver que apontar uma, luta corporal.
Nesse caso, deve ser o tio Buryu. Sendo ele o "Deus Marcial", é o oponente adequado.
— Vou repetir mais uma vez, mas, não pensa em desistir?
— Não! Lutar com forte e polir minha própria arte marcial, não há alegria maior que essa!
Com sorriso feroz, o príncipe Zanberuto declara. Antes disso, será que isso vai virar luta mesmo…
— Hahaha! Que jovem com espírito de luta admirável. Certo, serei seu oponente!
No campo de treino ao norte do castelo, o tio Buryu ri alto.
Eu, a Eruze e o Ende, esperando ao lado do campo, só conseguimos dar risada forçada. A irmã Moroha, que se voluntariou como árbitra, sorri divertida com cara de riso maroto, e a Rin, que provocou o príncipe Zanberuto, senta despreocupada no banco lendo livro, como se não fosse nada com ela. A Pōra, aos pés dela, parece animada, no entanto.
Aliás, a Seresu, noiva do príncipe Robēru, parece não ter interesse nenhum na luta, já foi rapidamente pro quarto onde o Robēru foi levado.
Parece ser normal, dizem que ficar observando o rosto adormecido do Robēru dormindo é o que mais lhe traz alegria. Que gosto estranho… não, já que o outro lado também tem gosto estranho, talvez sejam o casal perfeito.
— Quanto tempo você acha que ele aguenta?
— Sei lá… acho que depende do mestre.
— Mesmo assim, acho que ele não vai lutar a sério.
Enquanto nós, que de jeito nenhum conseguimos imaginar o tio Buryu perdendo, conversamos assim, o segundo príncipe de Rāze direciona um olhar irritado na nossa direção. Parece que o ouvido dele é bem apurado.
— Arte Marcial Estilo Rāze, Zanberuto Garu Rāze! Vamos, com honestidade, uma luta!
— Muito bem! Meu nome é Mochizuki Buryu! Venha, jovem!
— Estão prontos? Então, começar!
No instante seguinte ao braço da irmã Moroha, a árbitra, baixar, com som de "Don!", o cotovelo do tio Buryu atinge o peito do príncipe Zanberuto, e ele é lançado longe quicando no chão, feito trapo velho.
— «Uh, uwaaaaaaa!?»
Nossas vozes, eu, Eruze, Ende, ecoam no campo de treino. O que você fez!? O que você tá fazendo!? Esse velho!
Correndo apressados até o príncipe Zanberuto, ele estava espumando pela boca, olhos completamente virados.
— Você tá querendo matar ele!?
— Hahaha, se eu quisesse matar, teria perfurado o coração com mais precisão. Ajustei bem no limite pra não morrer de fato, então tudo bem. Talvez o coração tenha parado um pouco, mas deve acordar com magia de cura leve.
Não, não, não, pra começo de conversa, esse estado que precisa de magia de cura já é estado perigoso que quase morreu, francamente!
Por ora, não dá pra deixar largado, então lanço [Cure Heal], e o Zanberuto imediatamente recupera a consciência.
— Ha!? E, eu tava fazendo o q…
— Foi nocauteado num golpe pelo tio Buryu. Não lembra?
— B, besteira…! Eu, num golpe só…!
Gemendo em tom de descrença, o segundo príncipe fica de quatro no chão.
— Que sem graça. Não seria melhor ter feito ele durar um pouco mais?
— Se não consegue nem defender esse nível, não deve fazer muita diferença mesmo. Acho que não vou conseguir atender sua expectativa, hein?
— M, mais uma vez! Deixa eu tentar mais uma vez!
O Zanberuto, sem medo, interrompe a conversa entre deuses do tio Buryu e da irmã Moroha.
— Hum, mais uma vez, é. Tem algum plano? Se não tiver, vai ser a mesma repetição, viu?
— Vou liberar o verdadeiro poder de nós, Dragonewt! Assim, não vou perder tão fácil!
— Ho, verdadeiro poder de Dragonewt, é. Interessante. Então serei seu oponente mais uma vez!
Já que os dois envolvidos querem, ficou decidido reiniciar e lutar de novo. Melhor teria sido desistir…
— Haaaaaaaaaaaa!
— Oh?
Do corpo do Zanberuto, já em posição de guarda, sobe algo tipo "Ki" tremeluzente.
Os músculos do corpo incham, e, por toda a pele do corpo, surge padrão tipo escama.
— Método de Punho de Luta.
— Método de Punho de Luta, hein.
O Ende e a Eruze abrem a boca levemente surpresos. Método de Punho de Luta é aquilo, técnica de combate que funde mana com parte do corpo, mudando característica física conforme a situação.
O "Hakkei" que a Sonia-san, de raça dragonoide, usava também parece ter sido derivado disso, então não é estranho que ele, sendo de raça similar, Dragonewt, também consiga usar.
— Eu, transformado em Dragão de Luta, não sofro mais efeito de ataque como o de antes! Força, velocidade, dureza da carne, tudo multiplicado várias vezes!
Com sorriso feroz transbordando, o Zanberuto ruge.
— Então, começar!
Simultâneo à voz da irmã Moroha, de novo, som de "Don!", e o Zanberuto quica no chão, sendo lançado girando feito trapo velho.
— «De novo━━!?»
Nada mudou nada! Só fomos mostrados a mesma cena de antes!
De novo corremos até ele, e, igual antes, com espuma na boca e olhos virados, lançamos [Cure Heal] no Zanberuto.
— Ha!? E, eu tava fazendo o q…
— Foi nocauteado de novo num golpe pelo tio Buryu. Igual antes.
— B, besteira…! Eu, transformado em Dragão de Luta, num golpe só…!
De novo de quatro no chão, gemendo, o segundo príncipe. Até aí, igual.
— Kuh… eu perdi!
— Éé mesmo.
Sem salvação demais, nem sei mais o que dizer. Mesmo "quase conseguiu" ou "você é bom" viraria mentira.
Nessas horas, melhor perguntar pra quem lutou de fato. Sendo adulto, deve ter alguma palavra de consolo tipo "tem talento" ou "tem potencial", né?
— Ah… como ele foi?
— Nem dá pra comentar!
Cortado sem dó! Óbvio, ele não fez nada, cara. Ou melhor, nem deram chance pra ele fazer.
O Zanberuto, erguendo o rosto, ainda de quatro, vai até o tio Buryu, e começa a se ajoelhar em reverência total no chão.
— E, eu fui completamente derrotado! Essa força, verdadeiramente digna de deus marcial! Não chego nem perto! P, por favor! Me aceite como discípulo!
— Recuso!
De novo sem dó! Nem finge que pensou um pouco! Ficou sem palavras!
— O Ende e a Eruze você aceitou como discípulos, mas ele não pode?
— O Ende é discípulo que eu mesmo encontrei, e a Eruze é serva do Touya. Comparado com esses dois, esse aí nem é páreo. É impossível ensinar multiplicação pra bebê.
— Como assim! Tá dizendo que eu sou inferior a esses dois!?
Apontando pro Ende e pra Eruze, o príncipe Zanberuto ruge. Parece não aceitar que dois da mesma idade, aparentemente, viraram discípulos do tio Buryu, e ele não.
— No estágio em que não consegue nem perceber a força do oponente, já não dá pra falar nada. Se for julgar pela aparência, um dia vai levar contra-ataque doloroso.
Não, não, ao invés de "um dia", parece que já acabou de levar agora mesmo, mas.
Mesmo assim, ainda não convencido, o príncipe Zanberuto direciona olhar hostil, "kii", pro Ende e pro pessoal. Ei, ei, isso é injustiça, viu. Não é culpa dos dois ele não poder virar discípulo.
— E, então! Se eu vencer um desses dois, me aceita como discípulo!
— Tudo bem por mim?
— Certo! É promessa, viu!
Com a resposta imediata do tio Buryu, um "eeh~?" de fundo do coração incomodado escapa dos dois. Entendo o sentimento.
— Aliás, se tanto o Ende quanto a Eruze pegarem leve, o cardápio de treino de amanhã vai ser curso hardcore.
— «Gee!»
Com a fala do tio Buryu, os dois ficam pálidos. Que tipo de treino normalmente fazem, afinal…
— Em troca, quem derrotar ele mais rápido, pode descansar a tarde de amanhã.
— «Iisso aí!»
Com a fala do tio Buryu, o rosto dos dois se enche de alegria. Por isso, que tipo de treino normalmente fazem, afinal…
Depois disso, tive que ver duas vezes mais exatamente a mesma cena que o tio Buryu fez. Já nem tenho mais nenhuma reação. Usar magia de cura já virou tipo trabalho braçal.
Aliás, quem conseguiu a folga de meio dia foi o Ende. Podia ter pegado leve aí, desgraçado. Coitada da Eruze.
No fim, o Zanberuto também me desafiou pra um combate, mas, já cansado disso, lancei ele longe igual trapo velho, como todos os outros.
Chegando nesse ponto, finalmente percebi que esse segundo príncipe é meio idiota.
— Besteira… eu… eu, descendente de dragão, Dragonewt… perdendo pra mero humano… as pessoas deste país são estranhas…
De quatro, rosto pálido, resmungando "botsubotsu", o Zanberuto. Precisamente falando, não tem nenhum "mero humano" aqui, mas.
— Primeiro, descarta essa ideia de "Dragonewt" ou "mero humano". Não confunde orgulho com arrogância. No fim do treino, esse tipo de coisa é igual poeira.
Diante da fala do tio Buryu, o príncipe do reino guerreiro ergue o rosto. Roupa toda destruída de tanto ser lançado. Magia de cura não conserta roupa, né.
— Quando alguém, sem nem entender a força do oponente, se enche de orgulho na própria força, essa pessoa com certeza carrega fraqueza dentro de si. Você, agora, é isso. Esse tipo é frágil. Fácil de quebrar.
— Uh…
— Mas quem admite a própria fraqueza, encara essa fraqueza, e, gravando no coração pra não esquecer, sobe rastejando, esse é forte. Você recebeu essa chance. Usar ou desperdiçar depende de você.
— M, mestre!
Não sei bem por que, mas esse príncipe idiota tá tremendo de emoção. Acho melhor não levar tão a sério assim o que esse velho fala, viu.
Raça divina, talvez por causa da própria habilidade, costuma ser bem relapsa na maioria das vezes. Existe boa chance de estar falando algo meio no sentimento mesmo, sem base.
— Aliás, no fim das contas, o que você veio fazer aqui? Não veio só pra lutar, veio?
— Ah. Es, esqueci de entregar carta que meu pai confiou a mim. I, isso aqui.
Cutucado pela Eruze, o Zanberuto tira do bolso uma carta toda amassada. Ei, isso devia ter entregado primeiro, francamente.
Abrindo e lendo a carta, era declaração do rei guerreiro dizendo que o Reino Guerreiro de Rāze também vai participar da conferência mundial que será realizada em Brunhild, além de conteúdo pedindo, se possível, pra dar uma lição no nariz empinado demais do segundo príncipe.
Ao invés de "lição no nariz", foi mais tipo socado até afundar, mas.
Já que o próprio rei falou isso, não deve ter problema. Mas que família real espartana, hein. Deve ser costume de família tipo "primeiro, seja forte!".
— Entendi bem quão fraco eu era. Vou gravar as palavras do mestre no peito, e continuar treinando ainda mais a partir de amanhã. Muito obrigado pelo ensinamento!
— Uhum. Não vou aceitar como discípulo, mas, quando achar que ficou forte o suficiente, volte de novo. Vou quebrar essa arrogância mais uma vez.
Que demônio.
Isso não é tipo jogar filhote de leão no vale profundo, e, quando finalmente sobe exausto e rastejando, rir e empurrar de novo?
No caso do tio Buryu, parece que ainda joga pedra em cima também.
Por ora, parece que o Reino Guerreiro de Rāze também vai participar da conferência mundial. Mais que conferência, é tipo festa, mas, bom, não deve ter problema.
Só espero que o rei chamado de "rei guerreiro" de lá não seja idiota igual esse príncipe.